Notas iniciais
Lindos e penetrantes olhos que chegavam a me assustar assombrava meus sonhos.
O meu namorado, minha mãe e meu irmão sobre a mira daqueles demônios.
Eles eram a minha única chance, tenho certeza que se alguém poderia me ajudar, esse alguém seriam eles.
Mas como abordar dois simples atores, famosos mas simples atores.
Samael me observou acordar, novamente estava acompanhada por aquele pequeno rapaz de aparência germânica. Como isso era estranho.
-Bom dia Mary, espero que tenha conseguido descansar.- Disse cordialmente o garoto, e eu desastrada como sempre, levanto em um pulo da cama um pouco mais luxuosa.
-Caramba Samael, não me assuste assim- Disse com a mão no peito e a cabeça abaixada tentando respirar um pouco melhor. Seria ele um anjo, um demônio ou apenas mais uma das criaturas que me seguiam desde quando eu saí do Brasil?
-Me perdoe, não tive a oportunidade de me apresentar direito- Disse o jovem me entregando uma toalha enquanto eu me dirigia para o banheiro.
-Pois diga meu rapaz, estou te escutando- Disse tentando me arrumar, a viagem até Vancouver teria que continuar e a auto estrada de Winnipeg era bastante movimentada em temporada de inverno.
-Meu nome é Samael, sou um arcanjo da primeira ordem celestial- Escutei um tom mais denso, principalmente ao ouvir a palavra celestial.
-Ora ora, você é um arcanjo, assim como Gabriel?- Perguntei terminando de me arrumar. -Gosto da história de Gabriel, é um dos meus anjos favoritos- Disse inocentemente quando de repente vejo saltar de seus olhos um tom estranho.
-Gabriel não seria nada sem mim, ele é um inútil- Disse Samael com uma fúria um tanto quanto exagerada e desapareceu do quarto.
-Isso não é normal, de toda a ordem celestial jamais ouvi falar sobre Samael, conheço a rotina desses filhos da puta e pelo o que sei, ah vou ter que investigar, mas não aqui- Disse pensando em voz alta enquanto pego meu notebook e minhas roupas. A viagem será muito longa até encontrá-los.
Me aproximo ainda mais do centro vivo de Winnipeg, muitos prédios e bares, uma movimentação semelhante à São Paulo, só que um pouco mais limpo, mais aberto. Tudo muito calmo até eu encostar o carro em uma casa rodeada de unidades do Corpo de Bombeiros e a Policia.
-What is happening? Can I help?- Nossa como meu inglês era ridículo mas os policiais atônitos me deixaram entrar. Talvez pela roupa com cara de detetive de serie americana tenha facilitado a minha passagem..
Era um cenário horrível, um casal morto na cama, corpos carbonizados, foco do incêndio unicamente concentrado na cama e nada mais do que na cama do casal. Do lado da cama um berço, branco, bem trabalhado, detalhes rosa e um pequeno grunhido que se assemelhava a um filhote de gato.
-Meu Deus, um bebê- Grito espantada tentando pegar a criança no colo fazendo-a se calar. Precisava retirá-la de lá, talvez se eu a colocasse na minha mochila.
Bem enrolada no meu blazer, estranhamente calma pelo fato de eu a estar segurando, comecei uma jornada com uma jovem e calma acompanhante.
Era hora de eu relembrar tudo o que eu passei com meu irmão mais novo, mas sozinha seria muito mais difícil. Precisaria de ajuda logo.
Fale com o autor