Diários da semideusa
18 Capítulo bônus inside my head
Notas iniciais
Fui acordada um tempo depois por Percy me perguntando se eu estava bem. Eu assenti e percebi que ele não era o único que estava preocupado. Soltei um sorriso meio amarelado, o que tranquilizou o Grover, pelo ou menos.
Descemos do carro e quando olhei a minha volta tudo o que eu vi foi mar, areia e uma lanchonete bem organizadinha pra falar a verdade. Os funcionários não deviam receber muito bem, já que além deles e de nós, a praia estava completamente deserta.
Mesmo nao estando no lugar que queriamos, ninguem parecia preocupado. Muito pelo contrario, pareciam muito felizes ate. Um descanso cairia muito bem mesmo, mas o problema seria depois.
Thalia, Grover e Zoe foram para o restaurante pedir um doce que eles viram no cardapio. Percy quis ficar para observar o mar e eu... Bem, eu so estava com preguiça mesmo.
– Quer entrar? — ele perguntou de repente.
– Ahn? — perguntei, franzindo a testa.
Percy apontou para o mar a nossa frente, exageradamente cristalino. Balancei minha cabeça, negando. Nao era a "maior fã" de mar, é como se eu tivesse tido uma experiencia ruim, só que sem conseguir me lembrar direito. Ou talvez só fosse coisa da minha cabeça mesmo. Mas constantemente eu sonhava com agua — muita agua — e gritos desesperados vindo de mim, mas que mal pareciam de tao carregados de pavor.
Pisquei os olhos para afastar todos os meus pensamentos e olhei novamente para Percy, ate perceber que ele não estava mais lá. O encontrei no mar, nadando como se dependesse disso.
Por um segundo me peguei sorrindo. Sim. Eu. Bianca Di Angelo. Sorrindo.
Peguei um livro que achei em cima de uma das mesinhas e comecei a folheá-lo. Se chamava Battle Royale e era de uma escritor japonês. Stephen King havia comentado — um comentário muito bom por sinal -, então o cara devia ser bom.
Fiquei um bom tempo lendo — o livro me prendeu completamente — e quando finalmente decidi parar não encontrei ninguém em lugar nenhum. Caminhei em direção ao mar. Nada. Então de repente senti braços agarrando minhas costas e pernas. Soltei um grito de susto, e meus pés já não tocavam mais o chão. Olhei para quem estava me carregando e era ele. Respira, Bianca.
– Mas que droga, Percy. Quase tenho um infarto aqui — digo com a mao no coração.
Ele sorriu e começou a andar para o mar, ainda me carregando.
– Me larga... Agora! — disse distribuindo tapas e socos.
Ele fingiu não ouvir e continuou caminhando. Comecei a entrar em desespero quando a agua cobriu seus pés, e agarrei ele para que não me jogasse na água.
– Por favor, eu faço tudo que você quiser, mas me solta.
Ele pareceu pensar um pouco e então disse:
– Okay.
E então me soltou. SÓ QUE DENTRO DA ÁGUA.
Meus deuses, nunca senti tanto frio que nem quando cai no mar.
– Você vai se arrepender de ter feito isso — digo com um sorriso maléfico
Ele riu e se afastou. Eu, é claro, fui atrás dele.
– Você não pode fazer nada, esse é o meu territorio, Bia.
– Nao me chama de Bia.
– Ta. Desculpa, Bia.
Comecei a nadar atrás dele, contendo um sorriso. Exceto pelo fato de que ele era muito mais rápido que eu na água e eu nunca o alcançaria, estava tudo ótimo.
Por um minuto, o mar parecia um cenário perfeito.
– Viu, Bia, a água não é tão ruim assim, né? — ele perguntou depois que paramos de nadar.
Suspirei. Ele não ia parar de me chamar de Bia.
– É, ate que não.
Percy ficou me encarando por um bom tempo.
– O que foi?
Seus cabelos estavam bagunçados como sempre, mas completamente secos, mesmo tendo nadado.
– Nada. Só estou tentando imaginar quem é seu pai Olimpiano.
Fiquei calada. Na verdade, eu não fazia ideia, nem um palpite. Tinha ate um pouco de medo dessa questao.
– Se fosse Zeus, Thalia suspeitaria. Se fosse Poseidon eu ia saber. Talvez... Ares? Nao, não combina com você. Apolo? Nao, encontramos com os dois, você saberia. Hefesto? Nao mesmo. Talvez Hermes.
– Está me chamando de ladra?
– Você roubou uma coisa de mim...
– O que? — perguntei confusa.
– Ah esquece — ele respondeu corando um pouco.
Me levantei e fui até a mesa em que estava lendo o livro e peguei uma toalha. Só que quando eu fui vesti-la eu acabei tropeçando. Eu só me vi aproximando do chão, mas no final das contas Percy me segurou.
Me virei para agradecer, mas nenhum som saiu da minha boca. Estávamos perto demais.
– Lembra aquela hora que você disse que se eu te soltasse você faria tudo o que eu quisesse? — assenti. — Pois é... Você me deve uma, Bia.
E então...
Então eu acordei. E lá estava eu na minha realidade novamente. Nada havia acontecido, e mesmo que tivesse, quem se importa? Era só um sonho mesmo... Meus sonhos são tao reais que por mim eu não dormiria nunca, porque quando você acorda a sensação é horrível. Você sente um vazio no peito que não pode controlar.
Reprimi esse sentimento e me levantei, reconhecendo a Lexus onde havia dormido junto com Zoe que ainda não havia acordado no banco da frente.
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