Diário de uma adolescente

21 Mico dos terceirões e surpresa


Notas iniciais
Olá pessoal, to postando agora um capítulo maravilhoso um dia antes do enem, enquanto eu deveria estar revisando matéria. Então rezem por mim naquela prova :D Tenho certeza que muitos gostaram do capítulo, está bem grande. Boa leitura

Uma semana depois ...

“Feliz dia dos namorados, meu amor. Te amo!”

Foi isso que me acordou no exato 12 de junho, especificamente o toque dessa mensagem. Hoje eu teria aula e por isso não posso ver Nate, mas costumamos ser liberados depois das três da tarde toda sexta feira.

Quando aquele sinal toca alertando o horário de saída nos passa um sentimento de liberdade infinita. Pena que isso só dura até o domingo á noite quando temos que retornar ao colégio. Mas entre esses dias nós somos donos de nós próprios, livres de uniforme, livres de trabalhos e provas, livres de regras da escola. É como se esse padrão que temos que viver aqui dentro sumisse e poderíamos ser quem realmente somos.

Respondi o Nate com carinho e fui pro banho, a água caia sobre o rosto me despertando enquanto eu me ensaboava. Lavei meus cabelos e passei hidratante corporal quando terminei a ducha.

Por estar um vento muito quente –muito estranho nessa época do ano aqui em SC- coloquei apenas a saia e a camiseta polo, a meia e o vans preto.

_Ei, tu ouvisse falar do mico de hoje? – Mariah puxou assunto enquanto eu terminava de arrumar meu cabelo.

Os terceirões aqui no Patrunni fazem mico –alguns chamam de trote- para arrecadarem dinheiro pra formatura, já que é muito cara e a mensalidade do colégio já é um absurdo por si só. Funciona assim: os lideres inventam alguma coisa que nós teríamos que fazer/usar e quem não aceita o desafio tem que pagar um valor.

_Eu não faço a mínima idéia Mari, só sei que no começo da semana passada a Bianca veio me perguntar se eu tava namorando. Deve ser alguma coisa haver com o dia dos namorados, né?

_Sim, tavam dizendo que para as solteiras vai ser muito pior. Mas espera ai, tu comentasse com ela que tais namorando agora?

_Não. – falei e corei tentando imaginar o que eu teria que fazer.

Nos encontramos com o resto do pessoal inclusive o Gus no refeitório. Depois do café fomos todos para o prédio B, já que nossas aulas eram praticamente as mesmas na sexta.

_Pessoas lindas façam uma fila. – Bianca — a lider- sorria diabolicamente feliz e isso me deixava com medo.

_Quase casado ... à procura ... com namorido .... Ninguém presta... apaixonadinha ...Mulherengo... Sempre livre ... iludida .... Enrolado ..... – Todos estavam em fila e Camila — vice-lider — falava lá na frente essas palavras que introduziam o discurso dela. – Então meus queridos todos nós aqui estamos em uma situação amorosa diferente não é? Mas acontece que para ser menos trabalhoso para nós lideres – apontou pra Bianca — dividimos apenas em dois: os que tem namorados e os que não tem, ou seja, os vermelhos e os verdes.

Ela falou muita coisa, mas eu ainda estava meio dormindo. Quando ela me entregou um coração verde do tamanho de uma folha A4 — mais ou menos – eu entendi que teria que usar aquilo no pescoço o resto do dia. O que seria uma tortura, porque nele estava escrito “Disponível” e o meu número de celular. Ou seja, além de desfilar com isso por ai eu com certeza me irritaria muito recebendo trotes depois.

O dia foi mais suportável do que eu imaginava, é claro que não foi nada legal as cantadas e os garotos me parando pra tirar foto do meu coração verde. Mas quando se está em amigos tudo fica mais divertido.

Eram seis horas quando eu e a Mari saímos do refeitório e fomos pro quarto.

_O que vocês vão fazer hoje? – perguntei pra ela.

_To puta com o Gus, ele ta fazendo como se fosse um dia qualquer. Nem me desejou feliz dia dos namorados ou coisa do tipo.

Já estávamos pertinho do dormitório, o corredor estava vazio e silencioso, a maioria das meninas foram pra casa e o restante com certeza ainda estava na cantina. Ouvi um barulho que parecia vir de dentro do meu quarto e me apressei — sabendo que estavam revistando os quartos porque tiveram uma denúncia de droga aqui no terceiro andar- puxei a maçaneta e me surpreendi com o que vi: tinha flores em tudo quanto era lugar. Nosso quarto estava tão lindo que tirei uma foto antes de ir agradecer meu boy magia que estava deitado na minha cama e o Gus na cama da Mariah.

Estava até difícil andar, não sei onde iriamos colocar aquele tanto de rosas, com certeza eles gastaram uma grana aqui.

_Surpresa! – Nate falava sorrindo ao ver minha reação. Aqueles olhos lindos que me encaravam e o sorriso perfeito que se formou em sua boca me fizeram chorar.

_Não precisa chorar. – ele falou gargalhando, estávamos abraçados e meu rosto repousava em seu ombro.

_Seu idiota, eu não to chorando por ti. – falei com aquela cara estranha quando alguém te faz rir depois de chorar. – eu só to mais emotiva por causa da TPM.

_Amor, tais usando muito essa desculpa da TPM. – ele falou ainda rindo de mim.

Me afastei dele e olhei com cara de brava. Percebi que seus olhos desviaram pro meu peito onde tinha um coração verde pendurado escrito “disponível” e meu número.

_O que é isso? – A expressão dele mudou na mesma hora.

_É só um mico da minha turma. – percebi que ele olhou pra Mari e depois comentou.

_Porque só o teu tem que ser assim? – ele falou grosso.

_Nataniel, eu não quero brigar.

_Não ta parecendo. Ou desfilar pela escola inteira com o número do celular virou moda?

_Nate, olha aqui – coloquei minhas mãos em seu queixo forçando-o a olhar para mim – quando as meninas fizeram isso a gente não tava nem se falando. Não importa se meu número ta aqui, se eu não atender ligação ou responder mensagens. Confia em mim?

_Sim. – ele respondeu, mas depois que o beijei notei que ele ainda estava estranho, fechado e inseguro.

_Esquece isso. –sussurrei no seu ouvido e mordi o lóbulo da orelha provocando-o, consegui tirar um sorriso malicioso do seu rosto e um olhar atravessado do Gus.

Uma hora depois estávamos indo para o quiosque do lago jantar. Não me pergunte como o diretor liberou. Eu estava com uma saia godê floral, cropped branco e sandália gladiador, no cabelo tinha usado o modelador de cachos para deixar como eu gostava e a maquiagem como de costume só que coloquei sombra esfumaçada em degrade do branco ao preto e batom vinho. Gostei do resultado e o Nate também. Mariah estava semelhante a mim com a maquiagem pesada, saia e sandália.

_Só eu que to achando esse vento muito estranho?

_Eu também, ta muito quente parece até verão. – Gus conversou.

_Sabe que minha mãe comentou alguma coisa sobre dar temporal aqui. –Mariah falou.

As nossas mesas eram separadas, eles decoraram o quiosque com corações e rosas vermelhas. Já falei que to muito orgulhosa do meu namorado?

Veio um garçom com a champanhe e estourou na nossa frente, logo derramou o liquido até o meio das nossas taças. Depois veio a entrada e em seguida nossos pratos com a comida em forma de coração. Nunca vi o Nate tão romântico, deve ter alguém por trás disso tudo. Ficamos conversando e de vez em quando eu me pegava o fitando e pensando que eu realmente tinha feito a escolha certa. Quem saberia se hoje eu a mari e o Gus não estaríamos todos brigados se eu não tivesse com o Nate.

_Amor, não acha melhor a gente terminar aqui e ir la pra dentro? – ele falou por causa do ventão, tava até voando umas coisas. Ah e meu cabelo também.

Dei o último gole do champanhe para me levantar e ir quando tudo escureceu muito rápido. A princípio pensei ser algum eclipse, o vento foi ficando mais forte e minha mão apertava mais a do Nate. Eu estava começando a ficar com medo.

_Por aqui é mais perto gente. – Gus falou apontando pra gente cortar caminho pelo jardim.

A medida que as folhas vinham com mais força em nós a gente ia acelerando os passos. Até que comecemos a correr. E minha mente já estava odiando o tamanho desse colégio.

_Galera!

Mari parou abruptamente puxando a mão do Gus e meu braço. Quando virei e vi o que ela estava olhando comecei a chorar. Na minha mente eu imaginava a gente morrendo, sendo puxada pela correnteza do vento.

Nós conseguíamos ver um ciclone se formando, e não sabíamos o que fazer. Assim que comecei a rezar meu celular tocou, juro que foi Deus que mandou o Isaque me ligar.

_Onde vocês estão? O dormitório foi evacuado!

_TEM UM CICLONE ISAQUE. – eu berrava no telefone- UM FURACÃO NÃO SEI. ONDE VOCÊS ESTÃO?

_Do lado do teatro tem uma saleta e uma escada, a gente ta tudo aqui em baixo. O Gus sabe onde é!

Gritei pro Gus e ele puxou minha mão apertando-a, pegou a da Mariah também e eu já estava com o Nate do outro lado, saímos correndo pra onde Gus nos guiava. Eu estava com tanto medo que nem ligava pra minha saia subindo e minha calcinha aparecendo, só queria viver.

_É naquela porta! – Augustus apontou.

Corríamos corríamos e não chegamos, minhas pernas já tinham cansado, mas eu não podia desistir. Ouvi telhas voando e vi tudo clarear.

Notas finais
É isso ai, não esqueçam de comentar e rezar por mim. Beijinhos.