Dez Dias de Ouija
4 Quarto Dia
Notas iniciais
Se você quer uma recomendação, não jogue ouija. Mas como eu duvido que você siga essa, então, outra recomendação é; não chame um psicopata pra jogar com você.
Apenas Tomás e eu estávamos jogando aquele dia, Laysa tinha faltado e Sabrina não era muito fã dessas coisas, ela estava assistindo apresentações feitas pelas outras salas e ocasionalmente aparecendo para ver se nós continuávamos vivos.
Numa dessas vezes, nós resolvemos testar o quanto aquele espirito era poderoso. Sabrina era a única que tinha visto uma de nossas professoras aquele dia, então nós perguntamos qual era a cor da roupa daquela professora.
B-R-A-N-C-O
Sabrina empalideceu e confirmou a resposta. Em seguida perguntamos qual sala estava fazendo a apresentação.
A-M-B-I-E-N-T-E
De novo Sabrina confirmou, era o técnico de meio ambiente que estava apresentando sobre redução de carbono.
Nós estávamos nos preparando para fazer mais uma pergunta, mas o espirito demandou que nós parássemos.
P-A-R-A-P-A-R-A-P-A-R-A-P-A-R-A-P-A-R-A-P-A-R-A-P-A-R-A-P-A-R-A-P-A-R
Ele ia e voltava para essas mesmas letras repetidamente e num ritmo cada vez mais rápido. Sabrina tentava não demonstrar, mas o terror estava estampado no rosto dela. “Eu vou andar”, ela disse e saiu do local, tremendo.
Nós prometemos parar, e gradualmente a velocidade foi diminuindo até o ponteiro parar. Foi quando um outro barulho chamou nossa atenção.
Um mosquito bem grande se debatia no canto da parede, ele parecia moribundo, agonizando pelos últimos minutos de vida. Nós observamos as falhas tentativas de levantar voo.
Tomás, irritado pelo barulho que o mosquito produzia virou-se para prancha; “Você pode matar esse mosquito?”.
SIM
Mal o ponteiro tinha acabado de se mover, o mosquito parou. Nenhum movimento foi produzido por ele. Ele estava morto.
Meu coração começou a bater tão rápido quanto humanamente possível, e um grito saiu da minha garganta antes mesmo que eu pudesse perceber, não um grito de medo, mas sim de raiva. “TOMÁS SEU IDIOTA!”.
Mil pensamentos rodavam pela minha cabeça, sobre a tão falada barreira física que os espíritos supostamente não podem atravessar, a menos que dado permissão a eles. Permissão como permitir que ele mate um mosquito.
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