Durante o caminho para casa, fui pensando em tudo o que me aconteceu durante as aulas.

Não reparei muito mais no Douglas por causa daquela vergonha que passei na aula de geografia, então preferi nem olhar mais para ele.

Mais aquele olhar não sai da minha cabeça.

_Pai cheguei. — coloquei minha mochila dentro do guarda-roupa e liguei meu computar para olhar meus e-mails.

_Vai almoçar?- meu pai grita da cozinhas.

_Não, estou sem fome, mais tarde arrumo alguma coisa para comer.

Algum tempo depois, olhei no relógio e vi que eram duas da tarde, passei muito tempo na frente desse computador, é melhor eu ir ler um livro.- Pensei.

Deito-me na cama, pego um livro qualquer, e começo a ler.

_Droga!- falo em voz baixa._ Tinha me esquecido, tenho que ir à papelaria comprar umas folhas para as aulas de Artes.

Peguei minha bolsa deixei um bilhete para meu pai, porque ele estava dormindo, ele trabalha a noite. E fui para a papelaria que fica tecnicamente do outro lado da cidade.

Resolvi ir de ônibus, detesto ir de ônibus.

_Oi, gostaria de umas folhas de almaço e de sulfite._ Pedi para a moça da recepção.

_Claro, vou pegar. — ela deu aquele sorriso de quem já esta cansada de sorrir.

Enquanto ela não vem, fui dar uma olhada nas agendas.

_Preciso de um diário novo. — acabei falando em voz alta.

_Diário? Escreve em diário?- aquela voz me fez tremer inteira, era Ele.

Virei-me num susto, e vi a cara de deboche dele, fiquei tão estressada com seu comentário que não sei como consegui tirar forças para responder.

_Escrevo sim, algo contras?

_Não, só acho que é... fofo. — ele começou a rir.

_Fofo?- dei uma risada sarcástica- É bom saber, porque no amigo secreto de fim de ano, se eu sair com você irei te dar um diário bem fofo. — Ao dizer isso, caminhei ate a moça que estava me esperando com as folhas, nem olhei para trás para ver a cara dele, que tenho certeza que não era de felicidade.

_Obrigada. — paguei as folhas e sai da papelaria.

Quem ele pensa que é? Acho que nunca senti tanta raiva de alguém como senti naquele momento do Douglas, ele nunca havia dirigido diretamente uma frase completa. Então por que ele deu um de arrogante? Não entendo, será que ele é bipolar? Só pode.

Ele era o garoto que eu mais amava, quem ele pensa que é para tirar uma com minha cara?

Aih que ódio. Neste momento senti um cala frio percorrer meu corpo, no instinto me virei, tive a sensação de estar sendo seguida. Não gosto muito de andar sozinha, esses bandidos sempre me perceguem em meus pesadelos, morro de medo de isso acontecer de verdade.

Comecei a correr desesperada, nem eu sabia por que eu estava correndo, o medo passava por mim a cada passo, ate eu esbarrar com tudo em alguém.

_Ei, Re, esta tudo bem?- era a voz do Tom, fiquei tão feliz que o abracei tão apertado que ele ficou sem reação._Ei me responde, você esta bem?

_Sim, é... Tive a sensação de alguém me estar perseguindo, acho que estou ficando louca. -falei, mal conseguindo respirar.

_Louca? Você sempre foi. — ele começou a rir._ Brincadeira, vem eu te levo para casa, seu pai ficou de emprestar um ferro para meu pai arrumar o encanamento la em casa.

No caminho fomos em silencio, sempre considerei o Tom como um irmão, nossas famílias eram amigas desde que nasci, então ficamos grandes amigos.

Durante a noite, parei de assistir TV para escrever em meu diário, esse foi o dia mais estranho da minha vida, não podia deixar de escrever.

“Diário...

Só de lembrar aquela sensação já fico com medo...

O que esta acontecendo comigo? ...

...ate mais”

Fechei meu diário e fui dormir. Durante a noite toda, só tive pesadelos, de alguém me seguindo.

Acordei assustada com o despertador. Era mais fácil quando minha mãe me acordava.

Como eu sinto falta dela, faz um ano que ela morreu, muitos acham que eu superei bem a morte dela, mas ninguém tem idéia do que eu sinto por dentro.

Tirei todos esses pensamentos da minha cabeça, e fui me arrumar.

Cheguei na minha sala, nem falei com a Lara, não estava com animo de falar com ninguém.

_Re, e ai que cara é essa?- Tom se aproximava.

_Nada não. — respondi sem tirar meus olhos da carteira.

_Eu te conheço garota, você não me engana- ele puxa uma cadeira e se senta do meu lado._ Vamos fala, o que esta acontecendo?

_Só estava lembrando-me da minha mãe, não é nada é serio.- assim que terminei de falar, ele me deu um abraço e eu retribui. Tom como Lara, eram grandes amigos, acho que eu não seria nada sem eles.

_Vamos se sentar pessoal. — a professora de matematica pediu a todos, e começa sua aula.

Antes de ir para seu lugar, Tom acena para mim e vai para sua carteira.

Já estava terminando a primeira aula e alguém bate na porta.

_Entra. — A professora Fabiana de matemática olha para a porta.

_Licença, me atrasei- era ele Douglas.

_Tudo bem pode se sentar.

Ele entra e antes de chegar a seu lugar, me lança um olhar que me estremece toda.

O que esta acontecendo com esse garoto? Ele não é o mesmo garoto por quem me apaixonei ha Três anos. Ou será que eu nunca conheci o verdadeiro Douglas?

Durante a Educação Física, fiquei sentada na arquibancada lendo um livro, detesto esportes, principalmente fazer-los.

Percebo que alguém se senta do meu lado, quando olho vejo Douglas me encarando.

_Sim?- perguntei com um pouco de medo e certa tremedeira na voz.

Ele não respondeu, apenas continuou me olhando. Isso estava me deixando sem graça ate que o apito da professora nos faz olhar para a quadra.

_Vamos garotada, intervalo.

Levantei-me numa pressa que tropecei, só não cai naquelas escadas porque Douglas me segurou, com certa força, pelos braços.

_Obrigada. — agradeci meio sem graça, tentando me soltar das mãos fortes dele.

Ele aproximou seu rosto do meu e me fuzilou com o olhar antes de dizer.

_Não me agradeça. — ele soltou meu braço com certa violência e se afasta como se nada tivesse acontecido.

Notas finais
Espero que estejam gostando... Muitas surpresas virão com os proximos capitulos. bjs
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.