Diários de uma vida sem esperança
11 Capítulo 11: Minha vida tem que seguir em frente?
Notas iniciais
O Sam em coma? Como? O que? Espera ele só pode está brincando, aquele Sam que eu conheço lindo, forte e cheio de vontade em uma situação dessas, só pode ser mentira, mas a forma com o enfermeiro falou foi tão real e o que a minha tia disse no quarto só confirma o fato. Não acredito, eu não quero acreditar.
Volto rapidamente para o quarto e dou um abraço na minha, não aguentando a pressão da noticia começo a chorar.
– Então você descobriu? – Pergunta minha tia sussurrando no meu ouvido.
– Sim, infelizmente. – Digo á apertando mais ainda no meu abraço e choro mais ainda tentando imaginar o Sam encubado e deitado sem poder se mexer.
– Não, fica assim Kurt.
– Como tia? – Eu a largo e fico a encarando. – Eu estraguei tudo com ele.
– Vocês...
– Sim, acho que sim, ou éramos ou somos não sei direito.
– Então vocês dois eram um...
– Casal?
– Isso.
– Como eu disse acho que sim, mas eu estraguei tudo.
– E por que você não me contou antes de vocês dois?
– Ah tia vamos parar que agora não é momento e eu estou preocupado com ele.
– Ah sim, me desculpa. – Ela se levanta da cadeira que ela estava sentada e foi em direção a porta do quarto. – Você não está bem não é?
– Claro que não.
– Você quer um calmante ou qualquer outro remédio?
– Você me faria o favor de trazer um calmante pra mim?
– Sim claro.
– Obrigado tia.
– Não tem de quer querido. – Então ela sai do quarto e me deixa só.
A minha cabeça começa a doer de novo, isso me incomoda muito parece que estou levando varias pontadas de agulhas no meu cérebro varias e varias vezes, até que essa dor fique insuportável.
Não ligo muito para a minha dor de cabeça pode está doendo muito, mas pensar que uma pessoa está em coma por minha causa me faz me sentir pior do que a própria dor, uma pessoa que eu amei ou amo, não sei mais, nem sei qual é a questão na verdade, eu sou uma incógnita, não consigo me entender, eu só sei de uma coisa o Sam está em coma por minha causa e estupidez. Eu sou um idiota sei disso me apaixonei pela pessoa errada e só me arrependo disso, agora só sinto um rancor e raiva dessa pessoa, que não quero gastar meu tempo falando dele aquele sonho que eu tive foi tão estranho e pareceu tão real, que por causa dele eu peguei mais raiva dessa pessoa. Eu não consigo me entender eu estava apaixonado e agora não? Não sei, só sei que eu quero esquecê-lo e me redimir com o Sam, parece tarde, mas antes tarde do que nunca.
Depois de um bom tempo minha tia chega e eu estava cochilando, o dia de hoje foi muito cansativo pra mim, eu tive tanto desgaste mental, quanto físico, nada melhor que ter tirado um cochilo. Reparo que a minha tia está bem vestida, cheirosa e tudo mais.
– Aonde a senhorita vai tão linda assim? – Pergunto meio que surpreso, aliás a minha tia está muito linda e o pior dentro de um hospital, eu não acho um local apropriado para se vestir um vestido vermelho tomara que caia justo até os joelhos e um salto vermelho muito lindo igualzinho o da capa do filme O Diabo Veste Prada, e não se esquecendo da maquiagem bem chamativa e muito perfumada.Lógico que ela irá sair, mas pra onde?
– A um encontro. – Ela sorri tímida por causa do dia que ela escolheu pra sair. – Aqui está seu remédio. – Ela coloca o remédio na minha boca junto com um pouco de água para com que eu conseguisse tomar o remédio.
– Você vai sair com quem? – Pergunto com a cara de malícia e ao mesmo tempo de feliz, pois depois da morte do meu tio, que faz muito tempo que aconteceu, não lembro dela ter ficado com ninguém, só trabalhando.
– Com um médico que eu conheci aqui. – Ela me responde com um belo sorriso de felicidade.
– Eu poderia saber que em é o pretendente?
– Não.
– Ah, está bem.
– Ainda não está na hora de você descobrir, mas prometo quando for a hora eu te digo.
– Está bem tia. – Ela me dá um beijo na testa e vai em direção à porta. – Espera um pouco tia.
– O que foi? – Ela vira para traz e me olha.
– Quem vai me buscar? Eu vou ficar em alta amanhã.
– O Sebastian. – Ela responde.
– Oi?
– Isso mesmo, tem algum problema?
– Sim todos. –Respondo gritando e com muita raiva, se o Sebastian for me buscar provavelmente vai me colocar no meio da estrada para ver se eu morro.
– Por quê? – Ela me pergunta preocupada.
– Não tia deixa pra lá, eu pensei alto. – Eu me levanto da cama e começo a empurrá-la até a porta.
– Mas... – Tenta ela falar.
– Mas... Nada vai aproveitar seu encontro. – Eu a empurro pra fora e fecho a porta antes que ela começasse a falar alguma coisa.
Resolvo dormir, esperar que o dia chegue e esperar com que aquela certa pessoa venha me buscar.
Quando são aproximadamente umas 8 horas da manhã eu acordo e ainda estou no hospital, vou ao banheiro, tomo meu típico banho e tomo aquele café horrível que o hospital oferece, parece que aquele café da manhã foi tirado de um lixão, pois ele era muito ruim. Depois que eu tento tomar aquele café fico esperando até que o Sebastian venha me buscar porque a minha tia não vai vir me buscar, pois ontem a noite foi boa espero e tenho certeza que ela não voltou para casa.
Nossa como é chato estar no hospital não pode fazer nada, ontem quando eu corri pra saber noticias do Sam eu recebi varias broncas do meu médico, só porque eu tenho um problema no cérebro, mas não descobriram o que é, e com esse problema que eu tenho, qualquer forma de estresse também faz com que eu desmaie. Eu realmente não ligo com o que está havendo comigo, a dor na perna, na cabeça, ou qualquer outro lugar no meu corpo, eu só me importo com o Sam e toda vez que pareço preocupado comigo ou com a minha saúde parece que eu estou sendo despreocupado com ele, além do mais ele está em situação pior que eu, ele está em coma, e os médicos preocupados com meus desmaios, sabendo que há uma pessoa pior que eu, que nem ao menos consegue se mexer.
– Oi Kurt. – Chega o Sebastian gritando e com um buque de rosas brancas, provavelmente pra mim.
–Shhhhh, fala baixo estamos em um hospital.
– É mesmo? Pensei que fosse um manicômio, olha só a sua cara de louco.
–Nem vou te responder. – Já estou ficando nervoso com ele, esse garoto me tira mesmo do sério e para piorar ele é meu parente.
– Toma são suas. – Ele me entrega as flores, então começo a espirrar.
– Você sabia que eu sou alérgico a rosas?
– Eu? Não claro que não. – Ele faz aquela feição sarcástica dele como se estivesse gostando da situação. Depois de ter rido de mim ele pega as flores de volta e as joga no lixo. – Vamos?
– Eu não tenho outra opção.
– Se você quiser pode se jogar da janela me pouparia do trabalho de te que te levar para casa.
– Nossa que legal, vamos logo. – Respondo com raiva, pois esse menino guarda um ódio de mim e eu não sei o porquê, e também não quero saber porque cada dia mais eu estou ficando com mais ódio dele.
– É né vamos eu não tive escolha.
– Muito menos eu. – Respondo com a voz meio alterada, pois estou muito revoltado com a situação.
Vamos andando pelo hospital até chegarmos na porta de saída, e lá estava o carro dele um Chevrolet Tracker muito lindo e parece ser caro, mas ele me disse que é o mais barato da sua coleção, provavelmente ele roubou ou o Sebastian é traficante, pois ele tem mal cara de ser da máfia, ele se veste bem, então ele deve trabalhar em uma dessas coisas ou seu emprego é muito bom e paga super bem. Eu espero que seja uma das duas primeiras adoraria ver o Sebastian se dando mal.
– Não vai entrar no carro? – Pergunta o Sebastian, já dentro do carro, não sei como, mas não percebi ele entrando no carro, estranho.
– Vou! – Respondo e entro no carro, coloco o sinto, fico quieto e não olho pro Sebastian ele é uma pessoa muito desagradável de se olhar.
– Está bem? — Ele me pergunta.
Eu não respondo.
– Está bem? – Ele pergunta novamente.
E eu não respondo.
– Não vai me responder?
Fico no mesmo estado sem dizer nada.
Então ele começa a acelerar o carro, eu começo a ficar nervoso e desesperado, meu corpo começa a tremer por causa do nervosismo.
– Sebastian, Sebastian, Sebastian. — Começo a gritar, pra ver se ele pararia o carro, mas ele não parou e sim continuou a acelerar mais.
– Não perguntei o meu nome.
– O que você quer? – Pergunto desesperado com o meu coração batendo muito rápido que nem consigo mais abrir os olhos, fico com tanto medo que evito olhar pra estrada, estou praticamente em estado de choque.
– Olhe pra mim e me responda o que eu te perguntei. – E ele começa a acelerar mais ainda.
– Mas eu não consigo. – Começo a chorar de medo, meu corpo começa a tremer mais ainda, ele não me responde mais, o trauma do acidente me fez tornar um covarde.
Vendo a minha situação e vendo que eu não conseguia dizer mais nada e que poderia piorar a minha situação me levando a um desmaio, ele para o carro e olha fixamente para mim, eu ainda estou em estado de choque, e ele sussurra no meu ouvido.
– COVARDE!
Eu respiro fundo, olho pra ele e digo.
– Cale a sua boca agora! E me leve pra casa.
– Me obrigue.
– Não deixa pra lá, já perdi muito tempo com você. – Eu saio do carro e vou em direção para casa de pé andando pela estrada.
– Você vai aonde? – Ele me pergunta surpreso com a minha atitude.
– Vou embora, e me faça um favor não fale comigo, seu ar de idiota me irrita.
– Está bem. – E ele começa a rir enquanto dirige.
O Sebastian estava me irritando, pois eu pensei que ele ia embora e ia me deixar para traz, mas como ele é uma pessoa má, ficou me acompanhando o tempo todo, mas eu fora do carro e ele dentro, tentei correr, ou andar muito devagar todas as tentativas foram em vão porque ele mesmo assim não parou de me acompanhar. Ele é uma pessoa idiota mesmo, e ele ainda teve a audácia de tentar conversar comigo enquanto eu ia embora a pé, com a perna meia dolorida ainda, mas suportável, e ele no carro todo confortável e com um belo ar-condicionado.
No caminho para ir pra casa praticamente muito próximo não aguento começo a xingá-lo de todos os nomes possíveis e o Sebastian sendo o Sebastian começa a buzinar e rir de mim.
– Ui ele tá extressadinho. – Diz ele buzinado e rindo que nem um retardado.
– Por que você simplesmente não morre?
– Por que eu te amo. – Ele me manda um beijo. – Claro que eu estou brincando, tá, não leva sério não.
– Idiota.
Eu continuo andando, agora sem prestar a atenção em nada que o Sebastian diz, já perdi meu tempo demais com ele.
Já próximo de casa o Sebastian estaciona o carro, bem perto de mim esbarrando o capô na minha perna machucada.
– Maldito, seu louco, chega não aguento mais. – Ele sai do carro, eu vou para perto dele, mas ele me empurra me levando ao chão e fazendo com que a minha perna doesse mais.
Ele corre pra dentro de casa e tranca a porta.
Nossa não acredito que ele fez isso, eu respiro fundo, me levanto morrendo de raiva e vou em direção a porta e começo a bater.
– Sebastian seu filho da mãe abre essa porta, senão...
– Senão... – Ele responde do outro lado da porta.
– Nossa Sebastian abre logo. – Começo a gritar e bater cada vez mais forte na porta.
– Você vai quebrar a mão e não vai adiantar nada.
– Eu vou te matar.
– Ui, que meda.
– Você vai me deixar mesmo aqui do lado de fora?
– Você tem duvida?
– O que eu te fiz pra você me odiar tanto?
– Nasceu.
Eu fico em silêncio e vejo que a conversa com ele não iria resolver nada, eu fico sentado na porta até que a minha tia chegue. Quando é aproximadamente 17:40 o Sebastian abre a porta, pois nesse horário a minha tia chega e ele não gostaria de levar bronca, mas o que me revoltou é que ele me deixou mais de seis horas lá fora esperando e sem comer.
– Pode entrar. – Ele abre a porta e me chama.
– Agora eu posso? – Eu olho pra ele com a cara de mais bravo possível, eu adoraria ficar lá fora e mostrar a minha tia o que ele fez comigo, mas ela não acreditaria porque é a palavra do seu sobrinho que chegou do nada e sem explicação, que só foram esclarecidas depois de um bom tempo na sua casa, contra seu filho que cuidou desde criança e só te deu graças e alegrias.
Então eu resolvo entrar, me levanto, limpo as sujeiras na minha roupa, e passo pela a porta esbarrando meu corpo com toda a força contra o corpo do Sebastian que estava encostado na porta.
– Idiota – Responde ele gritando.
Não ligando subo as escadas da casa da minha tia, não devo ter percebido por causa da adrenalina, mas a minha perna machucada estava roxa e inchada deve ser por ter andado muito a pé, por ter caído por cima dele e ter ficado muito tempo sentado na mesma posição.
Nos últimos degraus da escada minha perna começa doer muito, minha panturrilha começa a tremer, no local onde havia sido a operação estava parecendo que estava se abrindo, mesmo que não houvesse mais pontos, parecia que a minha pele estava abrindo e ficando da mesma situação do acidente com meu osso a mostra e com muita gosma verde que parecia puis no local. Eu olho pra minha perna e estava normal só estava com um grande roxão no local da cirurgia, mas começou uma câimbra muito forte na minha panturrilha que os dois últimos degraus eu ando somente com uma perna e com auxilio do corrimão. Mesmo que a minha perna esteja doendo muito nada melhor que tomar um banho pra ver se melhora um pouco.
Sigo o caminho até meu quarto, pego uma muda de roupas e vou em direção ao banheiro, vou mancando porque minha perna ainda dói, mas agora está mais suportável, enquanto a água passa pelo meu corpo todas as coisas ruins desce pelo ralo junto com a água, principalmente o desagradável Sebastian, depois de um bom banho, depois de um dia horrivelmente e chato a minha perna melhora repentinamente e resolvo tirar um cochilo.
No dia seguinte...
Acordo assustado, pois tive um pesadelo horrível durante o sono, é quase 3:00 da manhã e não consigo dormir mais, então resolvo levantar da cama e ir a cozinha para comer alguma coisa, não como nada desde o café da manhã de ontem, incrivelmente eu estou bem, mas mesmo assim não quero arriscar passar mal depois, eu abro a geladeira pego vários ingredientes e começo a cozinhar, quando eu morava com meu pai eu que cozinhava então não é difícil pra eu fazer algo pra comer. O relógio de casa apita isso quer dizer que são 4:00 daqui a pouco a minha tia acorda para trabalhar, falando nela nem vejo desde quando ela disse que ia sair com o médico, ela deve ter me visto dormindo e não quis me acordar. Começo a comer a comida que eu fiz na sala de frente pra TV, assistindo um filme de terror, eu particularmente não gosto, mas como é jogos mortais eu abro uma exceção, pois imagino fazendo tudo aquilo com o Sebastian.
Depois de uma bela refeição, vou a cozinha novamente, lavo todas as minhas coisa que eu sujei. Nada mais justo. Volto para o sofá depois de todas as vasilhas e louças lavadas, me sento, e fico pensando no meu dia anterior, foi horrível confesso, mas tem uma coisa, não, melhor uma pessoa que eu esqueci depois de tanta briga e estresse, eu preciso vê-lo.
Eu me deito no sofá, coloco a minha mão na minha cabeça ente meus cabelos e começo a coçar.
– Droga, droga, droga! – Começo a gritar sozinho.
Minha tia assustada desce a escada correndo e diz.
– O que aconteceu Kurt?
– Minha vida é uma droga. – Eu pareço até dramático, mas tudo na minha vida está dando errado cada vez mais.
– Mas por quê? – Ela se aproxima do sofá e se senta do meu lado, começa a alisar as minhas costas, pois eu estava mal, nada melhor que um carinho.
– Ah, não sei dizer direito tudo o que eu faço dá errado. – Ela para de alisar as minhas costas e me abraça.
– Kurt, não fica assim, nada vai ser para sempre algum dia vai dar tudo certo pra você, e seu amigo vai melhorar.
– Será? – Eu me largo de seus braços e fico pensando.
– Claro que sim querido.
O relógio desperta são 5:00 da manhã e a minha tia deveria acordar agora.
– Tia, desculpa.
– Por quê?
– Por ter te acordado mais cedo.
– Ah, isso? Liga não você estava mal e eu quis te ajudar. – Ela me dá um beijo na testa e vai para cozinha. – Você quer tomar café?
– Não, obrigado já tomei.
– Ah, está bem.
Ela termina de preparar o café e o Sebastian levanta. Eu estava deitado no sofá feliz, até que ele empurrou minha perna para sentar.
– Por que você não pediu licença. – Ele olha pra mim e dá um sorrisinho sarcástico. – Então não vai responder? — Não me respondeu , e ainda pegou o controle da minha mão e mudou de canal. – Ah, deixa eu me levantar antes que...
– Isso, já vai tarde.
Então ele se deita no mesmo lugar que eu estava, sem opção vou pra cozinha.
– Nossa tia seu filho me irrita.
– Ele te ama. – Diz ela.
“Não mesmo!” – Responde o Sebastian lá do sofá.
Já está ficando meio tarde e minha tia já foi trabalhar, como não tenho nada pra fazer em casa e ter de aguentar o Sebastian o dia inteiro ninguém merece. Eu pego a chave do carro escondido, e vou em direção a porta, quando estou quase abrindo a porta, percebo uma respiração ofegante no meu ouvido, eu me viro é o Sebastian nu, totalmente nu na minha frente, a minha reação foi de fechar os olhos.
– O que foi você nunca viu um?
– Oxi, menino sai daqui. – Eu o empurro. – Sai de perto de mim, cão! – Eu abro a porta e saio.
– Vê se sofre um acidente e morra!
Eu mostro o dedo do meio e vou em direção ao carro velho do meu falecido tio e vou para o Hospital, preciso ver o Sam eu o esqueci depois de tanta briga, mas agora quero vê-lo e falar com ele, mesmo que ele não me responda eu quero que ele pelo menos me ouça.
Chegando no Hospital eu começo andar por todo ele até que eu ache alguém que me fale sobre onde está o Sam, pois a menina da recepção deve ter um problema mental ou estava se iniciando porque não saber onde está um paciente é difícil. Pergunto a todas as pessoas que eu vejo até que uma enfermeira me fala onde ele estava, começo a ficar ansioso desesperado e começo a chorar, vou andando até o elevador e aperto 5o andar, que é onde ele está procuro o quarto 525 e vejo que há uma mulher loira, da boca grande, de pele branca, só pode ser a mãe do Sam, sentada na frente do quarto.
– O Sam está nesse quarto? – Eu pergunto a mulher.
– Você quem é?
– Kurt. – Eu estendo a minha mão. – E o se é... — Se for a mãe dele eu já sei o nome.
– Não interessa que eu sou, o que você faz aqui? – Ela nem estende a mão, com vergonha a puxo de volta.
– Eu vim visitá-lo.
– Mas me dê um motivo pra deixar você entrar no quarto do meu filho.
– Somos amigos.
–I...
– Eu queria muito vê-lo eu estava com ele quando você desligou o telefone na minha cara. Sabe que as vezes confiar nas pessoas faz bem. – Digo a encarando com raiva, pois além de ser arrogante não para com as perguntas, sabendo que o Sam poderia estar no hospital faz tempo se ela tivesse confiado em mim.
– Eu sei, mas você não me parece ser uma pessoa confiável.
– Oi?
– Isso mesmo, você parece ser o motivo do meu filho está nessa situação.
– Oi?
– Não, não deixa. – Ela se levanta e começa a chorar. – Desculpa por te tratar mal, mas essa é a única forma de eu esquecer esse sentimento dentro de mim, essa amargura, parece que tiraram uma parte da minha vida e a colocou em uma cama de hospital, com vários tubos e preste a ir embora e não voltar mais. – Eu não aguento e começo a chorar com ela, eu me sinto muito culpado por deixar ela e seu filho nessa situação, e a abraço. – Meu filho é tudo pra mim Kurt. – Ela dá um abraço mais forte e sussurra no meu ouvido. – Pode entrar.
Eu a solto, olho nos olhos daquela mulher e vejo a emoção de tristeza, amargura, não consigo sentir raiva de uma pessoa que está pior que eu, aliás, ela é mãe o ama desde pequeno e saber o que aconteceu com o seu filho é verdade deve ser difícil.
– Obrigado. – Digo muito triste com a situação que a mãe do Sam se encontrava.
– Espera Kurt – Ela puxa meu braço antes que eu pudesse entrar no quarto. – Eu acabei de te acusar injustamente de ser o motivo do meu filho está assim, mas claro que não é você. Já que você estava lá no local onde aconteceu o acidente você sabe por que vocês dois sofreram acidente?
Por que ela fez essa pergunta? Como eu a respondo? Vou ter de mentir , mas detesto ter de mentir.
– Não! Quando aconteceu o acidente eu estava dormindo, não vi nada. – Me senti mal de ter de mentir, mas foi preciso.
– Mesmo? Tenta se lembrar. – Ela olha com a feição de esperança esperando que eu dizesse uma coisa sobre o acidente.
– Não, não lembro de nada mesmo, me desculpa. – Eu a faço largar meu braço e entro no quarto.
Meu Deus que é isso?
Entro no quarto e instantaneamente começo a tremer, as minhas pernas começam a bambear a cena que eu estou vendo não é uma das mais legais, é muito aterrorizante e eu não imaginava que o encontraria daquele jeito, na verdade sim, mas nunca quis acreditar que ele poderia estar naquela situação.
Vê-lo naquela cama de hospital, já era esperado por mim, mas não sei o que deu em mim, eu simplesmente não queria. A cena era horrível prefiro não descrever o que eu vi me sinto mal só de pensar. Então me sento ao lado da cama do Sam, coloco as minhas mãos junto a dele e começo a chorar, e pedi perdão por ser tolo e um idiota, depois de umas duas horas ou mais não sei direito saio do quanto antes dou um beijo em sua testa, me coloco perto do seu ouvido e sussurro.
– Adeus, meu amor, nunca mais vou te fazer sofrer. – Saio do quarto dou um beijo e um abraço na mãe do Sam e disse que nunca mais voltaria, pois viajaria, mas desejava toda a saúde possível pro Sam.
Começo a andar pelo hospital, não consigo nem segurar meu choro ando por todo ele chorando, até que chego na saída enxugo minhas lagrimas, está na hora de superar meu momento depressivo vai ser difícil esquecer o Sam, mas eu vou tentar seguir em frente.
Pego o carro do meu falecido tio, ando um pouco pela cidade, até que paro em uma cafeteria muito boa, acho melhor ir lá tomar um cappuccino pra ver se eu consigo desestressar, hoje o dia foi muito intenso e ver o Sam me deixou muito mal, mas eu precisava vê-lo.
Saio do carro, fecho a porta, começo a andar e entro na cafeteria. Vou em direção ao caixa para que pudessem me atender, peço como todos os dias que vou a cafeteria depois da escola, mas com esse negócio do acidente eu nem fui, hoje é o dia pra mim quebrar esse jejum, depois de atendido me sento em uma mesa de frente para uma enorme janela, pois era a única vazia. Dou meu primeiro gole no meu cappuccino ele está tão bom quanto os de antes e com uns pãezinhos de acompanhamento melhorou tudo, mas ainda fico pensando nas coisas, eu me sinto uma pessoa chata, mas não sei porque eu sempre estou pensando nunca ajo, eu acho que é de mim mesmo é o jeito que eu sou. Pego um pedaço de pão e começo a comê-lo, depois pego meu cappuccino e dou mais um gole, como tá maravilhoso esse cappuccino hoje, fico olhando pra janela a paisagem é bonita tem arvores, carros, pessoas correndo de um lado e outras do outro, outras somente andando, mexendo no celular, também tem os passarinhos que canta um pro outro com o simples fato de ter esse ato como extinto.
– Licença posso me sentar aqui?
– Oi? – Eu olho para traz com susto, meio em choque e vejo que é a pessoa que está falando comigo. Reparo bem, sim, é ele o Blaine , olho para a janela de novo como se eu não tivesse o visto.
– Então posso?
– Por quê?
– Se você reparou a cafeteria está cheia. – Eu me viro e olho pro lugar e está mesmo cheio, mas logo aqui? – E a vista daqui é muito linda. – Ele me olha e eu olho pra ele sem querer e fico vermelho, ele aponta pra janela.
– Ah sim, é mesmo muito bonita. – E me volto a olhar pra janela.
– Então...
– Então... O que?
– Posso me sentar.
– Ah, pode. – Não olho pra ele não tenho vontade, deixa ele sentar e tomar seu café em paz, pois eu vou tomar.
– Então... Como está o Sam?
– Bem.
– Hum... Legal eu fui vê-lo.
– Ah, legal. – Fui sério e tive respostas curtas, pois queria que a conversa acabasse rápido.
– Você está bem? – Insiste ele em puxar assunto.
– Sim.
– Ah... Eu também estou. – Fica uns cinco minutinhos de silencio até que ele pergunta. – Kurt você está com raiva de mim?
– Não. – Claro que eu estou, me chama pra sua festa beija aquela menina estranha, depois de um tempo me beija e por causa desse beijo o Sam está em coma e acha que eu não deveria ficar com raiva.
– Então por que você esta me tratando assim?
– Assim como?
– Com respostas vagas, parece que você não quer falar comigo.
– Não somos tão próximos.
– Ah,você quer que eu saia? – Ele começa a se levantar eu pego seu braço e faço ele se sentar de novo.
– Não, desculpa. – Não devo descontar minhas raivas nele, aliás, ele nem sabe que eu já gostei dele.
– Dia ruim?
– Péssimo.
– Ah sim, te entendo é porque o Sam está...
– Não! Nem termina essa frase. – Eu o interrompo, pois não quero mais lembrar disso.
– Sinto muito. – Ele coloca a mão dele em cima da minha de imediato eu a tiro, eu olho pra ele e ele dá um leve sorriso de constrangimento. – Sabe a festa que você fez pro...
– Sim, o que tem?
– Você ficou comigo uma grande parte não é?
– Acho que sim por quê?
– Lembra do momento que eu fui pro lado de fora da festa?
– Hum... O que tem?
– Eu me lembro de ter beijado alguém, você sabe quem?
– Eu não... – Será que é de mim que ele está falando? Não, não é possível.
– Eu só me lembro que ela estava sentada, parecia que estava triste e para ela se sentir melhor eu a beijei, mas parece que ela não gostou porque ela correu, o problema é que eu não me lembro do rosto dela.
De imediato deixei todo meu café em cima da mesa e comecei a me levantar.
– Espera você não me respondeu. – Eu olho nos olhos castanhos que com o sol da janela reluzindo neles ficou uma cor de mel muito linda e percebo que por traz desses olhos lindos escondia um menino apaixonado. — Nunca vou me esquecer daquele beijo foi o melhor de todos que eu já tive, na verdade foi o único que eu senti algo especial e importante.
– Não, não sei mesmo tenho de ir. – Não quero decepcioná-lo e nem a mim mesmo eu estou fazendo uma força pra esquecê-lo e ele ainda faz isso comigo, não quero contar pra ele que a pessoa que ele beijou foi eu.
Espera por que eu estou falando com ele? Nossa que raiva! Ele me muda por completo e agora estou com muita vergonha e sem jeito.
– Mas... Ajuda-me eu acho que eu estou apaixonado.
– Não posso, não sei, tenho de ir, tchau.
– Eu te levo até em casa eu estou de carro.
– Eu também. – Começo a imaginar a cena de eu beijando o Blaine aí eu começo a ficar sonso.
– Kurt você está bem?
– Sim, eu acho.
Começo a andar sozinho bambeando.
– Quer ajuda? – Pergunta o Blaine.
– Sim, por favor.
– Vou te levar pra casa.
– Não, não precisa, só me leva até o carro, eu consigo dirigir sozinho.
– Não! Vou te levar pra casa e pronto. – Ele me aperta, segurando a minha cintura, como estava meio tonto coloco a minha cabeça em seu ombro e vou em direção a porta.
– Kurt você está melhor? – Pergunta ele me colocando escorado no carro.
– Sim, pode ir.
– Posso mesmo?
– Pode eu estou melhor, vou ficar um pouco escorado aqui, depois eu entro no carro está bem?
– Tá... – Ele olha com o rosto de preocupação e fala comigo. – Qualquer coisa me chama. – Ele continua andando até a porta do café e eu começo a sentir uma dor muito forte na minha cabeça, minhas pernas não estão me aguentando eu vou desmaiar.
– Blaine... – Eu grito antes que eu caísse no chão.
– Kurt! – Eu já no chão, vem o Blaine e me coloca em seu colo, depois disso eu apago e a última imagem que eu tive foi do rosto do Blaine fixado em mim.
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