– Já estava na hora, não? — indaguei.

Everthon sorriu de canto e me observou por alguns segundos. Estávamos finalmente fora daquela droga de cela, e o sol ia se pondo no horizonte. Prosseguímos até o final do corredor e entramos a direita numa escada de pedra que ia até o andar inferior.

– Cadê os outros? Digo, Canni.... — abaixei a cabeça pois lembrava o que aquilo significava.

– Ah, Canni e os outros estão nos esperando no refeitório. Ele está bem, relaxa. — Everthon alegou.

– Então, qual é o plano para sairmos daqui?

– Canni irá te explicar melhor, foi ideia dele.

Continuamos pelo corredor escuro, o sol batia na janela de vidro a minha direita enquanto continuávamos pelo corredor até alcançarmos uma porta dupla de metal prateado. Na placa acima dizia: "Refeitório".

Entramos no refeitório no momento em que uma garota estava mirando uma arma até a porta.

– Ei, ei, ei. Pode abaixar, somos nós. — Everthon pediu com calma.

– Ah, pensei que fossem eles. — a garota alta que usava uma bota de couro e uma jaqueta escura disse ao respirar em alívio.

– E as câmeras? — perguntei à Canni.

– Bem, acabamos de chegar e eu as tampei com panos. — Canni apontou para duas câmeras cobertas. — Suponho que tenhamos uns cinco minutos até eles chegarem.

– Ótimo, e você Dakota? Pegou tudo?

– As armas estão na mochila azul. — ela apontou para uma mala em cima da mesa redonda.

– Tem certeza de que querem fazer isso? — Zoe indagou curiosa.

– Por que? Estais com medo? — Canni perguntou ao lado dela.

Ela o empurrou e disse em tom nervoso

– Vá te catar, me deixe.

Canni sorriu. Everthon correu até a mala e saiu distribuindo armas e munições.

– Só usem isso em casos super necessários, ok?

– Pode deixar! — Dakota sorriu ao pegar uma calibre de cano serrado.

– Certo! — Zoe carregou o revólver militar dela. — Beleza!

– Hum... — Canni pegou o taco de beisebol vermelho de caveira dele e amarrou na cintura. Ele guardava uma escopeta de combate nas costas.

Everthon veio até mim e me deu um revólver e um fuzil em versão um pouco menor.

– Pegue isso. — ele se virou até os outros e disse: — Bem, todos armados. Eu irei ma frente com a sniper para matar os guardas da torre. Precisamos sair sem sermos vistos por ninguém, ok?

– Eu cuido da parte de luta física! — Dakota disse confiante.

– Certo. — Everthon começou. — Iremos descendo devagar sem chamar atenção de ninguém.

– Como iremos sair?

Everthon sacou um molho de chaves do bolso.

– Tcharan! Peguei na sala do Oliver, acho que ele não irá mais precisar disso. Vamos!

***

Continuamos a seguir pelo corredor, Everthon ia na frente com Zoe e Canni atrás. Eu ia mais atrás com Dakota e conversávamos.

– Isso é legal, não é? — Dakota me perguntou ao descermos a escada.

– O que exatamente? — perguntei.

Everthon nos deu uma olhada de canto de olho furiosa. Mas apenas eu percebi.

– Ah, isso parece aqueles filmes de Hollywood. Tipo 007 e tudo mais.

– É, quem sabe. — respondi.

Ela me lançou um olhar de curiosidade enquanto mordia o lábio inferior.

Chegamos no estacionamento, como de costume, não havia ninguém além de dois guardas. Um em cada torre ao lado do portão. Havia uma máquina perto da janela lateral do prédio içando um contêiner para o andar superior. Estava tudo escuro: as luzes do estacionamento e das torres de segurança também.

– Estranho... Zoe, você viu algo? — Canni sussurrou enquanto acendia um cigarro na escuridão.

– Não.

Fomos caminhando devagar em direção ao portão, exceto por Everthon que estava em cima de um carro capotado. Ele deu dois tiros em direção as torres, e os corpos caíram mortos.

– Isso. — Everthon sorriu enquanto corria até nós.

Estávamos perto da saída quando as luzes se acenderam repentinamente. Todas sem exceção de nenhuma. Foi quando nós escutamos sons de armas sendo carregadas na escuridão ao lado do edifício.

– Droga! Fiquem juntos. — avisei.

Mas era tarde. Quando procurei pela garota Zoe ela havia sumido. Olhei ao redor e nada dela, até que eu a vi embaixo de uma caminhonete vermelha do lado esquerdo do portão. Ela fez sinal de silêncio e eu obedeci.

– Ora, ora. O que temos aqui, não é senhor Everthon? — a voz de Derby surgiu do além. — Era óbvio que eu sabia que você iria tentar tirar seu amigo daqui.

Derby saiu da escuridão e se aproximou de nós.

– Sabe Everthon, eu não pensava em matar seu amigo já que ele não fez nada com a cura, penso eu. Mas agora, irei matar os dois.

Cinco soldados apareceram atrás de Derby, estavam fortemente armados.

– Desculpa, mas nós vamos sair daqui. — Everthon disse.

– Não, não vão. Poxa Everthon e Canni, pensei que gostassem daqui...

– Eu gostava, mas precisamos sair daqui. Eu tinha certeza de que você iria nos matar, afinal, não há conversa contigo.

– É, você tem razão... Mas sabe, agora eu vou matar todos vocês e mostrar que quem manda aqui sou eu.

Dakota deu um passo atrás e fixou o olhar em Derby.

– Me dê, Dakota. — Derby estendeu o braço.

– Hã... O que exatamente?

– NÃO SE FAÇA DE TROUXA! EU SEI QUE VOCÊ AINDA ESTÁ COM A CURA. INVADIR MEU ESCRITÓRIO ÀS CINCO DA MANHÃ E PENSOU QUE SAIRIA IMPUNE? — Derby começou a gritar igual a um louco, e no momento, até os grilos pararam de cantar.

Nesse momento vi Zoe correr abaixada até um fardo de palha há uns metros atrás de Derby. Ela apontou com o dedo indicador para o piano içado na máquina. E eu entendi na hora o que ela quis dizer, era só esperar a hora certa.

– Vai me dar ou não? — Derby perguntou.

– Não tenho medo de você. — Dakota sorria nervosa.

Derby sorriu e virou-se para seu grupo.

– Ouviram isso? Ela não tem medo de nós. — o grupo todo riu.

No momento, eu saquei um revólver reserva e mirei na corda do piano suspenso rapidamente, eles nem tiveram tempo de notar.

O tiro foi certeiro, o piano caiu e esmagou três soldados, restando apenas dois. Zoe brotou e enforcou o da direita com os braços. Antes que o outro pudesse notar, joguei uma faca na direção do outro, que por azar, não acertou Derby. O outro soldado caiu morto enquanto jorrava sangue no seu pescoço. Mirei a arma para Derby e ele correu de volta para a escuridão. Zoe apareceu e veio correndo até nós enquanto gritava:

– PARA A CAMINHONETE, AGORA! — ela correu para o painel de controle do portão e o abriu. Entrei no carro e o liguei enquanto Dakota ia ao meu lado. Como era uma caminhonete, só havia dois lugares. Canni, Everthon e Zoe iam atrás, nos defendendo. Acelerei a caminhonete e abri caminho em meio há uma pequena horda de zumbis que estava ali, provavelmente pelo som do piano. Continuei dirigindo pela estrada até uma curva mais acentuada a minha frente.

– Achei uma coisa bem interessante aqui atrás. — Canni disse.

Olhei por canto de olho e vi uma rpg nas mãos de Canni, apenas acelerei.

– Você sabe como usar isto? Iremos precisar. — avisei ao olhar no retrovisor e ver um comboio deles com homens dentro vindo na nossa direção.

– Opa, agora vai ficar legal. — Canni avisou ao apoiar a rpg no ombro. — Para de balançar o carro, quer que eu os acerte?

– Você quer que nós fujamos? Pois é.. — avisei.

Virei em uma curva no momento em que Canni atirava no comboio, o tiro passou de raspão.

– Droga, foi por pouco! — Canni disse.

– Poderia ter acertado! — disse Zoe enquanto atirava neles.

– Se o carro não estivesse balançando, talvez.

– Ouvi isso. — avisei.

Eles começaram a atirar na lataria do carro, mas como estávamos nos movimentando muito, nem um tiro nos acertou. Acelerei mais e entrei em outra estrada de terra, a placa avisava "São Paulo 343 km". Entramos na rodovia principal, o comboio continuava atirando, mas os tiros passavam longe. Provavelmente porque não queria matar Dakota, ela estava com a cura.

– Ei para que serve esse botão? — Zoe abriu um quadrado de metal na rpg e logo isso se transformou numa tela com visão de calor.

– QUE IRADO! — Everthon gritou.

– Agora a brincadeira começa. — Canni olhava atrás da visão de calor. Após alguns segundos um bipe começou a sair da arma e estava cada vez mais forte. Então um tiro saiu da rpg em direção ao comboio, que por sorte, foi aos ares.

– Derby está morto? ISSO! — gritei.

Mas logo outro carro apareceu ao fundo. E para variar, Derby estava dentro dele enquanto outro cara dirigia.

– MATE-OS! — eu disse.

– A menos que você pare, eles não irão morrer. A mira de calor não quer mais funcionar por algum motivo.

– Droga! — Dakota disse.

Passamos por baixo de uma encosta rochosa e tive uma ideia.

– Parem, não há chance de vocês escaparem! — Derby gritou na janela do carro.

– Canni, as rochas! — apontei para o teto.

Canni olhou para as rochas lá em cima mas não entendeu.

– Atira nas rochas, AGORA! — gritei.

Canni entendeu dessa vez e mirou a rpg para as pedras. O tiro foi em direção as rochas. Derby gritou ao ver as rochas caindo em direção ao seu carro. O carro logo foi esmagado por uma rocha que saiu de cima do mesmo.

Parei o carro de instantâneo e saímos até o carro esmagado.

– Sinto muito. — me abaixei até uma parte da frente do carro esmagado.

– Eu não. — Zoe se aproximou e acendeu um fósforo enquanto Everthon lançava gasolina no carro. Zoe observou o fogo por uns instantes e então jogou o fósforo que criou uma linha de fogo alta imediatamente.

Everthon, Zoe, Canni e Dakota saíram caminhando lado a lado em direção ao carro enquanto eu observava o fogo crepitar. Canni matou dois infectados que vinham na nossa direção e continuou caminhando até o carro. Me virei de costas e corri até os outros.

Agora, andávamos lado a lado, eu, Canni, Everthon, Zoe e dakota naquela estrada escura enquanto o fogo crepitava às nossas costas. Então entramos no carro e dei a partida, voltando até São Paulo.

*** 5 anos depois ***

Eu estava sentando no telhado do prédio agora, vendo o sol se por no horizonte. Ao meu lado estava Zoe, Canni, Eve e Dakota. Depois de tudo aquilo, havíamos voltado para São Paulo e continuamos a viver nossas vidas. O que aconteceu com a cura? Ah, demos para o governo em troca de proteção. Agora eles estão conseguindo amenizar o surto de infectados. E o número havia diminuído um pouco. Zoe namorava Canni agora, e Everthon estava casado com Dakota. Everthon e Dakota tiveram uma filha chamada de 'Dana' em homenagem àquela soldado que conhecemos no começo do apocalipse e que morreu por nós. Uma das pessoas mais corajosas que conheci... Após a morte de Giovanna, não consegui me apaixonar por mais nenhuma garota. Eu sentia falta dela. Mas algo me dizia que tudo estava bem. Olhei para os outros: Dakota e Eve abraçados enquanto viam o sol se por, e Zoe e Canni trocando carícias.No fundo, eu sabia que estava em casa finalmente. Eu tinha um filho. Isso mesmo que você leu. Um garotinho de 7 anos chamado Aaron. Eu havia o adotado quando chegamos em São Paulo, ele estava em estado de choque quando o conheci. Perdeu os pais e irmãos no meio disso tudo. Agora ele tinha uma família.

– Papai... — Aaron chamou na porta do telhado.

– Oi, amor... Já vou. — me levantei. — Vejo vocês depois.

– Certo. — as garotas responderam em uníssono.

– Beleza. — Everthon disse.

– Vai lá. — Canni disse enquanto abraçava Zoe.

Peguei Aaron pelo braço e descemos até o nosso andar. Passamos pela escada barricada anti infectados e entramos no nosso apartamento.

– O que foi, amor? — perguntei com um sorriso.

Aaron era doce. Tinha cabelos loiros iguais aos meus, e olhos castanhos. Ele mordia um dinossauro de brinquedo e me olhava sério.

– Eu e Dana estamos com medo.

– Do que amor? — perguntei enquanto íamos em direção ao quarto. Dana estava deitada na cama pronta para dormir. — Veste seu pijama e deite, ok?

Aaron assentiu e trocou de roupa. Deitou-se na cama ao lado da de Dana

– Conta uma história?

– Claro. — peguei o livro do Pequeno Príncipe e comecei a ler.

Eu estava feliz: tinha meus amigos, e um filho maravilhoso. Estávamos felizes por estar em casa. Após uns dez minutos, Aaron e Dana caíram no sono. Então fechei o livro e me sentei na escrivaninha da sala. Terminei de escrever no meu diário que eu levava para todo lado, um que Willian havia me dado no meu aniversário de 16. Terminei e fechei o diário, respirei fundo: esse foi o meu diário de sobrevivência.

Notas finais
Olá amorecos! Tudo bão com vocês? Então depois de muito atraso e enrolação, aqui está o último capítulo dessa história que escrevi ao longo desses cinco meses. Foi uma experiência muito boa e que sempre irei me recordar. Não sei se irei escrever novas fanfics mais para frente, mas quem sabe, não é? Enfim, espero que não tenha ficado muito enjoativo e nem muito grande, espero que tenha gostado e se aventurado comigo ao longo desses quase 40 capítulos e tudo mais. Sugestões de finais alternativos e coisas que você mudaria, mande nos comentários. E eu gostaria de agradecer ao Everthon, Canni, Júlia Gilabel, Giovanna Nocker, Mary Ferraz, Beatriz Squinello e todos vocês que acompanharam. Obrigado. - Will.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!