Dia de Inverno

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Yoo, Minna! Bom, essa é a minha primeira fanfic yaoi, então me desculpem se ficou ruim q--qBoa Leitura! o/

Gotas congeladas caíram do céu e formavam um tapete fofo na rua, tão branco que se bater o mínimo de luminosidade seria capaz de cegar quem o fitasse por muito tempo. Do lado de fora, viam-se crianças eufóricas brincando de fazer anjinhos de neve, guerras de bola de neve, esculturas, e tinham outras que se contentavam apenas em tentar pegar os flocos cristalinos antes que estes chegassem ao chão. A pureza dessas almas infantis, tão brancas quanto a própria neve, esbanjavam juventude e vontade de viver

– Eu também era assim. – Pensou alto o homem – Tão jovem e feliz quanto uma criança. Não há palavras para descrever o quanto que eu queria ser assim novamente. – As palavras, proferidas ao vento, sobrecarregavam ainda mais o clima pesado do cômodo para, logo em seguida, se dissiparem em forma de vapor no vidro frio da janela, embaçando-a.

Quando o vapor do vidro começou a atrapalhar sua “observação” às crianças, limpou-o com a mão e continuou observando. Seu corpo todo doía, pedindo que se levantasse da cadeira a qual ficou sentado o dia inteiro e fosse dar um passeio. Mas ele não queria fazer isso. Afinal, por que ele iria fazer isso? Não há motivo algum. Sua única vontade era ficar sentado diante da janela, observando a vida monótona da rua até o dia em que o sopro da morte resolvesse tocar seu corpo.

Os vizinhos lamentam que tamanha desmotivação esteja atribuída a uma pessoa de apenas trinta anos. É o “Jovem Idoso”, como assim o chamam.

Todos, até mesmo o próprio Natsu, concordaram que o apelido caíra muito bem. Esta mesma velhice, impregnada em sua alma, se refletia em seu rosto jovem. O cabelo perdeu a vida. Os fios, antes rosados e chamativos, perderam o brilho. Estavam desbotados e ressecados, alguns até estavam esbranquiçados. Olheiras profundas marcavam o cansaço resultante de noites sem dormir, chegando às maçãs do rosto. O corpo, delgado e fraco, e os lábios, tão rachados quanto seu coração.

Como que uma pessoa tão vivaz e alegre ficou desse jeito? Ninguém sabe. Natsu balançou a cabeça, tentando em vão afugentar de sua mente as lembranças que teimavam em aparecer, principalmente durante a época de inverno. Memórias estas de certo moreno cuja magia era tão fria quanto a neve:

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–Natsu... – As bochechas do moreno estavam tão rubras que Natsu quase podia sentir o calor que emanava delas – Eu... Eu te amo.

– O quê? – Agora era Natsu quem estava com as bochechas rubras – G-Gray... – Sem pensar, se aproximou do moreno e o abraçou. Deu uma risada baixa quando sentiu o outro perdendo o ar, certamente ele não estava contando com essa reação por parte de Natsu. Apertou ainda mais o abraço, acabando com o pequeno espaço que existia entre eles. Poucos segundos depois, sentiu os braços do moreno envolvendo-o ternamente. – Não sabe o quanto que eu esperei por isso.

– D-desculpe-me. – Sua voz continha um misto de surpresa, nervosismo, ansiedade e carinho. – Natsu... Você quer ser meu namorado? – Sua voz saíra mais firme do que o normal, como se ele tivesse a ensaiado por semanas.

O rosado desprendeu-se do abraço e olhou nos olhos de Gray. Não conseguindo conter a felicidade na voz, disse:

– Sim!

Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, Gray se aproximou e selou os lábios do outro com um beijo. Seus lábios, nem quentes nem frios, encostavam-se aos de Natsu com delicadeza. O toque, suave e terno, causaram arrepios no corpo de Natsu, que fechara os olhos para senti-los melhor. O beijo “transportava” o amor e o afeto que sentiam um pelo outro e, ao mesmo tempo, um toque de alívio por finalmente estarem fazendo o que tanto queriam. Durante um bom tempo ficaram assim, desfrutando da tranquilidade e da paz de espírito que ambos transmitiam um para o outro.

De repente, sentiram que esse clima romântico não era suficiente. Os corpos de ambos começaram a pedir mais. A língua de Gray começou a pedir espaço na boca de Natsu, que cedeu sem nenhuma resistência. Aos poucos o beijo foi ficando mais ousado, e a aura tranquila na qual estavam envolvidos fora substituída por uma de puro desejo. Desejo de ir mais fundo. Desejo de intimidade. As línguas de ambos brincavam dentro da boca do outro, provocando-os. Esse mesmo desejo se depositou nas mãos do moreno, que já se esgueiravam por dentro da blusa do outro.

De repente, Gray sentiu Natsu o empurrando com força, mas ao mesmo tempo com um pouco de delicadeza:

– Gray.... – Disse ofegante. – Não se esqueça de que estamos no meio da rua.

– Opa. – Como poderia ter esquecido um detalhe tão importante quanto esse? Olhou ao seu redor. Felizmente a rua estava deserta, com exceção deles mesmos e um grupo de quatro pessoas que trabalhavam pintando a parte externa de um estabelecimento e, pelo visto, estavam concentrados demais para terem reparado em qualquer outra coisa.

– Sorte que não nos viram. – Suspirou Natsu, enquanto observava os “robôs” (como assim pareciam) trabalhando na obra. Quando voltou o olhar a Gray, encontrou-o rindo. – Qual é a graça?

– Seu cabelo está cheio de neve. – Passou a mão direita por entre os fios rosados do outro, bagunçando-os. – Pronto. – Disse quando todos os flocos haviam saído.

– O-obrigado. – A sensação dos dedos do moreno passeando pelo seu cabelo lhe causou outra onda de arrepio.

Durante mais ou menos trinta segundos ficaram quietos, apenas se encarando. Até que Gray resolve quebrar o silêncio:

– Vem cá. – Pegou Natsu pelo pulso e começou a andar.

–Para onde vamos?

– Pro meu apartamento. Lá poderemos ficar a sós. – Respondeu com um sorriso sugestivo no rosto.

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UM ANO DEPOIS...

– Posso ajudar senhor? – Sorriu a atendente.

– Ah... Estou procurando um presente. – Respondeu Natsu enquanto olhava as enormes prateleiras cheias de caixas de bombons, trufas, bonecos de chocolate e tantas outras variedades.

– Ah sim. E de que seria o presente? Aniversário, páscoa...

– De namoro. Hoje faz um ano que estou namorando, gostaria de dar um presente bem especial.

– Entendo. Eu tenho algumas caixas de trufa que acabaram de chegar, creio que irá gostar.

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Natsu caminhava calmamente pelas ruas movimentadas. Em suas mãos, uma caixa de trufas de licor.

– Falta apenas uma quadra para chegar na casa dele... – Pensou alto. Levou a mão ao pescoço, onde repousava um colar com um pingente em forma de floco de neve. Um presente feito a mão pelo próprio Gray. Desde que começaram a namorar, Natsu vira seu amado treinar arduamente até aprender a produzir com sua própria magia um tipo de gelo que não derretesse. Quando finalmente aprendeu, fez o pingente de floco de neve usando sua magia e pendurou-o à corrente. Desde então, Natsu nunca mais tirou o colar do pescoço.

Em poucos minutos chegou ao edifício de seu amado. Procurou nos bolsos a cópia da chave que Gray havia lhe dado e abriu o portão. À medida que subia as escadas em direção ao apartamento, Natsu sentia o coração batendo cada vez mais forte. Não sabia dizer se era felicidade, ansiedade, ou simplesmente amor.

Parou em frente à porta do apartamento. Inseriu a chave na maçaneta e girou-a devagar e silenciosamente, pois queria fazer uma surpresa. Porém, quando abriu a porta, foi ele quem teve uma surpresa.

Gray estava sentado no sofá e, acomodado em seu colo, estava seu amigo de infância, Loki. A ferocidade com a qual trocavam beijos e carícias fazia com que parecessem dois animais selvagens. Os gemidos de Loki preenchiam o cômodo.

Durante poucos segundos Natsu ficou parado, sem reação. Não estava acreditando que aquilo realmente estava acontecendo. Em sua cabeça passavam várias lembranças: todos os passeios, beijos, abraços, noites de amor, frases românticas... Todos os momentos felizes que havia colecionado durante esse ano de namoro de repente lhe pareciam um pesadelo. Seus olhos marejaram. Sua visão embaçou. Em um movimento instintivo, tampou a caixa de trufas no chão e fechou a porta com um estrondo. Não ligou se eles estivessem escutado, era isso que queria. Saiu do edifício o mais rápido possível, deixando que suas pernas o levassem para onde quisessem.

Porém, quando chegou na esquina, sentiu alguém o segurar pelo pulso. Natsu já sabia quem era:

– Me larga! – Gritou. Suas lágrimas, antes de tristeza, foram substituídas por lágrimas de raiva. Todos da rua se silenciaram e olharam para os dois.

– N-Natsu, eu posso explicar... – Disse Gray, meio constrangido ao reparar todos os olhares da rua pousarem em si.

– Não me venha com essa frase clichê! – Torceu o pulso para livrá-lo da mão do outro e logo em seguida virou-se para ele. – Por quê? Era nosso aniversário de namoro...

– Natsu, por favor...

– Durante todos esses anos, você foi a primeira e única pessoa que amei. Esforcei-me ao máximo para te agradar e para sermos felizes! – Fez uma pausa. Escutou o burburinho vindo dos “espectadores”, que assistiam petrificados à cena. – Mas vi que você não deu valor nenhum.

– Mentira, eu dei muito valor-

– SE TIVESSE VALORIZADO, NÃO ESTARIA ME TRAINDO NESTE EXATO MOMENTO! E TODAS AQUELAS VEZES QUE DISSE QUE ME AMAVA VOCÊ TAMBÉM DEU VALOR IGUAL EU DEI? OU SÓ FALOU DA BOCA PRA FORA? E TODAS AS NOITES QUE DORMIMOS JUNTO, VOCÊ TAMBÉM DEU VALOR OU SÓ SE IMPORTOU COM O PRAZER?

– Natsu, vamos para dentro, estamos no meio da rua-

– Não vamos a lugar nenhum. – Em um gesto rápido, arrancou com um puxão o colar de seu pescoço e jogou-o com força no chão. – Nunca mais ligue pra mim e nem me mande mensagem. Se me ver na rua, saia do meu caminho e torça para que eu não tenha te visto, porque se eu ver seu rosto novamente na minha frente, eu vou te matar. Eu não estou brincando. É uma promessa. – Virou-se de costas – Agora você pode voltar a comer seu ruivinho, não irei te atrapalhar novamente. – Ao terminar a frase, saiu andando a passos largos. As pessoas que assistiam à cena abriam caminho para que Natsu passasse, com medo de serem pulverizados caso o encostassem sem querer.

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Seus devaneios foram interrompidos pelo som rouco da campainha.

“ Que estranho...” – Pensou Natsu – “ A última vez que bateram aqui em casa deve ter mais de três anos. Quem será?” – Caminhou até a porta de entrada.

Uma onda de surpresa e raiva tomou conta de seu corpo ao ver Gray parado à sua frente.

Pelo visto, o tempo não havia sido cruel apenas com Natsu. Gray estava mil vezes pior. O cabelo estava ralo e ressecado, e olheiras fundas também marcavam seu rosto e passavam das maçãs do rosto. Seu corpo, absurdamente magro e fraco, parecia que ia se partir em mil pedaços se carregasse um peso maior do que o das roupas que vestia. Sua pele estava tão pálida que dava para traçar o caminho que suas veias faziam. Era uma cena deplorável.

– O-oi... – Disse o moreno.

– Gray... – Durante alguns segundos, Natsu ficara se reação. Toda a raiva que havia sentido no dia que Gray o traiu voltou em dobro. – Você ainda se lembra daquela promessa que fiz, né?

– Sim. – Respondeu firmemente. – E é isso que eu quero que você faça.

– O que? – A resposta pegara Natsu de surpresa.

– Desde que terminamos, há quatro anos, minha vida foi horrorosa. – Lágrimas começaram a inundar seus olhos. – Eu fui um completo idiota. Não devia ter te traído. E até hoje eu não sei por que fiz aquilo. Eu te amo de verdade, Natsu. Eu te amo muito! Não há palavras para descrever a dor que senti quando te fiz chorar. Quando tudo passou, eu só pensava em como eu conseguiria o seu perdão. Passei infinitas noites sem dormir, quase não comia direito, só ficava planejando como serei perdoado. E então... – As lágrimas se intensificaram, tornando-o incapaz de continuar. Então foi direto ao ponto. – Por favor, Natsu, me mate.

Isso apenas fez a raiva de Natsu aumentar.

– Não adianta se fazer de coitadinho. Eu não ficarei com pena de você.

– Eu não estou me fazendo de coitado. Eu apenas estou arrependido. Eu não mereço mais o seu amor, e estou ciente disso. Eu ainda te amo muito, mas eu sei que não mereço ser correspondido. E também cheguei à conclusão de que nunca serei perdoado. Então só me resta uma saída: Deixá-lo completar sua vingança. Se eu morrer pelas suas mãos, irei embora com a consciência de que foi justo. Por favor! – Pediu, desesperado.

Ao ver aquela figura desesperada à sua frente, implorando pela morte, Natsu concluiu que Gray deve ter sofrido o dobro do que ele mesmo sofreu. O peso da culpa estava bem claro em seu tom de voz. A fraqueza de seu corpo e sua aparência deplorável revelava que a vida havia lhe dado o troco que merecia. O peso do arrependimento e da culpa aos poucos sugou sua alma. O Gray na verdade já estava morto há muito tempo, mas o seu corpo insistia em continuar vivo.

Agora o rosado não sentia mais raiva, mas sim pena.

– Pois bem... – Natsu abaixou a cabeça e, com as poucas forças que ainda tinha, canalizou sua magia e em poucos segundos sua mão direita virou chama pura.

Em um movimento rápido, sua mão flamejante transpassou o coração de Gray.

Sangue jorrou para todos os cantos, sujando a neve em sua volta, suas roupas, e o rosto de Natsu, regado pelas lágrimas.

– Gray... – Disse, abraçando o corpo ensanguentado do ex-namorado, para que este não caísse à medida que a sua vida se esvaía através da ferida aberta. – Você está perdoado.

– S-sério...? – Sua voz estava fraca demais para demonstrar a felicidade e o alívio que estava sentindo. Seu corpo formigava à medida que perdia sangue, mas não estava sentindo dor. Sentir o abraço quente de Natsu e ouvir que havia sido perdoado havia anestesiado completamente sua dor. – Muito obrigado... Não sabe o quanto estou feliz... E-eu te amo muito... – A cada palavra, seu corpo se tornava mais pesado.

– Eu também te amo. – Sussurrou Natsu, entre uma lágrima e outra. Ao concluir a frase, sentiu todo o peso do corpo de Gray contra o seu, revelando que neste não havia mais vida nenhuma.

Notas finais
E aí, o que acharam?? Estou aberta a qualquer crítica, comentário ou sugestão! =^.^= Eu sei que ficou ruim, não joguem pedras T^T kkkkkkk mentira, podem jogar sim. Afinal, são as críticas que constroem um bom escritor, ne? Me desculpem qualquer erro de português Muito obrigada por lerem! Kissus! o/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!