Diário de uma adolescente

2 Um urso ou qualquer coisa da minha imaginação fértil


Notas iniciais
Olá, meu queridos. Boa leitura, espero que gostem!!

Quando eu tinha cinco anos desenhei minha família nas férias, só que como toda criança dessa idade eu não desenhava perfeitamente – nem perto disso – e fiz uma bola no lugar da barriga da minha mãe. Quando a tia do pré escolar foi parabenizar pela sua "suposta" gravides ela surtou e levou meu desenho como um insulto.

E foi quando eu aprendi a comer salada, afinal ela fez disso nossa dieta por muitas semanas seguidas. Foi também a primeira vez que eu percebi que desenha-la, insulta-la – mesmo que sem intensão — ou até mesmo discordar dela poderia fazer uma situação ruim ficar muito pior.

Juntando o fato de minha mãe ter parafusos a menos na cabeça e uma impulsividade louca eu aceitei ir para o internato que ficava à três horas de casa antes que ela me matriculasse em um reformatório na suíça.

_Você não trabalha hoje? — eu puxava assunto com mamãe no taxi, tentando não ficar nervosa.

_Sim, e tenho uma reunião importantíssima nesta manhã. – ela disse verificando sua agenda no iphone. – Mas minha filha é mais importante que tudo para mim. – falou e gargalhou como se fosse a piada mais engraçada do universo.

_Adoro seu senso de humor, mãe. – falei dando meu melhor sorriso irônico e o taxi parou abruptamente neste instante.

_Queria me certificar de que você chegasse. – então ela se virou e me abraçou – Te amo, meu amor. –cochichou no meu ouvido.

Procurei qualquer vestígio de brincadeira e ironia na sua voz, mas não encontrei. Depois ela me soltou e estralou os dedos pro cara pegar minhas malas no bagageiro.

_Agora já pode ir.

Sai do carro e puxei para perto as únicas coisas que eu conhecia naquele lugar: minhas malas. Estava completamente perdida e arrependida de ter falsificado meu boletim.

_Você também me ama, não é filha? – Ela gritou da janela do taxi enquanto ele arrancava.

Não achei a entrada, andei ao redor daquele imenso quarteirão e só vi dois portões. Que estavam fechados e não tinham nenhum segurança -ou qualquer pessoa para pedir informação.

Eram nove horas da manhã, já deveria ter perdido algumas aulas e nem se quer achava a entrada dessa porra. Agora, eu jazia no meio da calçada sentada em cima de uma das minhas malas e ao meu redor só tinha mato e um muro.

Eu já tinha chorado e minha maquiagem estava uma droga. Com lápis e rímel escorrendo pelas minhas bochechas eu parecia uma monstra. Ouvi um barulho de galhos se mexendo e curiosa fui atrás. Vinha do muro, quando ergui a cabeça para ver o que era fui jogada no chão por algo muito pesado.

Comecei a chorar de novo imaginando ser um urso ou qualquer coisas da minha imaginação fértil. Minhas costas doíam, minha bunda doía, meu corpo pedia ajuda, mas eu consegui me sentar e olhar para cima.

_VOCÊ É RETARDADO, GAROTO? SÓ PODE TER PROBLEMAS MENTAIS MESMO. O QUE VOCÊ PRETENDIA FAZER PULANDO UM MURO? SABE O QUE EU VOU FAZER? VOU LIGAR PRO MEU PAI PRA ELE TE PROCESSAR. VOU FALAR QUE EU CHEGUEI AQUI E NÃO CONSEGUI ENTRAR NESSA PORRA DE COLÉGIO QUE VOU DORMIR NA RUA E QUE UM IDIOTA ME ESPANC....

Descontei toda a minha raiva no garoto lindo de olho claro na minha frente, ele me olhava assustado prestando atenção nos mínimos detalhes e tentando me interromper, mas eu não deixei ele falar uma vogal até eu desmaiar.

Notas finais
Beijos, aguardo comentários heheh.