Diário sem sentido nenhum

7 Tempo Perdido - Renato Russo


Notas iniciais
Hoje tem uma análise minha sobre uma música muito especial. Se você interpreta de outras formas, deixe nos comentários ♥

Análise de "Tempo Perdido" — Renato Russo

"Todos os dias quando acordo
Não tenho mais o tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo"

Existe um diálogo do autor consigo mesmo, o dilema de como aproveitar o tempo da melhor forma é apresentado e desenvolvido com um pouco de otimismo. Uma das maiores causas da depressão é o fato de estar preso ao passado. É triste pensar que jamais poderemos reviver o que já foi, mas temos um tempo incontável pela frente, telas em branco para pintar, folhas de um diário pra escrever e músicas novas pra compor.

"Todos os dias antes de dormir
Lembro e esqueço como foi o dia
Sempre em frente
Não temos tempo a perder"

Então, ele passa a refletir sobre a necessidade do esquecimento e o conceito de perca de tempo. Uma das teorias em relação aos sonhos é que estes selecionam memórias. Não precisamos de memórias que não importam, como andar pela rua enquanto nada acontece, porque não sobrará espaço na nossa mente pra coisas mais importantes. Do mesmo modo, não temos tempo para guardar mágoas, é necessário seguir sempre em frente.

"Nosso suor sagrado
É bem mais belo que esse sangue amargo
E tão sério e selvagem
Selvagem, selvagem"

Há quem diga que se trata de uma referência à ditadura militar, já que a música é de 1986. Penso que seja um alerta, as pessoas estão cada vez mais agressivas, temos a necessidade de guerrear em vez de trabalhar e derramar nosso suor para construir a paz. A sociedade vive se metendo em conflitos e quando nos dão espelhos, vemos um mundo doente.

"Veja o sol dessa manhã tão cinza
A tempestade que chega é da cor dos teus olhos
Castanhos"

As coisas começam a ficar nubladas, escondidas, mas ainda existe um sol pairando sobre os pensamentos. O sol é a esperança em meio a uma manhã cinza. Um presságio de tempestade é anunciada no começo do dia. "Dia" aqui significa vida, por isso as coisas acontecem na neblina da manhã, temos o resto da vida pela frente. Diante desse mal agouro, aparecem os olhos castanhos de alguém ali ao lado.

"Então me abraça forte
Me diz mais uma vez que já estamos
Distantes de tudo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo"

Durante a tempestade, o abraço simboliza a força necessária para passar pela dor. Quando tudo cessa, com os sentidos recobrados e a calmaria do clima, chega-se a conclusão de que "temos nosso próprio tempo". Se temos propriedade sobre o tempo, podemos desfazer o cinza de nossas manhãs. Não precisamos ser rápidos, precisamos passar — querendo ou não — pelos dias um de cada vez, então aproveitemos tudo com paciência.

"Não tenho medo do escuro
Mas deixe as luzes acesas agora
O que foi escondido é o que se escondeu
E o que foi prometido, ninguém prometeu

Nem foi tempo perdido
Somos tão jovens
Tão jovens, tão jovens"

Desconfiado, o autor passa a ser vigilante depois de tudo. O escuro é a ignorância. Não se teme a ela, contudo é preciso acender as luzes para ver o que está escondido. Ninguém prometeu que não iremos sofrer, ninguém é obrigado a satisfazer as nossas expectativas, mas nada é em vão. Mesmo que ruim, nós somos jovens, nós ainda temos tempo e podemos usar nossas experiências ao nosso favor.

***

Mas é claro que o sol

Vai voltar amanhã...

Notas finais
Ah, uma coisa que quero pedir Se alguém tiver uma foto com as seguintes características: Um abraço no qual as pessoas estão de olhos fechados, tipo Peeta e Katniss na cena final das amoras se abraçando sabendo que tem a possibilidade de morrerem, se tiver chuva ou ventania na foto melhora ainda. Me mande pra eu colocar nesse capítulo. Pergunta de hoje: O que você mais gosta na sua própria personalidade? Um xero.