Dezessete e... Grávida?
4 Capítulo Quatro (Parte IV - Final)
Notas iniciais
"Às vezes o futuro não se desenrola como você pensa que vai."
Meu celular tocou duas vezes e quando chegou na terceira vez, eu levantei as pressas, deixando tudo para trás e o peguei dentro do bolso da minha calça. Deslizei meu dedo pela tela e atendi a ligação.
"Alô?"
"A onde que você está, Ana?" Kate me perguntou, sua voz sonolenta.
Eu fiquei muda. E levou um certo tempo até que eu a respondesse de volta, porque a realidade de onde eu estava me bateu em cheio. Meus olhos correram para cada canto daquele cômodo. Para onde e quem eu estava deitada próxima no chão daquele banheiro. Para onde nossas roupas estavam misturadas e jogadas. Merda, merda, merda!
Eu encarei a minha imagem nua refletida no espelho a minha frente e meu peito subiu rápido e desceu mais rápido ainda.
"Ana? Ana você está ai? Alô?" a voz da minha amiga gritando no outro lado da linha me fez voltar a realidade.
"E-eu... Hum..." cocei a minha testa sem saber o que responder. "Eu já vou te encontrar, Kate."
"Ok só não demore. Temos que ir embora." ela falou e encerrou a ligação.
Eu olhei para o meu celular e vi a hora: seis horas da manhã. Como pegamos no sono por tanto tempo assim? Ninguém bateu na porta? Ninguém procurou por nós dois? Eu pensei. Andei até onde nossas roupas estavam e segurei elas em meu braço, separando das de Christian. As lembranças de nós dois voltando como flash back. Céus... Eu não sabia como me sentir ou como controlar a sensação de borboletas voando em meu estômago. Eu estava um pouco desnorteada, um sorriso brincando em meus lábios que mesmo se eu quisesse, não conseguiria fechá-lo. Inspirei e expirei de volta. Precisava se acalmar.
Quando virei o meu rosto para onde ele estava, me surpreendi que já estava acordado, seus olhos cinzas cerrados me fitando e que não fez nenhum barulho que eu percebesse antes. Eu limpei a minha garganta, procurando as palavras certas para falar alguma coisa. Meu estômago doeu. Eu estava começando a ficar com medo desses sentimentos.
Era sempre estranho assim? Quero dizer, depois do sexo, não saber o que falar ou como agir?
"Eu, hum, tenho..."
"Você ia simplesmente sair sem falar nada Ana, não precisa me dar explicações agora." ele falou por cima da minha voz. Seu tom com ar de grosseria. Que diabos tinha de errado com ele?
Franzi o meu cenho.
Ele estava com raiva? Por que diabos ele tinha motivos para ficar? O que eu fiz de errado?
Eu me levantei, respirei fundo, vesti minhas peças intimas e depois o resto. Tudo isso sendo assistida por ele. Eu andei até em frente ao espelho e dei um jeito no meu cabelo. Eu nunca havia prestado atenção antes ou pensado sobre, mas é verdade quando dizem sobre cheiro de sexo. Aquele banheiro exalava a sexo assim como cada parte do meu corpo. A sexo, a Christian, o seu perfume misturado com o meu.
Eu me virei quando terminei e encarei Christian. Ele se levantou e catou suas roupas do chão. Eu não aguentava mais aquele silêncio constrangedor. Ele estava agindo como um babaca por nada. Eu me entreguei a você, por favor não me faça se arrepender pelo resto da minha vida.
"Christian?" eu o chamei.
Ele subiu o zíper de sua calça e pegou sua blusa branca no chão.
"Você se arrependeu." ele falou sério, com convicção.
Eu balancei a minha cabeça negando.
"O que? Não!"
Eu caminhei até onde ele estava e tentei pegar em seu rosto, mas ele se afastou, andando para trás. Aquilo doeu em algum lugar dentro de mim.
"Eu te observei, Ana. Para de ser mentirosa!" ele desceu a blusa em seu corpo e começou calçar sua bota, me ignorando."Mas que saber? Eu me diverti noite passada, nós não estamos mesmo tendo uma coisa ou nada... Faça o que você quiser." ele deu de ombros.
Eu fiquei boquiaberta. Meus sentimentos se quebrando em vários pedaços. Não pensei quando minha mão se levantou e atingiu o seu rosto com um tapa forte.
"Então eu só servi de parque de diversões pra você? Você se divertiu e agora está fazendo esse teatrinho todo como desculpa pra cair fora?"
Ele virou seu rosto de volta para mim e fechou seus lábios com forças. Seu corpo rígido e punhos cerrados. Eu hesitei para trás, percebendo o que eu fiz.
"Acho que nós dois servimos de parque de diversão para ambos. Eu conseguir uma transa e você perder a sua virgindade, que aliais, pensou que eu era idiota e não ia mesmo perceber?"
Eu respirei fundo e troquei meu peso de uma perna para a outra, desviando meus olhos dos dele.
"Isso é problema meu." cruzei meus braços.
"Exatamente, é seu. Aproveita e fica com ele sozinha ai."
Christian passou por mim, pisando duro e em passos largos, batendo o seu ombro contra o meu.
Eu olhei por onde ele tinha acabado de passar e as lágrimas vieram á tona. Mesmo assim eu fui atrás dele e gritei pelas sua costas.
"Seu idiota!"
Parabéns Christian, você me fez se arrepender pelo resto da minha vida.
...
Eu sequei minhas lágrimas, respirei fundo e passei minhas mãos para trás dos meus cabelos. Eu estava á poucos passos de chegar até Kate e não queria que ela percebesse que eu chorei. Porque se eu conhecia bem a amiga que tinha, ela ia me fazer entrar em mínimos detalhes e isso era a última coisa que eu queria no momento.
"Nossa você demorou!" ela exclamou assim que se virou e me viu.
"Desculpa se eu tive obstáculos para passar pelo caminho. Em qualquer canto daquela casa tem uma bunda bêbada dormindo."
Ela sorriu e balançou a cabeça. Deu a volta pela frente do carro e destravou o seu carro. Ela entrou e eu também no banco de carona ao seu lado. O dia já estava praticamente amanhecido, mas a lua continuava tendo seu lugar no céu rosado e um pouco de neblina dispersa pela rua.
"Você está bem?" Kate me perguntou.
"Sim."
"Pois eu não acho. Você estava estranha no celular e ainda continua. Alguma coisa aconteceu?" ela me olhou de lado.
"O que poderia ter acontecido?" eu sorri fraco, balançando meus ombros.
"Eu não sei... Eu não te vi depois por um bom tempo..."
"Kate não aconteceu nada está bem?" eu garanti pra ela. "Só estou com uma dor de cabeça terrível, podemos deixar pra conversar depois? Por favor?"
"Ok. Como quiser."
...
Depois disso, nós não conversamos mais. Ela ficou em silêncio e eu também durante a viagem toda até sua casa. Quando chegamos, Kate me ofereceu água e comprimido. E não tocou em qualquer outro assunto. Depois ela entrou no banheiro e saiu meia hora depois. Eu peguei um pijama confortável emprestado do seu closet e em seguida ocupei o banheiro pelos próximos minutos. Eu abrir a água quente e encostei minha cabeça na parede, deixando a água escorrer pela minhas costas. Qualquer vestígio de Christian em meu corpo descendo pelo ralo junto com a água.
Mas as lembranças não. Elas vieram com tudo, ocupando minha mente.
Christian gemeu contra minha boca, aprovando minha atitude. Ele pressionou mais o seu corpo contra o meu, empurrando sua ereção em mim enquanto sua boca me devorava num beijo duro. Eu agarrei o fecho de sua calça e puxei para baixo junto com todo o resto, nossas bocas ainda conectadas. Suas mãos se enfiaram em meu cabelo, puxando um punhado.
Merda isso doía, mas era tão bom.
Eu toquei minhas mãos em seu peitoral e o empurrei, nossas respirações descompassadas preenchendo o som daquele ambiente. Eu abrir meus olhos e encontrei com os dele. Ficamos nos fitando fixamente um para o outro em silêncio enquanto meus dedos brincavam no zíper da minha calça, na intensão de irritá-lo propositalmente com a minha demora. Um sorriso puxou em seus lábios. Eu também sorri.
"Você vai pagar por isso, Ana." ele falou, quando percebeu o meu joguinho. E passou o seu polegar em volta dos seus lábios avermelhados devido aos nossos beijos brutos. Ele esperou até que uma vez que eu já estava fora das minhas roupas, para avançar novamente, me puxando pelos joelhos e enrolando os dois ao redor de sua cintura. Sua ereção roçando em minha umidade quente, nos arrancando suspiros pesados e lamúrias.
Christian abaixou sua cabeça e chupou um dos meus seios, suas mãos espalmadas no vidro do espelho atrás de mim. Quando terminou de me torturar, Christian deu um tapa em minha coxa e encostou sua testa na minha.
"Porra!" ele exclamou, sua voz dura, como se estivesse com raiva. Ele se afastou para me encarar. "Eu não estou com camisinha aqui, Ana."
Fodeu!
Eu não era o tipo de garota de ficar distribuindo palavrões por ai, mas naquele momento, foi a primeira coisa que eu pensei.
"Christian..." eu falei o seu nome, hesitante. Eu queria falar pra ele que deveríamos parar por ali mesmo então, mas eu não tinha forças, o meu corpo não tinha, não depois de todos aqueles amassos.
"Está tudo bem... Eu vou sair quando sentir que estou chegando ok?" ele balançou a cabeça, me confirmando. Um sorriso fraco, esperançoso, aparecendo em seus lábios.
Eu olhei em seus olhos e concordei. Mais uma vez acreditando nele.
Christian me puxou para a borda da pia e eu o abracei com minhas pernas. Ele se posicionou no meio delas até que eu já estava alinhada contra seu quadril e passou suas mãos para cada lado da minha cintura, mantendo-as lá para o seu próprio apoio. Ele se inclinou para a frente e empurrou seu membro para dentro de mim, até que eu tivesse completamente cheia dele. Eu fechei os meus olhos com tanta força que não percebi quando uma lágrima escapuliu por um deles e escorreu pela minha bochecha, sentindo Christian romper a minha virgindade em silêncio.
Estava feito. Eu não era mais virgem. Eu o deixei ser o meu primeiro. Primeiro em tudo.
Christian fechou os seus olhos e pressionou sua testa na minha, exalando dos seus lábios entreabertos um "puta merda". Ele não se moveu em seguida e eu agradeci por isso, porque levou alguns segundos até que a pontada de dor suportável em meu ventre se passasse. E quando se foi, eu me esforcei ao máximo para relaxar, não ficar pensando muito e então passei meus braços em volta do seu pescoço. Nós dois recuperando fôlego, nos tateando e nos beijando, enquanto ele entrava e saia, entrava e saia de dentro de mim.
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