Dezesseis - A historia de João Roberto
1 Prologo
Era uma tarde normal para a maioria dos alunos do Marista, exceto para os amigos de Jhony que estavam muito tristes, mas tudo corria normal, ate que o diretor Fernando anunciou durante o intervalo que um aluno tinha sofrido um acidente e estava na UTI do hospital em fase de recuperação.
Todos sabiam, mas ninguém queria admitir que esse aluno que o diretor não anunciou nome, era o Jhony, ele era o único que tinha faltado no colégio naquela segunda feira, e era o aluno que sofreu muitos acidentes ate aquela data. Ele era um cara esperto, habilidoso com seu carro, e que tinha se recuperado de vários acidentes. Os alunos diziam que dessa vez ele havia capotado o carro na asa sul, quando estava em um racha contra Pretorius, um filho de embaixador da África do Sul no Brasil, era mimado, tinha até uma banda de punk chamada “Aborto Elétrico”, ironia com a garota que morreu durantes os protestos na capital no ano anterior. Ele tinha um velho opala diplomata, mas que ele chamava de Samantha, pois era o nome da sua falecida mãe. Nesse racha com Jhony, estavam a mil pela asa sul quando Jhony acabou desviando de um carro e capotou três vezes, estava com seu carro que acabara de reformar um belo Dodge charger, que tinha ganhado de seu pai há poucos meses. O carro ficou irreconhecível depois do acidente. Jhony foi visitado por vários de seus amigos, inclusive Renato, o vocalista da banda em que Pretorius tocava, levou flores e tudo mais. Maria Lucia sua melhor amiga ficou durante três dias e duas noites no saguão do Hospital esperando respostas da situação de Jhony. Maria Lucia era garota de classe media filha de deputado, conhecia Jhony desde que ainda engatinhavam pelos corredores da casa de Dona Joana (mãe de Jhony).
Jhony começou a dar sinais de recuperação quando sua namorada Leila foi vê-lo, quase uma semana depois do acidente. Quando ela estava adentrando ao quarto, começou a cair em lagrimas, pois jamais tinha visto o namorado tão debilitado como dessa vez. Ate os médicos não sabiam como ele tinha se recuperado tão rápido de lesões como essas, já que o mesmo tinha chegado inconsciente e com suspeita de uma hemorragia interna. Quando ela chegou, viu ele todo grudado aos equipamentos médicos, e vários sinais de agulhas em sua pele clara, Jhony era sempre bronzeado, porem uma semana dentro de um hospital fizeram com que a bela aparência dele se tornasse apenas uma memória. Jhony estava com duas sondas, uma para se alimentar e outra para suas necessidades. Leila continuou a chorar por mais de quinze minutos, ate que os médicos a tiraram e a levaram para a triagem, onde foi atendida para ver se estava bem.
E assim se passaram mais cinco semanas no hospital, todo dia depois da escola Leila ia visita-lo, junto com outros amigos como Eduardo, Renato, e ate Pretorius havia visitado ele, mas seu irmão Bruno, não fora nenhuma vez no hospital, porque dizia não ter condição de visitar o irmão naquela situação. Depois da segunda semana Jhony fora levado a um quarto particular, pago pelo pai de Maria. A partir da terceira semana Jhony só pudera começar a dormir com o uso de vários remédios para dor, pois sempre se queixava de dor nos braços e pernas, vários exames foram feitos e foi constatado que as pernas e braços estavam em perfeitas condições e que logo passaria a dor. Quem dera que os médicos estivessem certos, a cada noite ele se queixava mais e mais para Dona Joana, ate que os médicos começaram a receitar alguns medicamentos mais fortes, certa vez fora até usado uma pequena dose de morfina.
Depois de sete semanas após o acidente João Roberto ganhou alta no hospital e assim foi liberado para ir para casa retomar as suas atividades cotidianas. Uma das primeiras coisas que fez quando chegou a casa foi dar um grande abraço no irmão, que tinha falado para ele não correr contra o Pretorius porque ele estava com um mau pressentimento. Depois João foi para a garagem nos fundos da casa para ver o que restara de seu belo charger, quando viu o carro, caiu em lagrimas, o carro estava completamente detonado, parecia que tinham passado um rolo compressor por cima da maquina. Não conseguia parar de pensar no carro, e no que aconteceu naquela tarde de domingo, onde quase perdeu a própria vida. Sentiu tanta raiva de si mesmo por ter topado aquela corrida suicida, ele sabia que qualquer pega feito naquele trajeto era suicídio, ainda mais porque o movimento era intenso no horário do pega. No dia seguinte João já estava preparado para ir para a escola e ser bajulado por todos os alunos do Marista.
Eram umas 6 da manhã quando Jhony começou a se arrumar, iria pegar o carro do pai emprestado, um belo opala azul metálico e iria direto para a casa de Leila para antes de ir ao Marista passar na The Plates para tomarem café como faziam antes do acidente. Jhony dessa vez foi com muita cautela, chegou à casa de sua namorada, deu três buzinadas, e ficou a espera por dois minutos ate que ela saísse pela porta toda linda, cabelos soltos uma blusa dos Pistols, e uma calça longa e escura com alguns rasgos, estilo comum dos jovens punks daquela época. Ela abre a porta toda feliz, e da um beijo em Jhony ao som de Stairway to Heaven do Led Zeppelin. E depois começaram a conversar.
–Bom dia, bela adormecida – Disse Jhony de forma irônica ao olhar nos olhos de Leila.
Leila riu e disse – Bom dia seu idiota.
–Vamos ao The Plates tomar um café e tocar algumas musicas do Led? Ou Rolling Stones? – perguntou Jhony, já todo feliz e um sorriso de orelha a orelha esperando a resposta.
–Claro, demorou a estarmos lá, só que dessa vez eu vou cantar satisfaction, você não consegue ter os agudos suficientes como eu. – Retrucou com um riso maldoso e provocante.
E continuaram a conversar durante os quinze minutos que se passaram ate chegarem ao The Plates. Quando já estavam lá, Jhony acabou pegando o violão, algumas cifras que tinha comprado e uma caixinha pequena, toda decorada com entalhes em ouro. Leila já havia percebido a caixinha junto às coisas de João, mas não havia perguntando ainda o que realmente era aquilo. O tempo passa eles começam a conversar sobre punk, e Jhony resolve pegar o violão para tocar uma musica que ele mesmo compôs. E nisso Jhony acaba derrubando suas cifras e aquela misteriosa caixinha no chão.
–João Roberto Manfredini, o que é isso? – Perguntou Leila toda assustada com o conteúdo que ali havia.
–Calma Leila, eu posso explicar, é que... – Jhony tentou responder a sua pergunta, e tentou esconder a aliança de noivado.
–Vai me explicar o que? – Ela perguntou já irritada.
–É que nos últimos meses eu sofri vários acidentes, estive perto do meu fim nas ultimas semanas, e por isso, quero ter quem eu mais amo ao meu lado, antes que eu acabe indo dessa vida para a melhor. – Disse Jhony já ajoelhado em frente à Leila
–Mas, mas, mas eu não sei, eu gosto de você, gosto tanto de você... – disse Leila em tom de surpresa
–Se gosta tanto de mim, qual o problema de no se casarmos? – Jhony estava quase chorando ao falar isso.
–É que enquanto você esteve no hospital eu meio que segui minha vida, consegui um emprego em São Paulo e vou me mudar para lá, eu até me aproximei bastante de um amigo de la, eu queria ter lhe contado antes. – Falou ela com a mão nos olhos enxugando algumas lagrimas.
Jhony simplesmente fechou a caixa, convidou ela pra entrar no carro, e irem ao colégio. Chegando lá ele pediu pra ela para descer do carro, que ele iria dar um volta e talvez perderia mais essa semana de aulas.
Rodou por Brasília até se cansar, e voltou pra casa, estava decepcionado mesmo, a garota que ele realmente amava acabou traindo ele com outro cara, e ainda por cima iria se mudar pra São Paulo, ele não podia aguentar essa ideia. Ficou trancado no quarto por quase cinco semanas, não foi a escola, não foi aos pegas que participava, mal saia do quarto para ir ao banheiro.
Saiu do quarto apenas quando seu irmão Bruno implorou pra que ele saísse do quarto, e disse que não o levaria para o Rio de Janeiro se não começasse a ir à escola novamente. Então João resolveu de uma vez por todas voltar a estudar. Mas já estavam no final do Bimestre e resolveu que voltaria apenas no segundo bimestre.
Fale com o autor