Devora-me

9 Doce ou Travessuras?


Notas iniciais
Enjoy..

Naquele dia Skyller acordou excepcionalmente agitada. Ela levantou em um salto só tomou um rápido banho e desceu para o maravilhoso dia que havia nascido. Apesar de estar frio anunciando dias próximos de neve, havia fracos raios de sol que ela não perderia por nada nesse mundo.

No gramado ela avistou o garoto loiro que ela tanto prezava. Ele estava relaxadamente sentado, a cabeça estava pendida para trás com os olhos fechados recebendo o calor que emanava do fraco sol. Ela chegou sorridente e saltitante, jogando-se no gramado e pousando a cabeça no colo do loiro.

De longe ele sentiu quando ela se aproximava. Skyller tinha um perfume diferente de todos que ele já havia sentido, era inconfundível, inebriante. Ele jamais soube definir que aroma era aquele, pois ele jamais sentira em outro lugar. Mas quando o vento o espalhava e ele aspirava, ele sentia uma felicidade aconchegante, e por um segundo ele se esquecia dessa maldita guerra. Ela trazia paz, mesmo sendo travessa, Skyller emanava felicidade.

Draco sorriu quando ela pousou a cabeça em seu colo, e ele afagou seus cabelos cinza.

— Porque você nunca segue meus conselhos, sua destrambelhada? – Disse ele se referindo as inúmeras encrencas em que ela se metia.

— Porque você sempre é tão serio? – Disse ela risonha, — Você precisa levar a vida mais tranquilamente Draco!

— Você sabe que não posso me dar o luxo disso Sky! Não agora, com tudo isso acontecendo! Às vezes penso em largar tudo, sabe? Em fugir disso, e de todos! Mas não posso...

Ela apenas assentiu tristonha. Sky sabia o que estava acontecendo, ela sabia das dores e das mortes, e também temia por isso. Mas ser assim, e não ligar para as regras era uma forma de esquecer tudo isso.

— O que você pretende? – Perguntou ele.

Ela fez uma cara de que não tinha entendido.

— Professor Snape! – Disse apenas.

Ela sorriu, lembrando-se de como o irritava.

— Estou apenas me divertindo Draco! Gosto de irritá-lo, de vê-lo perder o controle tão rápido!

— Skyller, isso que você faz... Não é certo!

— E porque não?

— Não se brinca com o amor, e nem se joga com as pessoas! Há quanto tempo anda fugindo das paixões? Pois eu lhe digo, você irá acabar se machucando e machucando outras pessoas!

— O que sabe sobre ele?

— Snape é meu padrinho! Ninguém sabe tudo sobre ele! O cara é uma muralha, impenetrável... Mas você sabe, as muralhas podem ser duras por fora, mas dependendo do baque, logo se desmancham... Como você, ele não é um cara que dá chances para o amor, já sofreu muito sabe? Mas eu vi como ele te olhou quando você o provocou com seus uniformes modificados! Quer um conselho? Não o provoque! Pare com esses joguinhos, antes que fique impossível sair deles!

— Draco, você é tão careta! – Disse ela, levando um tapa do amigo na cabeça. — Draco, o que você estava fazendo na Travessa do tranco nas férias? – Perguntou ela sem rodeios.

Ele engoliu em seco, e por um momento Sky viu seus olhos marejarem. Era difícil pra ele, ela via que ele estava fazendo muitas coisas que não queria.

— Estava comprando... Alguns materiais que precisava. – Mentiu.

— Você não mente bem! – Disse ela, levantando-se e pousando suas mãos no rosto do amigo, — Draco, prometa-me uma coisa! Prometa-me que não se juntará a ele! Você sabe que não tem volta, sabe como meu pai sofre todos esses anos por isso! Por favor, prometa-me!

— Eu... – hesitou, — P-prometo!

Nos corredores Snape caminhava a passos largos. Parou por um instante observando dois adolescentes no gramado. A brisa trouxe até ele um perfume diferente, doce. A garota se levantou acariciando o rosto de Draco e ele logo viu os cabelos prateados que só poderiam pertencer a uma pessoa. Snape crispou os lábios em uma fina linha, e sua carranca se intensificou. Ele caminhou rapidamente até eles.

Snape parou atrás deles, e fez um barulhinho com a boca chamando-lhes a atenção.

— Parece que não existe mais a velha rixa entre as casas! – Zombou ele, — Vocês deveriam se tornar o símbolo da união entre serpentes e leões! –Ele olhou com raiva para os dois, mas os olhos furiosos pousaram demoradamente no rosto sorridente de Sky, que se divertia com a fúria dele. — Posso saber o que é tão engraçado Senhorita Lannyester?

— Nada não – Disse rindo, — Só me lembrei de uma piada que o “Draquinho” me contou né amor? – Ela disse, provocando.

Draco balançou a cabeça em negativa, não entendendo a fúria do professor, e nem como Sky conseguia ser tão sínica às vezes.

— Muito engraçadinha senhorita! Senhor Malfoy, venha comigo! Agora!

Ela riu por muito tempo da cara de Severo ao vê-los juntos. Era incrível como ele era lindo nervoso e mais sexy ainda com ciúmes.

Ei, que historia é essa de lindo e sexy? – Pensou, Devo estar realmente louca.

***

ONDE ESTAVA DUMBLEDORE e o que andava fazendo? Nas semanas seguintes o homem havia aparecido apenas umas duas vezes na semana, deixando todos intrigados. Sky começava a achar que Hermione tinha razão, ao notar que ele estava se ausentando mais do que de costume, provavelmente em alguma missão da ordem.

— Deve ser por isso que essa escola está tão chata! – Disse Sky com cara de monotonia.

— Então faça ficar melhor! – Respondeu Gina.

— E como farei isso? – Estou completamente sem criatividade...

Gina hesitou um pouco, pensando, enquanto Hermione apenas acenava negativamente reprovando a loucura das duas.

— Que tal uma pequena travessura? Mas dessa vez será algo arriscado!

Skyller sorriu, aprovando a idéia, o som da palavra risco soava como melodia em seus ouvidos.

— Eu terei que entrar na sala do professor Horacio e roubar uma de suas garrafas de hidromel! – Continuou a ruiva, — Enquanto você, entrará na sala do morcego e roubará uma poção dele! Qualquer uma! Se conseguirmos, dividiremos a garrafa de bebida, mas caso sejamos pegas...

— Serão expulsas! – Exclamou Hermione atônita, — Vocês serão expulsas suas loucas! Vocês perderam o juízo? Já não basta o Harry estar andando com aquele livro do tal “príncipe mestiço” para todo lado, e testando feitiços nos outros, e agora vocês? Eu realmente espero Skyller que você não...

— Eu topo! – Disse Skyller, como se não estivesse escutando o apelo da amiga.

As duas firmaram o acordo com um aperto de mão, enquanto Hermione olhava brava para as duas.

— Vou atrás do Harry! – Disse ela, — Não farei parte desse suicídio!

***

Sentada na janela da sala comunal da Grifinória Sky esperava a chegada de Gina. Haviam se passado mais de uma hora que a amiga saíra para cometer o pequeno “furto” e ainda não voltara. Skyller começara a pensar que ela não fora uma boa influencia para a ruiva, que já era travessa. Ela não gostava nem de imaginar o que Hermione faria caso uma das duas fossem pegas. Certamente elas escutariam a maior lição de moral que Hogwarts já teve em toda a sua historia.

Sky já estava desistindo de esperar quando ouviu um leve ranger da porta sendo aberta. Por ela uma ruiva sorridente com uma garrafa de hidromel na mão entrou dando uma piscadela sapeca para a amiga. Skyller correu em direção a mesma, abraçando-a, feliz por ela ter conseguido, e aliviada. As duas riam extasiadas com o feito.

— Pronto! –Disse Gina, — A minha parte está feita! Agora é a sua vez!

— Não acredito que continuarão essa loucura!? – Disse Hermione de braços cruzados as reprovando, — Skyller se o professor Snape te pegar, não só você, mas a Grifinoria inteira estará ferrada! Diz que irá desistir...

— Desistir? – Ela riu, — Você não acha mesmo que vou perder a oportunidade de estar na sala do meu Twuco, não é?

— Você é louca! Ele te deixará de detenção até você apodrecer!

— Espero mesmo! Espero mesmo que ele me deixe de detenção! – Disse enquanto colocava um pirulito nos lábios sorridente, e sumiu fechando a porta atrás de si.