Diário de Sobrevivência
22 Diário 1 - Canni
Notas iniciais
Voltamos um pouco num passado não tão distante :)
A sala estava bem escura agora. A chuva cai fortemente junto à raios lá fora agora, e estava mais frio agora. Eu estava amarrado em uma cadeira, pés, mãos e boca com uma fita. O cara do cabelo roxo estava lá embaixo agora, havia um de seus caras vigiando a porta, percebi pela sombra embaixo da porta. Comecei a fazer força com o pulso direito para me soltar, mas eles haviam me amarrado fortemente, sem contar que a minha cabeça latejava agora. Parei de tentar quando ouvi gritos vindos do andar inferior, ouvi uns oito tiros e passos subindo a escada em minha direção. Ouvi mais dois tiros e o guarda na porta gritar "Desista!", ouvi um som abafado e a maçaneta da porta começou a girar devagar.
– Canni! — sussurrou Everthon.Ele veio até mim e tirou a mordaça da minha boca.– Me ajuda a cortar essas drogas de corda. — sussurrei.Ele riu. Sacou uma faca pequena e cortou corda por corda, passei a mão no pulso direito.– Vamos sair daqui, agora! — ele chamou enquanto observava o corredor. — Vem!Saímos juntos pelo corredor em direção à passarela do galpão.– Pega! — ele jogou um revólver com silenciador para mim. – Vou checar o outro lado, me espere no saguão. — sussurrei. Atravessei a passarela e entrei em um quarto no final do corredor: nada. Entrei no segundo quarto: vazio. A sala no andar inferior estava vazia, tudo continuava igual. Voltei agachado até o começo da passarela que cortava o saguão, ouvi algumas vozes lá embaixo. – Pensou que poderia fugir mesmo? — o cara de cabelo azul apontava uma doze para Everthon.– Eu... Eu só ia. — Everthon tentou se defender.– Cale a porra DA BOCA! — o cara gritou. — Seus amiguinhos fugiram, e presumo que você tenha vindo atrás do outro?– Sim. — Everthon respondeu com firmeza. — Vim buscá-lo, e acabar contigo. Acha mesmo que iria nos prender aqui? Nós podemos te matar com apenas alguns socos. – Quem sabe né? Pena que você não irá sobreviver para contar essa história. — o cara riu e apontou a arma para Everthon.Fui até a metade da passarela e mirei no lustre no teto.– NEM VOCÊ, FILHO DA PUTA! — gritei o mais alto que pude e dei dois tiros na corda do lustre.O homem olhou para mim e depois para o teto, sem entender o que estava acontecendo. O lustre se desprendeu do teto e caiu em cima do cara que foi esmagado. Everthon se assustou e observou o cara por alguns segundos, então, pegou a doze dele. Desci até ele e observei o cara por alguns segundos. – Vamos sair daqui. — Corri até a porta dupla que havia no saguão e a chutei. ***Chegamos até a parte da frente do galpão que estava vazia, parei em frente a uma boma de gás e observei ao meu redor: ninguém mais estava ali. E os caras que me prenderam, onde estão?– Canni! — chamou Everthon próximo a um carro estacionado ao lado do galpão. — Entra!– Boa cara. — corri até ele e entrei no banco de passageiro. – Droga, a gasolina não vai durar muito. — Everthon observou.– Não há problema, não pretendo ir muito longe. — respondi. – Aonde vamos?– Vá para o trem, observei o mapa enquanto estava preso. Siga à leste nesta estrada. — respondi.Everthon dirigiu em direção a oeste, precisávamos chegar ao trem.– Cara, eu vi uma transmissão pirata na televisão. Uma mulher disse que há um acampamento gigantesco a oeste, próximo ao Paraná. Temos que chegar lá, a rota do trem passa muito perto de lá, andaremos apenas um pequeno trecho. – É seguro? — perguntou Everthon.– Pelo o que ela disse, sim. Vamos tentar chegar lá em dois dias no máximo, não quero nos arriscar mais aqui fora. — respondi. — É uma espécie de cidade com sobreviventes ou coisa do tipo, tem muros e mantimentos. Em troca, eles querem apenas que nós trabalhemos, o que eu acho justo. – Cara, vamos para lá. — Everthon sorriu.Chegamos ao trem, ainda estava no mesmo lugar e o carro de antes, não estava mais ali.– Vamos! — Everthon correu até a cabine.Cheguei até a cabine e Everthon já havia colocado o trem em movimento.– Boa garoto. — eu disse. — Cadê os outros?Ele entristeceu.– É... Se foram, acharam que não era seguro voltar aqui. Enfim, que morram. — Everthon disse.Observei o chão por alguns segundos e sentei ao lado dele.– Apenas dirija até o KM 56, lá nós descemos. — fechei os olhos e tentei dormir.– Pode deixar! — Everthon respondeu.Eles fizeram isso mesmo? Me abandonaram após eu ter salvado as vidas dele lá atrás? Foi assim com os outros também, me deixaram lá em Bertioga para morrer. Todos fizeram isso, mas é normal, eu já havia me acostumado.
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