Dia a Dia, com os Potter

6 Capítulo 6- Eu preciso pedir perdão.


Notas iniciais
Obrigada a Clarinha, que fez a nossa capinha linda...

E só pra esclarescer, a partir de Fevereiro o Nyah, não vai mais avisar as fics que estão nos favoritos, das atualizações dos capítulos, então se vc queise receber o email de atualização, tem que clicar em: Acompanhar história, que fica no final de cada capítulo..

Meu carinho a vcs, comentem,e desculpem a enormidade do capítulo...

Pov. Gina

Se alguém me perguntasse agora, qual o resultado do jogo que eu acabara de ver, eu não saberia responder, e o problema é que eu ainda teria que redigir uma matéria sobre ele, para sair no jornal de amanhã.

Eu estava perdida. Hoje já fazia uma semana, desde que vi meu marido pela última vez, e as coisas não podiam estar pior, o final de semana foi insuportável, eu nem me lembrava de qual fora o último que passei sem ele. Meus filhos se recusaram a ir para a casa de meus pais, e eu também não os forcei, nosso relacionamento não estava dos melhores, e eu não queria piorar ainda mais.

Harry não deu notícias desde aquele fatídico dia, eu sabia que ele estava mesmo de viagem, Ronny me contou, que na Segunda Feira, ele chegou irado, gritou com meio mundo e exigiu do responsável pelo seu setor, que o deixassem ir sozinho a uma missão bem longe, e de preferência longa. Ronny estava péssimo, há anos ele e Harry não se distanciavam assim, meu irmão tentava se justificar, dizendo que nunca atacaria meus filhos, nem Harry, que aquilo, foi puramente, instinto de proteção, afinal seus filhos também estavam ali, eu não lhe dava ouvidos, se ele tinha que se desculpar, que o fizesse com Harry, eu mesma, tentava procurar em mim, uma explicação plausível para o meu comportamento, e sinceramente, eu não encontrava.

Eu estava catatônica, parecia que tudo não tinha mais graça, o ar estava pesado, nem respirar era possível, sem alguma parte do corpo doer, eu estava doente.

Doente de saudade, de arrependimento e de medo, minha vida escorregava entre meus dedos, e eu não sabia o que fazer.

A vida em casa estava insuportável.

Tiago se arrastava, seu brilho havia sumido, e os soluços à noite, eram de cortar o coração.

Alvo, era imparcial, é claro que ele sofria, mas como sempre fôra o mais apegado a mim, se mantinha firme, me apoiando e às vezes até me consolando, quando eu ameaçava me entregar.

Lilian era sem dúvida a parte mais difícil, ela se recusava a comer ou dormir no quarto, não me dirigia uma única palavra, e se não fosse pelo irmão eu não sei o que eu faria com ela, Tiago era o único que ela escutava.

Meu coração de mãe estava em frangalhos, eles nunca me perdoariam. Nós estávamos sozinhos, nem minha mãe e meu pai se aproximavam, eles bem que tentaram, mas as crianças se desesperaram, quando os viram chegar na segunda depois do acontecido. Se um dia minha vida se resolvesse, eu nem sei por onde começaria a remontar os meus bebês, os traumas já estavam instalados neles.

Aparatei perto de casa, as luzes acesas me assustaram, já era bem tarde, e eu tinha deixado claro pra Monstro que os colocassem na cama cedo. Apressei meu passo, tinha alguma coisa errada.

Já na entrada de casa, o som mais belo do mundo, inundou meus ouvidos: a risada de Tiago era alta, meu filho estava extremamente feliz, e isso só podia significar uma coisa...

Entrei correndo pela cozinha e parei, na entrada para sala...

- Ah papai, então vamos agora?

Era um sonho?

- Agora não dá filho, há essa hora a Dedos de Mel já fechou, e além do mais, amanhã é segunda, dia de trabalho. Esqueceu?

Não, não era sonho, a um passo de mim, a minha vida, falava com os meus filhos.

- Então “cuando” a gente vai, paizinho?

A voz de luxo de Lilian não me negava. Harry estava em casa.

- Que tal no sábado? O papai busca vocês e o Ted, e a gente se diverte muito, num dia só nosso. Que tal?

Era um pesadelo... Ele estava deixando claro, que não tinha vindo para ficar, que ia sair com as crianças e o pior, que eu não seria convidada.

- Você não vai ficar com gente, pai?

Alvo, perguntou o que eu queria saber. Ouvi o soluço de Lilian.

- Filho, as coisas não são assim, o papai precisa passar um tempo sozinho.

- O papai não ama mais a gente?

- Lilian, por favor, filha, nunca mais diga isso, é claro que o papai ama vocês, isso nunca vai mudar, vocês são a coisa mais linda que eu já fiz. A questão é que eu e a mamãe temos que resolver uns assuntos primeiro, coisa de gente grande.

Tiago suspirou. Minhas lágrimas já desciam languidamente pelo meu rosto. Não me contive e me pus na sala, bem em frente a ele, que descansava lindamente na poltrona, era a cena mais linda de se ver, Tiago e Alvo cada um sentado, em cada braço da poltrona, enquanto Lilian estava no colo do pai, e repousava a cabeça em seu peito, as mãos dele, estavam uma nos cabelos de minha pequena, enquanto a outra afagava o rosto de Alvo.

- Oi?

Disse timidamente, vi sua respiração se acelerar, mas ele não se mexeu, isso era bom.

- Vocês não deveriam estar na cama?

- A gente tava mãe, mas aí o papai “chegô”, sabia que ele vai levar a gente pra Hogsmead, sábado? Num é legal, mãe?

- É claro que é Alvo.

Olhei para meu marido, ele estava visivelmente abatido.

- Você jantou Harry? Tem carne assada no forno, aquela que você tanto gosta, se você quiser eu posso esquentar.

Ele pela primeira vez me olhou nos olhos, eu me assustei com o que vi ali: tristeza, amargura, rancor...

- Não se preocupe comigo, eu estou bem. E pra ser sincero, já está na minha hora.

- Nããoo!

O grito sofrido ecoou pela casa.

- “Po favo”, paizinho, num vai? Eu num “quelo” que você “vai”.

- Fica pai, a gente “plomete”, que vai ser bonzinho.

- Eu não quero ficar sem você, papai. Fica aqui com a gente.

Cada um deles chorava e implorava, eu via a luta interna na face de meu marido.

- Fica. A gente precisa conversar.

Ele me encarou e falou rudemente.

- Não! Eu estou cansado demais pra brigar, Gina.

- Para mãe! Não começa, por favor.

Dei um passo em direção a Tiago, mas, ele se agarrou a camisa de Harry.

- Tudo bem filho, a mamãe não vai brigar.

Meus filhos continuavam a implorar ao pai que ficasse.

- Fica Harry, já está tarde, eu te prometo que não vou me aproximar de você, nem conversaremos se você quiser assim, mas pelos seus filhos, fica?

Eu precisava tentar, eu conhecia aquele homem, se ele ficasse, era sinal de que seu coração ainda era um pouquinho meu, ele nunca me negaria algo implorado desse jeito.

Ele se rendeu.

- Tudo bem, tudo bem, eu fico, agora parem de chorar, dêem boa noite para a mamãe, e vamos lá pra cima, já está mais que na hora de vocês dormirem.

Sorri. Não consegui me conter.

- Você fica “cumigo” até eu “numi”, pai? O meu “carto” tá muito escuro.

O beicinho de minha pequena venceria a guerra, já que Alvo e Tiago também queriam o pai com ele.

- Vem filha, vamos todos pro seu quarto e depois o papai, leva o Alvo e o Tiago para o deles, agora se despeçam da mamãe.

- Boa noite, mãezinha?

- Durma bem, querido.

Alvo foi o primeiro, sempre amoroso, me deu um beijinho e sumiu escada acima.

- Até amanhã, mamãe?

- Até filho, tenha uma boa noite.

Acariciei o rostinho de Tiago e beijei sua testa, ele não retribuiu o gesto.

- Agora você, querida.

Harry ia colocar Lilian no chão, mas ela travou as pernas na cintura dele, e suas mãos se fecharam em punho, na gola de sua camisa.

- Diga boa noite para a mamãe, Lilian.

Harry interveio.

- Boa noite, mãe.

Ela falou, com o rosto escondido no peito do pai, e se apertou mais a ele, quando toquei seu rosto com os dedos.

- Boa noite filha, durma bem.

Harry subiu com ela nos braços, e eu ousei a respirar aliviada. Fui correndo para o quarto e me enfiei debaixo do chuveiro, um banho me aliviaria de toda a tensão de agora a pouco.

Assustei-me com uns barulhos, vindo do quarto, enrolei em uma toalha e saí.

Harry pegava um travesseiro, e já se afastava.

- Eu só vim pegar umas coisas, vou dormir lá na sala.

- Isso não é necessário, fica aqui, esse é seu quarto, Harry.

Ele me encarou, como seu eu tivesse falado a maior sandice do mundo.

- Não abuse da minha capacidade, Gina. Se você acha que as coisas estão em perfeita sincronia, só porque eu resolvi ficar, eu te garanto, elas não estão. Eu só fiquei por causa das crianças, amanhã antes do sol sair, eu já terei partido.

Respira, calma, você causou isso, não grite, seus filhos estão a uma porta daqui, você não quer que eles te odeiem mais.

- Eu sei que você só ficou por causa deles, mas, por favor, me deixe falar com você, eu te conheço, se eu não aproveitar essa chance, eu nem sei se terei outra, eu preciso que você me escute, amor.

- Eu não quero brigar, Gina. Eu já cansei disso.

- Tudo o que você quiser Harry. Nós não vamos brigar, eu só quero me explicar com você, por favor, Harry, por nossos filhos.

Ele enrijeceu. Ok eu peguei pesado, mas cada um luta com as armas que tem.

- Não use os meus filhos Gina, não se rebaixe a tanto.

- Então por mim Harry, por tudo que vivemos até hoje, me deixe falar, me deixe te explicar, me deixe te implorar o seu perdão, mas, por favor, me dê uma chance.

Eu imploraria de joelhos se ele quisesse.

- E você tem uma explicação, Ginevra? Tem perdão para um ataque a seu filho? Responda-me? Não.

- Por Merlin, Harry. Escute-me, eu te imploro.

- Tudo bem, você me deixou curioso, eu quero ouvir a sua explicação, se vista, eu te espero na sala, nós não precisamos que as crianças acordem, com mais uma discussão.

Ele saiu do quarto, e eu me apressei, essa poderia ser a minha única chance de salvar meu casamento.

Pov Harry

Há uma semana o rosto amedrontado de meus filhos me perseguia, eu sabia que estava sendo irracional demais, mas sinceramente, eu não me importava com que os outros estavam pensando, a não ser é claro, os meus filhos, e essa parte me preocupava, eu podia jurar que Gina estava tendo problemas com eles, e isso me incomodava, não por ela, se ela não se importava comigo, eu também não me daria esse trabalho, mas meus filhos eram outra questão. Eles eram minha vida, e eu não me perdoaria nunca se algo acontecesse a eles.

Era a hora de voltar, deixar de ser inconseqüente e enfrentar a vida de frente, como eu sempre fiz, mas pela primeira vez na vida eu tinha medo. Da família de minha esposa não, eu estava pouco me lixando para o que eles pensavam, apesar de que Ronny e Hermione terem me surpreendido dessa vez, Ronny na verdade não, eu já estava mais do que acostumado a seus rompantes de proteção, quando se levava em conta a sua família, mas Hermione, era uma surpresa, ela nunca tinha se voltado contra mim, se bem que eu não poderia julgá-la, ela se pós ao lado do marido, exatamente o que eu queria que Gina tivesse feito, e ela não fez.

Gina, eu não me sentia pronto para enfrentá-la ainda, só de me lembrar daquele dia... A raiva ameaça me dominar, só eu sei o que é se sentir ameaçado pela sua própria família, eu nunca deixaria que meus filhos sentissem o mesmo, eu mataria primeiro. Mesmo que fosse Percy, ninguém nunca ameaçaria um de meus pequenos e sairia em pune, muito me admira Gina ter ficado a favor deles, eu estava decepcionado.

Aparatei perto de casa, já era mais de sete da noite, Gina com certeza não estava, hoje tinha jogo da liga nacional, e ela provavelmente estaria cobrindo, melhor assim, talvez desse tempo de eu ver meus filhos e sair, antes dela chegar, eu não queria vê-la, e correr o risco de desistir de todos os meus propósitos.

E era exatamente isso que aconteceria se eu a visse hoje, eu me renderia... A saudade me queimava por dentro, eu amava demais aquela mulher, mas ao menos tempo o orgulho tentava se sobrepor. Que merda de bruxo poderosos que eu era? Como uma pessoa podia dominar tanto a outra como Gina fazia comigo?

Não! Não seria assim tão fácil essa via de mão única estava me despedaçando, dar sem receber é muito ruim, se aquela ruiva me queria de volta, se ela queria salvar o nosso casamento agora seria a vez dela de demonstrar que estava disposta a lutar por ele.

Mas essa noite não, essa noite seria só e exclusivamente de meus pequenos...

Entrei pela porta da sala, assustando Monstro.

- Sou eu Monstro, se acalme.

Ele já tinha uma caçarola na mão, e se preparava para acertá-la em quem quer que fosse.

- Perdoe Monstro, meu senhor, mas é que Monstro não espera o senhor.

- Tudo bem Monstro. Onde estão meus filhos?

Fui falando, e ao mesmo tempo já subindo as escadas.

- Eles estão no quarto de Tiago, senhor. Não querem dormir e se recusaram a jantar, as coisas não estão boas para eles.

Era isso que eu temia.

- Deixa que eu cuido disso, vá até a cozinha e coloque a mesa.

- Sim senhor.

A reverência continua exagerada.

Parei a porta de Tiago e descaradamente me pus a ouvir, eles conversavam baixinho, nem pareciam crianças.

- Você tem que comer Lili, quando o papai voltar, ele não vai gostar de te ver assim.

- Se você jantar eu também janto Lili.

Alvo e Tiago tentavam convencer a irmã.

- Eu num “quelo”, eu “quelo”, comer com o papaizinho.

Eu neguei para mim mesmo, abri a porta e encarei os três.

- Então você vai ter que comer agora, florzinha, por que o papai já está aqui.

- Pai!!!

Eles gritaram surpreendidos e se jogaram em meus braços. Eu estava em casa...

Peguei Lilian no colo, e dei a mão a Alvo, Tiago nos acompanhou, sem nunca desgrudar os olhos de mim, descemos para a cozinha, fiz questão que eles jantassem, mas eu não o fiz, apesar de o cheiro da carne assada me apetecer muito, mas eu não estava com fome. Depois que eles o fizeram fomos para a sala, me aconcheguei no meu lugar, Lilian ainda estava no meu colo, Tiago sentou-se no braço direito da poltrona, enquanto Alvo fez o mesmo do lado esquerdo, meus mais novos me seguravam, como se suas vidas dependessem disso, meu primogênito não desgrudou os olhos de mim, parecia que ele tinha medo que eu desaparecesse como uma miragem.

- Pronto, pai, a gente já comeu agora você pode nos dizer o que a gente vai fazer semana que vem no sábado? Você prometeu.

Tiago nunca deixaria uma promessa passar em branco, ainda mais feita como moeda de troca por um jantar.

- Eu estou aberto a diálogo, filho. O que vocês me sugerem?

Cada um a sua maneira, se pôs a pensar.

- Nós podíamos ir à casa do Ted?

- Não! A gente vai lá todo dia.

Alvo se opôs a idéia do irmão.

- Seu irmão tá certo filho, mas pra ficar mais legal, a gente pode levar o Ted pro nosso passeio.

- Isso!

Eles concordaram, e Alvo deu sua opinião.

- A gente podia ir passear lá na sua outra casa, papai.

Alvo se referia ao Largo Grimmauld.

- Não! Tem que ser um lugar bem divertido.

Eu na verdade não queria que eles vissem que eu estava alojado lá, pois é pra onde eu iria assim que saísse daqui.

- Que tal, se nos fôssemos passar um dia inteirinho, na Dedos de Mel, em Hogsmead.

Meus pequenos gritaram em acordo.

Mas a partir daí as coisas se complicaram um pouquinho, Gina chegou, eu fiquei incomodado com a presença dela, quis ir embora, e é claro que as crianças se opuseram, eu me derreti, me deixei levar pelos olhos pidões deles, e é claro pela súplica dela. Merlin! Aquela era a minha esposa, linda, triste, pálida, mas perfeitamente a minha linda Gina.

Para Harry, você está bravo, se lembra! Forcei minha mente de volta. Levei as crianças para o quarto de Lilian, e assim que as fiz dormir, coloquei Alvo e Tiago, em suas camas, ainda pensei na hipótese de ir embora, mas o comentário de Tiago que Lilian não dormia no próprio quarto há dias, me fez desistir, minha filha precisava de mim.

Entrei em meu quarto, felizmente Gina estava no banho, milhões de emoções me dominaram, saudade, era a principal delas, forcei-as para um canto abafado de minha mente, peguei um travesseiro, o sofá seria meu companheiro. Gina saiu do banho, e eu quase me entreguei, linda, de toalha, seu corpo perfeito e molhado, era um convite a minha perdição. Mas o convite dela para que eu ficasse me acordou do meu tôpor.

Não! Eu não me renderia tão fácil.

Eu estava exausto, eu não queria brigar, eu não queria conversar, isso acabaria em briga, mas ela me convenceu, disse que tinha uma explicação pra seus atos, isso aguçou a minha curiosidade. Eu desci e esperei, e então ela chegou.

- Obrigada por ter ficado, eles não dormem em paz há dias.

Deu-me vontade de rir de ironia.

- E você acha que eu fiquei por quê?

Fui mesquinho eu sei, mas ela merecia.

- Fale...

Murmurei, encarando seus olhos tristes.

- Droga Harry! Tenha compaixão, eu estou me esforçando, eu quero me acertar com você, eu te amo, não quero que o nosso casamento termine assim, eu preciso de você.

-Você não teve dó de mim Gina, você não teve dó de seus filhos, então não exija nada de mim, pois não está em condições de fazê-lo.

Pov. Gina

- Desculpe, desculpe você está certo.

Apressei-me em dizer, antes que ele desistisse de falar comigo.

- Muito bem, eu sou todo ouvidos, me convença de que eu estava errado aquele dia.

Isso seria muito mais difícil, do que imaginei.

- Não, meu amor, você não estava errado, eu estava. Fui uma idiota, eu nunca esperava que Percy tivesse uma reação daquela, e esperava menos a sua, Harry, eu tive medo, eu só queria nos proteger, eu nunca atacaria, eu sei do que você é capaz, eu já te vi em ação, eu só não queria que viesse a se arrepender, de qualquer coisa pior que acontecesse a um de minha família, eu te conheço...

Era a mais pura verdade.

- E por um acaso, a senhora protetora do mundo, não notou que o ameaçado ali era o seu filho? Onde você estava com a cabeça, Gina?

Seu tom de voz estava alto, instintivamente olhei para cima, o que eu menos precisava agora, era de filhos assustados.

- Por favor, eu te imploro, não grite, eles não suportariam outra briga.

- Você está certa, eu vou me controlar.

- Eu agi por impulso Harry, me perdoe, eu sabia que você nunca deixaria nada acontecer com ele, brigue comigo, grite, mas não nos deixe.

- Eu, estou confuso, Gina, eu sou tão nobre a ponto de colocar uma pedra em cima disso tudo, não é primeira vez que um de seus irmãos me insulta, e eu tenho certeza que não vai ser a última, se vocês têm uma família perfeita, parabéns. Eu não tive, e não foi por que eu quis, mas me acusar de não saber como criar a minha... Ah isso foi o fim da picada, e pra piorar a situação, a minha mulher, o meu melhor amigo e a minha melhor amiga, ficam contra mim. O que mais falta acontecer?

Frio, impassível, só a decepção emanava daquela face perfeita.

- Desculpe, eu fui fraca, eu assumo, eu errei me perdoe, eu não posso seguir sem você, eu não consigo, eu não quero...

As lágrimas escorriam languidamente, ele me encarava, mas não cedia.

- Eu nunca mais vou deixar isso acontecer, eu juro pra você, eu vou me desdobrar pra ser tudo o que você precisa. Perdoe-me?

Estendi minhas mãos para ele, o que eu mais queria agora era me sentir segura em meu lugar de direito.

- Eu te amo, Harry. Você não me ama mais?

Ele suspirou frustrado e pegou minha mão, puxando-me e aconchegando-me no casulo de seus braços.

- É claro que eu te amo, Gina.

- Vem?

O levei para nosso quarto, guiando escada acima, puxei o edredom da cama e o fiz deitar, ele me apertou em seus braços, eu ainda chorava.

- Tudo bem, querida, já passou, eu te perdôo, vamos seguir em frente, se acalme, não precisa chorar, eu estou aqui...

Fui me acalmando devagar, eu ainda o sentia tenso, e eu tenho sã consciência, de que só o tempo faria com que ele confiasse de vez em mim e me perdoasse, para que a nossa vida voltasse ao normal, e eu lutaria até o final, pois a vida estava me dando uma segunda chance, e eu não a desperdiçaria.

- Harry?

- Hum?

Ele ainda não dormia o toque de seus dedos em meus cabelos, me davam essa certeza.

- Eu não gosto da sua secretária...

Ele gargalhou baixinho, o som perfeito, a música que embala toda a minha vida, a nossa trilha sonora.

Ele não se manifestou, e eu fiquei calada, afinal eu não estava em condições de exigir nada dele.

Naquela mesma noite, horas mais tarde uma presença pequenina chamou minha atenção. Harry se afastou de mim, dando espaço para que Lilian deitasse em nosso meio.

- Chiii! Não faz barulho, pequenininha, nós não queremos acordar a mamãe, não é?

- Tá bom, paizinho.

Abri os olhos devagar, e contemplei Lilian se enroscando nos braços dele, de costas para mim.

Agora era juntar os cacos, jogar fora, e começar tudo de novo.

Notas finais
E aí? Gostaram? Semana que vem eu volto...