Diário de uma adolescente
23 Irmãos, pra quê isso?
Notas iniciais
Fiz um mini tur pela casa do papis com meus amigos para que eles se sentissem a vontade e, inclusive, mostrei a suíte dos hospedes. Mari se sentou na cama com as pernas cruzadas e agarrando uma almofada, Nate virou e puxou a cadeira da escrivaninha se sentando desleixado, eu me joguei de bruços e o Gus se deitou com a cabeça nas minhas costas olhando para o teto.
_E você Nataniel vai prestar vestibular para que? – Mariah perguntou no meio da conversa.
_Engenharia Civil. Futuramente vou continuar com a empresa da família. – ele respondeu educado e humilde como se aquela empresa não fosse o motivo dos milhões na conta do seu pai.
_Então parece que todos vamos continuar com a profissão dos nossos pais. – Gus comentou.
_Qual a profissão do seu pai, Gus? – perguntei interessada, quase nunca falávamos sobre a família dele.
_Médico cirurgião. – ele falou orgulhoso e eu sorri em resposta.
Quando ia comentar sobre sair para jantar meu pai deu três batidas na porta, gesto que era só pra chamar atenção já que a mesma estava aberta.
_Vejo que fizesse boas companhias, filha. Oi galera – ele falou a última palavra se achando descolado — Eu sou o papaizinho da Améllia Catarina.
Mari segurou o riso e o Gus me cutucou na cintura. Meu pai as vezes é assim, tenta fazer com que meus amigos o achem “maneiro” e acaba forçando.
_Pai, por favor menos. – fiz sinal com a mão para que ele parasse.
_Tudo bem, querida. Só passei para avisar que a lasanha já está na mesa. –mordi os lábios ao pensar na lasanha da Patt. — E um recadinho para vocês – namoradinhos- adolescentes que pensam que vão dormir juntos na minha casa. Nananinanão. Sua amiga dorme com você, Améllia, e os dois garotos podem ficar aqui, no quarto de hospedes. Se precisar de alguma coisa é só chamar a Patt. – Falou me envergonhando e depois gritou pelo nome da empregada para que fossem apresentada aos meus amigos.
Como estávamos cansados, só comemos e já fomos nos deitar. Eu e a Mari ficamos conversando e pensando em como estariam o Nate e o Gus em um quarto só. Porque nem mesmo EU estava entendendo a relação deles. Num momento se odeiam e depois planejam uma surpresa juntos.
No dia seguinte, acordei com meus irmãos gritando – dentro do meu quarto. Tinha esquecido como eles eram capetas e não sabiam o que era MEU e o que era deles, ou seja, o que eles não podiam nem olhar e o que eles podiam quebrar.
Ontem quando fui vestir o pijama deixei a mala aberta no chão, e hoje eu acordo extremamente arrependida quando vejo Henrico vestindo meu sutiã vermelho rendado.
_PAIII o Henrico ta com meu .... – gritei sonolenta, mas parei de repente quando percebi o que eu ia falar para que o Henrie não apanhasse.
Mas meu querido pai ouviu e estava no corredor quando o capetinha do meu irmão foi mostrar pra mãe dele como ficava lindo meu sutiã vermelho nele.
_Henrico, devolve! –gritei e ele saiu correndo.
Pulei da cama acordando a Mari, mas consegui pegar ele. Só que com meu pai nos observando. Puxei o sutiã e tentei esconder atrás de mim.
_Améllia Catarina Kuertten, o que você está escondendo? – papai falou no final do corredor enquanto eu estava desesperada com um garoto de oito anos em um braço e um sutiã de renda na outra mão escondida atrás.
Coloquei meu querido mano no chão, e o pamonha ficou me olhando. E meu pai também esperando que eu mostrasse o que estava escondendo atrás.
_Abre a bala pra mim? – Leninha apareceu atrás de mim –toda inocente- com uma camisinha na mão.
Ao ver a expressão do meu pai a única coisa que imaginei foi eu sendo expulsa dessa casa.
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