Diário de uma paranormal
21 O que AINDA não sei
Notas iniciais
–Ótimo – reclamei, enquanto esperávamos em uma sala de estar enorme. Fomos abduzidos para um condomínio chamado CAMINHÃO. Eu sei, que nome estranho. Mas enfim, sentia naquele momento uma vontade incrível de bater na cabeça de Josh com alguma coisa pesada que se encontrava na mesinha ao meu lado. Ele conversou com Doug Jones e não viu nenhum problema entrar no carro com o homem. Seria muito satisfatório que meu querido primo contasse o que os dois conversaram e para onde estávamos indo. Ficou realmente preocupante quando me vi localizada perto dos arredores da cidade em uma estrada com falta de iluminação. Definitivamente, eu vou matar Josh. Porque eu fui acreditar que Josh resolveria algo? Nem resolver sua droga de relacionamento, resolveu. Então foi quando chegamos nesse condomínio de muros altos, rodeado por bosques. Era muito bonito e estranhamente familiar. Mesmo não sabendo da existência dele até aquele momento. Uma porta se abriu e entramos revelando um mundo novo para mim. Havia um poste em cada esquina iluminando as calçadas de pedras amarelas. Prédios baixos nos dois lados das ruas com luzes ligadas porque ainda era cedo, crianças correndo. A partir de algumas quadras vi as edificações mudarem de prédios para casas. Várias casas imponentes de estilo antigo, recuadas dando espaço para um jardim maior e um cerquinha branca idiota. Então chegamos a frente da maior delas e o carro parou. Doug informou que tínhamos chegado ao nosso destino e para sermos bonzinhos com Aaron. O que chega no momento atual. Nós quatro espalhados pela sala desse tal de Aaron. Parecia uma eternidade esperar.
O único ruído da sala gigante vinha de uma corrente de ar que descia as escadas na extrema direita. O andar de cima estava escuro, dava para ver. As respirações faziam menos barulho possível. Novamente a desconfiança que sentimos na delegacia nos atingia. Josh tentava passar um ar de tranquilidade para que não ficássemos nervosas. Não funcionou. Visivelmente tensa, Amber parecia um soldado de tão reta. Becky disfarçava, pelo menos tentava, os olhares em volta e acima dos ombros. Talvez com a sensação de antecipação como eu. Essa ansiedade estava me matando.
Um cachorro salsicha entrou deslizando depois de empurrar a porta o suficiente da cozinha. O filhote corria pelo chão liso em volta de todos os seres presentes. Sorri, não conseguia lembrar como eu gostava de cachorros. No canto do olho Amber paralisou lembrando de seu São Bernardo, Clifford, que morreu no incêndio em seu apartamento. Quando o salsicha girou perto de mim, comecei a brincar com ele. Seria mais fácil para me sequestrar simplesmente me mostrando cachorrinhos.
–Kath.-Becky chamou baixo. A porta da cozinha abriu novamente dessa vez nenhum filhotinho saindo. Ainda tava abaixada quando um cara andou em direção Josh e as garotas, sorrindo. Olhei para cima e bem, ele era realmente alto. Tinha uma combinação estranha, pensei enquanto me levantava rapidamente. A postura seria que lembrava Doug, mas o canto dos olhos indicava o costume de sorrir muito. Sorri involuntariamente, ele era lindo. Rolei os olhos segundos depois, qual era o meu problema?
–Que bom que vocês vieram. -o moço disse. -Seus amigos já estão chegando.
–Douglas me disse que vocês ficaram desconfiados dele. Espero que não tenham achado que o meu irmão fosse os sequestrar, não sei.
Ri feito uma boba e as meninas olharam para mim de modo julgadores.
–Vocês podem vir até a cozinha?-Aaron indagou. -Estou sozinho cuidando aqui das coisas.
Qual opção nós tínhamos mesmo? Nenhuma.
Amber cochichava com Josh, enquanto nos dirigíamos ao outro cômodo. Fiquei observando os dois, desconfiada.
–Harry vai amar quando ver você de risinho para cima desse cara. — meu primo disse e rolei os olhos. Esse aí jurava que Harry tinha um crush em mim. Ridículo.
–Cuide de sua vida. — repliquei.
–Deveria fazer o mesmo. — Josh sempre tinha uma resposta para tudo. Dei língua para ele e sai de perto.
Fui ao centro da cozinha, ao lado de Becky. Onde parecia que estava em casa, esticada em uma das cadeiras do balcão de granito. Notei como a cozinha era bem equipada e tinha o dobro do tamanho da minha, alguém passava muito tempo aqui. Imaginei que talvez alguém trabalhasse aqui, julgando pelo ar frio do lugar. Nenhum toque de humanidade em volta, sem imãs, móveis descombinando, nada. Mas me enganei por achar que Aaron não tinha cara de quem gostava de cozinhar. Ele tirava alguma coisa do forno e colocou em cima da boca do fogão. Não sei o que era, mas soltava uma fumaça fina. Tinha um cheiro ótimo também, lembrando que não comia faz horas. Rebecca tentou desviar os olhos da comida esfriando, falhando miseravelmente.
–Nós não tínhamos noticias suas, Katherine, há muito tempo. Claro que não podíamos pedir que fizesse nada antes de atingir maioridade, mas...
–Ainda tenho 17- declarei. — O que queria que eu fizesse? Pera aí, noticias minhas? Como assim?
Aaron tirou uns pratos do armário acima dele e alguns talheres. Acumulando os itens no balcão da pia localizado na direita do fogão. Quando Becky percebeu o que ele iria fazer, se ofereceu para ajudar. Josh logo após a seguiu, acelerando o processo. Poucos minutos depois estávamos todos jantando uma lasanha quentinha. Estavam tão concentrados comendo que não trocavam nenhuma palavra. Algo raro. Mas eu só remexia a comida no prato. Mesmo com a barriga revirando de fome, não conseguia tirar da cabeça a sensação de que não queria escutar o que Aaron tinha pra contar. Mesmo parecendo importante. Queria algum tempo de paz antes de outra coisa bagunçar a nossa vida novamente. Achei engraçado como ele comia inclinado no prato, como se estivesse faminto depois de um dia duro de trabalho. O que não devia ser o caso. Como dono dessa casa enorme — a maior do condomínio -, devia ser algo respeitável.
–Então...-coloquei um garfo escorrendo de queijo na boca. — Vai me contar tudo?
–Tudo? Tudo o que? -ele me testou.
Esperei que voltasse o olhar para mim. Tentei exigir a pura verdade. Sinceramente, se fosse mentir para mim era melhor ficar calado.
–Tudo desde onde estamos até porque está fazendo comida?
Arregalei os olhos. Essa comida pode tá envenenada! Bati no braço de Becky repetidamente. E avisei a ela a minha teoria. Nós estávamos tão famintos que nem prestamos atenção no fato que estávamos caindo em um dos golpes mais antigos do mundo. Chamei Amber e Josh várias vezes.
–Katherine! Chega! Ele é de confiança, okay?-Josh disse por seu interesse na comida. — Escute o que Aaron tem para dizer.
Amber concordou com a cabeça, sem desviar o olhar de seu jantar.
Aaron ficou meio confuso por eu pensar que ele queria nos envenenar. Meu rosto esquentou, fazia tempo que não dava mancada assim. Falando besteira sem nem mesmo pensar, com certeza lembrava a Katherine Smith de alguns anos atrás. Me senti estranhamente feliz por algumas coisas nunca mudarem.
–Pensei que meu irmão tivesse dito que nós éramos amigos dos seus pais.
A comida nunca pareceu tão interessante, fiquei encarando ela com esperanças que meu rosto deixasse a coloração de um tomate.
–Douglas falou, mas não sei se lembro de algum de vocês.
O homem pareceu entender.
–Nem dos irmãos Fletcher?
Não lembrava de quase nada daquela época, essa era verdade. Antes que Emma sumisse, nossa vida era normal — nos padrões da minha família, claro. — Mas depois as coisas mudaram da agua pro vinho, nos isolamos quase completamente do mundo. O único lugar que saiamos era para o trabalho/colégio. Passamos um bom tempo assim. Enquanto crescia percebi cada vez mais as ligações estranhas que meus pais davam, até cheguei a achar que eram da máfia. E boa parte das ligações eram pros irmãos. Sem nome, nem rosto, só tinha lembranças do sobrenome. Fletcher.
–Sim, lembro do nome deles...
–Somos nós, os Fletcher-Jones. -Acho dava para notar que estava sem entender muito. -Vocês não contaram nada para ela, estou certo?
Os três confirmaram.
–Ah, que beleza-reclamei-Tem mais coisa que eu não sei. Perfeito!
Olhei traída para Josh, pensei que era o único que não omitia o que eu precisava saber. Mas nem isso! Ele tinha cara de quem concordava com o feito. Aaron olhou solidário para mim.
–Qual a parte você não entende?
–Mais fácil perguntar o que eu entendo. — dei uma pausa tentando organizar a minha cabeça.
Ouvimos alguém bater na porta da sala.
–TOC TOC — essa pessoa disse alto e foi entrando.
–Porque a porta está aberta?-Josh perguntou sendo logico.
–Quem iria se atrever a entrar aqui?-Amber respondeu. A expressão do meu primo clareou com o esclarecimento. E claro, não entendi nada. ARRR. Se eu desse um tapa pra cada coisa que eles não me explicam, todos já estariam roxos.
A porta da cozinha abriu e o salsicha escapuliu para dentro. Girando e correndo pelo lugar inteiro. Harry abriu a porta.
–O cachorro tava tentando empurrar a porta. — ele justificou porque soube onde estávamos. Rolei os olhos, e eu ainda imaginava quem poderia ser. Só Harry e Josh para entrar na casa de alguém gritando.-Kath, os meninos tem uma surpresa para você.
–Agora não, Harry. Eles vão me contar o que eu AINDA não sei.
No fundo escutei um "Ah" confuso do loiro.
–Então...-olhei com expectativa para Aaron, logo depois lembrei o que ele tinha perguntado. -O que eu sei, o que eu sei...
Amber sugeriu que eu começasse com os fatos mais simples.
–Bygron matou os meus pais e aparentemente de mais gente que eu esperava. Eu sou uma paranormal e tenho um anjo preso a mim-falei querendo passar uma mensagem a Aaron. Qual fosse o seu jogo contra a gente não iria funcionar. — Minha irmã foi sequestrada por um demônio quando criança.
Jones ficou desconfortável, não sabia o que dizer depois disso. Conheceu boa parte dessa história semanas atrás, mas escutar o resumo contado por quem viveu e, principalmente, com tanta frieza era bem...diferente. Não tinha certeza se o que iria revelar chocaria, algo imaginado antes de hoje.
Esperei Aaron dizer sua grande revelação. Ele parecia distraído alguns segundos, depois reparou em mim o encarando.
–Bem, Katherine, você conhece o motivo de seus pais terem sido assassinados?
–Não, na verdade. -engoli em seco.
A minha percepção de tempo deixou mais longa o intervalo entre agora e o esclarecimento. Não foi intencional. Esse era um momento importante. Finalmente saberia sem filtro algum o porquê de tudo errado na minha vida. A morte dos meus pais, sequestro da minha irmã, a perseguição de Bygron. Mal conseguia acreditar.
"Bem...",Aaron começou. Passou a mão na barba rala quando não soube como continuar. Ele estava nenhum pouco confortável com essa situação. Claramente não conseguia imaginar nenhuma vida que fosse sem conhecer sua origem. Essa falta de informação dada a mim era julgada como errada por ele. Mas como podia protestar se o próprio tinha ajudado a encobrir?
–Por muito tempo fiquei em um dilema entre a lealdade e o que eu acreditava. Mas a necessidade escolheu por mim.-pausa.- Katherine você viu o nome nos muros de entrada? Legião.
Então não era "Caminhão" que tinha escrito. Abri a boca fazendo um "Ah" estendido.
–Obvio que conhece a marca Legião.- Confirmei. Legião era a marca mais conhecida da região. Vendia biscoitos, salgadinhos e paçoca. Mas o que isso tinha a ver? Vendo minha eterna confusão, Aaron tratou logo de seguir com o assunto.
–A marca, a fábrica e a empresa são uma farsa.
Ninguém em volta fez uma cara de chocado. Como assim uma farsa?!Eu comi esses biscoitos a minha vida inteira. Rebecca, você não lembra quando você, eu e Amber comemos paçoca até dar dor de barrica por preguiça de ir comprar outra coisa no supermercado. Se conseguisse me mexer teria dito essas coisas em voz alta, a mesma voz psicótica e dramática da minha mente. Entretanto só soube piscar os olhos debilmente.
–O que? O que isso tem a ver?
Provavelmente nada. Mesmo assim não pude de deixar de ficar com medo da resposta. As coisas estavam tomando um rumo desconhecido, e como eu odiava isso.
Aaron tirou as mãos do bolso, tomando uma decisão. Contar por partes parecia mais estranho e surreal do que era. Respirou fundo e despejou tudo:
–Legião é só uma empresa de fachada para lavar dinheiro para toda a comunidade que mora aqui. Katherine, não me olhe assim...É, lavagem de dinheiro é ilegal. Mas escute,
Meus amigos riram e se dirigiram para a sala, sabendo que ia demorar. Amber tocou no braço de Harry, que continuava no meu lado ansioso para mostrar a bendita surpresa, chamando para ir junto com os eles.
Teria notado os quatro se moverem, mas minha concentração estava nas palavras de Aaron Jones.
–As pessoas que moram aqui, trabalham na empresa. O importante que você saiba agora é que todas essas famílias tem uma descendência em comum. Nós somos como você, paranormais. E temos essa empresa e condomínio para nos preservar, as pessoas não podem descobrir sobre nossos poderes. Seria um caos, tentaria nos matar, fazer testes...
"Enfim, importante mais saber é que o governo do estado nos dá cobertura sobre os nossos segredos. Como troca nós fornecemos uma guarda avançada a eles. Aí chega a sua família. Seu pai foi por muito tempo o comandante dessa guarda. Fazendo o possível para ajudar as pessoas normais sem levantar suspeitas sobre a nós. Mas houveram motivos que seu fez seu pai se afastar do cargo. E o dono dessa casa, quem manda na empresa, se sentiu ofendido pela decisão de seu guarda de confiança. Ele é um homem muito caprichoso e as vezes – a voz de Aaron falhou — cruel. Colocou dificuldades na convivência de Peter e Camille. Então chegou a um ponto que os dois tiveram que dar um basta. Foram embora, desligando-se das coisas da vida de paranormal. O que só deixou Steve mais irritado, seus dois filhos tão fieis a ele se juntaram a rixa que o Steve próprio criou. Um deles era Bygron, quem sempre queria se mostrar o mais eficiente, conseguiu localizar a sua família. Bygron foi o culpado também do sumiço de sua irmã. Mas seus métodos eram desaprovados por Steve. Como um homem de mínimo de sensatez sabia que não se devia mexer com as forças ocultas que o filho se metia."
Precisei me segurar na bancada, as coisas giraram em minha volta. O problema que estava metida era maior do que eu podia imaginar.
–A-ainda não entendi porque estou aqui. Isso já não acabou? Porque estou na casa de um cara que odeia meus pais? PENSEI QUE ESSA CASA ERA SUA. — falei me levantando e pegando minha jaqueta da cadeira.
Aaron deu um pulo do seu lugar.
–Ei! Espera, Katherine!- ele foi atrás de mim.
Parei e fiquei esperando ele terminar.
–Eu tenho um motivo. — sua voz foi voltando ao tom normal. -Um enorme motivo, não teria arriscado a vida de vocês se não fosse. Nós precisamos da sua ajuda. Nós queremos que fique do nosso lado.
–Nosso lado? Quem é "nós"?- indaguei, voltando a entender nada. Como ele conseguia me surpreender, sempre que eu achava que sabia de algo ele me mostrava que estou errada.
Aaron baixou a voz, involuntariamente olhou sobre meus ombros e os próprios.
–É bom que saiba antes de tudo, Katherine, Steve não é um bom homem. Nós aceitamos porque ele era necessário em um moment-
–Você não respondeu a minha pergunta. -cruzei os braços.
–Steve tem muita confiança que não viveremos sem ele, então abusa de seu poder para satisfazer seus caprichos. Como eu disse antes, ele é muito caprichoso. Além de não conhecer limites, o que já fez muitas inimizades não só aqui no condomínio, mas também com pessoas de mais poder que ele. Prejudicando a empresa e todos nós. Nós somos as pessoas que queremos uma mudança de atitude dele, ou talvez escolhermos alguém para ficar em seu lugar. -ele disse o final com vergonha. Não sabia porque. Ele não vivia em um país democrático?
Franzi a testa, com a impressão de ter perdido um pedaço da história. Aonde eu entrava mesmo?
–Conversar não ajudou?
Aaron Jones deu uma risadinha daquelas que odeio profundamente, dizendo "Tão inocente" e acompanhada por um balançar de cabeça. Colocou novamente as mãos nos bolsos, deu uma resposta negativa para minha pergunta.
–Então aí onde eu entro. -adivinhei. -Como posso ajudar o seu lado?
Seu entusiasmo se esvaiu. Mesmo que fosse uma indagação obvia e esperada, parece que foi pego de surpresa. As sobrancelhas do homem se uniram, sua boca abriu levemente para dizer algo, mas a nada saiu.
–Bem... e-eu ainda não sei. Também quero sua ajuda nisso.
Aaron é o caseiro do lugar e sabe que Steve não vai voltar até próxima semana. Ele nos quer por perto,então aceitamos a proposta de passar a noite naquela casa tão vazia, mais para retribuir a ajuda de seu irmão. Okay, era porque não tínhamos para onde ir. Precisamos de um tempo longe de Junesville.
O andar de cima do chalé, tinha quartos suficientes para todos nós. Afundando no colchão exageradamente fofo, ainda não tinha conseguido parar de fitar o teto. Uma corrente elétrica de nervosismo passava por mim, me impedindo de fechar os olhos. Percebi que estava encolhida, por conta do excesso de sombras do quarto. Depois do episodio da casa da tia Maria voltei a ter medo do escuro. Elas sempre pareciam prestes a se mexer e descobrir criaturas horríveis. Comecei a tremer por conta das lembranças.
–Kat?- soltei um grito abafado.
Lentamente abaixei o cobertor do rosto. Josh ainda estava na porta, de repente meio pálido. Ele disse que todos tinha ido dormir no mesmo quarto. "Você sabe, segurança.", palavras do primo. Peguei um travesseiro e corri pra junto dele. Já no corredor, conversávamos tranquilos. Porém quando meus pés descalços tocaram a frente do quarto escolhido, Josh me puxou pelo braço:
–Conte a ninguém, mas Aaron não é confiável.
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