Notas iniciais
Serei sincera com vcs, eu havia abandonado a fic e já estava pensando em deletá-lá quando vi o comentário de Jajabarnes eu fiquei extremamente feliz e me entusiasmei a continuar, então, vou dedicar esse capítulo a ela, que me fez continuar. Obrigada Jajabarnes.

África, o continente esquecido. Todos sabem que existe, mas está tão longe do nosso imaginário que esquecemos que, apesar de tão longe, faz parte do mundo, nosso mundo, e se uma parte de um todo está doente todo ele está, mesmo que às vezes não percebamos.

Quantas pessoas será que sabem quantos países existem na África. Quais deles são independentes hoje e quais já eram antes da segunda guerra. Quais passam fome, ou melhor escrito, quais passam necessidades.

Não estou julgando,eu também não sei a resposta. Não estou dizendo que ninguém se comove com a situação africana, eu sei que se comovem, mas não transformam tudo isso em ação. Eu pelo menos estou tentando.

Bem... não vou mentir, eu não sei o que se passa comigo fico tentando me convencer de que “Eu pelo menos estou tentando”, mas desde que eu embarquei me sinto estranha.Vi todas essas pessoas tão empenhadas, tão envolvidas com a missão eu percebi que eu não estou aqui pelas razões que achava, eu estou aqui por mim. Acho que eu estava pensando que me afastar de casa me faria esquecer, faria essa dor menos dolorosa, eu não sei.

Agora eu estou aqui parada no porto de Lisboa esperando abastecerem o navio de suprimentos para seguirmos viagem pelo mediterrâneo me sentindo completamente sozinha e deslocada. Todos aqui têm uma causa, eu tenho apenas dor, mas eu pelo menos estou tentando. Tentando o que? Essa é a grande questão e, querendo ou não, tenho um pressentimento que essa viagem vai me responder.

Uma mulher de mais ou menos 50 anos apoiou-se na grade externa do navio ao meu lado. Estava tão reclusa em meu mundo de dor que apenas notei sua presença quando ela começou a falar comigo.

-Você sabe quando é a previsão de chegada ao canal de Suez?

-Não, senhora – respondi mecanicamente em meio ao susto.

-Eu falei com o capitão e ele não soube me dizer com exatidão, disse que poderíamos pegar um tempo maravilhoso e chegar em apenas uma semana, mais ou menos, ou que poderíamos pegar uma condição não tão favorável, mas é primavera e ele disse que possivelmente estaremos lá 10 de abril. Sabe de uma coisa, garota? Esso é a única coisa que não mudou desde a minha primeira viagem: a incapacidade do homem de domar as forças da natureza, e acredito que será assim até o fim dos tempos.

Assenti com a cabeça dando sinal que ouvi, ela olhou para o horizonte e suspirou.

-Não é irônico? – ela olhou para mim e vendo que não entendia explicou – passar pelo canal exatamente no dia 10?

-Senhora, desculpe-me minha ignorância, mas não entendo o porquê da ironia nessa data.

-Não diga assim de você mesma, garota. Nem todos têm, modéstia à parte, a memória que eu tenho, em especial para datas. É irônico que passaremos nós, os ingleses, justamente no aniversário de um ano da reabertura do canal que perdemos no ano anterior para o Egito.

-Realmente irônico, senhora – estava começando a gostar dela.

-Pode me chamar de Catherine.

-Claro. Prazer em conhecê-la, meu nome é Elisabeth – fazendo uma ligeira reverencia como de costume.

- O prazer é todo meu – retribuindo a reverencia – É bom ter jovens como a senhorita na missão, mas lembre-se que devaneios, como esse seu agora, são gostosos e, às vezes, inevitáveis, mas, qualquer que seja que te prenda a Inglaterra esqueça, pelo menos, por lá. Aquelas pessoas precisarão de você mais do que imagina e você precisará de todo o seu foco em ajudá-las.

Apertou minha mão e saiu me deixando pensativa. Não, eu não ia esquecer jamais meu Eddie, vou ajudar essas pessoas, mas não preciso deixá-lo para trás para isso.

Retornei ao meu quarto e retirei a caixa, que consegui trocar para minha bagagem de mão antes de embarcar, e de lá de dentro retirei o diário. Na primeira página antes de tudo havia um envelope escrito “Para Lizie” na caligrafia fina e cuidadosa de Edmundo. Meu coração parou, abri cuidadosamente a carta sentindo o máximo possível onde ele tocou, suspirei, meu último resquício de Edmundo. Puxei delicadamente a carta para fora do envelope tentando danificá-la o menos possível, quando fiz isso uma avalanche de memória percorreu a minha cabeça me fazendo soltar a carta.

Ela caiu no chão e eu tremi, eu me abaixei para pegar a carta, mas quando fiz isso senti uma dor no meu estomago, fome, eu não havia percebido, mas não comia há horas. Tentei voltar para cadeira e procurar algo para comer na caixa, mas já era tarde, das extremidades para o centro, minha visão ficou escura e eu caí desmaiada no chão.

Notas finais
Espero que gostem!!! Deixem Reviews, nem precisa dizer nada significante, só um simples "Lido" para eu saber!!