Diário de uma Rosa
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Bom, esta história é meio bizarra, mas deem uma chance para minha bizarrice -q
Bom, eu tenho várias oneshots, quem se interessar...
Acho que é isso. Perdoem qualquer erro, se acharem algum me avisem ^^
Boa leitura!
O Sol surge e o vento balança meu caule verde. Os pequenos espinhos me protegem e espetam os ousados e indelicados. Minhas irmãs ao poucos despertam, exibindo suas pétalas vermelhas em diferentes estágios de crescimento, abertas, acolhendo os insetos.
Sou a décima terceira de treze irmãs. Eu sou pequena, ainda fechada. Ninguém me quer. A primeira irmã já se foi, levada de presente para uma namorada encantadora. A Roseira já está ficando velha. Logo nós teremos que continuar nossa família; logo a roseira morrerá.
Quando o Sol já está bem acima de nós, as crianças humanas chegam. Meninas, correndo em seus vestidos coloridos, que tremulam ao vento como as flores do jardim daquele condomínio humano. Elas riem, brincam com suas mãozinhas, as mesmas que passam a mão nas flores e as cheiram, sorrindo.
Quando o Sol que me alimenta e me faz crescer vai embora, a Lua, prateada e altiva, que nos ilumina palidamente, aparece. Junto a ela o casal que sempre vai lá. O humano, sempre usa vestes escuras e tem o cabelo comprido para o padrão deles. Já a humana é linda, cabelos intrigantemente loiros que caem sobre os ombros, e quando ela ri, eles tremulam e revelam olhos azuis como o céu que nos cobre como um manto. Eu gostaria de poder rir, falar, amar, brincar.
A segunda irmã já é uma moça. Bela e exuberante, atrai os insetos com tanta facilidade, continuando a espécie de uma maneira assustadoramente simples.. Ela é perfeita. Mas quando se é uma flor, a perfeição a torna mais cobiçada e vulnerável. Atingir a perfeição significa que a morte está próxima.
Ainda tenho muito a viver.
Naquela noite, a segunda irmã se vai. Um presente à namorada de olhos azuis. A Roseira não parecia que iria produzir mais flores. Um dia eu seria a única e solitária rosa, em meio a espinhos e folhas verdes. Mas depois eu murcharia e secaria.
No dia seguinte, o Sol que dá brilho aos cabelos negros de uma garotinha surge novamente. Ela leva a terceira irmã, colocando-a sobre a orelha. Estranho como os humanos são egoístas, em vez de deixar as rosas ali para todos poderem admirá-las, não. Eles as pegam para si, diminuindo a vida delas para poder enfeitar suas casas e roupas por alguns dias. Eles diminuem nossa vida por tão pouco a ganhar.
Mas como sou uma rosa, acho que não há nada que eu possa fazer a não ser receber os raios de luz e os nutrientes que a Roseira nos dá e observar, uma a uma, minhas irmãs partirem.
Os dias me fazem crescer e florescer. As pétalas rubras se abrem e exibem sua cor perfeita. Perfeita, agora, sou perfeita. Agora estou marcada para morrer. No momento em que atinjo a Perfeição Máxima, a duodécima irmã, já ressequida, se vai pelas mãos da Natureza. Com poucas pétalas, amarronzadas, a maioria já tinha se ido. Por fim ela cai no chão de pedra que cerca a grama onde as raízes da Roseira.
Estou sozinha, as folhas que me envolvem como uma moldura. Sou a principal obra. Sou exibida a todos os humanos, pássaros, seres que passam ali andando, voando e rastejando.
Agora os insetos vem com certa frequência, me fazendo cócegas. As espécies mais gentis são as abelhas, que sorvem meu néctar delicadamente, e as borboletas, coloridos seres que se banham no sol junto de mim.
Eu não parto pelas mãos da Natureza, e sim pelas mãos de um poeta apaixonado que me leva pra sua casa para se inspirar. Ele conversa sozinho. Eu fico em um jarro de água por um tempo, mas assim minha perfeição acaba rápido. Eu começo a murchar, e o poeta me atira pela janela, próxima à Roseira, onde morro sob a luz prateada do luar.
Notas finais
Espero que tenham gostado, deixe sua opinião aí! Agradeço novamente a leitura.
Kissus
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