Diário de uma adolescente
11 Porres
Notas iniciais
Minha intuição estava certa sobre ontem: Gus estava mesmo no bar 24 hrs. Me deixei levar por ele e seu colega de quarto, Izaque, que ficou contando piada sem graça a madrugada inteira – com aquele sotaque baiano irritante- e bebendo.Tentei fazer com que o Gus me contasse o que tinha acontecido pra chegar a essa situação, mas quando ele começava a desabafar algo chamava nossa atenção ou alguém trocava de assunto. Mesmo assim palavras como "Mariah ciumenta" "possessiva" "desequilíbrio hormonal" "quase terminar" e "cuida dela" ficavam tentando de encaixar na minha cabeça pra que tudo fizesse sentido, não consegui chegar a uma solução. Ainda mais bebendo como estavamos. Ah qual é? Eu tinha que acompanha-los ou seria A fraca.
Nunca fiquei tão mal, ainda mais que a diabetes é muito difícil controlar com bebida alcóolica já que não se deve beber demais nem de menos porque pode cair ou elevar demais a glicemia. Mas sabe como é né. Um ajuda o outro e no final ta todo mundo bem. Só no final.
Aconteceu que quinze minutos antes das aulas começarem nessa manhã ainda estávamos no bar, esparramados na mesa de sinuca. E hoje nós não poderíamos faltar ou ficaríamos de detenção no final de semana do campeonato. Devo acrescentar que foi um trabalho pular aquele muro bêbados, nos ralamos tudo. Mas depois de cair, levantamos e fomos direto para o dormitório tentando não ser visto por ninguém. Impossível nesse horário.
Mariah não estava no quarto quando cheguei, de certo estava no refeitório. Lembrando dos arranhões coloquei a blusa, o blaser e a calça – sendo que ninguém nesse colégio inteiro usa calça apesar de estar entre os uniformes. Sim, ficou linda essa combinação.
Em todas as aulas foi a mesma coisa: quando eu estava prestes a cochilar o professor me perguntava alguma coisa. Então eu me esforçava pra ficar acordada e alguém sussurrava a resposta pra mim.
Minhas pálpebras pesavam e eu não aguentava mais ficar acordada, juro que se eu pudesse dormiria em pé.
12:45 tocou o último sinal, aquele que nos dá sensação de liberdade. Segui para meu armário, coloquei os livros e fui para o banheiro público mais próximo. Joguei água no rosto afim de que acabasse com meu sono, fiz o teste de glicemia e apliquei a insulina.
Depois eu segui para o refeitório, cronometrando o tempo para que eu comesse e pudesse dormir.
_Você está acabada. Nessas horas fazia bem colocar aquele negócio chamado maquiagem, não?
Augustus cochichava atrás de mim na fila do buffet.
_Eu só estou assim por tua causa. – virei e olhei sua aparência linda como se tivesse uma ótima noite de sono e fiz uma carinha de cachorro que caiu da mudança ao falar a próxima frase – acredita que eu nem consegui cochilar.
_Ai que peninha – falou imitando a minha expressão — E eu dormi duas aulas seguidas com o professor Munoz. –agora ele sorria se exibindo.
Nos sentamos na mesa de costume, o pessoal estava todo ali já. E Mariah olhava pra comida tentando não olhar para o Gus. Todos percebemos o clima, ele também ficou meio tímido, mas o pessoal tentou esquecer isso e conversavam normal mesmo eles não participando.
_O ônibus sai uma e meia. Mandaram eu avisar– Enzo fala e eu percebo que não tenho tempo pra dormir e nem tempo pra fazer as malas, que deveria ter arrumado ontem.
_E vocês acreditam que só permitiram uma mala? Isso é um absurdo. – A ruiva franzia a testa indignada.
_Meninas vou precisar da ajuda de vocês ! –falei levantada para que todas me ouvissem.
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