Olha, eu não sei como tudo isso começou e, na verdade, não sei como vai terminar e se é que irá terminar. Meu nome é Willian Nathan e tenho 15 anos, sou um dos poucos sobreviventes do vírus que devastou a cidade de São Paulo há 3 anos . Se está curioso para saber como tudo isso começou, eu explico:
Era 23 de Janeiro de 2012, era mais uma daquelas segundas feiras tediosas no colégio. Tudo que lembro era que estávamos na última aula do dia, era Química e tudo estava indo muito bem. Não me lembro bem da hora no momento, mas era por volta de 12h10m. Eu estava terminando a avaliação, quando tudo o que ouvi foi um barulho ensurdecedor de aviões acima do colégio, então ouvimos novamente o barulho, mas dessa vez, parecia mais perto e mais alto. Quando de repente, todos os vidros presentes na sala de aula, simplesmente quebraram. As luzes imediatamente se apagaram e ficou em breu total, apenas as luzes verdes indicativas de 'saída de emergência' ficaram acesas e todos entraram em pânico total. Garotas e garotos corriam para lá e para cá gritando e passando por mesas, cadeiras e tudo o que viam pela frente. Olhei para a porta, estava aberta como de costume, vi todos correndo em direção a ela, correndo como se não houvesse amanhã. Então, fiz o mesmo já que era a única coisa que o meu corpo me mandava fazer.
Quando alcancei os corredores, olhei para todos os lado e vi todo mundo em total desespero. Corri em direção à cantina (não me perguntem o porquê), quando eu estava prestes a atravessar a porta principal, escutei som de passos fortes atrás de mim como se fossem passos de botas pesadas. Olhei para trás, e instantaneamente, levei uma coronhada na cabeça e desmaiei.
Fui retomando a consciência lentamente, quando abri os meus olhos, tudo estava borrado e escuro. Levantei e me apoiei nos armários por uns minutos até conseguir enxergar tudo normalmente. Eu não tinha ideia do que estava acontecendo e minha cabeça estava doendo muito, e quando eu falo muito, é literalmente muito. Dei alguns passos em direção às escadas e parei antes de alcançá-las.
– Olá? — eu disse em tom audível. Nenhuma resposta. — Alguém está aí?
A escola inteira estava toda revirada: papéis para um lado, mesas para outro. Haviam muitas poças de água no chão, imaginei que alguém pensou que se tratava de um incêndio, porém, não havia fogo. Andei rapidamente até a sala dos professores, ao chegar, entrei e estava vazia... até demais. A sala era pequena com algumas janelas e mesas. Na televisão passava o jornal da tarde. Me aproximei e prestei atenção nas falas da repórter.

"-...A polícia local está trabalhando em conjunto com o governo para tentar reunir a população, em caso de que uma evacuação seja necessária. Não se sabe ao certo de onde começaram a surgir os infectados, mas teme-se que o governo não consiga controlar o número de infectados. A polícia pede para que a população busque abrigo dentro de suas residências e que não saia até segundas ordens. Mais informações, em breve." Após a repórter sumir da cena, deu-se lugar para imagens de.... O que eram exatamente aquilo? Zumbis? Sim, eram zumbis. Imagens da praça Roosevelt lotada de zumbis infectados, não era diferente nas imagens da prefeitura e da ponte Porter: zumbis para todos os lados, barricadas com espinhos, carros da polícia, SWAT, e até mesmo veículos do exército.
Eu não sabia o que fazer, então a única coisa em que pensei foi na minha família, e então, zarpei para casa. Eu morava a cerca de duas quadras do colégio, era perto mas naquelas condições pareciam horas de distância. Eu estava correndo pela décima terceira avenida em direção a minha casa, por sorte, eu não trombei com nenhum zumbi. A cidade estava um caos, carros pegavam fogo, algumas pessoas colocavam malas em seus carros e outras gritavam por ajuda. Aviões passavam pontualmente a cada 2 minutos em direção à ponte Porter. Corri o mais rápido que pude e atingi o portão de casa que estava escancarado e então atravessei o jardim correndo até abrir a porta de casa, entrei e tranquei a porta o mais rápido que pude. Haviam muitos gritos desesperados na rua agora, mas não dei importância. A sala estava vazia, a casa toda estava.
– Mãããe????! — gritei em frente à escada. — fui até o andar superior, revistei cômodo por cômodo até chegar no quarto dos meus pais. Estava tudo revirado, as gavetas estavam vazias e o armário de roupas também. O telefone estava fora do gancho com a discagem do número da casa da minha avó na tela. — Mãe? Pai? Por favor, se estiverem aqui me respondam.

Mal consegui terminar a minha frase quando escutei o noticiário no andar de baixo, corri e assisti ao que o repórter dizia. Foi quando minha ficha caiu: meus pais haviam me abandonado. Corri até a garagem, o carro não estava mais lá. Marcas de pneu marcavam o piso e o portão estava escancarado. Havia um papel no chão, me apressei e peguei o bilhete. Estava escrito em tinta azul à mão:
"Willian, como você já deve saber, há um surto de vírus zumbi. Não conseguimos ir buscar você na escola pois o exército veio nos retirar a força de nossa casa. Eu sinto muito, não deveria ser assim. Por favor, procure ajuda e um abrigo. Estamos a caminho da zona de quarentena 13 no sul da cidade, é um dos poucos locais seguros, nos encontre lá. Te amamos muito, mamãe."
Tudo o que eu queria agora, é estar com meus pais. Eles me deixavam seguros, só eles conseguiam fazer isso. Mas eu sabia, um apocalipse havia começado e dessa vez, não era uma coisa fictícia. Era real, bem real. Corri até o porão, chegando lá procurei por um baú que meu pai costuma guardar tranqueiras. Tentei acender as luzes, mas não surgiu efeito. A cidade deveria estar sem energia após o surto ter começado. Achei o baú na sorte no meio do escuro, o chutei algumas vezes e o abri. Dentro havia um revolver policial, um pente de munição, duas facas inglesas, que foram presente do meu avô, algumas bandagens e um vidro pequeno com álcool. Peguei tudo, e corri até o meu quarto. Quando cheguei, joguei tudo na cama, esvaziei minha mochila de caveira e joguei tudo o que eu havia pegado dentro. Peguei a mochila, corri até a cozinha, abri os armários e peguei vários tipos de comida: barras de cereais, iogurte, biscoito, feijão enlatado, e muitas mas muitas garradas d'água. Joguei tudo dentro e peguei algumas roupas no banheiro. Tive de correr, pois precisava estar na zona de quarentena 13 no sul antes do anoitecer, e já eram quase quatro e meia da tarde. Empunhei a faca e coloquei o revolver na capa para arma na minha cintura. E parti correndo com a maior precaução do mundo pela rua, em direção a zona de quarentena 13.

Notas finais
Então pessoal, este foi o primeiro capítulo. Foi focado mais nas apresentações e introduções. Espero que tenham gostado, até a próxima!