Diário de Sobrevivência
36 Diário 12 - Jimmy
*** Dois dias atrás ***
– Estamos perdidos? — perguntou Giovanna.
– Não. Só fizemos um caminho alternativo. — respondi friamente.
Giovanna me fitou por uns instantes.
– O que foi? Não sabe porquê eles fingiram que não nos conheciam?
– É. Eu acho... — respondi enquanto dirigia rumo a casa.
– Também não entendi...
Continue em silêncio por uns quinze segundos.
– Preciso te contar algo. — Giovanna disse em tom baixo.
Reduzi a velocidade de imediato.
– Fala. — a fitei.
– Sabe quando estávamos saindo de casa para vir para cá? — ela disse e eu assenti. — então, havia um infectado no jardim.
Eu gelei na hora e parei o carro.
– Pois é... — Giovanna abaixou a cabeça.
– Por que você não me disse que foi mordida? — apoiei o cotovelo no volante e olhei para ela.
– Bem, eu não fui mordida tipo: "nossa eu fui mordida"... Ele me arranhou na perna.
– Ah e você estava esperando morrer para poder me contar? — liguei o carro e acelerei bastante até alcançarmos a subida do morro.
– Desculpa. Não queria te preocupar...
– Você falhou.
Chegamos até a entrada da cidade, tudo estava como antes. Alguns infectados no meio da praça, uma fonte de pedra aos pedaços e o relógio aos escombros no meio da avenida. Entrei na rua de casa e parei a caminhonete perto do ônibus. Sai do carro e fechei a porta com força e fui para dentro.
Cheguei na sala que estava quieta como de costume e me sentei na poltrona. Giovanna entrou também.
– Me desculpa. Eu devia ter contado. E eu sei que não vai demorar muito até que eu comece a me transformar. Desculpa.
A fitei por uns segundos.
– Parece que alguém foi infectada. — uma voz surgiu da cozinha até a sala.
Pulei de imediato e saquei meu revólver até o corredor, quando um senhor surgiu. Ele tinha cabelos brancos e uma verruga na bochecha direita. Usava jeans, botas de caça marrons e um chapéu preto.
– QUEM É VOCÊ? — gritei enquanto apontava a arma para ele.
– Ei, ei, calma. Sou apenas um cara que estava afim do frango no seu forno. — o cara sorriu.
– Não se aproxime, ou eu atiro. — avisei.
Giovanna deu dois passos para trás e pegou seu arco.
– Uma arqueira? Sabia que minha filha também era ótima com arcos? Bem, ela era até fugir com o namorado no cavalo. Triste...
– O que você quer? Cai fora! — Giovanna disse.
– Apenas trago um aviso, amigos. Ela está morrendo não? — ele apontou para Giovanna. — você precisa salvá-la. E eu sei onde está a resposta disso tudo.
O senhor sacou um mapa azul com um círculo branco no oeste.
– Ei, ei. Mas quem é você? Como sabe disso? Responda ou te mato! — segurei a arma mais firme.
– Não Jimmy, não vai. — o senhor sorriu. — sou a resposta para a salvação dela e você precisa de mim. Bem, está vendo esse mapa? Aqui neste círculo branco, lá há um refúgio de abrigados. Tipo uma pequena comunidade. Eles tem muita segurança: armas, soldados de primeira e tudo mais. Estão fabricando uma cura para isso, e pelo que sei, está no armazém norte. Você só precisa dar um jeito de entrar lá, Jimmy.
– Olha eu não sei quem você é, mas não posso fazer isso, é suicídio.
– Você precisa fazer isso se quiser salvá-la, garoto. Me escute enquanto há tempo. Se partir amanhã cedo, chegará lá no meio da noite, o que é melhor. Dê um jeito de colocar o número máximo de infectados lá dentro e vá pegar a fórmula. Se precisar de ajuda para entrar com os infectados, peça ao Oliver. Ele não vai aceitar de primeira obviamente, então diga a ele que você conhece o Benn. Quando estiver dentro, se infiltre como um dos soldados de lá: mate alguns infectados ali e outros aqui, mas não esqueça do seu foco principal: o armazém. A cura está na geladeira C-13 na sala 1 no subsolo. Primeira sala no corredor a direita.
Giovanna me olhou com expressão confusa. O senhor deu um suspiro profundo e me fitou.
– Acho que é só... Ah, não se esqueça de sair de pressa de lá. Apenas me faça um favor por isso tudo, se tiver um doutor lá dentro, sr. Ottwinski o mate. Ele merece.
– Como você conhece tão bem o lugar?
– Ah, trabalhei lá até acharem que eu estava louco e me expulsar de lá há três semanas. — ele balançou a cabeça em desaprovação.
– Afinal, quem é você? — Giovanna parecia perplexa e assustada ao mesmo tempo.
O senhor se aproximou da porta e virou-se até nós com um sorriso no rosto.
– Me considere como um velho amigo de vocês, com licença. — ele tirou o chapéu em sinal de reverência e saiu da casa.
– O que foi isso? — Giovanna perguntou e saiu da casa procurando pelo homem. Ela voltou depois de uns segundos com expressão de desconfiança.
– Ele sumiu. Ei, espera. Você não vai fazer o que ele disse, não é?
– Eu tenho. Por você. Por nós. — me aproximei dela e a beijei.
– Por favor, não. Eles estão fortemente armados, podem te machucar.
– Eles não podem me machucar, a única coisa que pode me machucar, é ver você como um daqueles infectados que vemos. Isso sim machuca.
Giovanna começou a chorar.
– Sinto muito, mas preciso disso. Nossa única chance. — sussurrei. — Saio amanhã pelo amanhecer.
Giovanna assentiu e correu para o quarto. Mas eu sabia no fundo, eu sabia que eu precisava fazer aquilo.
*** 1 Dia atrás. ***
Eram sete da manhã agora. Eu havia comido uma tigela de cereal quando Giovanna chegou lá de fora, estava arrumando o carro.
– Bem, abasteci o carro com o resto de gasolina que tinha na garagem e tirei os lixos que haviam dentro. Acho que está pronto. — ela disse em um tom super melancólico. Eu usava um coturno marrom, calças do exército e uma camiseta preta de manga curta, pronto para o que der e vier.
– Também tem um pouco de comida e água nessa mochila. — Giovanna me deu a mochila. A peguei e me pus de pé.
– Obrigado. Saiba que preciso fazer isso porquê te amo. — eu a beijei.
Ela me soltou e sorriu.
– É, estou vendo. Então vai lá, mas por favor, tome cuidado.
– Eu vou. Prometo. E você não saia de casa, qualquer coisa, me chame pelo rádio. — sorri e sai da casa.
Joguei tudo na caminhonete e dei ré. Dirigi até a autoestrada e pisei fundo, desviando de alguns carros.
*** 12 horas depois, 6 da tarde. ***
Eu estava parado numa moita perto das árvores. Havia deixado o carro com um pequeno som ligado para atrair os zumbis enquanto eu olhava o perímetro com meu binóculo à distância: haviam alguns homens em cima das torres, haviam quatro cabines em cada lado dos muros, e a área era gigante. Vários prédios no meio, estacionamento, hortas mais ao fundo, e alguns armazéns ao norte. Guardei o binóculo na mochila e peguei o revólver. Corri de volta até a parte de trás da caminhonete e lancei a mochila lá, foi de imediato que os zumbis me viram. Havia cerca de quinze, mas era muito pouco então, com o revólver, dei um tiro para cima e fui me afastando dos zumbis do carro. Em menos de quarenta segundos, haviam mais vinte infectados na área. Eu ainda estava inconformado com a quantidade, então saquei o meu sinalizador vermelho do bolso e o lancei para cima, torcendo para que ninguém vesse.
Logo, mas alguns zumbis apareceram e agora formavam um exército de 40 zumbis. Os levei pela floresta a dentro e passei correndo na frente deles e alcancei a cabine do guarda perto do portão.
– Olha me escuta Oliver, eu sou amigo do Benn.
O cara entrou em choque e começou a gaguejar.
– E-então ele te fa-falou do plano?
– Sim, abre logo este portão e corra daqui.
Lancei outro sinalizador para dentro da floresta e logo os zumbis apareceram. Oliver abriu o portão e eu entrei com os zumbis atrás. Não havia ninguém nos muros agora pois estava tarde e escuro, então corri para trás de um muro e dei uns sete tiros no portão de metal. O som era muito alto, o que era bom para atrair os infectados. Mas eu ainda achava pouco, então atirei em um tanque de gasolina branco daqueles em formato de míssil, foi instantâneo: o fogo foi aos ares junto com o som de gasolina explodindo. Isso iria atrair mais infectados. Os que chamei já estavam no pátio e os soldados haviam chegado para lutar. Então me infiltrei como soldado e sai matando uns quatro infectados.
– Quem és tu? — me perguntou um soldado enquanto atirava com escopeta.
– É, sou Jimmy. Sou novo qui. — eu ri.
– Ah, que pena, não? Mal chegou e já tem uma recepção dessa bem calorosa.
Corri até o norte da área onde estavam os armazéns. A área estava vazia, sem uma alma viva, pois os infectados ainda estava na área sul. Vi um armazém branco que parecia muito propício, então corri até lá e forcei a porta de metal e para minha surpresa, estava aberta. Entrei e passei por prateleiras brancas lotadas de remédios e caixas, observei um corredor mais acima com uma janela de vidro, mas não dei atenção e corri para uma escada mais aos fundos.
Cheguei em um corredor claro, com quadros nas paredes, tapetes, sofás e um galão d'água no canto. Passei correndo e virei em um corredor à direita, até chegar na sala número 1. Que afinal, era a primeira. A porta estava trancada, então a chutei algumas vezes e entrei no laboratório branco, com balcões e uma geladeira no canto. Percebi que havia alguém ali, um médico estava com as mãos para cima pedindo para que o poupasse.
– Então você é o senhor Ottwinski? — perguntei.
– S-sim por fa-favor, não me mate.
– Onde está a cura? — perguntei.
– O que?
– Onde está a porra da cura? — gritei.
– N-não sei do que está falando.
Dei um tiro na perna dele e ele cedeu em frente a um balção.
– Só irei perguntar mais uma vez. — carreguei a arma. — onde está a cura?
– Na geladeira! Por favor me ajude!
– Desculpa doutor, mas não vai rolar. — eu ri e dei três tiros no médico, sendo dois no peito e um na cabeça.
Me senti mal por uns segundos, pois eu não era disso. Mas logo passou e corri até a geladeira. Coloquei uma luva plástica e abri a geladeira, havia um tubo de ensaio com uma gosma verde florescente lá. Enfiei no bolso e sai correndo da sala. No final do corredor havia uma plaquinha vermelha com o sinal de "saída de emergência", ouvi umas vozes vindos da escada pela qual eu vim, então corri pela saída alternativa.
Cheguei até o estacionamento e lá estavam uns dois soldados lutando contra sete infectados, matei dois e corri até a saída. Como sempre, disfarçando para ninguém notar. Não havia absolutamente ninguém nos muros de proteção, então corri pela floresta adentro sem olhar para trás.
*** Dia de hoje ***
Eu estava na cela mais alta do torre oeste, estava esperando minha punição após o ocorrido. Minhas mãos estavam amarradas e eu apenas via o sol se pôr no horizonte. Eu precisava sair dali logo... Mas Everthon não chegava. Na parede haviam algumas linhas na vertical e uma na horizontal, as cruzando. Marcação de dias de algum prisioneiro que ali ficou. Isso me assustou um pouco, pois eu estava curioso para saber o que houve com ele.
Após alguns minutos, Everthon chegou e me fitou pelas grades da porta de metal.
– Ei, como está?
– Melhor se tivesse fora daqui.
– Vou te tirar daí, espera ai.
Ouvi barulho de chaves e Everthon abriu a porta. Ele olhou para trás para se certificar de que não havia ninguém. Ele entrou e desamarrou minhas mãos rapidamente, sentou-se na cama ao meu lado e me fitou. Ele disse com um sorriso:
– Eu falei que iria te tirar daqui.
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