– Não deveríamos mantê-lo vivo?– perguntou o homem que só observava enquanto outro me chutava.

– Qual é, deixa comigo. — um cara baixo que usava jaqueta preta me chutava. — Ele não vai morrer.

Ele chutava cada vez com mais força, então, fingi que estava inconsciente. Ele parou de me chutar

– Morreu? — perguntou o homem ao fundo

– Acho que só desmaiou.

Eu tinha tido a ideia quando tudo isso começou, de guardar uma pequena faca na bota caso precisasse. Abri um pouco o meu olho direito e observei que eles estavam agora de costas, foi quando enfiei rapidamente a mão na bota e tirei uma faca dourada. Pulei no pescoço do que havia me chutado e enfiei a faca no pescoço dele, puxei a faca no mesmo instante e, quando o soldado da frente virava para ver o que estava havendo, joguei a faca na direção do olho dele. Foi certeiro! Ele começou a berrar, tirou a faca do olho e a jogou no chão. Corri na direção dele e dei um soco no olho ensaguentado dele, ele cedeu. Pisei na cabeça dele três vezes e ele morreu.

– Droga, essa foi boa. — sussurrei ofegante.

Corri até a porta e tentei entrar, a porta estava trancada por dentro. Observei o lugar: haviam bombas de posto de gasolina e um carro queimado na beira da estrada. Estávamos no meio de um floresta que eu não conhecia, fiquei um pouco assustado. Olhei até a janela do andar superior: estava aberta e não haviam grades.

– Isso será bom! — sussurrei.

Dei espaço e pulei em uma caixa de madeira que estava ao lado da porta, subi e escalei a janela. Pulei para dentro do corredor e fiquei abaixado por uns instantes. Me arrastei até uma porta vermelha na direita e adentrei dentro de uma pequena sala com prateleiras e caixas em cima. Caixas do mundo todo, China, Japão, Itália, Escócia, Guatemala, Portugal, Congo e até Rússia. Andei até o fundo da sala e ouvi alguns gemidos próximos à mim: observei que algo se movia no fundo da sala e fui verificar. Uma garota estava amordaçada e amarrada na parede, ela tinha cabelos castanhos usava blusa preta do Green Day, Jeans rasgados e tênis vermelhos. Ele se assustou ao me ver, seus olhos eram castanhos e demonstravam medo.

– Calma, eu sou amigo, não vou fazer nada. — eu tentei acalmá-la. Cortei as cordas dela e tirei a fita da boca dela. Ela passou a mão no pulso direito e me observou.

– Obrigada. Me chamo Júlia... Quem é você mesmo?

– Everthon... Hã... Você está bem? — perguntei.

– Sim, agora. Obrigada mesmo, estou aqui há umas horas e não conseguia escapar. — ela disse enquanto olhava ao redor.

Ela era muito bonita, ela deu um sorriso e percebi que o sorriso dela era muito bonito também. Meu coração acelerou e eu não conseguia tirar os olhos dela.

– Hã... Você está bem? Enfim... Você precisa dar um jeito de abrir aquela porta. — ela apontou para uma porta cinza atrás de mim. — Meu namorado está lá.

– O que? É... Tudo bem, eu acho. — respondi nervoso.

Andei até a porta e a chutei com a maior força possível. A porta se abriu e vi que um cara estava amarrado na pia do banheiro. Soltei ele e ele passou correndo por mim e abraçou Júlia. Ele era alto, cabelo super escuro, super branquelo, e usava uma regata branca, jeans e tênis marrom.

– Quem é ele? — perguntou o cara.

– Aaron, esse é o... Enfim, esqueci o nome dele. Ele nos salvou. — Júlia disse aliviada.

– Everthon, prazer.

O cara correu e me ergueu.

– Valeu cara, estávamos nervosos.

– Ei.. me coloque no chão. — eu disse enquanto era apertado.

– Ah, desculpe. — ele me largou e foi até Júlia.

– Amor, cadê a Luísa? E a Bia?

– Não sei, eles nos colocaram em lugares separados.

– Precisamos sair daqui, se quiserem uma chance lá fora. — interrompi.

Sai da sala e me abaixei no final do corredor. Havia uma passarela que passava por cima de uma sala, haviam dois soldados em frente a uma lareira e um cara, que usava colete e tinha o cabelo roxo, que estava sentado numa poltrona. Olhei para trás e disse para os dois se abaixarem, fomos caminhando devagar na passarela a medida em que dois guardas entravam na sala. Eles traziam uma garota loira com os olhos vendados.

– Luísa! — sussurrou Júlia.

Aaron tampou a boca dela e pediu para que prosseguisse. Continuamos lentamente em direção ao corredor no outro lado.

– Hora, hora. Temos visitas. — o cara na poltrona, que agora estava tomando vinho, disse com uma voz calma e doce. — Qual o seu nome, querida?

– Não te interessa, monstro! — ela gritou enquanto era colocada de joelho no chão.

Ele riu.

– Acho que não começamos bem, se me entende. — o cara se pôs em pé. — Vamos, novamente. Quem é você e o que estava fazendo aqui nos arredores?

– Eu já disse! Estávamos de passagem e os seus capangas nos pegaram.

– Sei, bem interessante. E se eu disser.. Que não acredito? — o cara soltou um sorriso irônico.

Chegamos até o final da passarela e observamos a conversa. O cara ficou de costas para a garota e puxou algo do bolso: um revolver. Ele virou no mesmo instante e deu dois tiros na garota que morreu. O cara soprou a arma e a guardou de volta enquanto sentava na poltrona e bebia o vinho. Júlia se levantou imediatamente e, quando pensou em correr, Aaron colocou a mão na boca dela e a puxou pelo corredor. Observei o cara por uns segundos: ele tinha que morrer. Segui Aaron até um quarto no final do corredor, haviam duas beliches e uma escrivaninha na janela. Resolvi fechar a porta e observei Júlia, que agora estava chorando muito na beliche.

– Sinto muito amor. Vem cá. — ele a abraçou.

Eu resolvi dizer algumas palavras para ajudá-la.

– É... Sinto muito pela sua....

– Não, você não sente. — ela me interrompeu. — Não sabe o quanto ela significava para mim. Você nem a conhecia para poder, "sentir muito". — Júlia fez aspas com os dedos.

– Desculpa. — pedi.

– Que seja. — ela continuou a chorar.

– Aaron... Leve-a até a saída, com cuidado por favor. Eu vou atrás dos meus amigos, ok?

– Tudo bem. — ele disse.

Abri a porta e sai da sala no momento em que ouvi um "ei". Olhei para dentro da sala.

– Obrigado, obrigado mesmo. — disse Aaron.

Sorri e sai da sala. Desci as escadas devagar e observei o lugar: uma sala com sofás e caixas abertas por todo o piso.

– Ei, aqui.

Um voz me chamou no fundo da sala. Era Giovanna que estava escondida atrás de um sofá. Corri até ela.

– Você está bem? — perguntei.

– Sim, consegui pegar nossas armas lá na cozinha. — ela me deu uma mala com minhas armas dela. Ela sacou o arco e me mostrou. — Precisamos sair daqui!

– Cadê Jimmy? Canni?- perguntei.

Ouvimos tiros vindos do final de um corredor, atrás da escada, e logo Jimmy e Canni apareceram.

– Canni! — puxei a 12 dele e joguei para ele. — Pega!

– Belezinha! — ele recarregou.

Giovanna correu até Jimmy e o beijou.

– Precisamos sair daqui! — ela sussurrou.

Canni chutou uma porta de metal duas vezes e ela se abriu. Corremos para fora do prédio e olhamos ao redor: era um pequeno estacionamento de terra. Havia um carro estacionado numa ladeira que levava à uma estrada na floresta. Aaron correu para o carro, ligou o carro e Júlia entrou ao seu lado. Giovanna entrou na parte de trás do carro.

– Vem! — ela gritou. — Vem logo!

Jimmy e eu corremos até o carro. Olhei para trás.

– Canni vem logo! — gritei desesperado. — Temos que fugir!

– Só um instante. — ele sacou a doze e atirou em dois tonéis que explodiram uma parte do prédio. Ele virou em nossa direção e começou a correr, mas perdeu o equilíbrio e caiu. Ele havia sido baleado na perna por alguém. Ouvimos risadas no fogo. O homem de cabelo roxo apareceu com uma escopeta e continou rindo por uns segundos.

– Tolos, não pensavam que iriam sair daqui sem se despedir, não?

Dois homens apareceram e levaram Canni de volta ao prédio.

– Tenho duas opções. — o homem de cabelo roxo recarregou a arma. — Ou vocês morrem aqui agora, ou eu conto até cinco e começo a atirar em vocês. Cinco segundos para vocês fugirem, que tal? To sendo bondoso. Mas corram, pois eu irei atirar sem piedade.

Caminhei na direção do homem, porém, Jimmy me puxou pelo braço.

– ME SOLTA, EU VOU MATAR ESSE DESGRAÇADO! — gritei.

– Precisamos ir, agora! — Jimmy me jogou dentro do carro enquanto o homem começava a contar.

– NÃO, NÃO PODEMOS DEIXÁ-LO! ELE VAI SER MORTO! — gritei enquanto tentava sair do carro.

– Voltaremos para buscá-lo. Prometo. — Jimmy tentava me acalmar.

– NÃO! CANNI! NÃO! — gritei enquanto Aaron dirigia.

Os tiros começaram a acertar a lataria do carro.

– Se abaixem! — gritou Aaron.

Permanecemos abaixados por cerca de cinquenta segundos até os tiros pararem. Estávamos numa estrada estreita dentro da floresta agora. A placa dizia "BROO...SEM-ESPERANÇA" a placa havia sido pichada, e não consegui ler tudo.

– Eu vou voltar. Vou matar esses desgraçados tudo! — gritei.

– Aaron, aonde vamos? — perguntou Júlia a frente.

– Não sei, que tal Brooksville? É uma boa, foi pouco explorada e deve haver coisas para fazermos um acampamento temporário em algum lugar. — Aaron disse.

Eu estava com uma raiva gigantesca naquele momento. Queria voltar e matar um por um naquele lugar, principalmente o do cabelo roxo. Eu queria DESAPARECER!