Dia amaldiçoado
1 Capítulo 1 - OneShot
Notas iniciais
GRUUUUUVIA *--*
Como eu torci por eles no mangá... >.< Um onezinha amorzinho pra comemorar xD
Espero que gostem sz
Mantenha a respiração constante, foque nos seus sentidos, no cheiro, nos sons, na sensação gélida dos azulejos em contato com o corpo quente, se acalme. Não pense no que acabou de acontecer, no modo como ele te olhou ou em como todos pararam para prestar atenção em vocês e no seu fiasco particular... não pense em nada pelo amor de deus.
Suspirei com minha derrota. Era impossível para uma pessoa ansiosa como eu conseguir manter a mente em branco, pelo contrário, cada pensamento tentando atingir o nada trazia mais uma enxurrada deles. Existia um limite de vergonha que eu tinha prometido para mim mesma nunca ultrapassar, e lá estava eu tentando me manter inteira depois de ser arremessada para além desse limite. Olhei o relógio no celular, já ia bater os quarenta minutos que eu estava ali. Saí do box do banheiro no qual estava escondida e me olhei no espelho... tudo ficaria bem. Sorri dando um tapa em ambas as bochechas de forma a guardar aquele sorriso que teria que usar pelas próximas horas até ser liberada para casa.
Pensei na situação que me aguardava e meu estômago se revoltou. A cena fora tão vergonhosa que eu não conseguira aguentar e só o que fiz para não passar mais vergonha ainda foi dar uma desculpa qualquer para usar o banheiro e fugir. E agora era aquela hora, onde eu tinha que sair do cativeiro e enfrentar as consequências das minhas ações, ou nesse caso, da falta dela.
Caminhei pelos corredores até minha sala sentindo que a cada passo que dava uma pedra se encaixava, uma a uma, em cima dos meus ombros. A primeira aula estava chegando ao fim e logo eu poderia entrar. Sentei no banco alto que a inspetora usava para ficar de guarda nas salas quando não estava dando uma patrulhada pelo colégio e esperei, uma espera longa e tortuosa. Meus pés balançavam em ritmos distintos e eu tentava me distrair com a pintura laranja horrorosa da parede cheia de falhas. Sério, com o valor que cobravam nas mensalidades o mínimo de se esperar eu um bom reboco.
Enquanto tentava tirar as casquinhas soltas da pintura o sinal tocou e eu quase voei do banco com o susto. Olhei para cima à minha direita e notei com desagrado a localização do sinal absurdamente e desnecessariamente alto.
— Um dia eu ainda te vandalizo. – Falei sorrindo com o pensamento feliz.
— Eu topo ajudar. – A voz completamente reconhecível falou ao meu lado e eu tremi. – Juvia? – Perguntou e eu finalmente virei de frente para ele com um suspiro frustrado.
Eu ainda não estava pronta para esse confronto senhor destino.
— É uma missão solo Gray. – Sorri nervosa. – Eu trabalho sozinha. – Citei.
Ele riu de forma tão natural que me desconcertou. Não sabia dizer se ele estava agindo como se nada tivesse acontecido ou se estava usando a informação contra mim e me deixando totalmente encabulada com sua beleza.
— Você terá meus sinceros agradecimentos. – Falou encantador como sempre.
Era engraçado, quando eu comentava disso para minhas amigas elas diziam que ele agia de forma normal, talvez até um pouco frio demais, mas para mim era sempre daquele jeito, cada ação impactante, me desmoronando pouco a pouco e me deixando enlouquecida de amor.
— O professor chegou. – Comentei me sentindo salva. Desci do banco e quase atropelei Gray para entrar na sala e me esconder no meu lugar, mas antes de alcançar a porta meu pulso foi segurado.
— Juvia. – Olhei para Gray que parecia momentaneamente envergonhado e não pude deixar de admirar essa nova face que eu conhecia. Salvei na memória como um daqueles tesouros raros, guardando a esperança de nunca esquecer. – Depois da aula vamos conversar.
Continuei encarando ele durante algum tempo sem conseguir absorver a informação. Aquilo não era uma pergunta e mesmo se fosse eu não negaria. Talvez quando fosse dispensada eu saísse correndo para casa e fingisse que esqueci, mas nunca conseguiria negar nada a ele. Gray me largou de repente, como se meu pulso estivesse em chamas e focou seu olhar no meu ombro, olhando alem de mim, quando me virei percebi que a sala toda nos esperava para começar e que com isso não só os rumores como a minha vergonha profunda só aumentariam. Corri para meu lugar sem falar nada e abaixei a cabeça na mesa, tentando voltar a me acalmar. Era perigoso para a minha saúde ficar perto de Gray.
O professor de biologia começou a aula me aterrando mais no meu assento ao comentar que nós teríamos tempo para namorar depois da escola. De verdade, deveria existir uma lei sobre o limite da vergonha e se alguém um dia ultrapassasse o seu ou fizesse outra pessoa ultrapassá-lo, este seria sedado para eternidade, sem chance de fazer algo assim nunca mais. Gray estava o mais natural que se era possível com seus amigos fazendo comentários e mandando sorrisos maliciosos em sua direção, e eu tive de segurar o impulso de me desculpar com ele. Se eu fosse ele, eu não me perdoaria.
Durante a explicação sobre os diversos filos e suas características diferenciais eu comecei a divagar enquanto olhava para um ponto sujo na lousa, era um pequeno espaço no canto esquerdo em baixo onde alguém desenhara um ângulo reto com branquinho. As lembranças de mais cedo voltaram a serem revividas e eu não pude me segurar enquanto começava a repassar passo a passo, tentando me eximir de culpa. Tinha tudo para ser uma aula normal se não fosse eu e meu dia amaldiçoado. Minha mãe tinha pedido antes de sair de casa que eu levasse casaco e um guarda chuva que eu precisaria, mas eu não ouvi, estava um dia lindo não é mesmo? Errado. Nunca ignore as previsões da sua mãe, elas acertam mais que qualquer homem/mulher do tempo. O dia ter se fechado no momento em que pisei no pátio da escola só poderia ser um sinal, e eu deveria ter simplesmente me virado e voltado para casa, mas não. A primeira aula era de português e eu gostava do professor... isso mesmo gostAVA.
Meu professor de português era conhecido por fazer os outros passarem vergonha, e eu adorava isso, achava engraçado, achava que tornava a aula mais fácil de digerir, achava que eu nunca seria o centro da piada... tão inocente. Ele era um tipo de tinder ao vivo, como a sala era grande ele permitia que mandassem bilhetinhos pedindo informações sobre algum aluno em específico e então o entrevistava, perguntava seus gostos, se estava solteiro, se estava aberto a relacionamentos, seu tipo favorito, fornecia o currículo completo do crush. Em outros casos só lia as declarações anônimas que corações tímidos mandavam ou recados aleatórios como piadas. Tudo isso enquanto ensinava gramática.
O ponto é que naquele dia o bilhetinho veio com um recado que me desarmou completamente. O professor leu em alto e bom som, se divertindo com o conteúdo e fazendo a sala rir e eu me afogar na carteira.
“Professor, pode pedir para a Juvia parar de falar sobre o quanto o Gray é gostoso e o quanto o ama para as amigas durante a aula e tentar conta pra ele depois? Está me tirando a concentração aqui.”
Eu pensei em negar as acusações para os “milhares” de rostos que me encaravam, mas as reações das minhas amigas e a minha paralisia pareceu deixar bem clara a veracidade daquela informação. Procurei pelo olhar do moreno, alvo dos meus extensos elogios e desejei sumir com o espanto presente no seu rosto. Sem fazer ou falar nada, terminando de confirmar de vez, levantei e pedi para ir ao banheiro, onde estava até agora pouco. Uma história trágica para mim, hilária para os outros e provavelmente perturbadora para Gray que agora teria de lidar com as piadas.
Tentei imaginar o que ele estaria pensando e só me senti mais para baixo. Nossa relação sempre fora estranha, eu era acostumada a admirá-lo de longe. Gostava de ficar na minha e até entre minhas amigas eu era a que menos falava (menos quando o assunto era Gray, claro). Tínhamos amigos em comum devido ao namoro da minha amiga com o amigo dele e por isso às vezes entrávamos em contato. Ele era gentil comigo e puxava papo quando acabávamos ficando de vela de forma a acalmar a situação constrangedora. Com ele eu falava mais do que o normal, ficava confortável em contar sobre as constrangedoras loucuras da minha mãe e em como eu acabei por pintar meu cabelo de azul.
Eu me apaixonei sem perceber, mas Gray não. Eu tinha fama de estranha na escola e muitas vezes era chamada de stalker por gostar de observar as coisas/pessoas ao meu rodar com atenção demais que acabava por ser interpretada de forma errada pelas pessoas. Agora Gray tinha a fama de ter uma stalker apaixonada por ele. Era o fim da nossa boa e singela amizade.
[**]
Meu rosto estava ardendo de dor. Abri os olhos meio grogue tentando me situar e meus olhos focaram nas cadeiras vazia da sala. Subi o olhar para o relógio pendurado em cima da lousa e constatei com certo horror que as aulas já tinham acabado. Eu emendei os dois últimos períodos inteiros, história e mais uma de biologia... não sentiria falta. Levantei o rosto e ele desgrudou da aspiral da apostila de forma dolorosa, com certeza deixando uma marca. Coloquei os braços atrás da cadeira, dando as mãos e puxando para baixo para poder me espreguiçar, depois estiquei as pernas na frente tentando me recuperar do ótimo cochilo. Alguma coisa boa tinha que acontecer né. Foi com esse pensamento que me lembrei..
— Gray. – Sussurrei.
— Bom dia flor do dia. – A voz dele soou atrás de mim. Soltei um gritinho agudo com o susto e pude ouvir sua risada refrescante.
Tudo bem que eu tinha chamado seu nome, mas eu não estava realmente esperando por uma resposta.
— O que ta fazendo aqui? As aulas já acabaram. – Comentei me virando.
— Nós tínhamos uma conversa marcada lembra? – Perguntou com a sobrancelha arqueada. Ainda assim não explica o que está fazendo ai enquanto eu dormia. – O professor pediu pra eu te acordar e levar para casa como um bom namorado faria, mas você parecia cansada então esperei acordar. – Respondeu como se lesse meus pensamentos.
Senti meu rosto queimar de vergonha, mas a única reação de Gray foi dar um sorriso astuto.
— Desculpa. – Pedi abaixando o rosto de forma a tentar escondê-lo com meus cabelos.
— Pelo que? – Perguntou com o sorriso aumentando. – Por ficar falando o quanto me acha gostoso ou por me amar? – Recitou as partes constrangedoras sobre aquele bilhetinho.
— Pela situação constrangedora. – Falei em um fio de voz. – Por ter sido apelidado como o garoto da stalker.
Gray riu como se eu tivesse contado a melhor piada do mundo e enquanto ele se deliciava eu comecei a guardar minhas coisas pronta para sair correndo de vergonha, mas ele me segurou durante a tentativa.
— Não precisa pedir desculpas, eu já estou acostumado com isso. – Sorriu como se quem soubesse mais do que eu... e provavelmente sabia, porque eu estava perdida.
— Você se acostuma rápido. – Comentei me sentado a contragosto novamente.
— Demorou uns bons meses na verdade. – Falou como se estivesse contando nos dedos.
— Você tem uma péssima percepção de tempo. – Embora o dia pareceu ter durado realmente uma eternidade.
— Não é isso. – Ele riu, mas dessa vez parecia envergonhado, como na hora em que segurou meu braço mais cedo. Tentei fotografar a cena com uma piscada, mas infelizmente a tecnologia ainda não estava nesse ponto. – Os caras já me chamavam assim há muito tempo, você que só ficou sabendo hoje. – O encarei confusa. – Digamos que agora eles têm liberdade para falar isso aos quatro ventos graças a você.
— Uma explicação direta não seria nada mal. – Reclamei. Gray estava conseguindo me deixar ainda mais nervosa
— Eu gosto de você. – E foi assim que eu perdi o ar mais rápido do que se tivesse levado um soco no estômago. – Eu sou o cara apaixonado pela stalker então eu já era o garoto da stalker a um bom tempo. – Abri a boca, louca para cuspir algo, qualquer coisa, mas estava atônica demais.
— Ta me zuando? – Perguntei por fim, estreitando os olhos.
— Sua confiança em mim me ofende. – Falou pousando a mão no peito e interpretando o papel. Eu tentei segurar, mas meu riso saiu pelo nariz. Gray tinha o dom de me fazer rir até quando este não era seu objetivo. – Eu gosto de você Juvia. Há um bom tempo... – Ele se aproximou, tirando a bolsa que eu abraçava na minha frente e colocando na cadeira atrás dele, depois me puxou levemente, até que eu levantasse e ficasse parada de frente para ele. – E você?
— Você já sabe. – Murmurei mortificada de vergonha.
— Eu sei. Não teria tido coragem de falar nada se você não tivesse se entregado mais cedo com aquela desculpa de ir ao banheiro – Seu rosto foi tomado por um sorriso sacana. – Mas eu falei, então quero ouvir de você também. De um covarde para o outro.
Suspirei nervosa pela quinquagésima vez e Gray continuou esperando, parecendo se divertir com minha vergonha. Bom, uma terceira imagem dele envergonhado não seria nada mal. Sorri tentando ser sacana também e dei um passo à frente, em um movimento rápido me sentei em seu colo de forma a ficar com uma perna de cada lado, o rosto a milímetros do dele.
— Eu gosto de você. – Soprei as palavras e senti o corpo dele travar em baixo de mim e sua cara vermelha sem reação foi uma compensação por todo o constrangimento do dia.
— Uau. – Gray sussurrou antes de me agarrar.
Nós batemos o dente na pressa e eu quase estraguei nosso primeiro beijo com um acesso de riso, mas Gray não permitiu. Ele segurou minha nuca de forma a manter minha boca espremida contra a sua e com a outra mão deu um apertão na minha bunda que substituiu qualquer resquício de riso por puro tesão. Então ficamos ali, desfrutando do sabor um do outro, do que podíamos sentir do corpo um do outro, nos sufocando em um beijo desejoso. A sessão de amasso terminou quando o sinal anunciando a entrada dos alunos da tarde tocou e nos levantamos entre sorrisos para sair da sala. A boca de Gray estava vermelha e meio inchada, assim como a minha deveria estar.
— Onde fica a sua casa? – Perguntou assim que ultrapassamos o portão principal sob o olhar acusador da inspetora que nos acompanhara do corredor da sala até ali, provavelmente ciente do que estávamos ocupados fazendo segundos antes.
— Ahh... – Soltei tentando raciocinar. Aquele beijo devastador tinha feio meu cérebro entrar em curto. – Por que? – Babulciei.
— Tenho que te deixar em casa lembra? Meu orgulho como um bom namorado será afetado caso contrário. – Respondeu rindo e eu lembrei do recado do professor de biologia.
— Namorado? – Babulciei de novo. – Eu não lembro de ter ouvido um pedido. – Falei sapeca.
— Depois de me abusar daquele jeito você não tem outra opção se não namorar comigo. Minha pureza está em jogo aqui. – Falou malicioso e eu gargalhei.
Minha risada foi cortada pelo barulho de um trovão que me fez tremer dos pés a cabeça e só o que pude fazer foi estender os braços sobre a minha cabeça em um movimento inútil para tentar me proteger da chuva torrencial que começara. Ouvi Gray xingando pela falta do guarda chuva enquanto me puxava para algum lugar coberto.
É claro que o dia não me deixaria esquecer que ainda estava amaldiçoado.
Notas finais
Eeeeeai eai eai?? Faz tanto tempo que não escrevo uma fic Gruvia, então espero ter dado pro gasto! hahahaha
Deixem um comentariozinho pra aquecer meu coração sz
Beijãaaao xD
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