Dhampir
15 1999
Notas iniciais
Enjoy
Dhampir está de capa nova, vejam se gostam!
A ruiva revivia sua experiência pela segunda vez, lembrava-se da estaca afiada atravessando o pescoço do senhor que deveria ser chamado de pai... A partir daquele dia nem o mais nobre dos vampiros teria sua misericórdia.
1965 – Londres
- Enfim nos encontramos papai... – Kristell começava a dizer enquanto arranhava o rosto do homem com a lâmina da adaga. – Afinal, 70 anos valeram de busca. – ela espetou o objeto no olho do vampiro que urrou de dor.
Harrison havia passado os últimos 70 anos fugindo da garota, mas sua breve parada em Londres o levou a armadilha infalível da filha que o trancou num cabaré abandonado para sua sessão de tortura.
- Portugal, Alemanha, França, Rússia... Pensou que nunca te pegaria? Acontece “papai” que nem seus mil anos a mais são páreos a minha inteligência. – a risada ácida invadiu o quarto mofado em que se encontravam.
Ela arrancou uma pequena estaca que estava pendura em seu cinto, e abriu uma fenda na bochecha esquerda de Harrison, espetando a madeira ali para que a ferida não cicatrizasse.
- Eu vou arrancar seus membros e só então dilacerar teu coração... – repetia no ouvido do homem que se debateu na cadeira em que estava preso.
Assim, ela começou seu trabalho, arrancou o braço direito e sucessivamente os outros três membros. Ela sentia a onda de prazer a cada grito de dor que ser era escutado, a cada nova jorrada de sangue que estragava seus trajes de couro.
- Qual é a sensação de ter os membros arrancados? – perguntou divertida enfiando a mão no peito do vampiro e alcançando seu coração. – Posso sentir seu coração bater... – murmurou de forma doentia observando a expressão do mesmo enrijecer. – Isso é por minha mãe! – exclamou forte e arrancou coração num puxão só para fora.
Assim, caiu de joelhos perto do corpo mutilado e permitiu-se chorar, chorar pela mãe e por tudo que deixou para trás durante a caçada insana.
Sentiu a presença de Dominic no local, e logo estava amassada contra os braços do íncubo que tinha lhe apoiado durante sua jornada.
Então ela chorou mais, chorou por ter se casado com a pessoa errada, por ter aceitado os desejos da criatura repugnante em troca de reforços que lhe ajudassem na captura do pai.
A ruiva tinha sido uma escrava durante anos, escrava da mentira, da ilusão... Gastando seu tempo em convencer Dominic de que o amava.
Quando mais calma, ela se separou do outro e deu uma boa olhada na aliança em seu dedo. Agora ela estava livre...
Huntington Beach, 1999
- Mais uma vez pensando no dilaceramento dos órgãos do seu pai? – perguntou Sheryl assim que viu a irmã fumando metodicamente o cigarro e tendo o olhar preso nos prédios que cercavam a cobertura.
- Você sabe o quanto eu gosto de relembrar esse momento... – brincou antes de levantar e se aproximar da morena que enchia uma taça de vinho para si mesma.
- Decidiu o que faremos hoje? – perguntou se jogando no sofá enquanto a ruiva a acompanhava.
- Estava pensando em irmos naquele show de vagabundos...
- Perfeito! Bêbados são presas fáceis. – comemorou Loiran que chegava da rua acompanhada de Betsy.
- Você e essa mania de “presas”. – resmungou K. se levantando e se dirigindo ao quarto. – É bom que se aprontem, quero sair pelo menos às 20h daqui de casa.
Após longos minutos apareceram na sala numa ordem comum, Kristell a primeira sempre trajando o vestido curto e uma bota de couro, Loiran clássica e variável, Sheryl confortável, quase comum se não fosse pelo seu rosto de extrema beleza que iluminava o conjunto de roupas e Betsy, bom já essa tinha grande atenção aos lábios vermelhos e ao estilo pin-up que carregava em cima dos saltos.
- Só eu acho que essas não são as roupas certas para ir a uma casa de shows?
- Você é a única certa do grupo Sher... – murmurou a loira de extrema exuberância enquanto caminhava até a porta. – Quanto mais erradas, mais chamaremos atenção!
E não havia nada melhor na vida do que chamar atenção quando se tratava de Loiran.
A casa de shows não era longe e difícil foi estacionar o carro, parecia que a banda era requintada, afinal não haveria tanto público se fosse o contrário.
_
Matthew se preparava no bascktage fazendo as famosas flexões e estralando os dedos um a um... Ele estava cansado de tocar em lugares podres como esse, quentes e com um público jovem tão alterado que chegava a deixa-lo mais louco ainda pelos batimentos cardíacos frenéticos que eram escutados da plateia.
- Cara, já te falei não aguento mais tocar pra esse público pequeno. – resmungou se dirigindo a Jimmy que rodava as baquetas no ar.
- Nós temos a eternidade pela frente, não seria mais digno conquistar nosso público?
- E o que você pretende fazer quando perceberem que não envelhecemos?
- Forjo nossa morte... – respondeu com um sorriso nos lábios fazendo o outro revirar os olhos.
- Vocês não tem ideia da garota que tá querendo entrar aqui... Uma morena com uns peitos tão grandes que... – Johnny ia terminar de falar, mas Syn apareceu limpando os cantos sujos de sangue da boca. – Porra Brian eu disse que ela era minha! – brigou o mais novo.
- Não tenho culpa se você não cuida das suas presas, e fica tranquilo ela tá viva... Ainda. – o sorriso do moreno era basicamente, sinistro.
- Conseguiu hipnotizar mais uma vez? – indagou Rev surpreso.
- Aprendi com o melhor. – apontou para o baterista sorrindo de lado e os dois riram.
- Ainda vou hipnotizar alguém... – chiou Zacky num canto, emburrado.
- Para de se lamentar e vai praticar! – exclamou Matt antes de tomar um gole d´água.
- Prontos para tocar no inferno? – indagou Brian sorrindo.
- Tem como não estar? – rebateu Sanders irritado.
_
- Casa lotada, uma variedade de aperitivos... – comentou a loira ao lado de K. já observando quem seria a presa da noite.
- Estão sentindo esse cheiro? – perguntou a dhampir recebendo uma negação silenciosa de todas e logo calculando a melhor rota para se chegar ao bar.
- Acho que pelo canto é melhor. – sugeriu Betsy adivinhando os pensamentos da irmã, coisa que já estava acostumada a se fazer.
Seguiram para o bar as quatro, sendo guiadas pela mais velha que apanhou uma cerveja para cada e as guiou novamente, dessa vez para perto do quarto. Ela tentava fugir do cheiro indistinto, cheiro de comida estragada.
Fizeram uma roda em frente ao palco e engataram uma conversa qualquer que não incluía a ceifadora de vampiros, pois essa estava ocupada com a loira que lhe chamara atenção ao seu lado. A garota tinha cabelos espetados num corte chanel e conversava com outra garota animadamente.
“- Os garotos adorariam te conhecer! Deve ser uma das fãs mais dedicadas deles.”
“- Sério? Você poderia me apresentar para eles?”
“- Claro, depois do...”
E então Kristell enxergou o erro na loira, um erro grande para se dizer a verdade, o coração da garota não batia e seu cheiro estava mascarado, mas a fundo se podia perceber que era uma vampira. As presas da ruiva se postaram para fora, ela que não se alimentava há quase um mês via a loira ao lado um prato suculento.
Seu desejo pela morta-viva ao lado foi interrompido quando o som estridente da guitarra acompanhado ao grito rouco do guitarrista preencheu o lugar... Arrepios vulgares percorreram sua pele quase a fazendo gritar junto.
Rapidamente os olhos se voltaram ao palco, de onde a banda reluzia e aos poucos era reconhecida, a dhampir que tinha sua humanidade em nível zero jurou a si mesma que se tivesse ainda um principio de emoção dentro de si teria o coração acelarado... mas como não tinha.
Eles estavam de volta, e com mais popularidade do que o imaginado... Quem disse que vampiros preferem o anonimato? Uma multidão insolente gritava algo como “Avenged Sevenfold” estourando os tímpanos de quem estava a volta... Agora eles eram uma banda “famosa”.
As quatro continuaram estáticas no mesmo lugar, Kristell estagnada compreendendo a mistura de cheiros a camuflagem usada pelos vampiros, Betsy ainda estava presa com os olhos em Zacky, Sheryl lutava com custo identificar o moreno que tinha os cabelos pendendo no rosto não deixando lhe escapara a expressão... E Loiran? Bom, essa já trocava olhares com o garoto da outra ponta, ele seria sua primeira presa da noite.
- Temos que sair daqui! – gritou a ruiva mais alto que o cantor pondo-se na frente de Betsy e empurrando-a levando as outras juntas.
Sheryl relutava em ficar, pois sabia que conhecia o moreno e quando lhe veio a memória “Brian” seu coração falhou por uma batida. Nem toda garra e desespero conseguiu prendê-la no espaço e logo a música foi ficando mais baixa.
A dhampir estava preocupada em como cercaria o clã Sullivan, era praticamente uma tarefa deliciosa encontra-los depois de tanto tempo e ela estava morrendo de... Fome.
Notas finais
Beeijos lindas e como já disse, vejam a capa nova da fic!
Fale com o autor