Notas iniciais

D.D.U.P

Por alguma razão eu sempre achei que eu era diferente... Ficava horas reparando nos detalhes na frente de um espelho grande que havia no meu quarto, eu gostava de roupas apertadas, mas eu só tinha coisas largas... Meu foco? Era o estudo eu acho, eu tinha que dar orgulho pra minha mãe, era só nisso que eu pensava.

Quando eu completei 15 anos, minha mãe morreu... Minha vida desmoronou... Nenhum dos meus parentes queria ficar comigo, por alguma razão que eu não conhecia.

Fui para um orfanato, mas eu não acho que isso tenha sido ruim... Lá eu aprendi, que contos de fadas, e o famoso Para Sempre não é real. E ninguém tem vida de princesa mesmo que queira.

Eu dormia num beliche, com quatro garotas... E no começo fazer amigos era ótimo, mas depois eu parei de me importar.

— Essa garota vai ficar nesse quarto, no lugar da outra que foi embora. – Exclamou a diretora do orfanato para as outras garotas, que tinham um olhar de esperança... Eu também tinha esse olhar, mas com o tempo ninguém me adotava... Eu era conhecida como a garota feia, que aos 17 anos ainda estava no orfanato pois não havia sido adotada.

Em Abril, colocaram um espelho no quarto dos meninos, e mesmo que fosse proibido meninas entrarem no quarto de meninos, eu precisava me olhar no espelho... E ver quem eu era agora. Um dos quartos estava aberto, então eu tranquei a porta. Vi meu cabelo preto atingindo a cintura, havia uma tesoura em cima da mesa... Não pensei duas vezes e cortei ele um pouco a baixo do ombro. Eu não sabia, mas tinha um garoto ali no quarto, e me viu fazendo aquilo, mas naquela hora ele não gritou, e nem chamou a diretora do orfanato, então eu sai tranquilamente, afinal eu não sabia que havia alguém ali.

- Eu tive que varrer o seu cabelo. – Disse um garoto que sentou do meu lado no refeitório. Eu sempre achava que eu era a garotinha feia, mas ele parecia ter uma vida ruim também, ele foi abandonado quando nasceu, e agora com 16 anos ainda não foi adotado, e ele acredita que nem vai ser... O nome dele era Paco... Cabelo “chanel” aquele jeitinho bad-boy... Não sei explicar... Só sei que ele se tornou o meu melhor amigo.

- Cabelo? Eu não sei do que você está falando.

- Não adianta mentir, eu vi você cortando o cabelo no meu quarto.

- E por que não chamou ninguém ? – eu perguntei.

- Porque aquilo parecia ter sido importante para você... Qual seu nome ? O meu é Paco.

- Olha não vou falar meu nome ta... Não quero um amigo que depois seja adotado... Eu ainda vou ficar aqui por mais um ano.

- Estou aqui há dezessete anos, pare de reclamar.

- Meu nome é Melissa...

Era bom saber que um amigo não iria me abandonar, mas eu tinha pena do Paco... Ele não sabia nem o próprio nome... Optou por Paco porque ele achou legal, a melhor escolha.

Era proibido garotas nos quantos dos meninos, mas eu não ligava, Paco era a pessoa com quem eu mais conversava, impossível não desabafar com ele...

Na época do natal, o orfanato ficava totalmente lotado por pessoas querendo adotar alguém, porem ninguém escolheu nem eu, e nem o Paco... Na noite de natal todas as garotas do meu quarto já haviam sido adotadas, e eu era a retardada solitária. Para falar a verdade, passei a noite de natal me masturbando de baixo das cobertas... Teve uma hora que eu tirei as cobertas, e pensei “Posso me masturbar ate no meio da rua que ninguém vai ligar.” Quase na hora do orgasmo, eu ouvi a porta batendo, era como se alguém tivesse entrado no meu quarto... Mas nem por isso eu iria perder o sono... Se eles me chamam de vagabunda, eu vou mostrar o tipo de vagabunda que eu posso ser. Os quartos dos meninos que foram adotados, estava vazio então eu entrei em um deles, Paco me deu um batom de natal, era um batom bem vermelho em sensual, ninguém mais me chamaria de menina feiosa.

Tantas e tantas roupas largas que eu tinha... Eu me lembro que roubei pela primeira vez, quando uma das garotas do orfanato havia sido adotada, isso foi uma semana antes do natal, eu troquei a mala dela de roupas, pela minha mala, sim eu fiquei com as roupas dela, que eram curtas e apertadas, e eram mais novas... O nome dessa garota era Camilla, ela cheirava a camisinha de morango, e essas roupas eram os garotos que se matavam para pelo menos dar uma calcinha para ela.

Dia 26 de Dezembro, já havia passado o natal, vesti uma saia rosa e uma blusinha bem curta branca que eram da Camilla, e eu fui para o refeitório sentar ao lado de Paco.

- Não te vi ontem, de noite... Achei que passaríamos o natal juntos.

- Desculpa... Olha eu entrei no seu quarto e vi você se masturbando, eu achei que você iria achar constrangedor se eu ficasse la depois do que eu vi.

- E você tinha razão, eu estou constrangida, mais como você ficou ao ver aquilo?

- Sinceramente... Eu fiquei excitado, e eu queria ter chegado mais perto, mas eu sou virgem e dou valor a isso. – Eu iria perguntar se o Paco gostaria de fazer sexo comigo, quando Camilla entrou no refeitório com seu pai adotivo, e apontou para mim, e disse “ Essa é a ladra papai, aquela saia é minha”

_Continua

Notas finais
Espero que gostem :) e comentem
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.