Diário De Uma Soldier

2 Estamos incomodando os Vizinhos


Notas iniciais
É só mais um ensaio como todos os outros, eventualmente, na casa de um outro amigo meu, o Marcio, que chamou o pessoal pra tocar. A gente só não esperava quem estaríamos perturbando.

–Cadê a guitarra?
–Porra Jho, de novo? — Gabriela estava nervosa.
–Olha lá, se acalma aí, meu bem... — Tentei apaziguar.
–Desculpa gente, eu tô nervoso. — Jho se justificou.
–Essa merda nem vai render nada, não sei pra quê estamos indo, ninguém aparece lá pra pagar banda, é caridade agora? Tipo, Garbage Esperanza...
–Nossa, Gabi... Pára de ser tão pessimista. — Interveio, Brenda.
–Além do mais, temos que ter alguma esperança sim... Marcio é popular, conhece bastante gente e, acho que podemos arranjar uns trocados, nem que seja pra comprar palhetas novas pra mim e pro Jho... — E ri.
–Adorei a idéia... — consentiu ele, ainda procurando a bag.
–Noooossa, que engraçado vocês.
–Gabriela, relaxa, isso vai ser só por diversão, não entendo o seu nervosismo. Jho! Acha logo essa guitarra, cara! — Brenda o apressou.
–Tá aqui! Já achei! — Disse ele, saindo de trás do sofá com a bag na mão.
–Vamos logo, não vai dar tempo de passar o som... — Eu disse.
–Vai dar sim, quem aquele cara pensa que é?
–Chega Gabi.
E ela fez um beicinho, virando a cara contra mim.

Pegamos nossas coisas, poucas, mas com muito cuidado e carinho, pois não tinhamos dinheiro pra comprar outras se acaso quebrassem. Meu baixo era de um tio que morreu, é todo arranhado, e era laranja. Eu o pintei com o resto da lata de tinta da reforma de casa. Meu microfone é usado... Comprei ajuntando uns trocados que meu pai me dava. A bateria era do meu pai, ficou pra Gabi, sem problemas. Jho e sua mãe já haviam trabalhado numa loja de góticos na California. O dono da loja gostava da mãe dele e fazia agrados á ela e á ele também. Ganhou a guitarra com oito anos, com nove, já era um mini Hendrix. Brenda usou a penção alimentícia que seu pai pagara, sua mãe quase á matou á vassouradas quando ela apareceu com o teclado em casa. Resumindo, somos todos pobres e fudidos, me perdoe a palavra.

Jho tinha um carro. Muito velho, velho mesmo, mas era bonito. Ele era relapso consigo próprio mas, o carro era impecável, na medida do possível... Pra um conversível, cabía-mos todos e mais os instrumentos. O atrativo era o toca fitas... Gabi deu de presente pra ele, em 92, dezenas de fitas perdidas aqui em casa, quer dizer, umas ela pegou escondido mesmo e deu... De AC/DC á Led Zeppelin. Acho que foi o melhor presente da vida dele. A besta, minha irmã, ficou esfregando na cara de todo mundo que daquele momento em diante, eles jamais iam se separar e ia ser mais que amigos. O que aconteceu realmente foi que, no aniversário, ele ficou com uma menininha da rua de baixo, resultado: Gabriela esmurrou a menina, mesmo com 10 anos, fez estrago bravo na outra de 12. O Jho nunca se tocou que ela gostava (ainda gosta) dele e ela se tornou essa adolescente revoltada. Oito anos se passaram e ela não desistiu, inferniza ele como ninguém, mas, é assim...

Entramos todos no carro ao som de She's Got The Jack, AC/DC. Marcio não morava tão longe, mas o caminho de carro era complicado, pois morávamos na parte mais pobre de Hidden Hills, 9 km de Agoura Hills, conhecidencialmente, cidade dos nossos queridos Chester, Mike, Hahn, Delson, Phoenix e Bourdon. Lembro que eu e Jho vimos sozinhos, pela primeira vez, Linkin Park na formação de Xero, em uns dos showzinhos de garagem em Agoura. Gabriela veio conosco, contra a vontade e muito menos sem consentimento de nossos pais, ela estava de castigo... Ela sempre pareceu a irmã mais nova, no meu lugar. Quando ela viu o baterista, de regata branca, magricela de bracinhos definidos, morreu. Eu fiquei apaixonada pelo o que o Jho disse ser o mais feio de todos os feios ali. Chester é perfeito... Tem tatuagens, piercings, branquinho, esse cabelo doido que ele muda de cor á cada apresentação... E não é feio u_u Ele tem um jeitinho quieto depois que sai dos palcos improvisados... Meio misterioso. Uma pena que já é casado. Tão novo! Enfim.

-Aquele monte de gente ali? Será que vão ver a gente tocar? — Brenda perguntou, vendo uma movimentação numa rua pequena da cidade.
-Eles devem estar só brigando, ou fumando, ou bebendo.
-Gabriela se supera no sarcasmo hein?
-Cala a boca, Jho. — Disse ela mais arrogante do que de costume, fazendo-o calar o meu amigo.
-Não começa vocês... Vamos, Marcio deve estar nos esperando, ou devemos estar atrasados... — Me ajuda com as coisas, Jho... — Disse eu enquanto abria a porta do carro. Jho desceu atrás de mim e Gabriela se afundou no banco do carro. Brenda a olhou repreendendo-a e saiu do carro também.
-Lorena! — Marcio me saudava de longe, também ascenando aos demais.
-Não precisa me chamar pelo nome... É Lorie, já disse.
-Ok... Lorie... — Dando um risinho meio sem graça. -Fico feliz que vocês aceitaram vir para Agoura...
-Impossível recursarmos, pra tocar na cidade do Linkin, divulgarmos a Sweet Smoke e ainda é um pedido de um amigo querido... Eu estava com saudade de vir aqui... — E sorri.
-Fico mais feliz ainda! Também estava com saudade... — Marcio pegou o bag de Jho e deu um agarrão em seu ombro -E você cara! Como tá?
-Tô bem! E você bem forte KKKK — Jho disse por tê-lo deixado um pouco troncho com a sacudida de Marcio.
-Venham, rápido, acho que o pessoal que tá na rua deve ter ouvido falar de vocês.
E todos nós consentimos. Após levar tudo pra garagem do Marcio, arrumei algumas coisas e apresentei minha irmã e minha amiga á Marcio.
-Essa é Gabriela... Minha irmã mais velha.
-Jura? Desculpa o comentário, mas nem parece... — E sorriu timidamente, de novo.
-Eu sou meio retardada mesmo, não liga. — E sorriu, muito forçada, mas sem sarcasmo.
-É só um ano e alguma coisa, não se anime. — Consenti.
-Ok... Criança. — E gargalhou, dando as costas de encontro ao estojo de baquetas que estava no chão.
-E essa é Brenda... É a nossa tecladista e backing.
-Prazer, Marcio! Obrigada pela garagem emprestada...
-É o mínimo que eu pudia fazer. Eu já disse isso á Lorie mas, eu quero ser um produtor, já que eu não tenho voz pra nada e muito menos, talento pra escrever igual vocês.
-Imagina... Quem arregassa mesmo na composição é a Lorie.
-Cala a boca, Brenda, suas letras também são ótimas.
-Mas a Gabi escreve melhor também...
-Isso é verdade... — Escutamos um grito, lá do fundo da garagem.
-Não ligue pra ela, ela é maluca... — Disse á Marcio.
-Sem problemas... A garagem é de vocês agora. Vão passar o som?
-Bem... Jho?! Já armou aí os microfones?
-Sim, só estou ligando os cabos da guitarra e do seu baixo.
-Ok... Brenda, vai ligar o teu microfone no teclado também...
-Beleza...
-GABRIEEEEELA?! — Marcio té deu um pulo ao meu lado quando a gritei.
-Que é, caralho?!
-Caralho uma porra! Fala direito comigo, vem logo, vamos passar o som.
-HAUSHAUSHA Falando como se fosse mais velha...
-Crianças... — Comentei baixinho com Marcio, e ele riu. Pedi desculpa pelo grito e pedi licença. Ele encostou na porta da garagem, como se observasse o movimento e se concentrou na nossa presença.
-Vamos passar... "Who I Am", "I Wanna", "My Dutty Mind", "Fallen Stars", "Die Alone" e "Another Dream", Ok?!
-Ok! — Todos consentindo.
-Intro, 1ª parte e se tiver, ponte, mais o refrão. De todas, depois é pra valer...
E consentiram em silêncio. Olhei para Gabriela e ela piscou. Bateu as baquetas e iniciou o prato. Jho fez a guitarra gritar e Brenda cobria o fundo. Fiz meus 'beats' no baixo e contei os 5 tempos da introdução, comecei a cantar e percebi Marcio me olhando, mexendo nas chaves.

Eu e Gabriela eramos as principais compositoras da banda. Jho não tinha cabeça, segundo ele mesmo, pra compor. Brenda se mostrou timidamente com quatro canções, ao longo do que fomos convencendo-a de mostrar seu trabalho. Optamos por tocar algumas mesclas, pois Gabriela era mais apegada ao metal sinfônico, e eu, já no rock clássico. A única coisa que nos unia era o "alternativismo" da coisa. O que deu muito certo, modéstia a parte.

As pessoas começaram a se aproximar, olhando de longe, e o Marcio convidando-as para entrar. Nisso, a garagem foi enchendo, Gabriela saiu da bateria, surgindo com um esparadrapo e um papel, que colou na minha bag do baixo, abrindo-a e pregando o papel com um cifrão.
-Filha da puta... — E ri baixinho comigo mesma.
Ela voltou pro seu lugar. Eu virei e olhei como se dissesse, "vou apresentar vocês".
-E aí pessoal! Somos a Sweet Smooke... Gabriela, baterista. — E apontei pro fundo. -Jho na guitarra e backins... — Apontei pro lado direito... -Brenda no teclado e backins... — Olhei e pisquei pra ela — E eu, Lorena, baixo e vocal. Vamos fazer um pouco de barulho... — Me impressionei com a agitação do pessoal, pareciam até que haviam gostado da apresentação de cada um.
-Queremos contar a história de uma garota perdida, como deve haver muitas, não só aqui, mas em qualquer lugar... Die Alone. — E Jho já me acompanhou discretamente no nosso estilo gótico tirado da manga.
As pessoas se mostravam interessadas, a garagem estava cheia ao final da música e, confesso que me senti muito feliz com os gritos e palmas calorosas, ainda que fossem, um pouquinho fracas.
-Marcio, me desculpe mas, a gente vai quebrar a sua garagem agora... I Wanna! — Apresentei a segunda música, e Jho, matava mais uma vez a guitarra, extraindo o seu melhor, essa que soava como "Born To Be Wild" e que fez juz á menção acidental. Eles piraram, mas piraram tanto que, resolvi imendar e fazer um medley com "Another Dream", também mais clássico, porém mais estridente, quase metal. Eis que nos vimos diante a uma platéia louca que pedia por mais.
-Aí, pra acabar, vamos homenagear a banda mais foda da atualidade, que eu acredito que veio ao mundo pra ficar e marcar a história do rock... LINKIN PA... — E uma cirene me assustou, até que eu parei de falar.
Todos olharam para o lado de fora... A polícia estava lá, só observando a "bagunça".
-Que merda é essa? — Gabriela foi a primeira a hesitar.
-Fica na sua... Droga... Não acredito que isso vai ser roubada. — Fiquei minuciosamente observando.
Marcio foi até o carro falar com um dos policiais.
-Qual o problema?
-Vocês fazem um barulho infernal desses e ainda me pergunta qual é o problema? Você que deve ter problemas, garoto.
-Olha só... Com todo respeito, a gente faz isso aqui, centenas de vezes, há cinco, c-i-n-c-o anos. Quem ia reclamar disso? Além do mais que são ainda oito e meia da noite!
-Não me interessa, eu sei muito bem que horas são, e tá na hora de vocês desligarem essa barulheira toda. Sem mais.
-Mas policial...
-Ou param, ou eu levo o pessoal que tá tocando. Certo?
-Cara! Na boa... — E eu o interrompi, não sabia o que Marcio poderia fazer e, por via das dúvidas, resolvi interferir.
-Com licença, boa noite policial.
-Quem é você?
-Eu sou a vocal da banda que tá tocando, eu queria pedir descul...
-Já tá dado o recado, ou para, ou eu levo vocês aí do grupinho. Todos menores de idade não é? Bando de vagabundos que não tem futuro e acha que com uma guitarrinha, podem conquistar o mundo berrando por aí.
Eu fiquei quieta, confesso que fiquei com um pouco de medo mas detestei a brutalidade e falta de educação do policial. Só que eu não vi Gabi encarando a multidão. E não fazia idéia que ela escutou essa ultima parte das palavras... Tradução:
-COMO É QUE É? VAI TIRAR MESMO OS MÚSICOS?
-Abaixa a voz aí garota, com quem você pensa que tá falando? Sou um policial!
-UM POLICIAL DE MERDA, VAI SE FUDER! EU CRESCI NO HIDDEN, SEMPRE ASSISTI AS BANDAS E NINGUÉM NUNCA RECLAMOU, E MELHOR, NENHUM POLICIAL METIDO A OTÁRIO VEIO AQUI FALAR MERDA NA CARA DE NINGUÉM, MUITO MENOS DA MINHA IRMÃ!
-Gabriela, pára com isso... — E eu não sabia o que fazer.
-Quantos anos vocês tem?
-Dezoito, por quê?
-Você tá presa!
-MAS COMO É QUE É? — Marcio, Gabriela e eu falamos simultâneamente.
-Vai logo, entra no carro!
-EU NÃO VOU ENTRAR EM MERDA NENHUMA!
-Você vai resistir, desacato e resistência á prisão, ENTRA LOGO!
-NÃO GRITA COMIGO!
E vi o policial algemando com muita dificuldade, minha irmã.
-Fala pro pai que eu saio amanhã mesmo... Eu me viro.
-Porra Gabriela, como é que eu vou pra casa?!
-Calma, eu vou ficar bem...
-O PAI VAI ME MATAR, MERDA!
Jho e Brenda chegaram e não acreditaram no que estavam vendo. Todos ali queriam fazer alguma coisa mas estavam com certo medo. Até que ouvimos, diante daquela fuzarca toda, vozes que já tínhamos escutado antes.
-O que é que tá acontecendo aqui? — E uma multidão enlouquecida, ficou mais impossível ainda... Chester estava ali, na nossa frente, falando com o policial sem medo nenhum.
-Ih, olha quem chegou, os mais barulhentos da cidade... O que você quer rapaz?
-Tá levando ela por quê? Elanão fez nada. — Sim! Chester estava defendendo a minha irmã!
-Não fez? Acho que você não escutou a montanha de palavrões que ela disse, é desacato, vai presa, é de maior.
-Calma lá... Você tá encomodado com a "barulheira" que a gente chama de música, cai fora. Vocês quer que a gente desliga? A gente desliga, mas deixa a moça quieta. Garanto que se ela se descontrolou é porquê teve motivo. Aliás... Quem é aquele ali no meio hein? — E Chester apontou pra esquerda, havia um garoto, aparentava ter uns 10 anos.
-Me...Meu Filho?!
-Pra você ver né? O que encomoda uns, agrada e muito os outros. — E Chester sorriu, em deboche, o que fez a multidão gritar de novo, e o garotinho, ficar constrangido.
-Vem pra cá agora! Vamos embora. E vocês todos, delinquentes, SEM-MAIS-SOM-POR-HOJE. E se eu voltar e você falar aquilo tudo pra mim de novo... Você vai presa, entendeu? — Ele se dirigindo á Gabriela novamente.
-Sim senhor, senhor. — Sarcastica como ela.
-Olha lá viu... Foi por pouco, Chester... — E o policial revirou os olhos, chamou seu filho na multidão mais uma vez e ele foi acalentado pela multidão com tapinhas nas costas e cafunés na cabeça enquanto ia pro carro.
Eu fiquei uma múmia, Jho e Brenda foram receptados pela multidão e Marcio tentava chamar minha atenção, que estava direcionada para Chester.
-Como você está? Ele te fez alguma coisa? — É, eu mal acreditei, o Chester falando com a minha irmã e pegando nos pulsos dela, quase algemados, pois não deu tempo.
-Machucou um pouco o punho, mas nada que me impeça de tocar mais uma. — E riu, dum jeito que eu nunca vi.
-Você é baterista?! Incrível! Nós estavamos escutando, você é incrível!
(COMO ASSIM ELA É INCRÍVEL????? O VOCAL SOU EU CHESTER! LORENA BENNINGTON!)
-Ah imagina... O pouco que eu aprendi foi com meu pai... Ele é um ótimo baterista.
-Então você puxou mesmo seu pai...
E ela ria. TÁ RINDO DE QUE? VOCÊ NÃO É DE RIR, SUA IDIOTA, PÁRA DE RIR!
-LORENA! ACORDA!
-Hm? Oi? que foi? — Dei um pulo.
-Porra, tá viajando? O que foi?
-Na,Na,nada.
-Nossa... — E me fitou com um olho fechado e outro aberto, me olhava como se eu fosse maluca. Talvez, sim.
-Nem deu tempo de fazer um cover de vocês...
-Vocês iam tocar uma música nossa?! Que máximo!
-É, é a minha preferida...
-É, EU IA CANTAR MAS NÃO DEU NÉ GABRIELA....?
Chester me olhou dos pés a cabeça. E eu não acreditei que fui tão idiota daquele jeito.
-Quem é ela?
-Ela é a baixista... — Num tom despresível. Claro, BAIXISTAS NUNCA TIVERAM SEU DEVIDO VALOR!
-BAIXISTA POR ACASO SUA IRMÃ, NÉ? RETARDADA! COMO É QUE VOCÊ FAZ ISSO? VOCÊ IA SER PRESA! SE O CARA NÃO CHEGA LOGO AQUI, MANO!
-Você tá muito exaltada, baixista, vai beber uma aguinha...
-SUA FILHA DA PUTAAAAAAAAA!
-Calma meninas! Relaxa... Qual é o seu nome, baixista?
-EU NÃO BAIXISTA! Quer dizer, SOU! Mas eu sou a v-o-c-a-l-i-s-t-a! Entendeu? Poxa!
E Chester estava assustado comigo. Eu perdi a cabeça legal. EU acho que...
-Tá com ciúme ela.. Deixa, Chester. — E riu, fazendo-o rir também.
-SUA DESGRAÇADA, EU VOU TE PEGAR! — E Marcio me segurou antesa que eu partisse a cara de Gabriela. Cara... o que eu tava fazendo?! Fiquei a ver navios, e o Jake, NÃOPERA... O Chester, levando a querida pra... ONDE ELES TAVAM INDO?
-Você não quer entrar? Colocar um gelo no punho?
-Não, eu preciso ver minha irmã, ela é mais nova, você sabe, crianças dão muito trabalho...
-Imagino... Cuida dela mesmo e, por favor, toque mais vezes com a sua banda, eu e os garotos gostariamos de ver vocês tocando, de verdade.
-Claro! Vamos adorar... Olha... Gabriela viu? Não esquece de mim.
-Imposssível esquecer... — E Chester deu a olhada que nenhuma garota resistiria.
-Tchau... — Gabriela ascenou sorrindo. Quando virou pra nós de volta, eu devia estar espumando pela boca e sangrando pelos olhos e nariz.
-Você viu como ele é gato? Lindinho, fofo, ficou segurando meus punhos... Deu até uma melhorada hein? — E ela gargalhava na minha cara, enquanto Marcio me segurava.
-Acho melhor a gente recolher as coisas né?
-Me leva pra longe dessa palhaça. — Falei sério. Sem mais hesitar.
-Tudo bem, vem comigo... — Marcio disse num tom preocupado.
Ele me ajudou a guardar tudo, do nada as pessoas se dispersaram na rua e Agoura voltou a ser só mais uma cidade normal. Jho e Brenda não vieram falar comigo. Jho apenas olhou pra mim e me levou, segurando minha mão, até o carro. Ele sabia que eu tinha ficado puta. Não sei porquê.
E viemos o tempo todo em silêncio. Gabriela como se não tivesse feito nada, ria como uma hiena. Brenda mandava ela calar a boca, e batia nela, no banco de trás. Eu e Jho no banco da frente, quietos. Ele nos deixou em casa, e foi embora com Brenda.

-Agora é dormir... Boa...*TÁFT* QUE MERDA É ESSA?
-VAI DORMIR COM CHESTER, VAI LÁ, IDIOTA. — respondi como uma garotinha de 6 anos, após fechar a porta do nosso quarto na cara dela.
-QUALÉÉÉÉ LORENA? Deixa eu entrar.
E não respondi.
-Lorena... Tu vai mesmo ficar chateada comigo? Cara, foi brincadeira! Eu não sabia que você ia ficar irritada! Na boa, você tá fazendo tempestade com copo d'agua. Eu fico imaginando se você encontrar a esposa dele na rua, acho que você espanca ela... ABRE ESSA MERDA, NA BOA!
-Nawn. — Minha voz estava mais mimada ainda.
-Lorena... Por favor?
-Nawn.
-PÁRA DE MIAR E ABRE ESSA MERDA!
-Nawn. KKKKKKKKKKKKKKKKKK
-SUA VACA KKKKKKKKKKK
E fui abrir a porta. Gabriela pulou como um cão em cima de mim e caímos no colchão.
-CIUMENTAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA, TÁ COM CIUMES DO CHESTER KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
-Cala a boca.
-E não é não? "EU NÃO SOU BAIXISTA" KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
-Eu agi feito uma idiota... — Senti o pesar dos meus atos.
-Pára com isso, ele gostou do nosso som.
-Do seu né? Da sua banda.
-PÁRA COM ISSO! Ele quer que a gente toque pra eles.
-Pára de zuar com isso.
-TÔ FALANDO SÉRIO CARALHO! VAMOS TOCAR PRO LINKIN PARK!!!
-Eu não acredito.
-Então vai se fuder. Vai dormir. Temos que passar a melhor música.
-Qual?
-Place Fot My Head.
-Tá maluca? De Chester eu só tenho o sobrenome!
-Ti vira. Boa noite. — e foi para o seu colchão.
-Gabriela, pára com isso. Eu não tô com brincadeira.
-Eu eu sou palhaço agora pra ficar de zuação? Caralho... Ele me disse que gostou do som. E quer que a gente toque pra eles.
-Quando?
-A gente vai falar com o Marcio e vamos nós todos no estúdio, ou o que parece ser estúdo do Linkin, pronto.
-Conta outra. — Eu realmente não estava acreditando.
-Só sei que você vai ter que cantar, problema é seu se não se preparar.
-Nha, me deixa! Já causou problemas demais hoje.
-Peraí, Lorena. — Apagando a luz.
-Oi.
-As mãos do Chester são grandes e macias...
-VAI SE FUDEEEEEEEEEER!!!
E Gabriela gargalhou até morrer, e eu fiquei como uma idiota. Será mesmo que ela tava falando sério? Eu, cantando pro Chester, pro Mike, pra todo mundo ali? Nossa... Amanhã a gente vai se reunir. Sem polícia, eu espero.

Notas finais
As canções da banda fantasia "SWEET SMOOKE" pertencem á Beatriz Bianca e á Gabriela Diniz, sendo "Who I Am", "I Wanna" e "My Dutty Mind" de Beatriz Bianca, e "Fallen Stars", "Die Alone" e "Another Dream" de Gabriela Diniz. Direitos Autorais Reservados.