Dia de Chuva

1 Capítulo Único - Dia de Chuva


Notas iniciais
Ieeei, nossa segunda One Shot pra esse projetinho maravilhoso de momentos do nosso casal durante a época do clássico!

Adiantamos que já temos algumas ideias para o próximo também heim ;)

Esperamos que gostem e nos vemos nas notas finais.

Boa leitura!

A chuva insistia em cair sem trégua pelas ruas de Konoha. O tempo acinzentado e as grandes gotas d'água que inundavam a vila haviam afastado os moradores das partes externas. Quem podia, permanecia em casa como uma fortaleza ou abrigo para aquele tempo frio de inverno. Lojas locais começavam a fechar suas portas, visto que nenhum cliente apareceria no meio daquele aguaceiro sem fim.

Sakura resmungava por sua falta de sorte. Havia saído às pressas para comprar alguns ingredientes que a mãe havia pedido para preparar o jantar, mas não havia chegado à tempo no pequeno mercado, que já havia encerrado seus trabalhos pelo dia.

Resmungava pelas ruas já sabendo que Dona Mebuki não ficaria nem um pouco contente e precisar improvisar a comida daquela ceia. Andou devagar pelas calçadas da vila, embaixo de seu guarda-chuva simples e com suas galochas cor de rosa, que a protegiam das enormes poças por onde pisava sem ao menos perceber.

Estava com a cabeça nas nuvens, com o pensamento longe em um certo alguém. Um alguém de cabelos escuros e bagunçados, uma voz rouca que a fazia arrepiar e um olhar tão intenso capaz de fazê-la perder o chão.

Suspirou com os olhos fechados e um pequeno sorriso tímido escapou entre seus lábios. Desejava encontrá-lo, ou ao menos vê-lo, nem que fosse de longe.

As últimas semanas foram marcadas por muitos treinos e missões. E claro que havia estado ao lado de Sasuke em cada oportunidade possível. Mas, ainda assim, não sentia ser o suficiente em seu coração. Já não o via há alguns dias, que foram tirados por Kakashi sensei para que pudessem descansar, e, com isso, a saudade do Uchiha aumentava cada vez mais.

Abriu os olhos aceitando seu destino e rumando com um pouco mais de pressa para casa. Em breve iria escurecer e o som dos raios e trovões invadiam seus ouvidos constantemente.

Mas, ao virar uma certa esquina, mal pôde acreditar no que estava vendo. Ou, no caso, quem estava ali, tão perto.

Sasuke acabava de sair de uma loja de conveniência que Sakura e sua família não tinham o costume de frequentar. Ele não carregava nenhuma sacola em mãos denunciando que sua busca fora tão infrutífera quanto a da garota. Logo, ela observou que a atenção dele concentrava-se adiante, então a Haruno seguiu seu olhar e viu uma mulher andando de mãos dadas com uma criança, provavelmente seu filho, embaixo de um guarda-chuva simples como o seu.

Sakura sentiu seu coração apertar diante de tal cena. Mesmo que o rapaz não dissesse, era óbvio que sentia falta da família e que cenas como aquela faziam-no relembrar de fatos que deveriam ser esquecidos. A Haruno queria poder consolar seu coração tão flagelado, queria que seu amor fosse suficiente para curá-lo das feridas que tinha, e apesar dele sempre evita-la, ainda continuaria insistindo. Ele precisava dela e ela estaria lá por ele.

— Sasuke-kun! – Chamou, caminhando rapidamente em sua direção.

Ele desviou os olhos da desconhecida para fitar a companheira de equipe que gritava seu nome de forme irritante. Sakura corria em sua direção enquanto segurava o próprio guarda-chuva contra os ventos úmidos da Vila. Até mesmo Sasuke estava se molhando, ainda que estivesse debaixo do toldo da loja.

Tinha ido até ali para comprar tomates, recordava-se vagamente de Mikoto trazendo sacolas da loja falando sobre as frutas estarem sempre frescas e bonitas, então era um costume que havia agregado após a chacina do clã. Ele só não esperava que uma tempestade caísse enquanto escolhia criticamente seus tomates, observando que eles não estavam maduros como gostava e assim resolveu deixar a refeição planejada para outro dia, o que o deixou bastante frustrado.

Desde então estava parado sob o toldo, refletindo sobre sua vida ao olhar para as ruas vazias de Konoha. Era assim que seu distrito ficara após o crime de Itachi, sem vida e sem rastros. A única pessoa que transitava por ali, chamando a atenção do Uchiha, fora a mulher com o menino ao lado, e isso o afetou mais do que gostaria de admitir. Ainda assim, seu orgulho era maior e, com isso, permaneceu com sua máscara de apatia.

Não precisava de tristeza e inveja, e sim de ódio e poder para vingar sua família do irmão.

Cogitou ir embora, mesmo sob a chuva, para treinar logo. Afinal, não havia ninguém o esperando em casa, certo?! Nunca ficaria forte o suficiente se continuasse ali, parado, apenas evitando a água. Mas quando estava prestes a dar o primeiro passo e se molhar, ouviu o som da voz de Sakura o chamando.

Interiormente ele se irritou com a presença dela. A menina queria a todo custo estreitar os laços que tinham e o rapaz sempre tinha que afastá-la de si rudemente para que entendesse que ele não tinha disposição, muito menos tempo, para coisas tão levianas quanto namorar. O problema era que Sakura conseguia ser mais insistente que o Dobe às vezes.

No entanto, o olhar que ela lhe lançava naquele momento era diferente, não era uma surpresa por vê-lo e nem o olhar devoto de sempre, estava mais próximo de acolhimento e companheirismo... e isso o intrigou. O que havia mudado desde a última vez que se viram para ela ter aquela expressão?

Deixou que a garota se aproximasse e assim que ela o fez, ele virou-se para ela com as mãos nos bolsos fingindo desinteresse.

— Sasuke-kun, está sem guarda-chuva? – Ela questionou preocupada.

— Aa – confirmou dando de ombros.

— Estamos em pleno inverno e está frio. Se pegar chuva vai ficar doente.

— Tsc... não fico doente tão fácil assim – resmungou, levando os orbes negros até o céu nublado de nuvens carregadas.

— Está indo pra casa? – A garota questionou mordendo o lábio inferior.

— Vou treinar – informou, dando o primeiro passo para fora do toldo, já decidido a seguir seu caminho, mas surpreendeu-seu ao ter o pulso segurado e virou-se com o cenho franzido para a garota que o observava com repreensão.

— De jeito nenhum. Não vou deixar você ficar na chuva – aproximou-se dele colocando o guarda-chuva que tinha sobre os dois.

O Uchiha revirou os olhos e a encarou irritadiço. Não gostava que intereferissem em seus planos,

— Você não manda em mim – ralhou.

— Não. Não mando – ele abaixou o olhar, fitando seus pés e o encarando nos olhos novamente. – Mas me preocupo com você.

— Se eu ficar doente, isso não tem nada a ver com você, Sakura. Então me deixa em paz e pronto.

— Não tem... nada a ver comigo? – ela piscou algumas vezes e arqueou uma sobrancelha. – Se você ficar doente, quem vai cuidar de você? Naruto? Kakashi? Você sabe que não. Você sabe muito bem que vai ficar do seu lado enquanto estiver numa cama resfriado precisando de um chá ou uma sopa. – Ela acusou e o mesmo arregalou os olhos surpreso. – E se ainda não percebeu, caso fique doente, não poderá treinar até estar curado. Ou seja, só irá se prejudicar. É isso o que quer?

Sakura não era de contrariá-lo. Normalmente aceitava suas escolhas e o seguia em silêncio. Mas aquele olhar ferino nos orbes verdes mostravam que dessa vez ela não o faria, ela não ficaria quieta.

Suspirou derrotado, vendo que ela tinha razão no final das contas. Mas a verdade é que a ideia de ir para seu apartamento e ficar completamente sozinho não lhe parecia a melhor ideia.

Ainda assim, estalou a língua e maneou a cabeça para a garota.

— Que seja. Vamos – acomodou-se mais perto da companheira de time e deixou que ela o levasse pelas ruas, protegendo-os daquela chuva incessante.

Andaram por alguns metros a caminho de sua residência, já havia aceitado que não poderia treinar com aquele tempo. Percebeu que Sakura segurava o guarda-chuva com precisão, tentando protegê-los ao máximo das gotículas que insistiam em lhes tocar nos ombros expostos.

Deduziu que aquela proteção fora feita para apenas uma pessoa, mas de nada adiantaria se continuassem se molhando daquela maneira. Logo teriam suas blusas encharcadas de qualquer maneira.

Estalou a língua se irritando com a mistura das gotas em sua pele e o vento gelado que os atingia e o deixara com frio. A garota, por sua vez, também parecia passar pelo mesmo, visto que batia os dentes e encolhia o corpo com uma pequena tremedeira.

Não pensou duas vezes antes de levar a mão até a cintura de Sakura e puxá-la para perto, encostando ambos os corpos e consequentemente aquecendo um ao outro enquanto o guarda-chuva finalmente protegia os dois totalmente.

— Sa-sasuke-kun – gaguejou e Sasuke percebeu o rubor nas bochechas da companheira de time. Crispou os lábios e olhou para o outro lado ao sentir o rosto esquentar também.

— Estávamos pegando chuva. Assim ficamos mais protegidos. — Deu de ombros, fingindo indiferença e tentando ignorar o quão íntimo aquilo parecia.

Sakura apenas assentiu, mantendo-se com a cabeça baixa e um sorriso bobo nos lábios sentindo a mão firme de Sasuke sobre si. Era quente, confortável e seu coração parecia que pularia do peito a qualquer momento de tão forte que batia.

Andaram em silêncio até o apartamento do Uchiha, mas quando chegaram até a porta do mesmo, a chuva aumentou a intensidade se transformando em um completo temporal.

Sasuke olhou para a garota e franziu o cenho antes de suspirar fundo e dizer:

— Vamos, entre. Melhor esperar a chuva passar ou pelo menos diminuir.

Sakura o olhou com certa incredulidade. Ele estava mesmo a convidando para sua casa? Ficou sem palavras, apenas digerindo a informação e se perguntando mentalmente se realmente ouvira certo.

— Ei, não me ouviu? Entra logo, está frio aqui fora — ele disse em tom de ordem e com certa impaciência, fazendo a Haruno dar um pulo e fechar o guarda-chuva, adentrando o cômodo escuro atrás do Uchiha.

Sasuke pediu para que ela aguardasse e buscou duas toalhas, entregando uma para ela enquanto usava a outra para se secar. Sakura agradeceu baixinho enquanto observava minuciosamente cada detalhe do local. Sasuke era, de fato, muito organizado e metódico.

Viu que ele a olhava com uma sobrancelha arqueada e percebeu o quão enxerida estava sendo. Sorriu sem graça e se ofereceu para fazer um chá, indo diretamente para a cozinha e esquentando a água.

O jovem Uchiha a seguiu com o olhar, formulando uma reprimenda pela intromissão da menina, mas se deteve ao perceber as boas intenções dela. Aliás, quando o assunto era ele, Sakura sempre fazia de tudo para acolhe-lo da melhor forma, e ainda que suas ações fossem motivadas por seus sentimentos, o garoto não podia sentir-se mal com isso. Era bom ter alguém ali, cuidando dele e dando vida ao distrito morto.

A menina estava parada na cozinha, olhando com certa dúvida para os armários de madeira, questionando-se em qual deles o jovem guardaria uma chaleira e também uma erva. Ao ver a companheira confusa, Sasuke se aproximou para abrir um armário e retirar o utensílio que ela precisava. Sua ação fora feita sob o olhar astuto de Sakura e ele não pode deixar de se sentir desconfortável, já que os olhos dela conseguiam enxerga-lo e também pareciam lhe cobrar para enxerga-la.

— Aqui – estendeu o braço passando a chaleira para ela.

— Obrigada – sorriu acanhada.

Sasuke lembrou-se da fala anterior dela. Era fato que se ficasse doente, Kakashi e Naruto até poderiam visita-lo, mas quem realmente cuidaria de si seria a companheira, mesmo que ele não a merecesse por seu mal-humor constante. Na verdade, analisando a maior parte de suas ações, muitas delas sendo grosserias para com a Haruno, ele nunca mereceria aquele amor que ela insistia em entregá-lo.

Observou quando ela se distanciou de si e encheu a chaleira com a água da torneira da pia, em seguida colocou a peça no fogão. Sasuke trocou o peso das pernas incomodado em como aquela situação lhe parecia agradável demais... em como sentia falta daquilo. E em um ímpeto de coragem deu um passo em direção à Sakura, mas quando ela voltou-se para si com aqueles grandes olhos vibrantes, congelou novamente no lugar.

— Sasuke-kun? – Questionou, confusa pela expressão ambígua dele.

Era como se o menino estivesse em uma batalha interna e Sakura só desejava que ele não a expulsasse de sua casa, afinal, ele podia estar arrependido de tê-la convidado para entrar. O Uchiha engoliu a seco e movimentou a mão em um gesto displicente, fingindo que a presença dela não mexia consigo.

— Você tem preferência por chá? – Perguntou, dirigindo-se a outro armário.

Sakura arregalou os olhos ao perceber que ele estava considerando sua opinião com seriedade e isso fez com que seu coração batesse acelerado. Ao seu modo, Sasuke se importava consigo e ela não poderia estar mais feliz pela descoberta.

— Hortelã – sorriu amplamente, vendo-o manear a cabeça e retirar um pacote laranja do armário.

— Hm, pronto – resmungou, trazendo a embalagem para a pia e colocando o pó na água fervente.

A menina até queria tentar puxar algum assunto e prolongar aquele momento a dois, mas o garoto parecia tão sereno que ela tinha medo de estragar o clima ameno, então apenas puxou uma cadeira disposta e sentou-se, observando-o fazer o mesmo.

Ali, sob o cheiro do chá e o som da chuva, Sakura sentiu que, de algum modo, eles estavam conectados, que nunca antes haviam estado tão próximos, ainda que só estivessem esperando o bendito chá. E Sasuke, em seu mundo interior, não podia negar que, naquele instante, era um ambiente confortável. Sabia que há muito tempo não sentia-se bem em sua própria casa e que só estava aprazível pela companhia dela.

Sasuke a fitou de esguelha, encontrando seu olhar fixo em si, e sorriu de lado, sabendo que ela coraria com aquele simples e impensado gesto. As bochechas dela avermelharam-se no mesmo segundo e antes que pudesse dizer qualquer coisa, o chiado da chaleira cortou o clima entre ambos. O menino desfez o sorriso característico e se levantou para servir a si mesmo e também a parceira. Entregou uma xícara branca para ela e também um recipiente com açúcar, afinal, Sakura tinha um gosto mais duvidoso que o seu. Em seguida, pegou a sua própria xícara, voltando a se sentar na cadeira ao lado dela.

— Obrigada – ela agradeceu com um pequeno sorriso, colocando três colheres de açúcar na bebida fumegante.

Sakura bebericava o chá, cada vez mais envergonhada pelo olhar intenso de Sasuke sobre si, mas tentava distrair-se contando as gotinhas de chuvas que escorriam pela janela da casa dele até o momento em que o aguaceiro parou.

A menina olhou para sua xícara e viu que o chá havia acabado, assim como o dele.

— Ahm, Sasuk...

— Acho melhor que vá agora – interrompeu a tentativa de conversação dela – Seus pais devem estar esperando.

A Haruno abriu a boca surpresa, sentindo o coração se partir, mas logo desfez a expressão e concordou com um aceno contido. Sasuke levantou-se de sua cadeira, levando as xícaras até a pia e depois caminhou até a sala, sabendo que ela o seguiria.

— Até mais, Sasuke-kun – acenou, assim que ele abriu a porta e lhe deu passagem.

O coração dela estava apertado, sua garganta parecia fechada e os olhos tinham uma tristeza clara, porém o Uchiha não demonstrava nenhum sinal de que estava sendo afetado por isso. Assim, ela correu para fora da casa, levando seu guarda-chuva que até então estava depositado na soleira da porta.

Mesmo que o menino aparentasse apatia, havia um motivo para ter praticamente a expulsado. Por fim, diferente dele, Sakura tinha para quem voltar, tinha pessoas a esperando e preocupadas consigo. Ele sabia muito bem a aflição que era chegar em casa e não encontrar nenhuma pessoa querida, e por sorte Sakura não sabia como era esse sentimento. Ela tinha uma família que a amava incondicionalmente e estava lá por ela todos os dias.

Por outro lado, lembrava-se também claramente de como sua mãe se mostrava apreensiva quando ele e Itachi demoravam para chegar em casa após os treinos. E por isso não achava certo deixar os pais dela naquela mesma situação. Ela já estava fora há um bom tempo e provavelmente se perguntavam se algo havia acontecido.

E mesmo que tenha sido de certa forma rude sugerindo que ela fosse embora de repente, ele não queria fazê-la sofrer, nunca quis. Mas se precisasse fazer isso para livrá-la de qualquer dor futura, o faria sem pensar. Ele estava quebrado e Sakura precisaria aceitar que o destino dele seria ao lado da solidão. Ela não conhecia o lado ruim da vida e Sasuke esperava fortemente que nunca conhecesse. A garota não merecia tamanho sofrimento.

Fechou a porta da casa, após ela desaparecer do seu campo de visão e voltou às sombras da residência abandonada.

— Tadaima – cumprimentou com um suspiro o silencioso vazio.

Notas finais
~DebStr: o fim foi meio tristinho, mas não podemos esquecer que no final eles ficaram juntos e tiveram a nossa princesa, certo?! Espero que tenham gostado da One e estamos bem ansiosas pelos comentários!!! Até lá :D

~Vany-chan734: OLAAAR, pessoal! Eu espero que vcs tenham gostado de mais um projetinho nosso! Ele foi feito com muito amor e carinho, viu? Até os coment's Beijos!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!