Devora-me
12 Descobertas
Notas iniciais

Snape a arrastava pelos corredores nem ligando pelos apelos que a garota fazia. Ela tentava de todas as formas se livrar das cordas que viraram suas mãos, mas era inútil. Snape era visivelmente mais forte e mais alto que ela. Eles chegaram em frente a uma grande porta onde ele nem se deu o trabalho de bater, e sem cuidado algum a jogou em uma poltrona em frente a Dumbledore que lia uma revista.
— Oh, vejam só! – Disse Dumbledore, que bela visita! Como vai Senhorita Lannyester? – Disse apertando a mão da garota.
— Ah, muito bem senhor! – Ela respondeu.
— Não viemos aqui fazer visitas Alvo! – Ele entregou o pedaço de pergaminho para o diretor, cruzando os braços descontrolado.
Dumbledore riu, enquanto lia cada frase escrita pela garota, que corou de vergonha.
— Ora Severo, o que quer que eu faça? Vejo aqui apenas uma garota divertida que te admira!
Snape lançou um olhar mortal para o velho de olhos cintilantes.
— O que quero que faça? Quero que dê um jeito nessa garota, antes que eu mesmo dê!
Skyller riu, pensando nos mil e um jeitos que ele poderia lhe dar.
— Deixe-nos a sós meu filho! Quero dar uma palavrinha com essa mocinha! – Disse o diretor, olhando por debaixo dos oclinhos meia lua.
— Ótimo! – Sibilou Snape se virando e indo embora.
— Jujubas? – ofereceu o velho, fazendo com que Skyller pegasse algumas, — Sabe, eu gosto muito de Severo! – Começou Dumbledore, — Eu sempre o prezei muito Skyller, ele é pra mim o mesmo garoto de anos atrás, assustado e acuado! Você meche com ele! Eu posso ver...
Skyller arregalou os olhos e um “oh” formou-se em seus lábios.
— O conheço bem o suficiente, para entender o porquê ele se irrita tanto com você! Você o acua, o assusta e o deixa sem armas... É uma garota corajosa senhorita, cheia de artimanhas, mas ele não gosta de estar desarmado... – Dumbledore pegou outra jujuba enquanto alisava as longas barbas, — Ele é um bom homem, mas todos nós nos encontramos em momentos de muita tensão, — ele acariciou de leve a mão escura e seca, que não passou despercebido pela garota. — Nos encontramos em uma época louca minha filha, onde todos nós estamos prestes a nos cobrir com um manto negro... Mas Severo sempre esteve coberto por esse manto... Eu sempre soube que uma leoa seria capaz de domá-lo, — Ele riu, — Mas eu realmente torço para que todos nós tenhamos tempo para ver isso acontecer... — Você gosta dele?
Ela foi pega desprevenida. Essa pergunta era algo que ela estivera fugindo desde o momento em que ele encostou seu corpo no dela, sussurrando em seu ouvido. Naquele dia ela sentiu algo estranho, algo que não deveria sentir, mas ela gostava dele? Quanto? E quando deixou isso acontecer?
— Eu... eu n-ao, sei senhor!
— Não é vergonha se apaixonar minha filha! Nem sempre os amores acabam em desastres! Mesmo achando que se apaixonar em meio a uma guerra é...
— Suicídio! – Ela completou.
— Mas não é o fim, e nem precisa ser! – Disse Dumbledore, — Ele acabará cedendo se você quiser! E se você quiser, ele será seu, eu posso ver nos olhos dele, até o fim...
Ela engoliu em seco sentindo que as lagrimas podiam a qualquer momento entregá-la. Resolveu mudar de assunto, antes que ele falasse mais coisas profundas a deixando mais atordoada.
— Senhor sua mão ...
— Ah! Uma historia fascinante minha querida, mas que não cabe a esse momento! Talvez alguma hora eu lhe cont...
— Não! Eu não sou o Harry – Gritou ela. – Fazendo com que Snape que esperava no corredor entrasse assustado na sala.
— O que está acontecendo aqui? – Ele perguntou.
— Ah, estávamos tendo uma fascinante conversa, ainda bem que se juntou a nós Severo! – Disse Dumbledore.
— Isso é uma maldição não é? – Ela questionou.
Os dois ficaram estáticos, ela era visivelmente perceptível, nada passava ileso aos seus olhos prateados.
— Sim! – Respondeu Dumbledore.
Skyller se levantou, indo direto a janela enquanto pensava.
— Você usou uma horcrux?
— Como sabe disso garota? – Perguntou Severo.
— Você a usou? – Ela o olhou, e o velho apenas assentiu tristonho. — Meu pai era um dos braços direitos de Voldemort... Acho que sabem disso! Ele nunca quis que eu fizesse parte de tudo aquilo, ainda mais depois que mamãe... – Ela hesitou. — Em umas das reuniões, eu me lembro deles terem comentado isso... Voldemort contava aos comensais, como ele reviveu, graças à fragmentação de sua alma.
— Você escutava as conversas deles? – Sibilou Snape irritado, ela apenas assentiu.
— Mas naquele dia, eu não passei despercebida por ele... Eu nunca vou poder me esquecer de seus olhos... Os olhos que me devoraram como se eu fosse um premio... Voldemort pediu para que eu me aproximasse, eu me senti hipnotizada e aterrorizada! Meu pai correu me tirando da sala, e pedindo ao elfo para que ficasse comigo!
Uma fina lagrima escorreu pelo rosto delicado de Sky. Severo teve a súbita vontade de enxugá-la e apagar todas as lembranças ruins que aquela garota tinha.
— Naquele dia, papai foi castigado! Eu o vi jogado na sala de estar, machucado... Nada nesse mundo doeu mais do que aquilo... Temo que vocês não saibam como curar essa maldição.
Dumbledore continuava a olhando, ele desconfiava que a menina guardasse mais segredos, e que estes seriam cruciais para a guerra.
— Não há como! – Disse Snape, — Eu tentei de todas as formas! Consegui apenas retardá-lo... Em apenas 1 ano.
— Eu sei como...
Eles se entreolharam.
— Existe uma erva muito rara de se encontrar! Papai a cultiva lá em casa, quando se trabalha com artes das trevas é preciso ter cautela, ele sempre diz...
— Mas como...
Ela riu.
— Eu também lia os livros escondidos do meu pai! A fusão da erva com raiz de losna, e pó de chifre de unicórnio consegue sarar essa maldição! Foi uma criação dele eu acho...
Agora Snape entendia o porquê não sabia dessa poção, ela fora criada por Pitter, que sempre fora exímio em poções!
— Irei nesse fim de semana em casa para buscar a erva para o senhor! – Disse ela.
— Não poderá ir sozinha minha filha! – Disse Dumbledore.
— Não se preocupem! Sei bem como me defender!
— Deixe de ser idiota menina! – Disse Snape, — Acha mesmo que deixaria você ir sozinha?
Skyller riu, ele ficara extremamente fofo com toda aquela proteção, Dumbledore deu uma leve piscadela para ela.
— Eu sei que me ama professor! Mas não posso deixar que se arrisque assim...
— Iremos todos nós então! – Disse Dumbledore encerrando o assunto.
***
Snape jogou-se no sofá de seus aposentos exausto e completamente perplexo com o que Skyller sabia. Como uma garota poderia esconder tão bem tantos segredos, tantas dores e amarguras?
“Ela aparentava ser tão frágil como porcelana. Toda aquela luz que ela emanava, os sorrisos safados, a mania de me provocar... Tudo, exatamente tudo era encoberto por um passado obscuro e sofrido como o meu. Ela era feita de luz e banhada pelas trevas!”
Snape sentiu-se levemente relaxado por ter uma possibilidade de salvar Alvo. Apesar dele ser um velho enxerido, ele o considerava como seu melhor amigo, e tê-lo que matar entraria para a lista de arrependimentos. A última coisa que ele queria era mais um fantasma o atormentando.
Um ardor o tirou de seus devaneios, ele correu a mão para a marca em forma de serpente no braço que queimava.
— Maldição, era só o que me faltava! – Disse Snape aparatando logo em seguida.
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