A mesa já estava posta e todos já estavam sentados quando a vó Maria pediu para que déssemos as mãos e então começou sua oração agradecendo pela comida e pela família que estava ali reunida. Em seguida fez sinal para que eu apresentasse o Nate, apesar de todos já saber seu nome e tê-lo visto eu faria por ser um pedido da vovó.

—Então pessoal – comecei um pouco nervosa, afinal eu era a primeira neta a fazer isso. Apesar de ver meu tio apresentar todas as suas mulheres nesta mesa eu nem sabia como fazer direito, ignorei o nervosismo e segui- eu trouxe alguém comigo para compartilhar este final de semanas de festas aqui na cidade e em nome da nossa tradição familiar apresento-lhes em frente ao patriarca, a matriarca e aos demais parentes, este é meu namorado: Nataniel Rockefeller.

Nate disse um “olá” e sorriu, logo tio Henzo estourou um champanhe –que eu não sabia de onde saiu- e foi nos servindo depois brindamos pelo meu namoro, pelo “noivado” da minha mãe e pelo –outro- casamento do tio Hugo.

Durante a refeição eles ficaram falando sobre os preparativos do casório e tudo mais que ele envolve. Dos pajens, daminhas e de como cuidariam das crianças amanhã já que as mulheres iriam para o salão o dia todo.

Subi para “minha” suíte — que mais parecia um chalé no terceiro andar – e deitei na cama pensando em como contaria ao meu pai.

Isso estava estourando meus nervos. Eu tinha medo dele principalmente quando ficava irritado. Minha vontade era ir embora e fugir de tudo, mas não poderia decepcionar minha família.

—Filha? – minha mãe chamou entrando pela porta calmamente.

Sorri e chamei-a para se sentar ao meu lado na cama.

—Achei que estivesse dormindo. – comentou e depois continuou- o que você achou do Daniel?

—Ele é bonito e acho que suas carícias espontâneas –falei fazendo careta- convenceram o resto da família de que você realmente está noiva.

—Se eu te contar que já estou até enjoada dele, você acredita? – ela falou fazendo umas expressões diferentes — Meu deus, ele está toda hora do meu lado. Parece coisa de adolescente apaixonado.

—São só mais dois dias, mãe. E você poderá voltar para a sua casa e viver sozinha e no silêncio. Mas fala sério, o que a mãe acha dos filhos do tio Hugo? – estava eu e minha mãe jogadas na cama conversando como se fossemos melhores amigas.

—Que eles não tem limites! – ela respondeu.

—Que agonia que me dá essa casa toda bagunçada por causa deles.

Assim que comentei isso minha mãe me puxou pra junto dela. Abraçou minha cabeça de um jeito bem esquisito e disse olhando para o teto.

—GRAÇAS A DEUS, QUE MINHA FILHA PENSA IGUAL A MIM.

Dei uma gargalhada escandalosa. No mesmo instante Nate abriu a porta.

—Era com você mesmo que eu queria conversar. — minha mãe falou na hora que viu ele. Meu namorado se sentou ao meu lado na cama, pegou no meu braço e ficou acariciando minha mão. Desviei minha atenção dele quando minha mãe continuou a falar – Na verdade com vocês dois.

Minha mãe tirou uma caixinha toda decoradinha de trás dela e colocou na nossa frente dizendo ser um presente. Nem sequer deu tempo de abrir a caixa ela já começou a falar novamente.

—Eu sei que era para eu ter tido essa conversa antes, mas vocês eram novos demais. Na verdade, pra mim vocês sempre serão crianças.

Nate começou a rir sabendo de qual conversa se tratava, e eu também não me aguentei comecei a rir junto só que de nervosismo. Isso é hilário, minha mãe nunca foi desse tipo de conversar. Ás vezes ela ia lá e comprava um livro sobre o que ela (como mãe) precisava me orientar.

—Sogra, relaxa. A gente ainda não teve esse momento, e quando tivermos a gente vai saber se cuidar. – Nate tomou a frente e tranquilizou minha mãe.

—Eu acredito em vocês. Ai dentro (apontou para a caixa) tem umas coisas bem legais para se tentar. Só não vão fazer loucura, tem umas posições que são impossíveis . . .

—MÃE – repreendi ela. Eu já estava ficando envergonhada. Abri a caixa e tinha várias camisinhas e adivinha? Um livro.

—Ta bom, eu vou indo. – Ela saiu do quarto fechou a porta e voltou dois segundos depois – não vão esquecer que as paredes daqui são bem finas. Deus me livre de ouvir minha filha gemendo.