Diários de uma vida sem esperança
10 Capitulo 10 O acidente
Notas iniciais
Será que o Sam morreu?
Isso ficou passando na minha cabeça naquela estrada sem nenhum carro, e cada vez mais eu via a vida da primeira pessoa que me aceitou do jeito que sou indo embora. Não posso deixar que ele vá embora eu preciso dele e muito, pena que ele não sabe e eu demorei muito pra descobrir. A noite começou a vir e eu ainda estava com o Sam no meu colo e o celular dele começa a tocar, parecia que estava dentro do carro.
– Espera aí amor. – O coloco lentamente no chão sem que batesse a cabeça e dou um beijo na sua testa, depois de estar já de pé eu vou correndo até o carro e começo a sentir uma dor muito forte na minha perna direita parece que eu machuquei em algum lugar, mas não sei onde e nem como, isso é o de menos eu tenho de ajudar o Sam, pois a situação que ele se encontra é muito pior que a minha, aliás, eu consigo ficar de pé e ele só fica deitado porque não tem forças nem pra abrir os olhos.
Eu chego perto do carro e a cada passo que eu dou parece uma tortura, parece que tem alguma coisa rasgando a minha pele por dentro. Sinto meu sangue escorrer e muito, isso me deixa em pânico, pois a dor era muito agonizante e o sangue que escorria me deixa mais assustado porque eu não sei se o machucado está muito grave. Mesmo com essa dor horrível na minha perna eu não vou parar, pois o Sam precisa da minha ajuda e nada que essa ligação não ajude.
Pronto cheguei, pareceu uma eternidade, minha perna direita não colabora e parece que a cada passo que eu dou ela só piorava. Quando já estou dentro do carro o celular para de tocar, já era de esperar eu demorei muito pra chegar até lá agora vou ter de esperar ele tocar de novo, passasse meia hora e ele toca de novo. Começo a procurá-lo pelo carro, coloco a mão no porta luvas, no banco traseiro, lado de fora embaixo do carro, e nada de encontra esse maldito celular, até que eu percebo que ele começa a tocar mais forte parece perto do banco do passageiro então começo a procurar por lá e o acho de baixo da cadeira, para ser mais exato debaixo do tapete da cadeira.
Eu pego o celular e vejo que é a mãe do Sam, meio que obvio, porque qualquer mãe ficaria preocupado se o filho demorasse mais de seis horas pra chegar em casa, eu pelo menos ficaria se eu fosse mãe, então eu a atendo.
“Alo, alo ,alo, alo. Elise é você?” – Começo a falar desesperadamente como meu coração batendo muito forte, estava muito nervoso e acabo deixando escapar algumas lágrimas do meu olho, nesse momento eu precisava falar com alguém, e a Elise veio na hora certa. Elise é a mãe do Sam ela me parece muito legal, pois o Sam fala dela o tempo todo e disse que não poderia ter mãe melhor. Legal pra ele, pelo menos tem alguém na família que se preocupa com ele.
“Quem é?”
“É um amigo do Sam.”
“Esse amigo não tem nome?”
“Sim, Kurt.” – Ela não me pareceu ser uma pessoa muito legal, pois o jeito que ela falou comigo não foi o mais educado possível, parecia que a cada pergunta que ela fazia ela não queria respostas mais sim me humilhar.
“Como você sabe o meu nome? Eu sei que eu sou rica mais não preciso de fãs.”
“Espero que isso seja uma brincadeira.” – Ela pode ter o senso de humor igual ao do filho.
“Não, então...” – Ela começou a fazer varias perguntas e aquele não era o momento apropriado, a cada vez que eu tentava falar sobre o acidente ela me interrompia e isso me irritava, ela mal sabe em que situação o seu filho se encontra, a cada pergunta que ela fazia tinha um tom de sarcasmo e isso me irritava mais ainda dava vontade de enforcá-la pelo telefone.
Depois de muito tempo falando coisas desnecessárias, não aguentei tive de falar pra ela.
“Dá pra você parar de falar um pouco? Você já está me cansando. Desculpe Elise você esta me irritando e muito.” – Fui muito grosso com ela mesmo, ela estava me tirando do sério e o pior o Sam está quase morrendo e ela não calava a boca.
“Você está falando isso pra mim? É melhor você parar senão garoto...”
“Eu e o Sam sofremos um acidente e ele está muito mal!” – Eu começo a chorar desesperadamente, que começo a soltar baixos soluços.
“Menino para de mentir isso não tem graça, onde está o meu filho?”
“Na estrada todo machucado.”
“Eu já falei pra você parar de mentir não tem graça,vai chamar meu filho.”
“Mas não tem como ele está na estrada todo machucado e nem consegue falar.”
“Eu já avisei, quando você quiser falar sério é só me ligar.”
“Não esper...” – E ela desliga o telefone na minha cara.
Como é revoltante saber que a mãe dele não acreditou em mim eu não imagino o que ela pensou que aconteceu, ou o que estava acontecendo, simplesmente pensou que eu estava mentindo. Muito irritado com a mãe de Sam sento no banco do passageiro e começo a ligar pra ambulância até que alguém me atenda, depois de muito tempo alguém me atende e consigo uma ajuda e me disseram que viriam o mais rápido possível, ou seja, iria demorar muito, então pensando nisso eu volto pro Sam e deito ao seu lado levanto a minha calça e vejo a situação da minha perna, está com um caco de vidro enorme abrindo a minha pele entre minha panturrilha e a canela e o mais incrível é que eu não imaginava que minha perna estivesse daquele jeito mesmo que estivesse doendo muito não imaginava que minha perna estaria com um machucado tão aberto que dava pra ver o meu osso e o caco de vidro enorme quase nele, é muito agonizante ver o meu machucado, mas olhar pra situação do Sam é bem pior, com osso da canela direita pelo lado de fora , os dois ombros deslocados, com um tipo de ferro atravessado entre sua sobrancelha até a testa e parecia que estava muito fundo e não me esquecendo que sua cabeça estava sangrando muito parece que ele bateu com ela muito forte no chão, então a situação da minha perna não era nada comparada com a sua situação.
Maldita hora que eu resolvi falar pra ele sobre o Blai... É melhor nem falar nele porque agora ele está deletado da minha cabeça junto com a minha culpa, me sinto muito mal pela situação que eu deixei o Sam e a mim mesmo tudo por causa de um selinho “inocente”.
A noite já chega e começa a esfriar sinto todo o meu corpo tremer de frio e eu só tinha um casaco que eu tinha buscado no carro pra colocar no Sam, como não tinha outra solução me deito bem coladinho nele e tento me enfiar dentro do casaco junto a ele, então fico grudadinho nele até que a noite passasse, parece uma eternidade, mesmo que eu coladinho com o Sam eu tenho medo de encostar nele e piorar as suas fraturas pensando nisso saio do casaco e fico sentado ao lado dele esperando que alguém chegue, eu olho pro meu relógio e vejo que são 00:30 e já não sinto mais o meu corpo de tanto que estava frio, o tempo deveria estar uns 10 graus ou menos não sei, mas prefiro passar frio do que deixar o Sam passar.
Eu tiro um cochilo,quando eu acordo estou em uma maca dentro de ambulância, com uma agulha no meu braço passando o soro, e minha perna enfaixada, mas não estava totalmente “mexida”, pois ainda não tinha ido pro hospital, fico todo em choque naquela situação e vejo que tem uma mulher ao meu lado toda de branco tenho quase certeza que ela é enfermeira.
– Onde está o Sam? Eu preciso vê-lo. – Começo abalançar a maca para um lado e para o outro como se eu fosse louco.
– Se você está falando do seu amigo ele está em outra ambulância e já foi pro hospital.
– Para de mentir onde ele está quero vê-lo, me leve até ele. – Começo a balançar mais a maca que ela quase cai no chão.
– Para garoto você vai se machucar mais, não faça eu te dar uma injeção.
– Não, não quero saber eu quero vê-lo. – Começo a balançar mais ainda a maca até que ela cai no chão.
– Eu te avisei. – A enfermeira pega uma injeção de dentro de uma bolsa de primeiros socorros e coloca no meu soro, começo a ficar sonolento até que durmo.
Quando acordo estou dentro do quarto do hospital, o quarto tem cores claras, puxado para um azul bebe com uma televisão bem de frente da minha cama, e parecia que tinha uma pessoa do meu lado e estava dormindo em uma poltrona, parece a minha tia. Não parece, é ela.
– Tia, tia. — Começo a sussurrar o nome dela mas ela não me ouvia então empurrei sua perna que estava na minha cama para que ela acordasse.
– Oi, oi, oi, o que aconteceu? – Ela pergunta toda assustada como se tivesse acabado de sair de um tiroteio.
– Eu sofri um acidente?
– Não, não, não é isso não. Ah deixa pra lá.
– Ok então. – Ela nem percebeu, mas eu já estava acordado e falando com ela.
– O meu Deus Kurt, você está bem?
– Acho que sim, o que aconteceu por aqui? Quantas horas eu fiquei dormindo?
– Horas?
– Sim, horas.
– Kurt você ficou dormindo quase três dias disseram que você ficou em coma após a cirurgia, mas nada grave disseram que em uma semana você já estaria bem.
– Oh meu Deus sério? – Fiquei em estado de choque coloquei a minha mão no meu rosto como se eu estivesse surpreso, não esperava mesmo que ficaria dias internado. – E o Sam?
– Quem é esse?
–É o garoto que estava comigo, quando aconteceu o acidente.
– Não, não sei dele.
– Tenho que vê-lo, preciso procurar ele. – Eu tento me levantar, mas a minha tia me segura e também percebo que a minha perna está operada e a dor é muito forte.
– Não, não mocinho você não vai a lugar nenhum. – Ela me coloca de volta na cama e me deita.
– Ah, tá! — Que raiva eu fiquei de não poder vê-lo, mas na minha situação eu não iria chegar lugar nenhum.
– Vou ali conversar com o seu médico e já volto e não saia daí.
– Esta bem tia, vou ficar aqui mesmo eu não tenho outra opção. – Ela ri do que eu acabo de dizer e vai lá fora do quarto pra falar com o médico que fez a cirurgia em mim.
Enquanto minha tia fala com o médico eu ligo a televisão em um canal infantil, e fico pensando como essas crianças de hoje em dia gosta desses desenhos tão toscos? Mas pelo menos são muito engraçados. Fico um bom tempo esperando a minha tia e eu fico muito preocupado, por que está demorando tanto? Será que é algo grave? Não. Vou parar de pensar nisso e se eu que não me machuquei tanto fiquei em coma três dias imagina o Sam que estava em uma situação pior que eu? Minha tia abre a porta depois de muito tempo conversando com o médico.
– Então? – Eu pergunto preocupado.
– Você quer saber o lado bom ou ruim?
– O Bom.
– Você já vai poder ir pra casa amanhã. – Eu fico feliz de saber que já vou ter alta amanhã, mas e o Sam?
– E o ruim? – Eu estava muito preocupado com o ruim porque poderia ser qualquer coisa com o Sam ou comigo mesmo é até mesmo sequelas depois do acidente.
– Humm.
– Vai tia fala logo. – Está me estressando já ter de esperar falar sobre o ruim está me dando raiva.
– Vou ter ...
– Vai ter o que tia? Fala eu estou ficando com raiva. – Ela se senta na poltrona ao lado da cama que eu estava, ela segura na minha mão olha bem no fundo dos meus olhos.
– Então... Vou ter de ver todos os dias na minha casa com essa cara feia. – E ela começa a rir.
– Não vi graça. – Nossa que raiva, eu fiquei com o bico mal grande de raiva dela, nossa como eu me estressei eu pensei que seria uma coisa importante que ela falaria, mas não tem que fazer essas brincadeirinhas sem graça.
– Desculpa Kurt eu queria te divertir.
– Tá bom tia não é sua culpa.
Depois dessa conversa com a minha tia eu não falei mais com ela, não pela brincadeirinha, mas sim, pelo fato de não ter mais assunto pra poder falar com ela.
A noite chega e eu fui tentar dormir, mas muitas falas ficaram na minha mente enquanto eu estava deitado eu ficava rolando para um lado e para o outro com as vozes na minha cabeça “eu sei do que você gosta e nós sabemos que não é de mulheres”, “não me chame mais de pai”, “festas são feitas pra beijar”, ”eu te amei e como você me retribui? Agora não sei mais se eu te amo ”, essas cenas de cada momento ficam rodando na minha cabeça e fica me perturbando, até que eu coloco a minha cabeça no travesseiro e começo a chorar bem baixinho pra minha tia não ouvir e, me pergunto como eu pude fazer isso com a minha vida? Tudo dá errado pra mim.
– Bom dia.
– Oi?
– Bom dia.
– Sim, eu te ouvir, mais já? – Nossa fiquei chorando a noite pensando sobre a minha vida que nem percebi que o dia estava vindo. – Bom dia tia desculpa pelo espanto.
– Noite ruim?
– Não, péssima. Não consegui dormir por causa da minha perna, dá agonia ainda e dói um pouco. – De fato minha perna doeu a noite, mas não foi por isso que não consegui dormir, não diria sobre o que aconteceu mesmo porque eu e minha tia não somos tão próximos e eu a pouparia dos meus problemas.
– Pronto pra ir? – Diz a minha tia animada, deve ser porque eu estou melhor.
– Ir pra onde?
– Você recebeu alta.
– Alta? Ah sim me lembrei hoje eu recebi alta.
– Então, está pronto?
– Acho que sim. – Na verdade queria dizer que não, mas como eu recebi alta quer dizer que eu estou melhor, pois a minha dor não é física é no coração, nunca me senti tão lixo como eu estou me sentindo agora, por que eu tive de nascer? Tudo o que eu faço dá errado.
– Então vamos.
Eu me levanto e sinto uma leve brisa na minha região de traz.
– Oxi, o que é isso? Meu Deus. – Eu sento pra que a minha tia não veja, pego o cobertor do hospital e uso pra tampar aquela parte que não deveria estar do lado de fora e tão exposta , vou até o banheiro mancando, pois a minha perna dói por causa do acidente e troco de roupa com muita dificuldade, mas depois de muito tempo eu consigo me vestir e, sair do banheiro.
– Agora podemos ir?
– Sim tia eu estou pronto. – Eu chego perto da minha tia e sussurro. – Porque você não falou que o meu bumbum estava do lado de fora?
– Porque ele é tão bonitinho que eu não quis contar. – Começo a ficar vermelho depois dela dizer isso.
– Você viu?
– Claro, quem você acha que te trocou nesses três dias que você estava dormindo?
– Mas por que você me trocou?
– Estava muito quente então você suava demais e com isso você federia pra evitar isso eu te trocava.
– Ah obrigado tia. – Mas eu fiquei mais vermelho do que uma pimenta super vermelha, minha tia me viu nu, nossa que vergonha.
– Mais alguma pergunta?
– Não deixa pra lá, chega foi demais pra uma manhã só.
– Ah então tá. – Ela abaixa a cabeça como se eu tivesse a ofendido.
– Me desculpe se eu te pareci nervoso, mas porque eu não me sinto a vontade de saber que você me viu em uma situação não apropriada.
– Que nada sobrinho eu faço tudo por você.
Quando ela terminou de falar passou na minha cabeça a única pessoa que eu sempre cuidei, meu pai.
– E o meu pai? – Pergunto.
– O que tem ele?
– Espera. Vamos sair desse hospital primeiro, me dá uma sensação ruim.
– Está bem.
Começamos a andar e eu estava andando com um par de muletas, uma de cada lado, por causa que minha perna tinha sido operada e não era a muito tempo, então de jeito nenhum deveria pô-la no chão senão os pontos poderiam abrir e minha perna poderia ficar pior. Continuo andando com a minha tia pelo hospital, e ele é muito grande e para piorar o meu quarto era o ultimo do ultimo andar, então minha perna começou a formigar, pois o caminho até o elevador era muito distante e somente uma perna não estava aguentando, eu acho que também a machuquei não tanto quanto a outra, mas essa dor que eu estou sentindo na perna esquerda só está piorando, então falo pra minha tia, ele chama a enfermeira que nos providencia uma cadeira de rodas, para que eu pudesse ir até o elevador. Após eu já estar com a cadeira prosseguimos o caminho até o elevador, para que pudéssemos sair do hospital.
Dentro do elevador não dizemos nada até conseguimos ouvir o barulho do ar condicionado funcionando, a porta se abre e saímos do elevador até a porta de saída do hospital e ainda estamos em silencio até que eu resolvo dizer algo.
– Então tia?
– Então o que?
– Você sabe o que é.
– Ah sim, espera nós entrarmos no carro aí nós conversamos.
– Carro? – Minha tia nunca me falou que tinha um carro, na verdade eu nunca tinha a visto dirigindo um.
– Sim eu não te contei?
– Eu acho que não, senão eu me lembraria.
– O Sebastian me deu.
– Ah que legal. – Nossa grande coisa, aquele idiota conseguiu comprar um carro. O bom que foi pra minha tia, mas tenho certeza que depois ele vai jogar na minha cara.
– Ele é um ótimo filho. – Eu vi o brilho nos olhos da minha tia com orgulho do Sebastian, então não disse nada sobre a peste que o Sebastian é, por causa dela eu resolvi fazer a coisa mais sabia ficar calado.
Minha tia me leva com a cadeira de rodas até a calçada, até que ela volte com o carro que estava um pouco longe da porta do hospital, nesse tempo que ela está indo pegar seu carro eu fico pensando no acidente e o que eu fiz com a minha vida, eu preciso ver o Sam e ver como ele está, será que ele morreu? Não. Claro que não Kurt. Para de pensar nisso ele está muito vivo, ele é forte e tem muita vida pela frente, e provavelmente não farei parte dela, porque eu estraguei tudo com ele.
– Pronto. – Chega a minha tia com um conversível prateado, não sei o nome, mas parece ser muito caro. Então ela desce do carro e me ajuda entrar e a me sentar.
– Então tia?
– Ah, do seu pai.
– Isso dele mesmo. – Ela liga o carro e começa a dirigir.
– Então... Kurt, eu falei pro seu pai o que aconteceu e como de costume estava bêbado e ela não me pareceu se importar, por acaso vocês brigaram?
– Não tia. – Respondo eufórico, praticamente gritando.
– Então porque você veio morar na minha casa? Não estou reclamando só pra deixar claro eu adoro a sua presença, mas porque você veio pra minha casa sabendo que você e o seu pai não brigaram?
– Eu te falei, ele me expulsou.
– Sim, eu sei disso você me falou quando foi pra minha casa, mas nunca me falou o porquê, eu sei que não é o momento pra falar disso, mas já que o assunto fluiu eu quero saber o motivo de você ser expulso de casa, temos que sermos sinceros um com o outro.
– É que... É que... – Comecei a ficar a nervoso e não queria falar com a minha tia sobre esse o assunto, mas como ela pessoa mais próxima da minha família nada melhor contar pra ela mais como? Além do mais ela está certa já que eu estou morando na sua casa eu tenho de ser sincero com ela.
– O que Kurt? Fala logo. – Ela estaciona o carro perto de um parque e fixa os olhos em mim e parecia que ela estava ficando impaciente comigo deve ser por causa disso que ela parou o carro.
– Tá eu falo.
– Então fala.
Eu abaixo a cabeça.
– Eu sou gay. – Sussurro.
– O que? Fala mais alto menino.
Eu olho pra ela e digo mais alto.
– Eu sou gay.
– Ah só isso?
– Oi? – A reação da minha tia me surpreendeu ela nem ligou, já o meu pai me bateu, mas ela viu aquilo como se fosse uma coisa comum.
– Olha Kurt sempre pensei que você fosse, mas você sempre dizia que não então nunca te questionei.
– Sério, tia?
– O quê?
– Você não vai me bater ou me expulsar da sua casa? – Pergunto já com medo da resposta, pra onde eu irei nessa situação?
– Não! Jamais! Uma coisa que eu aprendi é sempre ter respeito pelas pessoas e você mais do que ninguém merece o meu respeito e quem seria capaz de fazer isso com outra pessoa por causa da sua opção sexual?
– Meu pai. – Começo a chorar, pois relembro o que meu pai me fez quando eu contei para ele a mesma coisa que eu disse pra minha tia.
– Ah, Kurt sinto muito mesmo. – Ela tira o seu cinto de segurança, me abraça e começa a chorar junto comigo e sussurra no meu ouvido. – Não liga pro seu pai, ele é um grande idiota e ele vai perceber que você é um filho incrível e o que ele fez foi uma grande bobeira.
– Jura?
–Claro — Ela me solta, enxuga as suas lagrimas e as minhas, coloca seu cinto de segurança e seguimos em frente para irmos para casa.
Eu adorava a minha tia por ser linda e estilosa, agora eu a amo, pois foi a única que me tratou com respeito quando sobre minha homossexualidade e ela terá meu respeito pelo resto da vida, agora por ela eu até suporto a peste do Sebastian, sei que vai ser difícil, mas ela me surpreendeu muito que eu estou em choque dentro do carro por causa da conversa, provavelmente só voltarei ao normal quando chegarmos em casa. Fico pensando como os outros dos meus familiares me tratariam provavelmente não da mesma forma que a minha tia me tratou, e com certeza os meus avós não aceitariam, mas como eles não moram no país dificilmente sobre mim, sempre há o risco.
Chego na rua de casa depois de uns vinte minutos dentro do carro, maior parte do caminho em choque, por causa da minha tia, sei que é drama demais pra uma pessoa, mas ela me surpreendeu mesmo.
– Kurt vou ter de ir trabalhar, deixei tudo com o Sebastian.
– Mas ele não vai pra faculdade ou trabalhar?
– Não ele recebeu férias.
– Nossa que legal. – Faço uma cara como se tivesse gostado, mas não gostei nada, vou ter de ficar de repouso umas duas semanas com o Sebastian cuidando de mim. Que droga.
– Sebastian, Sebastian. – Grita a minha tia chamando o Sebastian, ele abre a porta e está sem camisa e com a minha bermuda, maldito, mas até que ele tem o corpinho legal.
– O que foi mãe? – Ele pergunta, encostado na parede, mas nem olhou pra mim.
– Você não vai vir ajudar o Kurt?
– Claro mãe.
– Eu consigo. – Respondo, não querendo que ele viesse me ajudar.
– Não, eu insisto. – Ele reponde, abrindo a porta do carro, chegando perto de mim e colocando meu braço envolta do seu pescoço.
– Ah, então tá. – Eu respondo, mas com duvidas da atitude do Sebastian.
– Já estou indo meninos se comportem, está bem?
– Tá. – Respondemos ao mesmo tempo.
Começo a caminhar escorado no Sebastian, eu fico meio envergonhado de andar com ele, pois nunca fomos próximos e ele está sendo legal, mas deve ser por causa da minha situação. Entramos dentro de casa e vejo que ela está toda arrumada e as minhas coisas estavam na sala, estava tudo arrumado parecia até meu quarto só que sala.
– O que é tudo isso? – Pergunto surpreso.
– Minha mãe deixou assim por causa da sua perna, e você ter de subir e descer a escada só pioraria as coisas. – Ele me deixa no sofá e me pergunta se eu queria água e eu disse que queria e ele foi buscar, quando ele chegou com a água, ele fingiu que ia me dar, mas puxou o copo de volta e olhou pra mim e disse – Vamos deixar uma coisa clara eu não gosto de você e eu só estou cuidando de você por causa da minha mãe, então nem tente fazer amizade comigo que não ira ter sucesso, e tudo que te aconteceu foi pouco. – Ele me dá a água e ri da situação que eu estava.
– Eu já te disse que eu te odeio? – Olho pra ele com a cara com mais raiva possível, pois aquele menino me tira do sério.
– Acho que sim, mas quem disse que eu ligo pra sua opinião? Vou sair, daqui a pouco eu volto, qualquer coisa que você quiser vai pulando pra pegar é bom que fortalece a sua perna. – Ele sai rindo e nem olha pra traz.
– Já vai tarde. – Eu respondo gritando e ele só mostra o dedo do meio de costa mesmo sem olhar pra mim. – Maldito — Sussurro.
Resolvo ver o que estava passando na televisão, e vejo que está passando um filme muito deprimente que uma menina tem câncer e conhece um menino e namoram, provavelmente ela deve morrer, mas parece ser muito bom, eu vou assisti-lo, depois pego uma coisa pra comer e vou tomar banho.
Enquanto tento assistir o filme muitas coisas ficam na minha cabeça e acabo prestando atenção em quase nada do filme, esse acidente me deixou muito abalado, eu estou em um tipo de trauma, ele só me faz lembrar daquela cena horrível e isso me faz me sentir mal, por isso que não consigo prestar atenção no filme.
As letras do crédito do filme já estão passando eu acho que é a única parte do filme que eu consigo prestar a atenção, até que... Aquelas letras começam a ficar embaçadas e...
Quando me vejo estou na minha antiga escola, e o Sam está lá, é estranho, pois como eu estou aqui? E o Sam?
– Oi, Kurt. – Diz ele todo sorridente e ma dá um abraço.
– Oi? – Digo com um tom de duvida.
– Você está bem?
– Eu acho que não, onde eu estou?
– No vestiário. — Responde ele com uma cara de que a resposta era óbvia.
– Por quê?
– Não sei Kurt, você que veio até aqui.
Então eu sinto uma felicidade de poder ver o Sam e ele está bem.
– E o acide... –Nossa por que eu não consigo perguntar? Será que é um sonho, eu me belisco, mas eu sinto.
– E o? – Ele me pergunta olhando pra mim.
– Nada não deixa.
Eu me sento no banco do vestiário no centro dos armários, e fico lá, as coisas estão estranhas só me lembro do acidente nada mais, o problema é que eu não consigo falar sobre isso e eu estou bem e o Sam também. Como?
– Como?Como? – Começo a perguntar desesperado com a mão em meus cabelos, e começo a chorar, eu estou com medo, isso está me assustando, sinto uma pessoa me envolvendo com sua mãos na minha cintura.
– Está tudo bem amor? – Beija a minha nuca eu me arrepio todo e me coloca entre suas pernas já que eu estava de costas.
– Sim? – Falo com dúvida, pois não estou entendendo nada.
– Sim? Como assim amor? – Eu olho para traz pra ver se é o Sam, mas quando vejo, não é ele, é o Blaine, estranho, totalmente estranho, por que esse garoto está me beijando e chamando de amor?Ele é louco?
Eu o empurro pra longe de mim e ele fica me encarando com uma cara de surpreso como se aquilo fosse uma coisa anormal.
– O que foi? – Ele me pergunta com a mesma feição de assustado – Eu estou fedendo? – Ele se cheira pra ver se era isso o motivo de tê-lo o empurrado.
– Não, não é isso, desde quando nós...
– Namoramos?
– Isso.
– Ah, já vai fazer um ano.
– Oi? – Eu fico em estado de choque, como pude trair o Sam assim? – E o Sam?
– Ele é totalmente a favor.
– Eu não. – Eu grito, já de pé e surpreso.
– O que você tem Kurt? – Ele se levanta e fica bem próximo de mim, e me dá um selinho, eu me afasto.
– Nunca mais faça isso. – Eu falo mais alto.
– Calma... Calma. – Então ele se aproxima novamente e me dá um abraço.
– Não, não vou ficar calmo você me magoou muito e sai de perto de mim. – Eu o empurro.
– Mas pelo menos não matei ninguém.
– Oi?
Então eu acordo.
Eu olho para um lado depois para o outro e tudo está branco uma forte luz está no meu rosto, devo está no Hospital, ouço uma voz bem baixa, minha audição ainda está voltando.
– Kurt, Kurt. – Sussurrava minha tia chorando e segurando a minha mão bem forte.
– O que aconteceu? – Pergunto sem entender nada, e me sento.
– Você desmaiou e ficou um bom tempo de novo sem acordar.
– Quanto?- Coloco a minha mão na cabeça, ela inda está doendo.
– Duas semanas.
– Quanto? – Pergunto muito surpreso, quase que assustado como pode acontecer de novo?
– Duas semanas.
– De novo isso?
– Sim, o médico disse que o seu cérebro sofreu uma espécie de um trauma e quando você se lembra de alguma coisa você desmaia e demora muito a acordar, você sabe que lembrança é essa?
– Não. – Eu desconfio que seja o acidente, mas não vou falar se é isso porque eu não tenho certeza e mesmo se for eu teria de passar em psicólogos e falar da minha vida pra estranhos não é meu forte.
– Ah sim claro que você não sabe, desculpa pela pergunta idiota, então... Sabe o seu amigo?
– O Sam?
– Sim, esse mesmo só queria lembrar o nome dele.
– O que tem ele? – Meu coração começa a bater forte de preocupação.
– Ele não está bem.
– Como assim tia? Fala logo eu estou ficando nervoso.
– Ele está...
– Ele está? – Detesto que me deixem ansioso, minhas mão começa a suar, minhas pernas estão cada vez mais bambas.
– Não deixa pra lá.
– Oi? – Nossa eu estou muito nervoso e ansioso preciso saber de noticias dele. – Não! – Eu grito e começo a me levantar da cama – Já que você não quer me contar o que está havendo vou procurar alguém que saiba.
Levanto da cama e a minha perna está muito melhor depois de duas semanas, por isso começo a correr, chego perto de um enfermeiro e pergunto como ele estava de costas pra mim mexendo em alguns papéis nem percebeu que eu era um paciente.
– Licença. – Eu o cutuco. – Você sabe do Sam Evans? Um garoto branco, loiro, e de um bocão enorme, que sofreu um acidente de carro não faz muito tempo.
– Ah, sim eu estou pegando os papeis dele e me parece que ele está em coma.
– O que você disse? – Começo a chorar, o enfermeiro e se vira para trás e percebeu que eu era um paciente, e tenta mudar a situação.
– Nada, desculpa não posso falar disso pra ninguém muito menos pra pacientes, sem a autorização da família do jovem. – Ele desesperado pelo o que ele disse, começa a correr.
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