Diário de viagem
3 Querido sol
Notas iniciais

Abriu a garrafa de água e sentou em uma das malas, aquela demora deixava uma ansiedade pairando pelos três, e as unhas de um francês quase aos cotocos. Foi quando esbarrou sem querer em alguém atrás dele. Assim que virou viu aqueles cabelos loiros tão conhecidos, a as sobrancelhas grossas que seriam reconhecidas até por foto de satélite. Abriu um enorme sorriso e o abraçou.
–Mon petit¹, que saudades. – beijando o rosto do outro como se não o visse há anos.
–Mas o que diabos…
–Ah, olá Arthur. – Antônio vinha sorridente trazendo Gilbert, haviam ido até a máquina de bebidas trazendo refrigerantes e energéticos.
–Olá, vão viajar também? – desgrudou do francês e ficou a certa distância – E fica longe de mim, bebedor de vinhos idiota.
–Sim, vamos passar quinze dias em Fernando de Noronha. E você petit?
–Eu vou viajar com Alfred e o Matthew para o Canadá, visitar uns parentes do Matt.
–Oh, e onde ele está? Sinto saudades dele também.
–De quem?
O loirinho apareceu ao lado de Alfred, segurava seu urso enquanto comia uma batata frita que o irmão botava em sua boca.
–Para de encher ele de porcarias, Alfred. – tomou as batatas dele – Se quer ficar gordo, que fique sozinho e longe dele.
–Mas, as batatas são uma bomba de nutrientes…
–Só se for bomba de gordura. Seja lá onde leu isso você processou errado. – virando-se para Matthew, mas antes que pudesse dizer o que queria ouviu o anúncio do voo – Hunf… temos que ir. Até mais Matthew, Arthur, Alfred. Tenham uma boa viagem. – saiu puxando o prussiano e o espanhol.
Suspirando cansado, Antônio ajeitou-se na poltrona ao lado da janela, estava sonolento e queria apenas dormir. Passou a noite inteira aprontando suas malas e quase não dormiu direito. Francis havia jogado tudo na mala na última hora assim como Gil. O albino tirou uns fones externos do casaco e os colocou enquanto ajeitava-se no travesseiro de gilbird que carregará. Francis lia um romance ao degustar uns doces e um pacote de balas que pegará antes no aeroporto.
...x...
A viagem foi tranquila, dormiram a maior parte do tempo. Agora estavam descarregando as malas, que não eram poucas, na casa de Luciano. Este que havia recebido um telefonema de Antônio sobre a viagem e oferecerá a sua casa de praia que tinha na ilha para hospeda-los.
–Sejam bem vindos. – abraçou um por um – Estão com fome?
–É o mesmo que perguntar a um cego se está vendo o céu, kesese~
–Seu senso de humor também está ótimo Gil. Vamos entrando, deixem suas malas no quarto de hospedes que amanhã cedo iremos ver a praia.
...x...
Já era noite e fazia um pouco de frio, antes de deitar os quatro mataram o tempo conversando e bebendo na varanda. A mesinha estava repleta de latinhas de cerveja e um prato de porcelana com rodelas de calabresa, palmito e queijo acompanhados de um fio de azeite. Um tira gosto.
Cablam~
É nisso que dá ficar se balançando loucamente na rede feito uma criança de doze anos, deixando o trio de cara no assoalho. Mas como bêbados nem se importavam com isso, ficaram por ali mesmo, dormiram ao chão enrolados pela rede felpuda e colorida, apenas sendo acordados no dia seguinte quando Luciano os empurrou para a areia quente. Pularam feito peixe fora d’água, e a areia entrando em tudo que era lugar impróprio.
–O que diabos… VOCÊ!
–Fica quieto Gil, passa logo o protetor antes que vocês assem no sol feitos camarão.
–É hoje, garotos hoje vocês terão uma aula prática de como atrair garotas. Honhonhon~
Todo cheio de si, Francis, e não Gilbert, saiu todo fabuloso pela areia chegando até a beira da água tirando a regata rosa e puxando os óculos escuros para deitar em uma toalha que fora estendida ali pelo brasileiro, e cruzou os braços para ler o livro, exibir seus músculos, como quem não quer nada. As meninas que passavam ali jogavam beijinhos e acenos.
Entreolhando-se, Gil e Antônio correram para repetir. Luciano apenas riu, o francês não havia passado o protetor e estava deitado embaixo de uma palmeira, coisa boa não sairia dali.
...x...
–Ai não me toca, ou eu arranco sua mão com meus dentes.
–Kesese~ quem mandou ser rebelde?
–Mas fique contente, você conseguiu uma tatuagem natural nas costas, Francis. Fusoso~
–Até tu Tonton?
O loiro estava amuado. Deitado no chão da sala, de barriga para baixo, ele remoía o choro de ardência em suas costas que possuía uma enorme marca, que pareciam uma folha de palmeira na sombra, enquanto deixava o prussiano passar hidratante. As mãos dele pareciam arranhar a pele do loiro que grunhia implorando perdão por todos os pecados que cometerá para sofrer esse castigo.
–Parece uma menina choramingando, seu fresco. – Gilbert levantou.
–Mas com orgulho. – balbuciou.
–Hm, o Luh vai pedir pizza, querem de que sabor?
–Pra mim qualquer um serve Antônio.
–Eu quero de atum.
E lá se foi mais uma noite. Regados a muita bebida, pizzas e piadas dormiram pela sala mesmo.
...x...
Já todo largado na toalha em baixo de sol, Antônio deixava o celular na areia, perto do isopor com bebidas e voltava para dentro da casa. Gilbert olhou para a tela quase capotará de sua cadeira. Ao longe, um francês loiro saía correndo pelas ondas, enquanto jogava a sunga lá longe, consequentemente espantando os turistas. Nem parecia o mesmo loiro choroso que passará quase a madrugada toda gemendo pelas costas ardidas, quase não deixando os dois dormirem. Tendo enfim jogado ele na varanda com compressas de gelo, desmaiaram de sono.
Antônio vinha voltando de dentro da casa arrastando uma cadeira de praia, ajeitando o chapéu enorme que mais parecia um guarda-sol tamanho família. Trazia uma grade de cerveja gelada. Estendeu uma ao amigo e abriu uma para si.
–Você tem uma foto do Lovino como protetor de tela? – o albino apontou para o celular enquanto se passava quilos de protetor.
–Tenho sim… qual o preconceito Gil?
–Nenhum, mas sabe que se ele visse a própria foto, pelado e com apenas um tomate tapando o pinto, com certeza teria um espanhol assado no jantar dele.
–Me deixa ser feliz, poxa. – embicou – E ele nem sabe dessa foto.
–Claro, ele nunca tiraria uma foto assim. Até mesmo meu grande eu consegue distinguir uma foto natural de um photoshop escroto como esse que você usou. – tomou um gole da bebida.
–Aff… vai amolar o Gilbird.
Puxou uma violinha, sabe lá de onde, e jogou na cara do outro. Gil caiu da cadeira em que estava.
–Cuidado com a minha linda cara.
Ficaram quietos e em silêncio enquanto o francês pervertido vinha correndo e dando alguns saltinhos, tropeçou em um buraco cavado na areia e veio rolando todo desengonçado… e nu ainda. Deu de testa no guarda-sol e comeu areia. O espanhol jogou uma toalha na traseira do loiro, ninguém ao redor merecia ver a bunda branca daquele idiota.
–É nisso que dá ser francês. Kesese~
–Mas sou gostoso. – espanando a areia das mãos, pegou uma latinha enquanto sentava em uma toalha.
Uma loira passou, Francis babou e enfiou uma sunga para logo sair correndo e conseguir cantar a garota. Mas quem estava cantando era o Gilbert. Pobre Antônio…
–LONGE DE CASA… — tocava na violinha que momentos antes tinha sido atirada na sua cara – AH MAIS DE UMA SEMANA… MILHAS E MILHAS DISTANTEES… DO MEU AMOR…
Um balãozinho apareceu acima de sua cabeça. Ele indo embora deixando Elizabeta para trás; voando no avião deixando-a no aeroporto.
–SERÁ QUE ELA ESTÁ ME ESPERANDOOOO…
–Vai sonhando. – Antônio mordia a toalha que amarrará na cabeça para abafar aquela desgraça, enquanto tentava não rir.
–EU FICO AQUI SONHANDO… VOANDO ALTO BEM PERTO DO CÉEEU… — bebeu mais um gole de cerveja, e continuou na violinha – EU SAIO DE NOITE, ANDANDO SOZINHO…
Antônio imaginou uma daquelas muitas madrugadas que Gilbert andava sonambulando pela cozinha atrás de bolo e vinho. Quase rebolou de rir.
–EU VOU ENTRANDO EM QUALQUER BAR, E FAÇO MEU CAMINHO… NO RÁDIO TOCA UMA CANÇÃO, A QUE ME FAZ LEMBRAR VOCÊ.
–Só se for canção das frigideiras na sua cabeça aehuehuaheuaheu~
–EU FICO LOUCO DE EMOÇÃO, E JÁ NÃO SEI O QUE VOU FAZEER… ESTOU A DOIS PASSOOOOS, DO PARAÍSO.
–Seria uns quatro metros Gil. – Tonho se referia ao mar.
–NÃO SEI SE VOU VOLTAR.
–Ah vai, nem que seja pela orelha, amarrado na asa do avião, mas volta pra Elizabeta. Fusososo~
–ESTOU A DOIS PASSOS, DO PARAÍSO, TALVEZ EU FIQUE, EU FIQUE POR LÁ. ESTOU A DOIS… AEOPÇLPEROKXTRM…
Francis vinha voltando frustrado por causa da garota. Ela tinha saído correndo após Gil começar a cantar, e para se vingar, o loiro entrou ventando na casa e em passos de gato se aproximava do prussiano com um uma réplica de uma das armas de Vash Zwingli, mas com um compartimento que guardava bolinhas coloridas de tinta. Atirou a primeira na cara dele, deixando-a completamente pintada de roxo.
–MAS O QUE…
Foi atingido mais uma vez, no tórax com uma bolinha verde. E começou o massacre.
–HUAHUAHUAH… — parecendo um maníaco, ele atirava mais e mais.
...x...
Luciano pousou as compras na mesa e viu pela porta da varanda a cena. Gilbert todo multicolorido da cabeça aos pés. O rosto roxo, as pernas em vermelho, amarelo e azul, os braços pretos e alaranjados, as costas estavam cheia de areia e restos da bolinha rosa.
–Nossa, perdi algum tipo de festival?
–Haha… — debochou o prussiano tentando limpar o rosto com a toalha e indo, a passos duros, até o chuveiro ali perto, que ficava do lado de fora da casa – Muito engraçado.
Resmungou o resto do dia, e enquanto ainda tentava tirar a tinta do corpo com litros de sabão líquido e esponja grossa. No fim do dia estava mais dolorido e ardido que o Francis. Parecia que tinha perdido parte da epiderme de tanto que se esfregou. Planejava uma vingança, uma boa vingança.
Continua...
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