Diário de uma garota de programa.
1 Capítulo 1 - Hoje
Notas iniciais
Capitulo 01 – Hoje.
Era uma vez... Risca isso, muito clichê.
Em um certo dia... Muito casual.
Era uma um dia de verão... Parece história de terror. Bem, não sei como começar a contar algo sobre mim, não costumo me auto avaliar, enfim, antes de tudo quero deixar bem claro 3 coisas.
Coisa número 1: Não sou a Bruna Surfistinha, então não me compare com a tal.
Coisa número 2: Não julgue minhas atitudes, só eu sei o porquê de tudo isso, e tudo que eu passei, a dor, o medo, tirando o lado do prazer, e do dinheiro, e da liberdade, enfim, não foi fácil, era cansativo ficar em pé, e mexer a cabeça sempre que um carro passava.
Coisa número 3: Não tem número 3, é que sempre em filmes eles citam 3 coisas, também queria citar.
Bem, vamos começar. Chamo-me Júlia, tenho 19 anos, terminei meu ensino médio aos 17 e desde então tento de todas as formas, entrar em uma faculdade de Psicologia, que é a minha paixão desde sempre, e como devem perceber, não conseguir resultado em nenhuma das vezes. Não é fácil concorrer com milhares de pessoas que se matam de estudar o ano todo, não que eu não tenha estudado claro, estudei e muito, é isso que me deixa chateada. Porque a merda dessa galera conseguia passar e eu não? Qual era problema? Eu pensava, pensava, mas nunca conseguir saber o porquê do problema, acho que era porque não era só “O problema”, era muito mais que um simples problema, eram “Uns problemas”.
– Acorda filha, hoje sai o resultado. — Dizia minha mãe me sacudindo na cama. – Nem parece que tá ansiosa.
– Mãe, são 8:00 da manhã, como alguém pode tá ansiosa ás 8:00 da manhã?. — Ela sorriu, foi até a cabeceira da minha cama onde se encontrava meu notebook, e o trouxe até mim.
– Anda, abre logo isso, minha intuição ta dizendo que dessa vez sua vida vai virar, e olha que minha intuição nunca erra. – Revirei o olho, incrédula é claro, nunca acreditei nesse lance de intuição. Abrir meu notebook, entrei no site da faculdade, localizei a lista dos aprovados, e li todos de um por um.
– É mãe, acho que dessa vez sua intuição errou. – Joguei meu notebook sobre a cama e corri para o banheiro, mais uma vez meu nome não estava na lista dos aprovados.
Minha mãe ficou lá, vendo aquela lista milhares de vezes, confiante que eu estivesse errada, e que nessas olhadas que dava perante a lista, achasse meu nome perdido por lá. Eu já estava cansada, queria um rumo pra mim, algo novo, não aguentava mais ficar em casa, e fazer a mesma coisa, dia após dia. Tomei um banho, peguei algumas coisas, um pouco de dinheiro que eu tinha e resolvi sair.
– Pra onde vai Júlia? – Perguntou minha mãe, que por sinal, ainda estava olhando a lista de aprovados.
– Sair mãe, dá uma volta, andar por ai, sei lá! Sair dessa casa, aviso se algo acontecer. – Eu poderia até avisar de algum modo, só não tinha percebido que havia pegado tudo, menos meu celular.
Abrir a porta e sair. Peguei um ônibus e fui sentar em um banco que ficava de frente ao mar na orla. Fiquei lá, vendo as pessoas passarem, sorrindo, uns namorados, outros amigos, alguns com seu cachorro e eu lá sozinha, sem nem ao menos ter um papagaio.
– Oi, desculpa moça, posso sentar aqui? – Olhei franzindo a testa. Era uma senhora, sorridente até, com um guarda chuva na mão, em plenos 31° de sol, uma bolsa gigante carregando pelo o ombro, e um óculos de bastante grau por sinal.
– Claro, pode sim. – Respondi sorrindo.
– Obrigada. – Respondeu à senhora. Ela vagarosamente foi sentando, colocou o guarda chuva do seu lado, e a bolsa em seu colo. – Quente não? – Perguntou ela.
– Sim, bastante. – Respondi.
– Tá sozinha por aqui querida? – A senhora perguntou. Se fosse outra pessoa, um homem por sinal, desconhecido, teria mentindo é claro, teria dito que não, que minha família inteira estava lá, e que inclusive todos da família eram policiais, ou algo do tipo, pra me prevenir de um sequestro ou assalto talvez, mas como era uma senhora, não vi problemas.
– Sim, vim pensar um pouco, sair de casa, ver o mar. – Respondi.
– Entendi, percebi de longe que estava triste, olha não lhe conheço, não se assuste, mas sei de cada problema que passa, do cansaço de acontecimentos indesejados, de decepções, de conquistas que ainda não alcançou, sei de tudo isso que ta passando. – OI? Ela chega, diz tudo da minha vida, fala tudo que eu to passando, sem nem ler a minha mão, nem jogar um baralho, búzios ou algo do tipo e ainda pede pra eu não me assustar? Aham, senta lá Cláudia!
– A senhora é algum tipo de cartomante, vidente, ou coisa do tipo, até concordo com tudo que disse, mas obrigada, se for pra ler minha mão, to dispensando, pouco dinheiro, daí a senhora já sabe. – Ela sorriu e balançou a cabeça.
– Não querida, não sou vidente, não quero ler sua mão e nem quero o seu dinheiro, ao contrário quero lhe ajudar. – Ela pegou sua bolsa, abriu ela e de lá tirou um livro bem grande e velho. Deu uma passada de mão sobre ele, tirando um resto de poeira que ainda tinha, e ofereceu o livro a mim. – Pegue, é pra você. – Olhei meio desconfiada, mas peguei o livro. – É tudo que você precisa. – Disse a senhora.
– Desculpa, obrigada até, mas do que se trata mesmo o livro? – Perguntei ainda sem entender nada.
– Não vai saber se não abrir ele. – Respondeu a senhora seguindo de um sorriso. – Bem, tenho que ir agora, até mais, faça um bom proveito. – Disse a senhora se levantando do banco.
– Mas senhora, tem certeza que...
– Meu ônibus, tenho que ir. – Disse a senhora me interrompendo, antes que eu terminasse de falar. – Ela andou meio depressa em direção ao ônibus, subiu nele e se foi.
Fiquei lá, olhando o ônibus dela saindo, meio que sem entender nada do que tinha acabado de acontecer, abrir minha bolsa pra pegar o celular e avisar a minha mãe do ocorrido, e percebi que tinha esquecido ele em casa, me levantei do banco e me dirigir até a lixeira mais próxima. Sim, iria jogar o livro, fiquei com medo, uma senhora chega e me dá isso sem razão? Qual seria outra reação a não ser o medo? Mas enfim, peguei o livro e joguei com toda força na lixeira. Joguei com tanta força que minha bolsa acabou caindo junto. Debrucei-me sobre a lixeira pra pegar a bolsa, quando vejo escrito na parte de trás do livro “Certeza é a ultima coisa que temos.”. Fiquei olhando como uma boba pra dentro da lixeira, repensando sobre a frase. Resolvi pegar o livro de volta. Peguei-o e sentei no banco. Confesso que tava meio receosa de abrir o livro, não sabia o que ia encontrar dentro dele, mas segurei na capa dura, e abrir. A primeira folha já tava meio amarelada, mas o que me surpreendeu nem foi a cor da folha, e sim o que estava escrito nela. No meio bem centralizado tava gravado com palavras em negrito: “Diário de uma garota de programa – Passo a passo da vida”. Fechei o livro rapidamente, e com os olhos arregalados fiquei imaginando mil coisas. Garota de programa? Como assim, nunca havia passado isso pela a minha cabeça, e como isso iria me ajudar? Fiquei pensando sobre a “Intuição” da minha mãe, sobre o lance da minha vida virar. Era só um livro, não ia doer eu ler ele. Olhei para os lados e suspirei fundo, abrir o livro novamente me deparando com o título dele, não sabia do que se tratava e nem como isso iria me ajudar, mas mesmo assim fui adiante, passei meu dedo sobre o rodapé da folha, seguir para a primeira página e comecei a ler.
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