Diário do apocalipse
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Após a explicação do general, continuávamos sem entender nada. Nenhuma menção a guerra, nem acidente nuclear, mas a frase “fim do mundo” e “extinção da sociedade”. Apareceram umas três vezes no seu discurso. O soldado parado em pé ao lado do general parecia estar preocupado, e a cada frase do general uma careta diferente. O que mais me irritou foi ele desviar o olhar, quando o general falou sobre minha família. Será que o general estava me escondendo alguma coisa? Não podia simplesmente acusá-lo, mas se aquele soldado sabia alguma coisa, eu tinha que descobrir. E eu ia descobrir.
Lógico que ouve uma indagação do porque nós, nós que éramos apenas presidiários, qual o motivo de sermos salvos, ainda restavam algumas dúvidas. A explicação surpreendeu a todos, o general disse que fomos salvos, não pelo que éramos e sim pelo que fazíamos. Eu, um jornalista, o homem dos cabelos castanhos, um ex-militar, os outros: um engenheiro, um professor de línguas estrangeiras. No total éramos quatro ex-detentos, todos recém saídos da prisão
Depois do discurso do general fomos levados ás nossas instalações, bem luxuosas por sinal. Cheguei ao meu quarto e o que mais me chamou a atenção foi o banheiro. Fui direto tomar um bom banho, depois de anos na prisão aquilo ali era uma mansão. Então me espantei ao ligar o chuveiro e percebi que a água era quente. É impressionante como um bom banho quente pôde me fazer esquecer todos os problemas. Após o banho deitei na cama, onde em frente havia uma TV bem grande.
De repente me veio á mente aquele soldado, será que o general estava me escondendo alguma coisa? Será que aquele soldado sabia de algo mais?
Resolvi então sair do quarto, no corredor vazio todo pintado de branco estava vazio. Comecei a andar, e ouvi alguns passos e me apressei em entrar em uma porta á minha frente. Não imaginei o que haveria atrás daquela porta, mas até a minha surpresa não foi tão ruim, assim que entrei avistei o detent... Bom não éramos mais detentos. Avistei o homem de cabelos castanhos que saltou da cama no susto e gritou: “cacete, você ta louco.”
Então comecei a me explicar:
–“Estou atrás do soldado que esteve mais cedo conosco naquela sala, aí ouvi passos no corredor e entrei na primeira porta.”
–“Encontrou alguma coisa?” ele me perguntou.
–“Não, acho que não vou encontrá-lo nesse prédio. Vi algumas instalações no caminho para cá, vou lá dar uma olhada.” – respondi.
–“Certo, vou com você então.” – disse ele de repente.
–“você é louco, não sabe o que podem fazer se nos pegarem lá fora, lembra do que houve na prisão. Somos descartáveis.”- disse a ele, enquanto ele apenas ria suavemente, como se não ligasse. –“O que foi? Você é louco?” – perguntei agora irritado.
– “Me escuta, você não sabe da minha história, não sabe o que eu passei..”- Disse ele em tom sério.- “Eu perdi alguém que eu gostava na prisão, você ainda pode encontrar a sua família, eu quero ajudar.”
Contra aqueles argumentos não tinha como lutar, então apenas assenti com a cabeça.
–"A propósito, me chamo Vitor."
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