Dia a Dia, com os Potter
16 Capítulo 16- Perto do felizes para sempre
Notas iniciais
Papo de criança
Pov. Alvo
- Vem Tiago? Tá todo mundo querendo brincar com você.
- Eu já falei que eu num quero, Alvo. Deixa de ser chato.
Que “dloga”, meu irmão tava no colo do meu pai e se negava a ir para o outro lado do quintal brincar comigo, minha irmã e meus primos.
- Filho faz assim, deixa o Tiago aqui com o papai, só pra ele descansar mais um pouquinho, depois que ele se sentir melhor ele vai.
- Mas pai, a gente nunca vem aqui na casa do tio Rony e quando vem é sempre rapidinho, então hoje que vamos almoçar aqui, a gente queria aproveitar pra brincar “muitão”.
Meu pai riu pra mim e passou à mão no meu cabelo, Tiago não gostou, ele fez uma cara de muito bravo.
- Filhão, o Tiaguinho logo vai brincar, tenha só um tiquinho de paciência e deixe de ser marrento.
Marrento? E eu lá sei o que é isso? Meu pai às vezes esquece que sou só uma “cliança”.
Mas tá bom, se Tiago só quer ficar com meu pai, que fique eu vou é aproveitar.
- E então Alvo? Ele não vem?
- Não, Rosa. O chato não vem.
- Meu “manim”, não é chato. A mamãe “falô”, que ele tá “fraquim” por causa do “dodói” e que é pra gente ter muita “pacilên..., placiên..., pilaciên...,” Ah sei lá o que a mamãe falou, mas ela “falô” que não pra gente não brigar com ele.
Lili fez uma cara irritada e cruzou os braços emburrada.
- É Alvo. A mamãe falou que seu irmão ainda não se “recupelou”, do susto.
- Para Hugo, é recuperou, e sua mãe falou pra vocês terem paciência com seu irmão, Lilian.
Ai crianças...
Rosa dava bronca nos menores. Olhei de volta pra onde estava meu pai e o vi caminhando com meu irmão no colo, eles iam até onde mamãe estava. Eu era só uma criança, mas eu sabia que alguma coisa de muito ruim tinha acontecido com meu irmão, mesmo que ninguém falasse sobre o assunto. Eu torcia para que meu irmão melhorasse, eu queria o Tiago corajoso e brincalhão de volta.
Pov. Harry
Hesitei um pouco quando Rony nos chamou para almoçar lá, sei que eu andava em falta com a família de Gina, mas depois de tanta confusão eu queria tanto um pouco de paz e sossego e mesmo que ela me obrigasse a cozinhar, eu não importaria, eu só precisava ter minhas crias debaixo de minhas asas, ao alcance dos meus olhos e das minhas mãos.
Mas como sempre Gina tinha um argumento, Tiago estava esguio e com medo da própria sombra e minha esposa acha que sair e arejar a cabeça, seria bom para ele e pra nossa família.
Sendo assim, cedi. Mas não ocorreu como pensávamos, Tiago nem se importou com a presença dos primos e muito menos me largou quando os avós chegaram e tentaram a todo custo arrancá-lo de meus braços, só pra deixar registrado, nem Gina tinha conseguido essa façanha.
Eu estava realmente preocupado, trauma infantil não foi uma das minhas melhores notas de Hogwarts.
- Pai, eu quero ir pra casa.
- Filho, a gente acabou de chegar.
- Mas pai, eu quero ir...
O olhar complacentes de Rony e a carinha chorosa de meu menino foram um choque de realidade pra mim, eu tinha que dar um jeito naquela situação. Busquei Gina com o olhar e me surpreendi ao ver que ela nos encarava de longe, sei que nesse momento compartilhávamos as mesmas preocupações.
- Vem aqui, filho. Vamos ali, na mamãe.
O peguei no colo e caminhei com ele, parei de frente a minha esposa e peguei sua mão a arrastando para fora dos limites da casa de meu cunhado.
- Já voltamos mãe. Cuide das crianças pra mim.
Gina respondeu ao notar o olhar especulador da mãe.
Caminhei com eles para fora dos feitiços de proteção e ainda segurando firmemente a mão de minha mulher aparatei para um lugar onde eu sabia que poderia dar ao meu filho uma noção do que eu queria lhe falar.
- Chegamos... Vem filho.
O coloquei no chão e peguei em sua mão, caminhamos alguns passos adentro do pequeno vilarejo até parar de frente ao monumento que homenageava meus pais...
Eu sem querer revivia as minhas dores...
Pov. Gina
Harry parecia perdido em pensamentos e eu até então não entendia o porquê dele ter nos trazido até Godric Holows.
- Eu conheço aquela mulher, pai. Ela estava comigo enquanto eu...
Meu pequeno se agarrou as pernas de meu marido. Eu e Harry não nos assustamos ao ouvi-lo falar da avó, pelo que pudemos entender, num dos delírios de Tiago, ele sonhou com a avó.
- Ela é minha mãe, filho. Aqui é o vilarejo onde morávamos. Aquele é meu pai e eu.
Meu marido apontava para cada um.
Andamos mais um pouco e paramos em frente a uma casa em ruínas. Para mim era doloroso estar ali, eu via a dor nos olhos dele.
- Sabe Tiago...
Harry o pegou no colo de novo.
- Um dia quando você for maior, eu vou te contar toda a minha história e você vai entender o porquê de ter só um avô e uma avó, mas por enquanto filho, o papai te trouxe aqui pra te contar um segredo...
Meu pequeno olhava atento para o pai. Eu já sentia meus olhos marejados.
- Eu tenho medo.
- Como assim, papai?
- Ora filho! Eu estou confessando pra você que também tenho medo.
- Você não tem medo. Você é um auror, papai.
- E isso não faz de mim um invencível, filho. Ter medo é natural, todo mundo tem medo. Eu mesmo tenho medo, medo do que o futuro me reserva medo de não ser um bom pai para vocês, medo de não fazer sua mãe feliz. Mas sabe o que eu aprendi ao longo da vida, Tiago?
Meu filho negou com a cabeça.
- Que todo mundo tem medo de alguma coisa e que não tem ninguém imune a isso, então a única coisa que podemos fazer é não deixar que ele nos domine, temos que lutar e enfrentá-los de frente.
- Eu não sei como fazer isso, papai. Me ensina?
Ele suplicava.
- Me conte o que aconteceu filho. Diga-me do que você tem medo, bebê? Confia no papai.
Meu filhote fechou o olhinho e como se as lembranças aflorassem começou a soluçar. Grossas lágrimas desciam pela face perfeita, Harry o estreitou em seus braços. A incapacidade de tirar toda aquela dor da minha razão de viver, me deixava um trapo.
- Ele vai voltar papai. Ele disse que nós nunca estaremos seguros ou seremos felizes, ele falou que eu vou pagar por tudo que você fez papai. Eu não quero isso. Por favor, paizinho, dói muito, ele é mal. Não deixa papai...
Harry trincava os dentes tentando disfarçar a raiva que ameaçava dominá-lo. Meu pequeno estava traumatizado. Não queria nem imaginar os absurdos que aquele idiota, o fez passar.
- Hei, hei, para filho. Ele não vai voltar. Eu te prometo. Já cuidei dele e vou te garantir que ele nunca vai sair de lá e ainda vai pagar por cada arranhãzinho que fez em você. Você confia no papai?
Meu anjinho ainda soluçava, mas não pode não se render a segurança que meu marido lhe passava.
- Confio, papai.
- Isso! E eu te prometo mais, quando você tiver maior e já puder usar uma varinha, vou te ensinar um monte de feitiço legal, pra se proteger e proteger seus irmãos. Por que você sabe, não é? Lá em casa somos uns pelos outros e os mais velhos sempre cuidam dos mais novos. Estamos combinados?
Um sorriso estampou o rostinho molhado de Tiaguinho. E eu pela primeira vez em dias suspirei aliviada. Agora as coisas se ajeitariam.
- Agora que tal se voltássemos? Aposto que sua vó fez aquela carne assada que você adora.
- Estou faminto papai.
Sem perder tempo, nos afastamos do vilarejo e logo aparatamos de volta a casa de meu irmão.
E quando dizem que tudo que está ruim pode piorar, acreditem isso é verdade.
- Oh merda!
Segui os olhos astutos de meu marido e quase enfartei ao ver Percy, bem no meio do jardim encarando minhas crias que brincavam logo a sua frente. Harry nem esperou correu em disparada e logo estava de frente para meu irmão com a varinha erguida.
Por Merlin! Parecia que eu vivia um de já vu...
- Mamãe?
- Calma querido, vá pra perto de seus irmãos e não se afaste de lá.
- Mãe meu tio vai fazer de novo. Eu não quero ficar sem o papai agora. Por favor, mãe...
Ajoelhei-me aos pés de Tiago e o abracei. Não! Eu não ia cometer o mesmo erro duas vezes.
- Faz o que eu mandei filho. Prometo-te que tudo vai dar certo e logo estaremos em casa.
Levantei e acompanhei os passinhos apressados dele até encontrar os irmãos, que agora tinham as mãos dadas. Lilian ameaçava um choro, mas Alvo parecia firme e decidido ao lado dela.
Caminhei a passos lentos, o olhar de meu marido não abandonou o de meu irmão, mas eu sei que ele sabia que eu me aproximava. Minha família parecia petrificada, ninguém esboçava uma reação, e eu bem entendia a situação deles, estavam entre a cruz e a espada, mas dessa vez seria diferente, eu não sacrificaria a minha família.
- Acho melhor baixar a guarda, Percy. Tem crianças aqui. Meu filho não precisa de mais uma imagem assustadora para alimentar seus traumas.
- Seu marido primeiro, minha irmãzinha. Soube dos feitios dele e não vou me arriscar.
Inspirei e expirei cinco vezes seguidas.
- Abaixe essa varinha agora, Percy. Dessa vez as coisas serão diferentes, se eu tiver que levantar a minha, juro que estuporarei bem no meio da sua testa só pra ver seus miolos voando.
Meu irmão esbugalhou os olhos, mas a confiança que tinha em minha família era tanta que nem sob ameaça ele se rendeu.
- Mãe, você ouviu isso? Sua caçula me ameaçou. Logo eu, o irmão dela.
Sem pensar direito desviei os olhos para minha mãe, a resposta dela era fundamental para mim e eu esperava que ela não ficasse do lado de Percy, se não as coisas ficariam bem feias entre eles e Harry.
- Eu faria o mesmo por meus filhos, Percy. Ponha a cabeça no lugar filho, deixe de ser estúpido... Abaixe essa varinha, nós não erraremos de novo.
Por incrível que pareça meu irmão idiota baixou a varinha e sorriu abertamente, não aquele sorriso sínico que ele tinha, mas sim um sorriso puro e complacente.
- Você está certa, mãe. E, além disso, eu não vim aqui pra brigar, pelo contrário eu vim pra me desculpar com o Potter. Mas foi inevitável não provocá-lo. Ele se zanga fácil demais.
O rosto de meu marido não possuía nenhum traço de graça, ele continuava a ponto de atacar um inimigo. Impassível e atento. Juro que quis colocar minha mão na dele e fazê-lo baixar a varinha, mas o medo de que ele interpretasse aquilo erroneamente me fez ficar na minha.
- Ouviu Harry. Eu vim aqui em paz, há dias ensaio um pedido de desculpas a você, mas só hoje minha filha me fez tomar coragem. Precisou minha pequena, chorar e implorar pra ver os primos, para que eu caísse na real e visse o tamanho da burrada que estava cometendo. Não é você que não sabe criar seus filhos, Harry. Sou eu que não sei cuidar dos meus. Perdoe-me, cunhado. Eu fui um idiota e só saí perdendo com minhas atitudes precipitadas.
Todos olharam atentamente para meu marido.
- O que me diz? Posso ir até minha casa e buscar minha família para se juntar a nós, sem mágoas e ressentimentos?
Harry parecia não acreditar nas palavras bonitas de Percy, diferente dele mamãe se derreteu e já esboçava um choro.
- Por favor. Querido... Eu sei o coração que você tem, faça isso por mim.
Mamãe implorava e se eu bem conhecia o marido que tinha, era questão de segundo até ele se render...
Olhei para ele e seus olhos astutos de águia cruzaram com os meus, deixei que o amor tatuado em meu coração emanasse para ele, provando que eu aceitaria tudo que ele decidisse. Ainda em transe, Harry virou-se para trás e contemplou os filhos. Tiago, Alvo e Lilian estavam lado a lado, os olhinhos bem atentos a mim e ao pai. Sei que no íntimo de meus pequenos, eles ainda temiam uma atitude errada minha. Lilian parecia implorar para que eu não lhe tirasse o pai de novo.
- Tudo bem...
Meu marido olhou para meu irmão.
- Eu não sou do tipo que ensino uma coisa e faço outra, então, tá tudo certo Percy. Esqueça aquela besteira, vamos começar de novo.
Minha mãe não segurou as lágrimas e eu soltei a respiração que nem mesmo sabia que estava prendendo.
Eu sempre agradeceria a Deus por ter colocada Harry em minha vida, ele sempre se colocaria em segundo plano pelos seus.
- Eu preciso de você por dois segundos. Vem comigo?
Nem pensei em discordar. Ele estava tenso e eu sabia muito bem como aliviá-lo
Passamos por todos de mãos dadas e entramos na casa de meu irmão. Harry ia à frente me guiando. O escritório de Rony era nosso destino.
- Vem aqui.
Sem me dar tempo de prever seus atos, ele me agarrou me suspendeu e me sentou na mesa do pequeno, mas aconchegante espaço. Logo meu marido abria minhas pernas e se aconchegava a mim.
- Sua família me deixa louco, Gina. Acalme-me, por favor. Eu preciso colocar minhas idéias no lugar.
Subi minhas mãos para os ombros dele e comecei a massagear, a tensão era palpável.
- Relaxe... Estamos juntos, nada mais vai nos afetar. Se ele quer uma chance? Dê a ele. Na primeira bobeira que ele der nós o derrubamos. Juntos, como sempre deveríamos ser...
Com uma força exagerada ele escondeu o rosto no meu pescoço e passou a inspirar meu cheiro, os arrepios eram fora do comum de tão bom.
- Obrigada, Gin. Eu precisava ouvir isso...
- Eu sei meu amor,... Eu sei.
Naquele dia eu soube que as coisas se aquietariam. Percy voltou, logo depois com a família, Harry ainda ficou um tempo meio ressabiado, mas aos poucos foi se soltando e no final da tarde já estavam rindo às custas de Rony.
Pra minha alegria e aquietação de um coração de mãe, Tiago não esboçou medo ou receio, às vezes eu o pegava nos procurando com os olhos, mas só isso. Meu pequeno lutava contra os medos, coisa que meu marido o ensinou.
Meu marido... Dentre tantas palavras bonitas na nossa língua, essas duas tinham um significado fora do comum para mim, dentre tantas mulheres nesse mundo eu fora a escolhida para compartilhar, dividir e sugar tudo que ele me oferecesse.
Egoistamente eu me sentia muito poderosa quando o tinha sobe meu domínio, o que acontecia todas as noites quando estava em casa. Harry sabia como me fazer me sentir a mais poderosa das mulheres. E sem modéstia nenhuma, eu era....
Que mulher tem o homem perfeito, os filhos perfeitos a vida perfeita, que eu tenho?
Eu digo: nenhuma.
Pois o único homem perfeito no mundo era meu...
Notas finais
Obrigada de coração a:jessica2010 e a juh_mel, que me levaram a 28 recomendações.
Desde já agradeço o carinho de todos e já começo a me despedir, escrever sobre Harry Potter me fez crescer muito e eu sempre serei grata a cada um por isso.
Volto no Epílogo e já garanto, vou surpreender vcs.
Comentem e recomendem é a penúltima vez...
Beijinhos.
Fale com o autor