Notas iniciais
Eita que hoje o capítulo está cheio de emoções viu! Acho que vocês vão gostar... Obrigada a cada um pelo comentário, fico muito feliz! Hoje não vou enrolar muito porque tenho que sair e estou postando rapidinho pra vocês, então boa leitura amores! ♥

Duas semanas depois de tortura, finalmente o dia da minha primeira consulta tinha chegado. Eu realmente não aguentava mais ficar sob pressão de Kate. Para ela, eu tinha me virar em conseguir marcar uma consulta logo independente se enquanto isso estava ocupada alternando o meu tempo entre correr para ao banheiro e estudar, além de pensar em milhares de formas de como contaria para minha mãe que ela iria ser vovó. Céus, eu me sentia já esgotada com toda aquela situação que só estava ainda em seu início.

Depois da escola, Kate me acompanhou ao médico. Ela parecia um pouco animada, já eu... Eu me sentia com medo, confusa e totalmente insegura para o que viria. Assim que chegamos no consultório, eu passei os meus dados para a funcionária do atendimento e depois, como ela me mandou, esperei até minha vez chegar. Mas esperei impacientemente. Durante todo o tempo eu não conseguia parar de andar de um lado para o outro. Eu não conseguia desviar minha atenção das aquelas futuras mamães sentadas enquanto aguardava o seu nome também ser chamado, trocando figurinhas sobre faltar de ar, dores nas costas, inchaço, vontade de ir ao banheiro todo momento...

Eu balancei minha cabeça, me negando a continuar ouvindo aquelas torturas. Aquilo era apenas... Demais pra mim.

"Céus, Ana! Você pode por favor se sentar? Se acalme! Já tem o suficiente de hormônios exaltados circulando por essa sala!"

"Eu não sei se quero fazer mais isso hoje, podemos voltar..."

"Anastásia Steele?" a enfermeira apareceu na porta segurando uma prancheta e chamou por mim. Nesse momento eu parei de falar e tanto eu quanto Kate olhamos para ela. A enfermeira chamou o meu nome pela segunda vez, mas por alguma razão eu não conseguia me mover.

"Hum, Ana?" Kate estalou seus dedos em minha frente. "Está te chamando, vai. É a sua vez."

"Eu não... Acho que não consigo fazer isso sozinha, entra comigo por favor?" eu pedi.

Kate praticamente me arrastou para dentro da sala porque eu estava tremendo tremendo igual chocalho de bebê. Que ótima comparação, Steele.

"Apenas respire, Ana. Tudo vai ficar bem." ela murmurou, esfregando sua mão em meu braço.

Eu me sentei na cama como a enfermeira pediu e respondi algumas perguntas simples, enquanto ela anotava no papel da prancheta. Depois, ela recolheu uma amostra do meu sangue para o exame pra confirmar meus níveis hormonais e saiu da sala afirmando que o doutor Adam já viria e que nós duas poderíamos ficar a vontade.

"Como é possível que alguma coisa vai ficar bem?" Eu respirei fundo. "Eu não consigo parar de pensar enquanto ao mesmo tempo nem sei o que estou pensando. E isso nem faz porcaria nenhuma de sentindo. Meu Deus, eu estou ficando doida!"

"Só quero dizer que tudo acontece por uma razão. E se você estar aqui agora, é porque era pra ser."

Eu abaixei minha cabeça e fiquei em silêncio continuando a me negar por que tinha que ser logo EU. Logo um bebê de CHRISTIAN?

Cinco minutos depois, o doutor Adam entrou na sala.

"Olá meninas. Então..." ele olhou para a minha ficha. "Anastásia, o que te trás ao meu consultório?

"Um erro, doutor. Eu não sei como é possível que eu esteja grávida, já que ele... Hum..." engoli seco, constrangida em continuar o meu raciocínio.

"Ejaculou fora?" ele riu. Eu só queria enfiar a minha cabela dentro de um buraco igual um avestruz. "Entenda uma coisa, Anastásia. Todo jovem se acha esperto quando o assunto é sexo, mas mal sabem eles, que só sabem o simples do básico, vamos dizer assim. Já é errado ter relações sexuais sem proteção por causa de doenças transmissíveis e é mais errado ainda, pensar que é seguro ejacular fora, porque não é. Você sabia que o líquido que sai do pênis mesmo antes da ejaculação pode conter alguns espermatozóides? E que já é suficiente para uma gravidez?

"E foi exatamente isso que aconteceu comigo..." eu concluir a sua explicação.

"Exatamente." ele concordou. "Mas não fique triste, Ana. Erros fazem parte da vida de todo mundo. Só lembre-se de aprender com eles e fazer uma lição de vida."

Eu abaixei minha cabeça de novo, completamente sem chão, sem saber o que fazer, o que falar, nada. Simplesmente nada.

"Bem, enquanto o seu exame de sangue não fica pronto, vamos fazer uma ultrassom, tudo bem?" ele perguntou.

Eu concordei e me deitei na cama. O doutor Adam esguichou o gel próprio de ultra-som gelado na minha barriga exposta e começou a mover a sonda para frente e para trás.

"De fato, você está mesmo grávida. Olhe só para esse pequeno esboço." ele apontou para a tela. "É o embrião dentro do saco gestacional." Eu fixei os meus olhos no monitor para ver mas não conseguir enxergar nada além de tudo escuro.

"Uau! Isso é tão..." Kate falou com seus olhos grudados na tela. Ela olhou para mim sorrindo, extasiada. "Você pode respirar, Ana." ela sussurrou ao meu lado. Eu expirei e inspirei de novo, até então não percebendo que estava segurando minha respiração.

"Bem, pode ser frustante mas não tem nada mais que eu possa te amostrar além disso porque a gravidez ainda é muito cedo, Anastásia." ele afastou a sonda da minha barriga encerrando a ultrassom.

"O senhor pode fazer uma cópia dessa imagem do bebê?" Kate perguntou. Eu olhei para ela enquanto limpava o gel da minha barriga e depois para o doutor Adam pra ver qual seria a sua resposta.

"Claro."

Eu terminei de me limpar e voltei a ficar sentada na cama. Eu tinha que perguntar aquilo.

Ele mexeu em seu computador imprimindo a cópia que Kate pediu, quando terminou, se virou para mim.

"Agora que todas as dúvidas foram tiradas, você precisará continuar acompanhando comigo durante toda a sua gravidez para garantir que tenha um bom cuidado pré-natal, Anastásia."

"Eu, hum... Como ainda cedo, tenho algumas opções não é?" escolhi os meus ombros.

"Eu não acredito que ouvir essa merda mais uma vez!" Kate falou, seu tom indignado. Ela respirou fundo e cruzou seus braços. "Me desculpe, Ana. Eu respeito que o corpo é seu e tudo mais, e essa criança não foi planejada obviamente, mas eu só... Estou com você para qualquer coisa, mas não consigo suportar qualquer uma dessas suas opções loucas."

"Sim, Anastásia. Você tem opções, mas eu não acho que deva ir para o aborto. Pelo menos as minhas éticas não apoiam isso. Porém, lembrando, claro que é a sua escolha, mas se você está realmente pensando nas opções, talvez devesse incluir o pai desse bebê em qualquer decisão que for tomada."

O pai do bebê. O pai nem ao menos sabe de sua existência em meu ventre.

...

Mesmo que eu e Kate tivemos uma pequena discordância no consultório, ela teve certeza de que eu chegaria em casa bem, uma vez que eu estava definitivamente absorta em meus pensamentos indecisa do que faria de agora em diante.

Encontrei minha mãe na sala assistindo seu programa de tv favorito e tentei passar por ela em passos largos, mas assim que os seus olhos bateram em mim e chamou pelo meu nome, eu tive que parar, respirar fundo e engolir cada lágrima picando em meus olhos.

"Você está bem, querida? Você parece que vai chorar ou vomitar..."

"Eu estou bem. Não é nada. Só estou com muita dor de cabeça."

Minha mãe se levantou do sofá e cruzou seus braços, levantando suas sobrancelhas.

"Ah qual é, Ana. Eu te conheço desde antes você se formar em meu ventre pra ter certeza de que está escondendo alguma coisa de mim."

"Que saco, mãe! Se eu estou falando que é só uma dor de cabeça, é porque é! Me deixa em paz por favor!" Eu subi as escadas com pressa e tranquei a minha porta atrás de mim.

Eu realmente não queria mais mentir para ela, me sentia muito mal com a proporção que já estava tomando, mas também não sabia como seria a sua reação quando eu contasse sobre o que estava escondendo e isso estava me matando por dentro. Eu me joguei em minha cama, deixando minhas lágrimas vir.

...

No dia seguinte, assim que eu coloquei os meus pés para fora da cama, percebi que não seria um dia fácil para recompensar o dia que havia sido o de ontem, e também não haveria de ser pelos próximos dias, semanas e meses.

Por mais que a vontade de ficar trancada dentro daquele quarto para não ter que encarar o mundo lá fora fosse grande, a responsabilidade com os meus estudos era maior. Independentemente de qual fosse a minha decisão em relação ao futuro desse bebê, qualquer dia a partir de hoje, seria muito importante eu continuar com as minha boas notas na escola.

Eu estava trocando de livro para a próxima aula que teria dentro de alguns minutos até o sinal tocar quando Matteo chegou de surpresa por trás de mim e me girou.

"Meu Deus! Você quer me matar do coração, garoto?"

"Você não vai adivinhar, Steele! O diretor me chamou pra tocar na festa depois do jogo!" ele riu, entusiasmado. "Estou muito animado!"

Eu balancei minha cabeça e concordei.

"Estou vendo!" passei meus braços em volta do seu pescoço e o abracei. "Parabéns! Sei o quanto isso é importante pra você."

Eu me afastei de volta mas não tão rápido quanto as suas mãos foram em direção para o meu rosto. Matteo inclinou o seu rosto para o lado e tocou com a sua boca na minha. Ele não forçou nenhuma passagem para a sua língua e nem tentou outro movimento. Foi apenas um selinho. Quando se afastou, eu não sabia o que dizer, estava boquiaberta, sem reação.

"Wow!" Kate falou tão surpresa quanto eu estava, parando em nossa frente.

"E-eu... Foi mal, Ana. Eu não devia ter forçado nada, sinto muito!" ele saiu andando em direção para outro lugar, aparentemente envergonhado.

"Desculpa se atrapalhei o casalzinho, não foi a minha intenção." ela levantou suas mãos em rendição e entrou na minha frente.

Eu fechei a minha boca e respirei fundo.

"Por que tudo tem que acontecer ao mesmo tempo? Logo agora? Apenas... Justo agora?!" joguei o livro de história dentro da minha mochila e fechei o meu armário.

"Prazer, essa é a fodida tal vida, minha cara amiga. Vai se acostumando." Kate passou o seu braço por cima do meu ombro e nós duas fomos andando para a nossa aula juntas.

...

Já era quase a noite, quando eu terminei de me arrumar e desci as escadas, logo encontrando minha mãe na cozinha preparando o jantar.

"Posso saber ao menos a onde você vai ou vai manter segredo sobre isso também?" ela perguntou, de costas, mexendo no fogão.

"Mãe?!" eu a chamei, meu tom visivelmente cansado daquela situação. Ela não se virou, continuou de costas, sem dar o braço a torcer. "Está bem! Vou no jogo do time da minha escola. Sou a cheerleader, tenho o compromisso de ir."

"Ok. Vai. Se divirta." ela balançou os seus ombros. "Só lembra da hora."

"Eu irei! Tchau! Te amo!"

...

"Um...Dois...Três!"

Tudo aconteceu como em câmera lenta nas próximas cenas a seguir. Kate foi lançada para o ar como se tivesse peso pena, atraindo a atenção de todo mundo que estava presente naquele estádio. Ela voltou para baixo na mesma rapidez e quando caiu nos braços das meninas, tomou impulso nas pernas e ficou de pé com os braços esticados segurando os pompons. Ela abriu um sorriso e a galera foi a loucura, aplaudindo ela. A nossa apresentação acabou e saímos de campo uma atrás da outra para que o jogo dos meninos começasse.

"Aquilo foi demais, Kate!"

"Você mandou muito bem, garota!"

"É, você arrasou lá!"

Eu fiquei de longe escutando as chuvas de elogios para cima dela. Quando finalmente a minha amiga foi desocupada, eu me aproximei.

"Nossa, parece que eu tenho uma amiga famosinha agora. Pode me dar um autógrafo, por favor?"

"Pare de graça sua bobinha!" Ela jogou a sua toalha de rosto em cima de mim. "E ai, está sentindo alguma coisa?"

"De que tipo exatamente?" eu perguntei jogando a toalha dela de volta.

"Do tipo que você está... Você sabe." ela sussurrou. "Alguma dor? Enjoo?"

"Estou me sentindo bem."

"Que bom! Agora vamos assistir o jogo dos meninos! Já falei que amo ver esses garotos correndo, suando, batendo um contra ao outro, brigando?..." Kate respirou fundo.

"Meu Deus! Você tem namorado, sua sem vergonha!"

"Desde que não aconteça nenhum toque físico, olhar não arranca pedaço, Steele." ela riu e saiu andando na minha frente para se sentar na arquibancada.

...

E mais uma vez, os meninos conquistaram mais um prêmio para o Elite High School. Os alunos estavam irradiantes e o diretor liberou logo uma "pequena" festa para comemorarmos. Assim que o som vibrou pelas caixas de som, eu olhei em direção a Matteo. Ele soltou a música e sorriu para a galera que aprovou o som. O seus olhos encontraram com os meus e ele desviou e depois voltou a me olhar. Eu peguei o meu celular e digitei para ele:

"Essa é boa!"

Matteo pegou o seu celular e visualizou. Ele levantou sua cabeça para me ver e sorrindo, balançou a cabeça, me agradecendo.

Eu sentir a minha bexiga pedir banheiro de novo e então tive que correr para o de dentro da escola. Eu estava começando a ir ao banheiro com mais frequência do que gostaria, mas isso era só um dos milhares sintomas de gravidez.

Eu lavei minhas mãos olhando para a minha imagem refletida no espelho na minha frente enquanto escutava a música abafada vindo do lado de fora onde acontecia a festa.

"Ana?" Christian me chamou empurrando a porta do banheiro feminino.

Eu desliguei a torneira e olhei para ele, sem entender porque ele estava ali.

"Podemos conversar?" ele perguntou.

"Nós não temos nada pra conversar, Christian." enxuguei minhas mãos no papel toalha e joguei no lixo. Quando ameacei passar por ele, Christian entrou com o seu corpo todo para dentro e fechou a porta, ficando na frente. "O que é isso? Vai me forçar ficar trancada aqui com você?"

"Você está com aquele cara?" o seu maxilar cerrou, como se tivesse com raiva. Eu engoli seco e dei um passo para trás, buscando forças para desfazer o contato com os seus olhos. Aqueles olhos cinzas que me faziam perder o fôlego.

Notas finais
Se você chegou até aqui, saiba que estou grata! Deixe-me saber o que achou, que tal?