Dez anos em uma noite

1 Capítulo 1 - I Caught Myself


— Então é isso?
— Como assim? — o sorriso brincava no rosto dele enquanto tentava encarar seriamente a garota, que na verdade já era uma mulher, que insistia em segurar as suas mãos enquanto embalava os dois no som da música.

— Vamos tentar recuperar dez anos em uma noite? — a resposta da loira foi divertida enquanto jogava a cabeça para trás, se esforçando para olhar o rapaz, que agora já não era tão loiro quanto há dez anos.

— Porque não? — perguntou forçando uma seriedade no seu tom — Tem outros planos com algum dos prováveis mil caras interessados por você que estão aqui?

Ela riu e resolveu responder com um leve soco no ombro do rapaz. Mesmo após dez anos, nem tanta coisa de fato havia mudado, e bem, ele não estava errado. Haviam outros caras ali, naquela noite, com os quais ela mantinha um certo relacionamento. E pelo riso e o revirar dos olhos ele sabia que estava certo, e sentia-se ansioso torcendo para que a resposta dela fosse um sonoro não para todos os outros e pelo menos por essa noite ela pudesse ficar concentrada apenas nele.

— Acho que posso te conceder a honra de ter toda a minha atenção nessa noite — a loira falou de forma demasiadamente dramática enquanto puxava a mão do rapaz para ir até as suas costas — Mas não garanto recuperar esses loucos dez anos em uma única noite! — advertiu e em sequência depositou um beijo em seu queixo.

Era diferente, e ainda bem, o quão louco seria se aos vinte e cinco ele fosse o mesmo de quando tinham quinze. Mas isso não mudava a sensação de tempo perdido ao perceber que agora o rosto do loiro era preenchido por uma leve barba, que ela sem dúvidas não viu crescer ali.

— E o nosso casal vinte voltou!!! — um dos amigos gritou de fundo pelo microfone do karaokê, arrancando risos e comemoração dos que conheciam a história.

— Quem disse que a gente um dia se separou? — a loira brincou.

— Quem falou mentiu! — completou um dos amigos entregando uma cerveja para o rapaz.

Enquanto ela tentava seguir de encontro ao amigo com o microfone, a mão do rapaz loiro a segurou com um pouco de força.

— Já está valendo, — ele começou a falar com a boca bem perto do seu ouvido — Essa noite você é minha.

— Ah não! — ela virou abruptamente sendo recebida por um par de sobrancelhas arqueadas — Essa frase não! — e foi assim que os lábios dela quase se uniram em um bico antes de continuar sua fala — Tonight you’re mine é uma música muito nova na minha vida e se você ficar usando ela eu vou me confundir todinha na hora de te contar sobre esses dez anos!

Ele riu. Tinha alguma forma de não rir? Ela ainda era muito como ele lembrava. A música ainda era algo que parecia sagrado quando citado por ela, como se tudo o que ela ouvisse estivesse compondo a trilha sonora da série sobre a vida dela. Ele ainda não sabia a essa altura da noite, mas ela nos últimos anos havia repetido diversas vezes como um dia a Netflix gravaria uma série da sua vida e o quanto a trilha precisava ser perfeita!

— Vem, — chamou tirando ele de seus devaneios — Se você quer recuperar dez anos em uma noite precisa pelo menos aprender sobre o que eu gosto de beber. — completou enquanto puxava ele pela mão guiando os dois para o bar.

— E o que você gosta de beber?

— Depende — a voz dela era séria e ele pode reparar como a mesma olhava com atenção o cardápio que estava no balcão — Hoje eu quero tomar uma tequila sunrise — sua frase foi mais para o barman do que para ele.

Ele riu — Então nós dois vamos descobrir quem é você hoje?

— Você sabe, eu nunca fui boa de saber o que quero só o que não quero — e ai estava o mesmo sorriso vitorioso de dez anos atrás, enquanto ela falava a mesma frase de antes.

Haviam realmente se passado tantos anos? Essa pergunta pairava sobre os dois. Ela olhava para ele tentando encontrar alguma mudança além da sua altura e a barba. Os olhos azuis ainda eram os mesmos, assim como o largo sorriso rindo de tudo o que ela falava. E para ele, se não fosse a cor de cabelo e as roupas, ela ainda era a mesma que circulava pelos corredores da escola como se nada importasse além da sua vontade e da felicidade dos amigos.

Outra coisa que parecia não ter mudado. Até porque essa noite era toda ideia dela, uma reunião depois de dez anos, um pedido de comemoração aos anos dourados dela, independente se os envolvidos tivessem sido tão felizes quanto ela, segundo a mesma esse é um débito que vocês tem comigo por me amar. E ela não estava errada, não foi preciso muito para mobilizar cerca das dez pessoas mais importantes para ela até aquele bar um tanto quanto duvidoso, mas que a essa altura da noite parecia ser o seu lugar perfeito.

— Vai, o que você quer saber? — perguntou quando já saboreava a sua cerveja.

— Como que eu posso estar dando uma chance para alguém que pede uma Heineken com tanta vontade? — ela falou incrédula e ele entrou na brincadeira.

— Qual eu deveria pedir?

— A que você mais gosta — ela falou brincando com o canudo do seu drink, — Mas é um pouco decepcionante ver como você é o perfeito hetero padrão — completou rindo.

— Uma cerveja e você já tem todo esse julgamento? — ela era então recebida por um arquear de sobrancelhas que ela não imaginava que ele fosse capaz de protagonizar.

— E a camisa — falou segurando a gola, como quem arrumava a mesma — O sapato — completou com certo desdém quase cômico — E o fato de que você provavelmente se formou em engenharia.

— Olha só se alguém não andou acompanhando a minha vida! — ele declarou rindo e repousando a mão livre da cerveja na cintura dela.

— Você sabe que eu sempre fui boa com redes sociais — ela riu enquanto acompanhava com os olhos o braço dele que agora fazia um delicado carinho em sua cintura — Você melhorou nisso.

— Nisso?

— É — declarou ela passando a mão no braço dele que ainda tocava sua cintura — Seu toque e sem dúvidas — apertou seu bíceps antes de terminar — Nisso também — finalizou rindo tímida.

— Nós já fizemos academia juntos — seu tom foi nostálgico lembrando daquele estranho encontro há um par de anos antes.

— Meu deus, sim! — ela riu alto — O que eu tinha na cabeça de fazer academia? Eu só pagava e quase nunca ia! E pior naquela época eu tinha o que? Dezoito anos e já tomava colágeno por medo de envelhecer! — disparou as palavras em meio a risos e gesticulando com as mãos, mas tomando todo o cuidado para não derrubar o líquido do seu copo.

— Eu não sei, mas também lembro de ser atacado por você alguns anos antes no ponto de ônibus — ele relembrou divertido fazendo com que ela se virasse para o balcão desviando de seu olhar — Que foi?

— É engraçado — ela começou e antes que ele pudesse perguntar ela se apressou — Naquela época era como se eu não quisesse que você fosse embora da minha vida então ver você era a minha chance de te lembrar que eu era incrível e você deveria querer ficar comigo.

— E você desistiu dessa tática? — ele perguntou sério, posicionando seu corpo atrás do dela, colocando um braço de cada lado do seu corpo apoiando ambos no balcão.

— Eu cresci, né?! — ela falou ainda sem olhar para ele.

Foi a vez dele tentar essa velha tática, puxando ela de uma forma um tanto quanto desajeitada para ficar de frente para ele enquanto prendia os lábios dos dois em um beijo como o daquela época. Um beijo rápido e confuso que com o passar dos segundos foi acertando o tom, o ritmo e até os toques.

— Realmente, uma bela tática a sua Alice — ele declarou ainda com os lábios colados no dela.

— Eu sempre tenho as melhores ideias — completou ela, convencida enquanto enrolava os braços no pescoço dele e o puxava para mais um beijo.

Não muito longe a pequena plateia de amigos assistia e ria, enquanto seguiam preenchendo a noite com um karaoke desafinado. Alguns ali diziam já esperar que esse casal acontecesse, se não hoje, em algum dia do passado. Não haviam brigas, era sempre ela com seu tom autoritário e ele tentando fazer piada mas acabando cedendo aos pedidos da loira, que há dez anos atras era um misto de ruiva com morena, com os cabelos que sempre seriam uma incógnita, afinal qual era de fato a cor do cabelo da Alice?

E o jovem loiro pareceu lembrar dessa eterna pergunta já que riu dentro do beijo e soltou a pergunta que muitos ali tanto aguardavam a resposta.

— Você tem uma noite para descobrir dez anos da minha vida e sua maior dúvida é a cor do meu cabelo? — ela falou em um tom indignado se afastando dele.

— Essa pergunta é um bônus, ok? — ele se justificou — Todo mundo aqui quer saber!

— O Gustavo sabe a resposta! — ela exclamou apontando para o amigo que logo focou sua atenção neles.

— Sei do que? — o loiro de óculos chegou mais perto — Olha eu acho vocês bonitos juntos, mas eu não sou adepto desse amor livre que você prega não hein Alice…

— Gustavo!

— Amor livre que você prega? — o loiro que ainda a segurava pela cintura pareceu surpreso, e ela como resposta fuzilou o amigo com o olhar.

— Fala pra ele Gustavo, todo mundo sabe a cor natural do meu cabelo! — pediu apressada tentando ignorar o outro assunto que tinha surgido.

— Mas eu não sei — Gustavo falou com sinceridade e se aproximou mais — Eu suspeito que ela seja uma metamorfomaga — falou em tom de confidência aos dois rindo sozinho da própria piada.

— Harry Potter, né? — foi a vez da loira rolar os olhos.

— Olha só, a princesa dos vampiros perdeu o preconceito com a melhor saga de todas? — Gustavo pareceu comemorar enquanto arrancava risos do loiro que a essa altura já havia dado espaço para os dois amigos, mas não o suficiente para não estar ainda dentro desta louca conversa.

— Eu gosto das fanfics — confessou a baixinha enquanto voltava ao seu drink.

— Então mesmo depois de dez anos você ainda gosta de fanfics? — foi a vez do loiro se intrometer.

— Claro, Rafael! — ela realmente agia como se fosse algo óbvio — Eu sou uma leitora assídua de fanfics e sempre vou ser! — e antes que qualquer um dos dois pudesse comentar algo ela completou — Na minha apresentação no site do trabalho eu pedi para colocarem isso, não tenho vergonha.

Os dois riram enquanto ela apenas rolava os olhos voltando sua atenção para o seu drink. Por mais divertido que essa conversa estivesse, ela não queria perder mais um minuto longe do Rafael, então sem muito rodeio puxou a mão dele para de volta a sua cintura. Gustavo apenas riu vendo a situação e anunciou que já tinha terminado o seu trabalho.

— Saldo da noite: você tem um drink preferido a cada noite, ainda é leitora de fanfics e apoia o amor livre… — Rafael pontuou colocando o seu corpo na frente dela e voltando a ficar de frente pro bar, mas dessa vez mantendo ela de costas para as bebidas.

— Algum problema? — perguntou séria enquanto tentava cruzar os braços na altura do seu busto. O que ela não conseguia muito bem devido ao grande volume que tinha ali e por isso tornava o ato um pouco engraçado.

— Nenhum — ele respondeu antes de voltar a aproximar seus lábios do dela — Mas é engraçado pensar na senhorita aceitando que alguém se relacione com você e com outras pessoas — completou já a prendendo em um beijo.

— Por que? — Ela o afastou com as mãos e seu peito.

— Você nunca foi muito boa em dividir

— Mentira! — protestou forçando ainda mais a distância entre eles.

— Mentira? — Ele arqueou novamente as sobrancelhas — Quem foi então que me beijou na frente de toda a escola quando soube que a Mariana era afim de mim?

— Isso não foi não saber dividir — ela começou a baixar a voz — Foi pra ela saber que eu quem mandava ali.

— Ah, então eu era só seu brinquedinho? — Ele forçou para que a voz soasse dramática mas a verdade é que essa pergunta era mais real do que ele gostaria de assumir.

— Você sabe que eu nunca soube o que eu queria de verdade — de cabeça baixa ela assumiu um dos seus fantasmas daquela noite. Ela realmente gostava dele?

— E isso mudou nos últimos dez anos? — não havia mais drama em sua voz, apenas a ansiedade e medo em saber a resposta.

— Eu não sei — e assim que as palavras saíram ela segurou o braço dele, prevendo o que ele faria — Mas eu estou aqui, não estou? — antes mesmo que ele pudesse rir sem vontade alguma do rumo que aquela conversa tinha tomado, ela prosseguiu — Tentando recuperar os últimos dez anos em uma noite, espero que sirva de algo.

— É, acho que em dez anos eu ainda aceito seguir sendo uma das suas opções — sua voz foi tão amarga quanto o gosto de sua cerveja que já beirava alcançar o clima ambiente, mas que mesmo assim ele virou de uma vez só.

— Pelo jeito não é uma boa ideia mexer com o que já estava enterrado — ela declarou esquivando dele sem nem ao menos levar seu drink.

Quando ela já estava há uns bons passos de distância e ele já pedia por mais uma cerveja, algo soou na cabeça da loira. Ela iria realmente, mais uma vez, se perder entre as confusões dos seus sentimentos de quando tinha quinze anos? Todos os anos de terapia realmente não valeriam de nada? Ele não valia a pena?

Sem pensar muito ela deu meia volta e em passos firmes, que castigavam o seu salto no chão, voltou até ele o surpreendendo com um beijo.

— Dez anos em uma noite, certo? — não foi realmente uma pergunta já que ela mesma completou — Eu ainda sou uma confusão emocional e acredito que você goste, já que eu era assim há dez anos e você ainda assim está aqui hoje — puxou o ar como quem busca por mais uma dose de coragem — E acredito que posso falar por nós dois quando digo que senti falta disso — ele se preparava para responder mas ela continuou sendo mais rápida — Será que agora você pode me contar algo sobre esses dez anos? Quantas namoradas você teve?

Ele não respondeu de imediato. Ela causava ainda isso nele, essa falta de palavras. Era como se ela realmente protagonizasse um filme e ele estivesse ali no meio da trama sem o roteiro. Ele poderia falar que não queria mais se perder naquela confusão sempre sendo apenas uma das opções dela, poderia ir mais longe e reclamar de tudo o que se passou há dez anos enquanto ele acompanhava ela sofrendo pelos caras errados e mantendo ele como um step. Ele poderia muitas coisas, mas hoje ele tinha apenas uma noite para descobrir se dez anos em uma noite haviam mudado algo. Aquele algo que dentro do peito dele remexia em todo o seu ser.

— O que você considera namoro? — perguntou calmamente pegando a cerveja que acabará de ser servida.

— Namoro, ué! — ela agia como se a definição fosse simples — Quando você e a outra pessoa falam “Ei, estamos namorando”.

— Você falou pros seus namorados “Ei, estamos namorando”? — ele riu — Você era mais romântica há dez anos.

— Você entendeu, para de me enrolar! — a loira revirou os olhos e tomou a cerveja da mão dele dando um gole e depois protagonizando uma careta. Ela realmente não gostava de Heineken.

— Algumas…

— Quantas?

— Não sei, umas três?

— Hum. — o bico junto ao olhar de desdém estavam de volta a aquele rosto que parecia não ter mudado em nada. Ele riu.

— Você realmente vai ficar com ciúmes? Eu tenho certeza que você namorou o dobro.

— Não é uma competição — ela falou ainda séria e se encostou no bar ao lado dele — Mas se fosse eu teria ganho…

— Quantos?

— Segundo a Ana foram sete, mas eu só considero quatro.

— Como assim segundo a Ana? — ele perguntou divertido e também intrigado por ser a primeira vez na noite que ouvia o nome da melhor amiga da Alice. Elas não eram mais amigas? Uma briga séria, ou só mais uma das tantas que elas protagonizaram antes?

— Ela contava como namoro tudo que dura mais do que quatro meses e que envolvia ser apresentado aos amigos, o que não é justo, eu apresento todo mundo aos meus amigos!

— Vocês não se falam mais?

— Não — sua resposta foi séria e o suficiente para que ela desgrudasse o corpo do bar e voltasse a ficar na frente dele — Vai, a próxima pergunta é sua!

Ele realmente queria saber mais do que havia acontecido entre elas, mas ela não parecia nem um pouco disposta a falar sobre, e bem, ele não queria perder mais tempo. Por mais que não fizesse ideia do que queria saber sobre os últimos dez anos.

— Se você fosse me dedicar uma música, qual seria?

— I Caught Myself, do Paramore — ela respondeu prontamente enquanto seus lábios eram tomados por um tímido sorriso.

— Porque? — ele perguntou percebendo que não lembrava de forma nenhuma que música era essa.

— Eu dediquei ela pra você em uma foto nossa no meu Tumblr — ela assumiu desviando o olhar — É engraçado porque eu me lembro perfeitamente dessa foto mesmo não vendo ela há uns bons anos e tendo certeza de que ela nem existe mais na internet.

— E o que essa música fala? — Ele aproveitou o momento para puxar ela para ficar a sua frente, entre o vão de suas pernas e o mais próximo que ele conseguiu.

— Sobre não saber o que quer — ela riu e então passou a alisar os braços dele que se enrolavam em sua cintura — Eu queria tanto outra pessoa naquela época, mas eu também queria você — um suspiro saiu involuntariamente de seus lábios enquanto seus olhos seguindo baixos, vagando pelo caminho que seus dedos faziam no braço dele — Então era como se você estivesse me puxando para esse sentimento por mais que eu soubesse em meu coração que não era você, — e então ela parou o movimento, mas não era como se ele tivesse algo para falar — Mas talvez eu só tenha entendido tudo errado, você sabe que eu nunca fui boa em inglês — ela declarou rindo — Acho que o it’s not you era sobre você não ser o que eu achava, e eu só não conseguia entender direito — antes que ele pudesse falar alguma coisa as palavras voltaram a preencher o pequeno espaço entre eles — Já que é da nossa foto que eu lembro perfeitamente e não do rosto de nenhum deles.

Ele suspirou e a puxou para um abraço, que ela prontamente aceitou. Ele não era muito diferente, não é mesmo? Até porque, quem aos quinze anos sabe de quem realmente gosta ou sabe de fato gostar de alguém? Não era como se ele não tivesse tido os mesmos questionamentos, os mesmos desvios. Ela não era a única em sua vida há dez anos, não seria justo esperar por uma declaração de amor verdadeiro e único em uma noite onde tentavam recuperar todos esses anos perdidos.

— Eu não quero que essa noite acabe — o tom de voz dela saiu abafado e quando ele tentou afastar o abraço para ouvir melhor ela apertou mais seus braços em volta dele — Eu sei que você ouviu, não me faz sair desse lugar confortável.

Ele riu. Sem dúvidas ele não queria soltar ela. Não antes de memorizar o tamanho exato dela e a forma como o seu rosto se encaixava em seu peito, ou antes de pelo menos ritmar a respiração dos dois. Ela sem dúvidas era mais do que uma paixão adolescente, e uma noite não seria o suficiente para recuperar os dez anos que os separavam.

— Quer tomar café da manhã? — ela perguntou como se lesse os pensamento dele, enfim afastando o seu rosto do peito dele para poder encarar seus olhos azuis.

— Mas não são nem três horas da manhã.

— Eu sei, Rafael! — ela revirou os olhos e depositou suas mãos na gola de sua camisa — Eu tô falando de na hora que a gente for embora, se você quer tomar café da manhã comigo...

— Mas aí não vai ser mais uma noite… — ele provocou enquanto afagava sua cintura com as duas mãos.

— É, mas eu conheço uma cafeteria maravilhosa e hiper secreta! — ela falou com entusiasmo — E o nosso combinado foi de recuperar dez anos em uma noite e não de não escrever os próximos dez anos a partir de amanhã de manhã…

Ele sorriu abertamente sendo seguido por ela. Ela queria que ele aceitasse e torcia para que aquele largo sorriso significasse um sim, assim como o beijo que veio em sequência e as pequenas curiosidades sobre a sua vida que ele foi contando pelo decorrer da noite. Ele por sua vez não sabia ao certo como aquietar o seu coração com a ideia de escrever os próximos dez anos a partir de amanhã de manhã, já que cada risada e detalhe que ela contava o fazia sentir como se os próximos dez anos fosse um período pequeno demais para os dois.



Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.