Diário de uma Mente Perturbada

5 02 de Abril, 2015. Quinta-feira


6 Cortes rasos, retos e assimétricos. Estrategicamente escondidos pela manga da jaqueta e um conjunto de pulseiras macramê hippies.

Arde.

Mesmo assim, a sensação é ótima. Um vício pior que as drogas. Eu luto contra todos os dias, mas as vezes... As vezes a dor interna é tão grande que eu preciso substituí-la pela dor física.

O gosto do sangue é estranho e peculiar. Um gosto metálico, amargo.

A mesma sombras que me atormentaram no passado voltaram a me perturbar agora. Eu as vejo, na frente do sol, tomando seu brilho pela completa escuridão.

Sou só eu que enxergo isso?

Isso me faz uma pessoa má?

Ou especial?

Eu queria tanto ser especial...

Pra alguém. Pra certa pessoa. Para os meus amigos. Meus pais.

Sei lá, eu queria ser especial até para esse pedaço de maçã que to comendo agora.

Eu odeio comer. Mas se não fizer, eu vou morrer.

E não tenho tanta certeza que quero partir agora. E ao mesmo tempo eu quero muito partir agora.
Odeio essas gordurinhas na barriga.

As pessoas me lembram bem desses excessos, todos os dias. Obrigada por não me deixarem esquecer. Vocês me deixam um lembrete todas as vezes, que uma hora eu tenho que cortar essas gordurinhas fora. Obrigada.

Estou meio triste hoje. Eu me pergunto por quais motivos exatos o Chorão se suicidou. É claro que não foram pelos motivos na tv.

O cara tinha tudo, fama, riqueza. Músicas que eu amava, junto com outras várias milhões de pessoas.

E mesmo assim, temo que não foi o suficiente para ele ser feliz. Ou foi mais do que ele precisava.

Admiro a coragem dele. Ele fez uma ação destemida que eu sou covarde demais para fazer... Sou fraca, inútil... Nem para me matar eu sirvo. Mas Ok.

De qualquer forma, eu posso entendê-lo. Tanto que quando ele morreu, eu não fiquei exatamente triste, mas com certa admiração brilhando nos meus olhos escuros.

Chorão e seu amigo, são apenas... Anjos. Que conseguiram voltar pra casa.

Enquanto isso, ainda estou aprisionada nessa réplica falsa e precisa do Inferno.