Diário De Uma Filha De Hades
10 Como Vamos até os Portões?
Notas iniciais
Tudo isso foi um belo desastre. Tudo, sem exceções e fiquei debatendo com minha mente se tudo isso tinha como piorar. Minutos depois que Mari e Su voltaram ao acampamento levando a notícia de que Christopher estava morto eu e os outros começamos a andar meio sem rumo. Isa parecia um pouco chocada e isso fez com que Diego a seguisse bem de perto, parecia que esses meninos estavam prontos pra tudo. Fer não parecia muito afetado com tudo e estava falando alguma coisa com James que não entendi muito bem o que era.
– Vamos parar naquela lanchonete gente. — Isa se pronunciou tirando todos de seus pensamentos.
– Ah, claro anjo... Vamos pessoal. — Diego colocou as mãos nos ombros de Isa e começou a segui-la.
Aquilo teria sido legal em outras circunstâncias de tudo aquilo não tivesse acontecido. Parecia que o clima tinha esfriado de tanta tensão. A lanchonete parecia bem convidativa, mas nos sentamos em uma mesa próxima as janelas em um canto afastado. James sentou do meu lado rapidamente e percebi uma ponta de insatisfação nos olhos de Fer. Não vou mentir, gostei pra caramba daquilo. Acabamos pedindo sanduíches e latinhas de refrigerante, mas parecia que ninguém queria comer além de James. Revirei os olhos e dei um tapa em sua cabeça, fazendo com que ele se virasse pra mim e retrucasse ainda de boca cheia.
– Cara, o que eu fiz? -ele me olhava assustado.
Os outros riram o que acabou ajudando um pouco o clima pesado. Por fim conseguimos comer e Diego colocou alguns papeis sobre a mesa.
– Ok, já atrasamos demais com toda essa zona. Minha mãe disse pra irmos até os portões de Orfeu. Ou seja — ele abriu um mapa sobre a mesa — precisamos ir até o Central Park.
– Que massa fera, mas ainda estamos meio longe né? E só temos cinco dias pra fazer isso. Outra coisa, a profecia falou algo sobre "deus das trevas primordial".
– Eu sei Fer, também me preocupo com isso, mas todos os deuses primordiais, mentira, a grande maioria deles está preso no mundo inferior. Por isso estamos indo até lá.
– Gente, foca aqui. — Isa interferiu — Estamos falando de ir pro mundo inferior. Sabem o quanto isso é arriscado?
– Temos escolha? Só estou indo porque a Nath vai. — retrucou James com a boca cheia de comida.
– Deus das trevas primordial... — balbuciei comigo mesma — Érebo...
Todos os olhos se viraram pra mim na mesma hora. Caraca, falei isso alto.
– O que você disse Nath? — Fer perguntou me olhando fixamente.
– O deus das trevas primordial é Érebo. — comecei — Já li algumas coisas sobre ele e uma delas é que é irmão de Nix.
– Espera, então ele não estaria no Tártaro? — Isa perguntou.
– Não, segundo a história Zeus e Hades o jogaram nas profundezas do Aqueronte. Isso é basicamente na fronteira dos dois mundos.
– Faz sentido... Então precisamos impedir isso. Ele é a personificação das trevas, o mundo vai virar um vácuo sem vida se ele se libertar.
Assenti, Diego estava certo.
– Como vamos chegar até o Central Park?
– Bem Fer, temos duas opções. Ou vamos andando ou... — ele olhou para os lados como se estivesse observando se alguém estava por perto e se inclinou sobre a mesa — Roubamos um carro.
– Ai cara, agora não reclame do motivo que te levaram pro reformatório. Você é completamente pirado! — Fer falou rindo.
– Por isso eu amo ele. — Isa sorriu e virou o rosto de Diego para o dela.
Eles se beijaram ali mesmo e me vi fazer esforço pra não rir. Eu odiava segurar vela.
– Ei, ei, ei. — Fer se inclinou para separar seus rostos — Vela não é dos deuses, podem parar.
Passaram-se cinco minutos desde que saímos da lanchonete. Eram umas 16h quando Diego se esgueirou em um estacionamento de um shopping. Ele ia roubar o carro, ai meus deuses. Ele voltou dentro de um volvo preto e mandou todos entrarem rápido dentro do carro.
– Próxima parada Central Park cambada! Uhul!!! — foi a última coisa que meu irmão pirado disse antes de pisar no acelerador.
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