Diário de uma adolescente
5 Ás vezes os olhos enganam e a imaginação ajuda
Notas iniciais
Ela me encarou e logo seus olhos seguiram para o Augustus que estava em cima de mim com a mão toda lambuzada de creme. Ela abaixou o rosto por um breve instante eu vi uma lágrima descer pelo canto dos seus olhos. O que aconteceu em seguida foi tão rápido que só lembro do Augustus correndo atrás dela no corredor. Pegou-a e pôs sobre os ombros, ela veio se debatendo e assim que eles entraram eu chaveei a porta, só pra garantir que ela não fugisse.
_Como você sai chorando sem ouvir uma explicação? – Falei indignada.
Já aconteceu muitas vezes comigo de algum amigo se brigar e nem querer ouvir o que aconteceu, sabe, as vezes os olhos enganam e a imaginação ajuda. Ai fica evitando e ignorando a pessoa sem nem saber o que aconteceu realmente. Sabe aquela expressão “não é o que está pensando” se encaixa muito na minha vida.
_Eu pedi uma massagem, ta legal? O Augustus quase me deixou na cadeira de roda, eu mereço isso. Olha aqui. – mostrei uns três roxos que tinham ficado e ela não conseguia falar nada, dava pra ver que segurava o choro. E na real nem sei porque to defendendo ele, talvez porque não queria fazer inimizades logo nos primeiros dias.
_Cadeira de rodas? Você é tão exagerada. – Ele se pronunciou inconveniente.
Ela respirou fundo e veio até mim, eu fiquei com medo. Achei que ela ia me avançar, me escabelar, me bater, me espancar. Mas não, ela parou os olhos no meu pescoço, e então abaixei minha cabeça tentando ver o que chamava sua atenção.
“SÉRA QUE TO COM ALGUM CHUPÃO?” Foi a primeira coisa que pensei, olhei para ela novamente e segui seus olhos. Meu colar. Ela se concentrava no meu colar.
Segurei o pingente entre os polegares e olhei com ternura lembrando. Eu tinha sete anos quando comprei em Orlando. Era férias de julho quando a mãe da minha melhor amiga propôs uma viagem “entre mães e filhas”. Nossas mães já estavam pagando quando pedimos a corrente. Era de ouro branco e amarelo e juntas formavam bff, era elegante e delicada para que pudéssemos usar pro resto da vida sem depender de moda. Depois de um tempo meus pais se separaram eu me mudei de cidade, a partir daí não tivemos mais contato.
_A gente pode conversar a sós? – Augustus me despertou do devaneio pedindo que eu saísse.
Dei uma voltinha no corredor, mas não fui muito longe com medo de ficar perdida. Encontrei duas máquinas de comida. Comprei uma coca diet e uma barra de cereal seguindo para o meu quarto depois.
Abri a porta e o garoto não estava mais lá. Coloquei a comida em cima da escrivaninha e aproveitei pra tirar minhas roupas das malas e joga-las na parte que sobrava do guarda roupas.
_Me desculpa por isso. Você é a aluna nova, não é?
Virei para trás afim de poder vê-la.
_Ás vezes a gente entende errado mesmo. E sim, me chamo Améllia Kuerten.
_Mariah Ventura.
Sorri como resposta e fui abrir a porta de onde tinha ouvido batidas. E quase desmaiei quando vi Augustus Vasconcellos com um travesseiros na mão, sem camisa e com calça de pijamas.
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