Diário de uma garota quase perfeita. - O Retorno.
8 Conte comigo Anna. - Dezoito de março.
Notas iniciais

Anteriormente em Diário de uma garota quase perfeita...
– Tarde de mais Anna o que eu falo eu cumpro, diferente de você! Você não provou o que disse que me provaria antes de partir. Ela já deve ter recebido a gravação a estas horas. Além disso não vai adiantar você tentar apagar do meu celular, existem outras cópias. — Fala Cauanne irônica.
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Em New York ainda onze de março...
Era pouco mais das 16h30min, o sinal do último período de aulas não demoraria para bater. Sai da sala de reuniões do colégio e adentrei o corredor com Renny rumo a nossos ármarios. Tinhamos tido um dia longo e cansativo com o restante dos alunos do grêmio estudantil, pelo qual eu era a presidente, nosso assunto era a convenção a Londres. Eu e Láis brigamos pela vaga e a todo custo nem uma de nós queria ceder. De qualquer maneira eu teria que ir a Londres , meus motivos não preciso nem dizer que envolviam Anna, assim como os de Láis, que forá melhor amiga dela, após seu retorno. Não é que eu estou com ciúme ou coisa do genêro, mas confesso que te-lá longe é uma lastima.
Como nunca entro em uma guerra para perder, depois de muito custo fiz Láis finalmente desistir. A garota que ficasse com a vaga poderia escolher um acompanhante para ir junto. É claro que fiquei em duvída entre Ágata e Renny, porém eu não poderia levar Ágata se havia planos para me encontrar propositalmente com Anna sem ela saber, acredite Londres é pequena de mais para Ágata Besk e Anna King's.
Com esses pensamentos, coloquei a senha correta em meu armário facílmente e ao abrir o mesmo, me deparo com um envelope marrom lacrado meio as minhas coisas com o selo de Lodres e meu nome na frente, que não continha remetente. Mostrei a Renny que estava ao meu lado, ele por sua vez ficou tão confuso quanto eu. Abri a correspondência e de lá tirei um gravador preso a um bilhete.
From: Carina Monteiro,
Parece que algúem está muito mal por sua causa abelha rainha. Será que você se lembra da menina que ainda não te esqueceu?
Bom apetite vadia.
Kisses de batom com gloss,
– C.
– Ca, dá uma olhada na assinatura idêntíca a sua. — Renny aponta para o papel, me fazendo ficar com certo medo de escutar o aúdio naquele gravador.
O quê mais me assustou de fato, é o bilhete ter sido assinado da mesma forma que minha última mensagem para Anna a mais de 3 semanas atrás. Apertei o botão azul do gravador e no mesmo instante de fundo, podia se perceber a melodia '' Don't trust me'' tocando meio a voz de Anna que estava um tanto quanto melosa e superficial, muito diferente da normal.
– Por favor, por favor me desculpe querida! - Anna exclama em desespero, parecia estar bêbada ou algo do tipo.
– Anna, escuta. Ela não está aqui. — Outra voz feminina surgiu, provavelmente da pessoa que tinha me enviado o envelope.
– Se estivesse, com certeza eu não seria capaz de admitir minha obsessão em sua frente. Nunca poderei escutar Carina me perdoando por quê eu não vou pedir perdão, não vou contar a ela todas as coisas ruins que fizemos, não quero contar para ela que tudo foi mentira, uma simples aposta. E se essa dor me matar por dentro com o tempo, prêfiro morrer. — Dessa vez sua voz estava fraca e as palavras saiam quase em um sussurro abafado, que logo deu espaço para o choro de Anna, aquelas alturas eu já tinha certeza absoluta de que ela estava mais bêbada do que nunca esteve.
O silêncio pairou meio a gravação, Renny e eu nos entre olhamos sem reação alguma, ruídos e o barulho da pulseira que Anna sempre usava estavam presentes, aquilo pareceu ter sido um abraço entre ela e a garota mistériosa. Assim que finalizamos o aúdio, minha afeição e a de Renny se tornou incrédula, não acreditavamos que era realmente Anna naquele estado.
– Nós precisamos ir urgentemente a Londres, Re. — Começei, sentindo meu coração apertar de preocupação. – Tenho medo do que ela é capaz de fazer por minha causa.
– Você tem toda razão, mesmo que Anna se faça de forte, ela não é de ferro. E outra, Anna está correndo sério risco ao lado dessa pessoa que te enviou a gravação. Vamos resolver isso juntos. — Fala Renny em seguida me abraçando, ele era o único que sempre soube quando eu estava mal por causa de Anna.
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Hotel Park Evil, centro de Londres — Dezoito de março, 7 dias depois...
Querido diário,
Quanto tempo, não? Não me pergunte quais foram os meus motivos para escrever aqui novamente após 4 mêses. Como relatei antes de parar de dar sinais de vida a você, Anna partiu me deixando arrasada por esta decisão. Mas agora, estou eu em Londres a procura dela. A uma semana recebi notícias de Anna, e acredite são as piores possivéis, ela voltou a velha mania de '' bebêr para esquecer'' típica das garotas da alta dessa cidade. Estou apenas aguardando Renny sair do banho para irmos até a casa da avó de Anna em busca de respostas, já que ficamos na melhor suite deste hotel com vista para a rua. Além disso tudo, ainda tenho uma convenção para comparecer.
Anna querida, não me faça ficar decepcionada, eu não estou aqui em vão, estou para mostrar que me importo com você.
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– Caa, estou pronto! — Grita meu melhor amigo homem de dentro do closet.
Renny vestia uma típica calsa jeens escura, juntamente aos seus tênis cinza e camiseta de mesma cor, eu por minha vez optei por uma saia florida, blusa creme com sapatinhas de salto baixo e um sobretudo preto com bolhinhas vermelhas.
Suspirei várias e várias vezes antes de entrar no elevador que nos guiaria até a recepção do hotel, imaginei as inumeras coisas que Anna poderia me dizer, isso se ela falasse algo. Suas palavras não saiam de minha mente. Mesmo que eu tentasse me destrair aquilo insistia em prevalecer em meus pensamentos. Nunca poderei escutar Carina me perdoando por quê eu não vou pedir perdão.
Subimos na limousine que alugamos e que nos aguardava na frente do hotel. Logo após isso já com o carro em movimento, deitei-me no colo de Renny e permaneci calada. O silêncio foi quebrado por ele, que pousou suas mãos em meus cabelos me fitando de forma serena.
– Você tem certeza que quer fazer isso? — Perguntou.
– Tenho. — Falei rapído e sem rodeios. – Obrigada por estar aqui comigo. — Agradeci sorrindo.
Ele apenas sorriu de volta respondendo com '' amigo é para essas coisas''.
Meia hora depois — Frente da mansão da fámilia King's.....
Lá estavamos nós dois, prontos para descobrir, (ou pelo menos tentar) os motivos que levaram Anna a querer voltar a viver a vida médiocre, pobre de espírito e alma . Era notória aos olhos de qualquer um que aquela não era a vida que Anna queria seguir novamente, ela poderia estar em seu lugar agora, mas nada era como antes. Talvez as pessoas tenham se cansado da forma pela qual suas atitudes influênciavam para a desordem na vida de qualquer um. Ficariamos cara a cara, desta vez por uma boa causa. As bandeiras brancas estão acenadas, estou aqui por que tenho respeito a amizade que um dia Anna e eu já tivemos, estou aqui por quê quero que tudo acabe bem.
Você sempre terá o meu ombro quando você chorar, eu nunca vou te deixar, nunca vou dizer adeus... Oh, descubri do que somos feitos quando a me chamam para ajudar meus amigos necessitados...
Caminhamos pelo jardim, rumo a porta. Meu coração palpitava, meu sapato batia no chão com força. Renny e eu estavamos de braços dados, ansiedade é a palavra correta, ainda havia tempo para desistir, mas eu nunca volto atrás de uma decisão que tomei, mesmo que no futuro eu me arrependa. Tocamos a campainha que foi atendida pelo mordomo.
– Boa tarde jovens. O quê trazêm vocês aqui? — Perguntou o ''pinguim'' de terno e discurso preparado.
As palavras não queriam sair, porém firme respondi.
– Certamente aqui é a mansão dos King's, estou errada? Diga a avó da senhorita Anna King's que Carina Monteiro está aqui e deseja entrar. — Falo colocando a mão em minha cintura.
– Um instante senhorita. — Disse o mordomo adentrando a casa, fazendo nós dois esperarmos do lado de fora.
Podia se ouvir os pássaros cantando e o vento soprando as árvores que rodeavam a casa, de certa forma eu mal conseguia respirar . Longos 10 minutos se passaram até uma senhora de pouco mais de 60 anos vir nos atender, ao avistar-me seus olhos percorreram-me de cima para baixo, eles pareciam não acreditar na imagem que acabavam de captar. Eu e a avó de Anna só tinhamos nos encontrado poucas vezes, dentre as quais rimos bastante e falamos das manias de Anna, isso ainda em New York a mais ou menos um ano e meio. Obviamente ela sabe quem eu sou, a ex melhor amiga de sua neta.
– Meu Deus! — Exclama assustada com o sotaque britanico. – Faz quanto tempo que te ví pela última vez Carina? — Sorriu me abraçando rapídamente.
– A muito tempo Senhora King. Acho que deve estar imaginando o por quê estou aqui. — Falo.
– Sim, é claro. Veio visitar Anna, eu só acho tão curioso ela não ter me dito nada. — Diz a avó de Anna confusa.
Será que ela não... não sabia que eu e Anna não eramos mais amigas? Anna não havia mencionado que esse foi um dos fatos que levou-a a estar aqui hoje? Realmente ninguém aqui sabe, eu sou como se fosse um segredo de New York pelo qual Anna evita falar.
Ela acordou ontem em Londres . Novos nomes e números, endereços para lugares como Abbey Road. Dia vira noite, e a noite vira o que queremos. Somos jovens o suficiente para dizer... tenho sentimentos que não se pode negar. Como se a cidade estivesse pegando fogo hoje. Essa poderia ser uma boa vida. Para mim em New York, ela diz "olá"... seus amigos em Londres, não sabem onde ela estive nos últimos anos.
– Eu quis fazer surpresa! A senhora pode chama-lá para mim? Ah, e antes que eu me esqueça, esse é Renny um amigo meu. — Aviso.
Renny e a avó de Anna trocam sorrisos seguidos de um simples '' Hey'' com as mãos.
– Por quê não entra e vai até o quarto dela, já que é surpresa? — Pergunta vóvó dando espaço para que eu e Renny entrarmos.
Concordei com a Cabeça, a senhora King's disse para ficarmos avontade e em seguida desapareceu adentrando a cozinha. Renny se sentou no sofá da sala, avisando que aquilo era algo que eu tinha que fazer sozinha e que ele não subiria comigo. Apenas assenti novamente. Suspirei de forma pesada e tomei o rumo das escadas, quando cheguei no segundo andar acenei para ele que devolveu com um '' Boa sorte''. Ah... o corredor era imenso com pouco mais de 5 quartos, na terceira porta branca de madeira havia um AK enorme pintado. Antes de me arriscar a entrar, reparei também que um pregador de '' não encomode'' tinha destaque, coloquei minha cabeça na madeira na tentativa de escutar algo, mas o silêncio tomava conta. Minhas mãos pousaram sobre o trinco da porta e nos segundos seguintes tudo o quê eu ouvi foi o girar da maçaneta. Anna estava lá, sentada de costas para a porta com duas fotográfias em mãos. Percebendo passos falou:
– Já ouviu falar em bater?
Continuei calada e ela continuou de costas para mim.
– Marrie? — Anna pergunta.
Você me ergue, e depois me derruba, nunca sei ao certo o que sentir quando você está por perto. Eu falo o que sinto, mas não sei por quê. Porque você nunca diz exatamente o que está pensando? É como se eu estivesse andando em cacos de vidro, Isso está me matando, sim (o silêncio).
– Está certo, pare com jogos, quem é? — Questiona ela, por fim se virando.
– Você sabe muito bem quem eu sou. — Respondi sorrindo.
No momento em que Anna me encarou pela primeira vez, seus olhos queriam fugir. Mesmo ela relutando para não me fitar, acabou se dando por vencida. Fui em sua direção esperando que Anna me abraçasse, ela estava morrendo de vontade de fazer isso, e confesso eu também. Pensamentos no ar... olhos sobre o chão e um abraço, o melhor abraço que nós duas já tinhamos dado, partindo como iniciativa de Anna, suas mãos se entrelaçaram e sua cabeça ficou em meu ombro.
– É real? — Ela sussurrou com água nos olhos. – Se não for me acorde.
Ficamos dessa maneira por um certo tempo, ambas choravamos. Quando o abraço se desfez, notei que o cabelo de Anna estava diferente, não só seu cabelo, como ela em sí, será que esse foi o efeito da mudança?
– Temos que conversar. — Falo, limpando as lágrimas dela.
Anna fez sinal para que eu me sentasse na cama para que ela também fizesse isso, sem pensar duas vezes, ela deitou sua cabeça em meu colo, deixando todas as novas mechas pretas espalhadas.
– Você está aqui por causa da gravação. — Começou. – Quero que saiba que eu estava muito bebâda naquela noite e fui induzida por alguém do qual considerava muito minha amiga até ela me trair. Falei verdades de mais.
– Eu sei, e não estou aqui por causa disso, recebi sim a gravação e fiquei preocupada com você, com o quê você poderia estar aprontando aqui para tentar esquecer tudo sobre New York. Só quero te dizer Anna, que não há necessidade disto, você não precisa tentar me esquecer, por quê eu nunca vou esquecer você. — Digo, fazendo-a sorrir.
– Ca...Posso te chamar assim de novo, por favor? — Anna falou. – Tudo muda mas nada mudou hoje, talvez eu precise de você aqui nessa cidade vazia... despeje uma xícara de café, baby eu tenho algo a dizer para você, eu sou uma alma quebrada, eu sou um livro aberto com muitas páginas arrancadas fora, eu tenho uma guerra dentro, com uma bandeira na mão. Enquanto o orgulho em mim, está lutando contra quem eu sou...
Por que é que eu quero prolongar?
Continua....
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