Diário de uma adolescente
25 "Senhores clientes, atenção no estacionamento"
Notas iniciais
Desde manhã eu já tinha meu plano em mente, levaria meus irmãos no shopping para que brincassem bastante e a noite capotassem na cama, ou melhor, dormissem feito anjos. E no meio da noite sairíamos pela escada dos fundos para ir a festa. Enquanto eu e o Nate planejávamos as coisas para de noite Mariah e o Augustus tinham saído cedo pra “conhecer” a cidade.
_Pai, estou indo no supermercado. – avisei e estava saindo quando virei Hellena e sua bicicleta rosa surgiram na minha frente.
_Eu posso ir? – ela pediu educada.
_Não.
_Mas eu quero ir. – ela se levantou e jogou a bicicleta com força. A educação já tinha ido embora.
_Mas você não vai. – falei fazendo cara feia.
_Não seja grossa com sua irmã, Améllia. E além do mais o que você vai fazer no mercado que ela não poderia ir? – e lá vinha meu pai com desconfiança.
_Pai, não dá tempo de enfiar a cadeirinha no carro porque o Nate já deve estar irritado com a demora. – falei com pressa e pensei comigo- E além disso você conhece sua filhinha no mercado? Não né, porque você não daquele escritório nem pra receber visitas quem dirá pra ir ao mercado.
_Amor, eu to indo no salão fazer as unhas e o Henrico está no futebol. – minha madrasta gritou.
_Eu te empresto meu cartão de débito se você levar a Leninha. – ele me olhou do tipo “por favor me ajuda”.
_Ta bom. – sorri diabolicamente feliz.
Corri lá em cima peguei um casaco pra ela, uma tiara e a maldita cadeirinha. Enquanto isso ela foi pro carro e quando eu sai na porta já podia ouvir as várias buzinas apertadas por uma menininha que se encontrava no colo do meu namorado.
Encaixei a cadeirinha no cinto e coloquei ela sentada. Mandei-a colocar a jaqueta e a tiara.
_Porra, que demora. – Nate comentou e dava pra ver que o carro estava ligado a um bom tempo.
_Desculpa amor, você conhece meu pai. – dei-lhe um selinho e me ajeitei no banco caroneiro colocando o cinto.
No caminho Leninha mexia no meu celular e íamos conversando com o som no volume baixo.
_Olha só, a Isa me chamou pra perguntar se a gente não ia na formatura do técnico lá do colégio.
_É hoje?
_Pois é, eu também tinha esquecido e não lembrei de te avisar. – ele desviou o olhar da pista para ver minha reação. Sem responder virei para o vidro lateral e comecei a pensar. Nate estava com uma mão em cima do volante, numa postura impecável e após passar a marcha, colocou a mão na minha perna pedindo atenção.
_Isabelle Fontana? – perguntei tentando ser esperta.
_Ela é minha amiga. Você sabe. Mas não vai ter só ela na festa, as formaturas do Bortoluzzi são as melhores. E eu posso descolar um jeito pro Augustos e pra Mariah entrarem.
_Então tudo bem. –concordei.
No supermercado peguei algumas coisas, das quais minha madrasta não compra porque “não é saudável”. Chocolate, goma de mascar, biscoito recheado, batata frita congelada, pizza e outros alimentos desse tipo. Também peguei algumas maquiagens e um uísque, já que era com o cartão do meu papai.
A cada segundo Leninha dizia que queria alguma coisa e reinava, primeiro foi um kinder ovo, depois um livrinho de pintar, um miojo (porque tinha a mônica) , um negócio que tinha a Elsa (frozen), uma boneca, uma piscina, uma cadeirinha de praia.
E na boa ela me deixou ESTRESSADÍSSIMA. Encontramos o Gus e a Mari tomando café, seguimos até eles passando pela parte das frutas e ao ver o maracujá lembrei que isso acalmava — e para o meu pai — dava sono. Perfeito para meu plano dar certo.
Peguei alguns maracujás pensando em fazer um suco no jantar e fui encontrar meus amigos que aproveitaram a carona e foram embora conosco.
Enquanto o Nate ficou conversando com eles sobre a formatura eu fiquei na fila, depois paguei e seguimos pro carro. Meu namorado pegou as compras da minha mão e eu segui para o estacionamento andando mais depressa que meus amigos.
_Ela ta irritada. – Alguém falou baixinho e depois só ouvi o barulho do carrinho de compras e senti alguém me enfiar dentro.
E correr muito rápido empurrando o carrinho. Digno de Gus. Comecei a rir descontroladamente, achei que iria cai, mas pelo visto Augustus é um bom motorista de carrinhos de supermercado.
Quando ele desacelerou, vi a Mari dentro do carrinho ao meu lado e a Leninha (na maior felicidade) em cima dela e meu namorado empurrando.
_Vamos apostar. – Gus falou e eles começaram a correr sem nem termos aceitado. Nossos cabelos voavam a Mari abraçou forte a Leninha e só gritava nervosa. Assim como eu, só que além de gritar eu ria porque era divertido e ver a expressão delas era super engraçado.
Até os clientes do estacionamento (que estava quase vazio) se sentirem incomodados e reclamarem com os empregados.
”Senhores clientes, por favor tenham calma.”
“Senhores clientes, atenção no estacionamento.”
“Senhores clientes, saibam que é proibido usar o carrinho para usos além d carregamento das compras”
_Senhores clientes comparecer à ..... – assim que ouvimos o começo dessa frase entramos no carro e saímos como se nada tivesse acontecido apesar de um sorriso no rosto.
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