Notas iniciais
15/01/2015 - Diário de um Termino.

Querido diário...

...Parece um circulo vicioso. Parece que não há paz. Que não há esquecimento. Parece que o tempo passa e brinca de enganar-me. Eu tenho certeza que estou bem. Depois. Não tenho mais certeza de nada. Sigo citando meu mantra “siga em frente! siga em frente! Siga em frente!” e por um tempo eu consigo e nada parece me parar. Aí acontece algo que me tira o chão. Como se nada que eu tivesse vivido passado. Como se eu não tivesse aprendido nada com o passar de todos esses dias...meses...anos! Cristo! Já fazem 2 anos. E é como se tivesse acabado de abrir a ferida. Não sara. Não cicatriza. Não sai do meu corpo. Por nada que eu faça. Por nada que eu diga! Eu tenho certeza de que não minto para mim. Depois. Não tenho mais certeza de nada. E volto à estaca zero. Não sei o que pensar. Não sei como agir. Não sei o que falar para ninguém. Porque ninguém vai entender que não quero que seja assim. Que não gosto de sofrer e que ninguém gosta! Porque parece que todos têm a solução e que esta é clara como as aguas de Noronha! De fora é realmente bem mais fácil. Até eu, confusa como sou, consigo achar soluções para outras pessoas. Mas, e quanto a mim? Ele vai casar. Não é comigo. Não são os meus planos. Os nossos planos. Não são as nossas promessas que irão se cumprir. Não são as minhas palavras. Não são os meus sorrisos. Não será o meu jardim. O meu cachorro. O meu café horrível. Não serão os meus filhos. Não é mais nada. Acabou mesmo. Hoje me peguei pensando em o quanto eu consigo odiar alguém. Sim! Eu sou capaz disso! Sempre fui explosiva mas, passa. Passava. E não passa mais. Hoje xinguei em voz alta no meio da rua deserta: Eu O odeio! Eu A odeio! Eu OS odeio! Malditos sejam! Que não sejam felizes! Que não sejam! Eu sei que isso não é o certo. Sei de toda aquela historia de que isso só faz mal a mim e blá blá bla...que devo ser maior que isso tudo! Adivinha? Eu não sou! Deve ser o menor ser existente. Porem, não sou hipócrita! Eu não os desejo nenhuma felicidade! Foram os meus planos, a minha vida! Foi tudo! Não posso desejar a felicidade de quem roubou a minha! Que eu seja egoísta! Não estou nem aí! Que seja infantil! To menos “aí” ainda! Eu não estou alimentando ódio. Se faço isso, juro que é sem perceber, e quando percebo, não consigo evitar. Eu só queria ter a certeza de que isso vai passar. De que não vou morrer quando ver as fotos do casamento na minha linha do tempo. De que vou ser forte e não vou chorar e chorar e chorar. E nem sei se consigo mais fazer isso. Eu já até cogitei excluir minhas redes sociais. Mas isso adianta de que? Me privar de meus amigos, de minhas distrações, de minhas vida...e a vida dele segue...feliz! noivo! Desejo que eu seja tão feliz quanto eu possa ser e que a medida da minha felicidade seja exatamente proporcional a minha amnesia de todo esse sofrimento. Quanto mais feliz eu for. Mas eu esqueça que ele passou pela minha vida e me deu inspiração para escrever essas cartas. E que ainda que, quando eu for rele-las, elas sejam apenas lembranças de que eu realmente estou feliz e que o pior já passou e já foi superado. Desejo apenas isso...

Notas finais
Sintam-se a vontade!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.