Diário de Um Nelliw - Crônicas da Luz
1 Prólogo - Memórias Errantes
Não sou acostumado a esse tipo de coisa. Escrever algo que já vivenciei é uma tarefa árdua, não por que vivi muitas situações, mas por que elas me trazem de volta para as trevas. Ainda que o mundo viva na mais plena luz, um dia as forças da escuridão tomarão posse, e temo eu não estar mais vivo para ajudar. Meros devaneios sobre a correnteza da vida, porém, uma chuva de emoções que me desbotam o olhar, e me tornam menos vivo a cada dia. Sou obrigado, se não menos, a contar a minha história de vida, já que meu pai contou e eu honrarei a sua atitude com o mesmo toque.
Como deve ter sido explicado nas páginas anteriores, nasci em 1963, uma época dura e difícil, um período pós-guerra de um mundo coberto de sangue que estava às portas da paz que se seguia. Não vou atormentar-lhes com fatos de minha infância, pois tive um crescimento normal, ou devo dizer pelo menos normal vindo de uma família guerreira. Meu pai natural foi um dos maiores guerreiros de toda a Midgard, Seyren Windsor, mas eu não aceito ou não sou digno de seu nome, pois carrego toda uma vida de honra e glória, um poder imenso através do nome de outra família, na qual eu havia crescido. Muito prazer diário, meu nome é Raiga Nelliw.
Se estivessem em meu lugar, talvez nunca tivessem paciência, tempo ou mesmo ânimo para escrever estes relatos curtos, mas detalhados e precisos. Muita coisa me aconteceu, mas estou bem ciente das minhas ações e das consequências. Este é só um pequeno prólogo, para que entendam que não é uma história com um final feliz e muito menos um final triste. É uma história sem fim, que nos levará a grandes momentos e, com todo respeito ao meu filho, talvez ele chegue a superar as minhas expectativas e levar o nome da família Nelliw para a história.
Por que digo isso? Simples. Pois tudo começa do início e sendo assim, eu vou começar, mas não como meu pai adotivo, que narrou suas aventuras desde aprendiz. Contarei de um ponto de vista mais marcante para mim, algo que trouxe muita luz para o meu futuro e muitas consequências para o futuro de nosso povo.
Mas vou dar um tempo para refletirem, pois este começo é um marco em minha vida. Tudo começou em um dia de luz ensolarado e de brisa fresca. Ainda que eu não estivesse a céu aberto para testemunhar essa maravilhosa dádiva da vida. Ao meu redor só havia a escuridão, carne podre deteriorava pelo chão e os familiares vinham para saciar a sua fome, se refestelando com tanta massa cadavérica caída dos orcs, que uma vez já foram vivos e novamente morreram mesmo após seu corpo se mover sem alma.
Como se não bastasse a putrefação natural do lugar, não era raro encontrar os sentinelas daquela raça verde pelo calabouço onde os prisioneiros de sua própria espécie eram jogados, para que mais uma vez se levantassem moribundamente, ou que seus espíritos continuassem a zombar da vida alheia e começassema tomar mais a forma de um demônio.
Mas acima de tudo, a minha missão era simples, mandado pela Santa Igreja de Prontera e pelas recomendações do próprio líder do Templo dos Humildes Templários. Para eles, uma tarefa difícil, quase interminável, que era erradicar a escuridão e trazer algum conhecimento. Para mim, um mero passatempo e um prazer espantoso ao usar minhas humildes, porém devastadoras habilidades para o bem.Mas naquele dia, senti que aquele momento era diferente e as coisas mudariam dali por diante.
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