Notas iniciais
Eu decidi contar todas as experiências que eu já tive com ouija e seus variantes, essa é só a primeira delas. Entretanto, todos os nomes foram modificados para proteger a identidade dos envolvidos.
Espero que aproveitem!

Quando se estuda em uma escola como a minha, dias em que o professor simplesmente não tem vontade de dar aula são bem comuns, e nesses dias eles simplesmente nos deixam fazer o que quisermos na sala de aula.

E foi numa dessas tardes dos meus onze anos conversando com uma amiga que eu fui saber do jogo do lápis, que era usado para se comunicar com espíritos.

Para quem não está familiarizado com o jogo, uma breve explicação, é bem similar ao jogo do copo, você desenha um círculo com todas as letras do alfabeto e nos extremos opostos escreve “Sim” e “Não”, então você pendura um lápis por um barbante, uma corda, ou qualquer outra coisa, e faz uma pergunta.

No começo era só eu e uma amiga fazendo perguntas bobas. “Está chovendo lá fora?”, “Qual a inicial do nome da professora?”, “Eu sou loira?”. Ele acertava todas, e antes que nós pudéssemos ver já tínhamos atraído mais da metade da sala em um círculo ao nosso redor, fazendo perguntas.

Sempre fui eu que segurei a corda, e eu tinha certeza que não estava mexendo.

As perguntas foram o típico de pré-adolescentes com os hormônios a flor da pele, “Fulano gosta de mim?”, “Fulana gosta de fulano?”.

Até que chegou o horário do intervalo e nós montamos o jogo em cima de um banco no pátio, o que atraiu mais gente ainda, eu posso garantir sem dúvida que foram mais de cinquenta pessoas que fizeram perguntas naquele dia.

Mas só tem uma que eu lembro claramente. “Algo ruim vai me acontecer?”. Eu lembro que muita gente começou a gritar com ela, chamar a garota de burra, porque não se pode fazer esse tipo de pergunta, até eu repreendi a garota, mas não ousei mexer minha mão. E o lápis se moveu rapidamente, e ficou por uns dois segundos levantado simplesmente apontando para o “Sim”.

Depois daquilo todos estavam assustados demais para continuar brincando, todos viram o lápis levantado, basicamente flutuando sobre o “Sim”. Eu pedi permissão para sair e não foi difícil de conseguir.

Eu não joguei mais, mas infelizmente eu comecei uma grande moda na escola, e apesar de eu ter parado, muitos outros começaram, até aproximadamente dois dias depois quando a diretora, vermelha e irritada entrou em sala por sala dando um recado.

“Eu não quero mais saber desse satanismo de jogo do lápis”, ela gritava para que toda sala ouvisse, “Quem eu pegar jogando isso vai ser expulso sem nem pensar duas vezes e se eu souber quem começou essa porcaria, expulso vai ser pouco!”

Admito que esse momento meu estômago revirou, e eu olhei para os lados esperando que alguém me dedurasse, ninguém lá era muito confiável, mas todos estavam de cabeça baixa envergonhados, até mesmo assustados.

No horário de intervalo, porque eu não ousei abrir minha boca pelo resto daquela aula, eu perguntei para minha amiga o que tinha acontecido, afinal a diretora não soltaria fogo pelas ventas por nada.

“Você não sabe? Lembra da garota que fez aquela pergunta que não devia?”, eu acenei a cabeça confirmando “ela sofreu um acidente de carro, junto com os pais, eu não sei o que aconteceu com ela depois”.

Meu sangue gelou ao ouvir aquilo, mas minha amiga não havia acabado.

“E também, todo mundo que jogou recebeu mensagens ameaçadoras de um número desconhecido, e quando tentavam ligar uma mulher que não sabia nada sobre aquilo atendia. Eu não tenho celular então não recebi nada. Você não recebeu?”

Apesar de ter celular, eu fui uma das poucas pessoas que não recebeu, então não posso confirmar que essa última parte seja verdade, mas esse foi meu primeiro contato com alguma versão de ouija, e não foi a última.

Notas finais
Espero que tenham gostado, e comentem!