Diário Proibido

9 O mundo enlouqueceu?


Notas iniciais
Hoje vocês terão a oportunidade de conhecer um pouquinho mai a mente de nossa ruivinha!

Narrador

Erik acordou no outro dia, com o chamado de madame Giry.Elise continuou a dormir.Ele então se deu conta de que já era dia seguinte e que tinha de arrumar uma forma de levar a moça de volta.Ele saiu da cama e se vestiu apressado-se, Antoniette não apresentou nenhuma suspeita, lhe entregou o chá –carinhosa e gentil como sempre– depois se retirou.

Erik se apressou em acordar Elise, dando-lhe para vestir sua camisola, rosa, a qual ela deixara na primeira noite.

–Acorde pequena!Devemos retornar a superfície ou darão por tua falta!

Ela se espreguiçou igual a uma gatinha, cheia de manha, fazendo o Fantasma sorri.

Erik olhava espantado consigo mesmo,as marcas que deixara no corpo da , que parecia nem se importar.Ela vestiu-se com a fina camisola cor de rosa e ele a alertou:

–Pequena,terá que usar sua malha de inverno durante os ensaios para esconder as marcas que lhe fiz ontem!

–Sim meu Fantasma,eu usarei!

Erik retournou a superfície com a moça em seus braços e ninguém havia acordado ainda.Ele a deixou em seu quarto, despedindo-se com um demorado beijo.Na verdade eles não queriam se soltar, mas não tinha outra forma e assim a bela voltaria a sua vida normal enquanto o Fantasma voltaria para as sombras.

Elise entrara sorrateira em seu quarto as meninas ainda dormiam, a garota tomara um banho demorado, seu corpo estava tenso e dolorido, mas sua alma estava relaxada e alegre.Hoje teria aulas de ballet, ela não gostava muito, não se achava boa, era desastrada demais para ser graciosa como as demais. Tentando cobrir as marcas, disfarçou o que pode com maquiagem, de uma forma a parecer leve e natural, para não levantar suspeitas, mas não pode fugir de um colam de longas mangas, estava calor demais e esse com certeza seria difícil explicar, mas nada que uma gripe e o corpo febril não resolvesse. Estava a amarrar as sapatilhas, quando as demais acordaram e a paz em seu quarto deu lugar a um reboliço de maritacas.A menina se retirou para o café, hoje estava tão disposta, que nem as chacotas –caso errasse algum passo– a magoariam.

Meia hora depois estavam no estúdio e com a mesma monotonia de sempre, seguiu a aula até o almoço.

Erik

Ao vê-la acordar tão manhosa, não pude deixar de sorrir e ate me surpreender com as marcas em sua pele, ela estava repleta de hematomas roxos e as mordidas em seus seios, levemente inchadas e avermelhadas ,tive certo receio que Antoniette a visse ali, quando a ouvi me chamando, mas ela apenas deixou-me o chá e partiu. Levei Elise para seu quarto, despedindo-me com um beijo e voltando a casa do lago eu ainda tinha algumas novas composições a terminar mas eu não conseguia concentrar-me em nenhuma canção alem da de nossos corpos unidos e o som que fizemos ao órgão, quando ali nos beijamos, era essa a unica musica a tocar em minha alma agora, e não poderia ignora-la e nem sabia como me sentei novamente ao órgão colocando em notas e sons tudo aquilo que ouvia no coração criando em questão de poucas horas uma sinfonia perfeita, as lembranças de nossa noite ainda eram tão vivas , meu corpo ainda estava em chamas, e nossos atos em uma musica, em nada me acalmavam . Não ousei me aproximar de seu diário pecaminoso,ou não conteria meu desejo insano de buscá-la em sua aula, naquele momento e arrastá-la para minha cama novamente, satisfazendo minhas vontades mais primitivas.

Meg

Minha mãe me pedira pra me aproximar de uma aluna, era estranho eu nunca o havia feito mas opte por não desobedecê-la, avistei a moça na cozinha, estava só em uma parte mas afastada, com seu olhar distante,e alguns cadernos sobre a mesa próximos ao seu prato, mas o que mais me chamou a atenção era o fato de usar sua malha de inverno no calor que se fazia. Aproximei-me cumprimentado-a:

–Ola posso me sentar?– Disse de forma serena, quando não fui ouvida, aumentem apenas um pouco a voz

–posso me sentar

A menina ,em um susto respondeu-me:

– claro fique a vontade!

–Meu nome é Meg!Meg Giry!

–A primeira bailarina?

Ela sorriu quando fez a pergunta.

–Sim eu mesma!

–Milagre as demais terem a deixado em paz!Notei que são muito bajuladoras!

Sincera já notei que a moça era!De fato ela tinha toda razão, por ser primeira bailarina as demais pensam que devem me bajular e que se tornarem minhas amigas aumentam o status na ópera, eu realmente odeio isto. Se devo ser amiga dela, pelo menos o fato de não ser bajulada já começou a agradar-me.

–E você como se chama?

Eu perguntei-lhe já que aparentava estar distraída.

–Sou Elise! Elise Handrassie!

–Handrassie!Sua família tem um brasão poderoso Elise!

–Exato mas está falida e minha mãe esta louca para usar-me como moeda de troca!Por favor Meg mantenha meu sobrenome em segredo,não quero bajulações sobre mim,eu gosto de privacidade para escrever em meus cadernos!

Verdade, ela sempre esta a escrever, se a mãe quer casar-lhe para recuperar a fortuna da família,isto não iria tardar pois mesmo que Elise se esconda pelos cantos, ela é muito bela e chama atenção.Ela ainda é caloura mas em breve alcançará lugares de destaque ao palco e os pretendentes farão fila!Pobre moça!Ainda bem que minha mãe não faz isto comigo e ainda bem que minha família não tem brasão poderoso!

–Elise,porque está com sua malha de inverno?

–Estou resfriada,me sentindo muito mal e com muito frio!

Claro então é por isto!Notei que ela tinha em mãos dois cadernos ao que me parece que foram escritos por ela então perguntei-lhe:

–Eu poderia ler o que tanto a senhorita escreve

o dia todo?

–Um eu posso deixar que leia,mas já lhe adivirto que não são poemas tolos e sim uma história bem realista, tem trechos muito pesados, realidade da vida de crianças camponesas , não sei se você esta pronta para isto Meg!Mas se queres mesmo podes levar!Os outros infelizmente eu não posso deixar pois são muito íntimos!

Agradeci pegando o caderno, curiosa, meus ensaios estavam prestes a começar então me despedi de Elise e segui para o estúdio.

Estava ardendo de curiosidade e quando tive tempo comecei a ler o caderno de Elise o titulo era “pecados induzidos” contava a história de uma menina de doze anos, de família muito pobre,a menina desde cedo já sabia trabalhar no campo na colheita de algodão.A vida seguia mesmo com dificuldades a menina era feliz porem os impostos começaram a aumentar e o pai da menina sem dinheiro para paga-los foi cruelmente assassinado e a esposa violentada e morta na frente dos filhos ,o irmão virou escravo no castelo real e a menina sofreu vários abusos e foi jogada no bordel da cidade exposta a todo crueldade masculina e o julgo da sociedade que nada sabe sobre sua história.

Meu Deus como Elise pode escrever algo assim?Ela humanizou uma meretriz, de tal forma que eu nunca mais as olharei com nojo!

A história me emocionou muito e mesmo nos momentos de tortura eu não pude deixar de ler,pena que mulheres não podem escrever livros pois Elise seria ótima escritora!Preciso me encontrar com ela e conversar sobre isto!No final ela colocou uma frase como moral da historia:

“A maior limitação dos seres humanos é a ignorância,pois quem ignora julga e quem julga perde a chance de conhecer a verdade.Não viva na ignorância , abra sua mente!

Elise”

Elise

Eu estava preparada para o dia em que alguém me pediria para ler o que escrevo e este dia chegou, tenho certeza que neste momento Meg esta horrorizada por a heroína da trama ser uma meretrz tenho certeza que ela nunca mais falará comigo pois que seja!

Fui para biblioteca cheia de pensamentos em minha mente.Preciso encontrar Pierry e saber a quantas andam o clube de arco e flecha!Fui surpreendida pelo proprietário da ópera,que me cumprimentou!Como assim?Que dia estranho!Ontem perdi minha virgindade com o Fantasma da Opera, hoje a primeira bailarina veio almoçar comigo, agora o Sr Firmim para no corredor e me cumprimenta, o mundo enlouqueceu?

Não pude deixar de notar que ele tinha em sua mão o jornal de hoje, olhei curiosa e ele perguntou-me:

–Se interessa pelos artigos senhorita?

–Sim senhor!Sempre os acompanho, são de fato muito informativos,não gosto de viver alienada!

–Se não lhe incomodar podemos dividir a leitura!

Não vi problema algum,o senhor Firmim me parece uma boa pessoa.

Nos sentamos a biblioteca, vazia, e começamos a leitura,hora ou outra comentando sobre os acontecimentos até que chegamos ao texto do famoso Liberté que tem deixado o povo atordoado e o governo e o clero enfurecido.Sr Firmim fez questão de ler o texto em voz alta com ares de deboche:

O povo passa fome, enquanto nobres como o rei Luiz em sua corte nada sofre ,esse deveria ser um governo justo para todos, em que suas crianças rechonchudas tem em melhor que nossos filhos que definham a cada dia ? Somos obrigados aos mais extremos atos , roubamos pão para cessar o choro em nossas casas , e ainda somos punidos como se os atos mais sórdidos, não fossem dos engomados nobres e da igreja, que nos vende lugares ao céu, por caros dízimos, a fé se tornou um comercio, em que Deus para nos que não temos um nome, não existe . O povo tem que ter voz e calar as mentiras que nos contam, para que os tolos se sintam seguros , acreditem que tudo esta na mais perfeita paz . Nossa voz é calada a duras penas, nosso sangue e derramado,mas nosso ideal jamais morrerá!, podem perseguir-me mas não me calarei , não saberei jamais me sentar com um sorriso nos lábios e esperar que a morte chegue .Falo pelo povo e para ele e nenhuma repressão egoísta e covarde ira me calar, que me dilacerem.o corpo , me cortem a língua, mas minha alma e livre, e sei que o que digo será levado a diante que a liberdade igualdade que tanto busco vira. Me prenda se quiseram mas a revolução que tanto buscamos e que tanto nos negam vira e minha morte nada será que mais um motivo para que isso não acabe ate que o povo finalmente seja ouvido e tratado como seres humanos com o respeito que nos é devido.

Liberté

Notas finais
Pois é muitas coisas estranhas acontecendo ao mesmo tempo na vida da ruiva.O que vocês acham sobre tudo isto? Comentem por favor queremos saber como vocês estão vendo nossa fic!