Dez anos de história
1 Único
Notas iniciais
"Chibi?" Yuya chamou ao chegar em casa, retirando os calçados, fazia um pouco de frio lá fora, mas nada muito opressivo, deixou a bolsa pendurada no apoio na parede. "Chibi?" chamou novamente, mais alto dessa vez, os pés descalços encontrando conforto nas pantufas verdes que ficam ali o esperando.
"Na cozinha!" Yukito respondeu, obviamente, da cozinha.
Esse preparava o jantar, nada especial, a comida do dia a dia, afinal, era o que ele sabia fazer, com muito esforço, ele comseguiu aprender a cozinhar, o básico, só para não morrerem de fome, mas, mais do que o suficiente para seu Koi o achar um verdadeiro chef gourmet e a sua comida digna de cinco estrelas Michelin.
"Você está cozinhando?" Yuya perguntou, o abraçando por trás e beijando seu pescoço, achando Yukito extremamente fofo, ele sempre achava, mas Yukito de avental azul bebê escrito na frente Papai da Judi era uma das coisas mais adoráveis que qualquer ser humano poderia presenciar.
"Sim...?" Yukito respondeu com um tom de interrogação na voz. "Porquê? Não deveria?" ele disse beijando Yuya na bochecha, mas não perdendo a atenção por nenhum minuto, afinal, suas habilidades eram baixas e ele não podia se dar ao luxo de não estar focado no preparo dos alimentos.
Yuya soltou uma risada, deixando o quadril descansar ao lado da pia.
"Não é isso... é só que... Você sabe que dia é hoje, certo?" Perguntou, arrumando uma mecha de cabelo do mais jovem com uma mão, enquanto a outra roubava uma rodela de cenoura.
"Sim, eu sei, nosso aniversário de namoro, dia oito de junho, certo?" Respondeu com as sobrancelhas franzidas, será que se equivocou na data? Não, impossível!
Está certo que o obcecado por datas era Yuya, ele gravava e gostava de comemorar toda a qualquer data. Aniversário de namoro, a primeira vez que transaram, o dia em que foram morar juntos, quando adotaram Judi, mas Yukito se orgulhava de ser tão atencioso com datas que eram importantes para ambos, quanto Yuya, então obviamente ele não estava enganado.
"Sim, você está certo, mas não é qualquer aniversário..." Yuya movimentou as mãos no ar. "É nosso aniversário de dez anos. Chibi, não quer sair para jantar, para comemoramos?" A verdade, Yukito desconfiava que fosse, era a seguinte, Yuya amava beber e deixar Yukito bêbado.
Porque assim, Yukito aceitava facilmente e com um sorriso no rosto fazer as mais variadas loucuras.
Como da vez em que viajaram para a Tailândia e após muitos drinks coloridos e comidas picantes Yukito aceitou abandonar o restaurante a beira-mar com Yuya para fugir para beira da praia, onde tiverem uma tentativa fracassada de sexo, interrompidos por jovens que faziam um luau.
Yukito nunca mais quis voltar a Tailândia.
"Ah..." Yukito parou de cortar a cenoura em suas mãos. "Sabe o que é? É que hoje foi tão cansativo e amanhã promete ser ainda mais. Então..." Yukito deu de ombros, retornando a cortar a cenoura em rodelas.
"Então...?" Yuya chegou próximo de Yukito, enlaçando a sua cintura e aproximando sua boca do ouvido do outro, devido a grande diferença de altura, vinte centímetros dos quais Yuya amava se gabar, fazendo com que o mesmo precisasse se abaixar para tal.
"Você está me dizendo, que não quer comemorar comigo?" Yukito sentiu um arrepio nascer em seu pescoço e percorrer suas costas.
"Claro que eu quero… "levantou a cabeça, beijando num selar longo seu namorado. "Mas quero que a comemoração seja íntima, só nós dois." disse ele colocando os braços em cima dos ombros do outro, se demorando em admirar os traços do amado.
"E essa comemoração envolve você sem roupas?" Yuya perguntou, a boca já percorrendo o pescoço do menor, selares e pequenas sugadas.
"Sim e também envolve você sem roupas..." Yukito disse, jogando a cabeça para trás e dando total acesso ao namorado.
"Vamos para o quarto Chibi?" Yuya perguntou, já tentando arrastar o outro para o quarto do casal, o segurando pela cintura.
"Espera... Koi... Não! Eu preciso terminar o jantar." Yukito se soltou do namorado, as mãos arrumando o avental amarrotado. "Eu preciso alimentar meu maridinho." Disse fazendo charme, sabendo bem qual o efeito daquela palavra no namorado, eles não eram casados, afinal, o casamento entre pessoas do mesmo sexo ainda não era oficializado no Japão, mas ambos, após dez anos juntos, morando a quase cinco na mesma casa se consideravam casados.
"Pode me alimentar de outra forma" Yuya disse, voltando a tentar levar Yukito para o quarto. "Eu não estou com fome de comida agora." Ele disse sorrindo, fazendo Yukito soltar um suspiro cansado.
Não importa quantos anos se passassem, Yuya sempre teria um fogo tremendo, não que Yukito reclamasse, mas ele gostava de se fazer de difícil, adorava o jogo de gato e rato.
"Koi deixa eu terminar o jantar" Yukito disse. "Você acabou de chegar em casa, porque não vai tomar um banho?"
"Eu não estou fedendo!" Yuya falou com uma expressão de choque no rosto, que faz o namorado rir e balançar negativamente a cabeça.
"Yuya, deixe-me terminar o jantar. Depois eu sou todinho seu." Yuki falou acariciando o rosto do outro. "Prometo!" Yuya revirou os olhos e bateu os pés em uma pequena birra.
"Está bem." Ele disse vencido, indo em direção ao banheiro.
"Depois leva a Judi para passear." Yukito falou em um tom mais alto para que o outro o pudesse ouvir do corredor.
"Mas eu já levei ela ontem." Yuya correspondeu ao tom alto de voz.
"E eu levei ela hoje, antes de ir trabalhar." gritou, ao retornar a cortar as cenouras.
"Ok, você venceu." Yukito escutou o namorado responder. E ele sorriu, porquê quando é que ele não ganha?
.
Yukito, saiu de cima do corpo do namorado, se jogando ao lado deste, em cima dos lençóis amarrotados, cansado, suado e completamente descabelado, mas com um sorriso satisfeito nos lábios, um suspiro feliz deixou sua boca e Yuya rapidamente o puxou para este deitar no seu abraço, o beijando no topo da cabeça.
"Você acabou comigo Chibi" Yuya comentou, também cansado. Yukito deixou um fraco tapa no peito do outro.
"Você que pediu para eu cavalgar você." Yukito fez aspas com os dedos, na palavra cavalgar.
"Sim, sim..." Yuya passou a outra mão no pescoço. "Acho que vou precisar de um relaxante muscular."
"Talvez você esteja velho... Já parou para pensar nisso." Yukito implicou com o outro, rindo.
"Você não é muito mais jovem do que eu..." Yuya se defende.
"Verdade..." Yukito disse pensativo. "Há dez anos, tudo parecia tão problemático, você com vinte e dois e eu com dezesseis, mas agora, não existe nenhum problema em nos relacionarmos. Isso não parece loucura?"
"Sabe o que me parece loucura?" Yukito respondeu com um huh "Que mesmo após dez anos com você eu ainda seja o maior e mais bobo homem apaixonado."
Yukito virou de lado, encarando Yuya.
"Eu também sou louco por você e pode passar mais de mil anos que eu ainda vou ser." Yuya encheu os olhos de lágrimas, afinal ele era uma manteiga derretido.
Mas quando ele ia responder, Judi arranhou a porta do quarto e começou a choramingar, a corgi de três anos exigindo atenção do casal.
"Você não levou ela para passear, né Yuya?" Yukito disse bravo, levantando da cama e procurando suas roupas.
"Eu esqueci Chibi!" Yuya se defendeu.
"Você é o pior pai do mundo todo." Yukito dizia enquanto vestia as calças de moletom e um casaco para levar Judi para seu passeio noturno.
"Mas sou o melhor marido." Yuya se defendeu. " Ah... Isso me lembra que eu ainda não te dei seu presente."
Yukito parou olhando para Yuya, ele também havia se esquecido de dar o presente que comprou para o namorado.
"Tentando me cobrar com presentes? Muito baixo da sua parte, Koi!" Yukito disse jogando um travesseiro que estava no chão em cima do namorado. " Vamos, levanta, você vai comigo, levar a Judi para passear."
"Mas eu tô cansado e dolorido." Yuya reclamou.
"Se você não for, vai ficar até o próximo aniversário sem sexo!"
"Você não ousaria!" Yuya disse já levantando e procurando uma roupa para vestir. " Melhor, você não aguentaria!"
"Quer pagar para ver?" Yukito já saia do quarto.
"Eu não!" Yuya indo logo atrás dele.
Ambos esperavam que Judi não demorasse muito para fazer suas necessidades. Mas caso ela demorasse, tudo bem, eles tinham o tempo todo do mundo.
Para estarem juntos.
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