Diário de Um Poema Qualquer
2 Tempo

Eu,
Só queria tempo
Um pouco mais de tempo
Mas as horas insistem em passar
Como um trem bala
Prestes a curar
A lentidão daqueles que tem pressa
E dos que correm para não ver
A terra florescer
Não vivem porque não possuem tempo
Tempo,
Cura-me e me mata depois
O único a brincar com todos os grãos de arroz
Uso todas as minhas cartas e ainda me falta tempo
E sem permitir,
A essência pura se esvai
Já era de se esperar,
Nunca fui dona do fim
E sem perceber
Cria-se um vácuo dentro do ser
E conjugar passa a ser
A mais nova falha, o meu mais novo querer
Trabalho dobrado pro tempo
Curar todas as coisas,
Correr contra a vida,
Salvar todas as pessoas,
Secar algumas lágrimas,
Estender alguns sorrisos,
Escolher os que vencem
E os que ficam no prejuízo.
Trabalho dobrado pro tempo,
Escolhe os indivíduos
Contratar alguns cupidos
Apresentar os bons amores
E não há, não há, não há
Alguém para suplicar diante dos ponteiros
Não há, não há, não há
Alguém para solucionar
"Você precisa mais de tempo".
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