Notas iniciais
Boa leitura, guys!!

Era um raio que caiu na nossa frente. Outra merda dessa cidade, não tinha sequer um para raio e isso fazia da gente um alvo fácil em um jardim.

_AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH – eu e Mari gritamos com nossos mais finos berros. Uma árvore grande tinha caído na nossa frente, por questão de segundos não morremos esmagadas.

Quando chegamos ao porão subterrâneo eu não conseguia pensar em nada. Minhas pernas pareciam que iam cair. Todos os alunos estavam lá, um bem próximo do outro mesmo assim aquele lugar deveria ser gigante pra abrigar todo mundo. Estávamos todos em choque, me encostei na parede e coloquei minha mão no rosto tapando minha maquiagem borrada pelo choro. Em alguns segundos senti alguém me abraçando, um garoto alto de forma que minha cabeça ficasse em seu peito. Passou as mãos pelas minhas costas me abraçando forte e eu fiz o mesmo.

Manchei a camiseta dele de rímel e não to nem ligando, percebi que a gente já estava tempo demais assim quando abri os olhos e vi algumas pessoas ao nosso redor nos encarando. Inclusive, Mariah e Nataniel.

_Gus. – sussurrei pra ele se tocar, ele também estava de olhos fechados sentindo o abraço.

_Eu não vou deixar nada te acontecer. – ele cochichou baixinho só pra eu ouvir.

_Volta pra tua namorada. – falei um pouco grossa depois dele ser tão fofo.

Algumas horas depois ...

_MÃE! Você não me ouviu? – falava irritada a mesma coisa pela terceira vez.

_Você que não me ouviu. Eu estou em NY á negócios, não poderia te trazer pra cá. Aliás é pra isso que pago aquela escola, pra cuidarem de você quando eu não tenho tempo.

_O encanamento está quebrado, porra. – me exaltei – ninguém ta aqui, mãe. Até os mais esquecidos deram um jeito de ir pra casa.

_Que educação é essa Améllia Catarina? Eu ligarei pro seu pai, pegue um taxi até a casa dele.

_Se a mesada que você me dá fosse maior eu conseguiria pagar uma corrida de taxi de três horas. Mas não tem problema, o Nate ta aqui.

_Que seja, tenho que desligar. Uma cliente me espera. Manda saudações pra piranha que seu pai pescou.

_Admiro sua criatividade, mãe. – falei sabendo que ela se referia a minha madrasta.

Desliguei a ligação e olhei para os três a minha frente. Augustus, Mariah e Nataniel.

_Boa sorte para todos nós que vamos para a casa do meu pai. – falei sorridente.

A tempestade não destruiu apenas o encanamento do Patrunni como também a única ponte que vai para o leste do estado, ou seja, casa do Gus e da Mari e por isso eles iram se hospedar na minha (meu pai) até isso voltar ao normal.

_Ta legal eu sei que é exagero, mas não vou deixar minhas coisinhas aqui. Vai que a natureza esteja afim de destruir esse colégio e soterre minhas coisas junto. Nananinanão. – Mariah falava abraçando quatro malas e algumas frasqueiras.

_Você quer ir amarrada no teto? – perguntei séria pra ela. –Ou suas malas ou você, não vai caber tudo não, amiga.

Os últimos seguranças sobrando na escola nos ajudaram a esmagar as coisas no carro pra depois todos irmos embora. A cidade estava em alerta e todo mundo queria ir o mais longe possível inclusive o diretor. (Boatos que ele comprou uma passagem pro Nordeste).

A viagem foi tranquila, só fiquei tensa quando o Nate entrou em uma rodovia de pista dupla, porque ele acelerou bastante. Apertei minha mão na sua perna alertando-o, ele me olhou percebeu que eu estava nervosa e reduziu a velocidade. Não gostaria de ter que responder perguntas sobre “onde o Nate aprendeu a dirigir assim”. Até porque eu já estava acostumada com o jeito dele dirigir, mas Mari e Gus nunca andaram com ele.

A viagem também foi cansativa, olhava pelo retrovisor a Mari dormindo encostada no Gus e de vez em quando o Nate puxava minha mão e colocava atrás do seu pescoço.

“NUCA SEMPRE FOI SEU FRACO”.

Era notável que ele amava quando eu tocava sua nuca e mexia nos seus cabelos. Só não sabia se ele estava fazendo isso pra mostrar pro Gus ou porque ele realmente estava carente.

Quando chegamos ele entregou as chaves para o empregado e eu puxei meus amigos.

_Devo avisa-los que eles não são –fiz uma careta procurando uma palavra pra descrever minha família e não encontrei então prossegui — tão normais.

Assim que entramos já ouvi gritos e choros.

_Você é menino não pode brincar com minhas bonecas, pode pegar isso! – Hellena gritou e em seguida ouvi o Henrico chorando.

_MAMÃE. PAPAI. A LENINHA JOGOU O TREM EM MIM. – ele estava desnorteado andando atrás dos pais com a mão na cabeça e a outra mão segurando o trenzinho que tinha sido atacado.

_Se vocês não pararem de gritar vou ser demitido e não terei dinheiro pra comprar brinquedo. – meu pai gritou, provavelmente, do seu escritório e Henrico tentou segurar o choro.

Ele olhou pra mim parada na porta e veio com carinha triste pra me abraçar, só que antes dele chegar a Leninha passou por ele na velocidade da luz e me agarrou.

_Essa menina é o capeta. – Mari falou apavorada com a garotinha de três anos e meio.

E depois que viu minha madrasta no corredor ficou mais apavorada ainda.

_É É É uma santa, santinha, uma anjinho essa menina é. – tentou se corrigir nervosa.

Notas finais
Então, o que acharam?