Devora-me
5 A leoa
Notas iniciais

No outro dia Harry e Rony só falavam da loja de Fred e Jorge enquanto Sky se manteve silenciosa quase toda a manhã, hoje eles finalmente partiriam para Hogwarts, e ela estava visivelmente nervosa.
— Vocês perderam! – Disse Rony pela milésima vez, — A loja era magnífica!
— Sky esteve admirando algo muito melhor! – Comentou Gina.
— Gina, deixa de ser pervertida! – Disse tentando soar inocente.
Mas a verdade é que ela não parou de pensar no misterioso homem, que vira na Travessa. Em um lugar tão sujo ela jamais imaginou encontrar alguém como ele.
– Talvez essa maldita guerra tenha servido pra algo afinal! – Pensou.
***
Sentada no vagão do trem Sky observava a paisagem mudando diante de si. Na poltrona a sua frente Hermione lia um livro silenciosamente tal como Gina que foliava uma revista de moda. Ela reencostou sua cabeça novamente na janela perdida em pensamentos, quando Harry entrou nervoso com Rony.
— Eu já concordei com isso Harry! – Disse Rony sentando-se, — Mas não entendo o que Draco foi fazer lá!
Harry pareceu pensar sobre o assunto, para depois dizer
— Acho que sei o que ele foi fazer lá Rony! Ele é um deles! Digo, tenho certeza que agora ele também é um comensal da morte!
O assunto tirou a garota de cabelos prateados de seus devaneios. Ela olhou com olhos fumegantes para Harry, Ronald engoliu em seco.
— NÃO! Como pode ser tão cruel e mesquinho Harry? – Disse ela, — Como pode tirar conclusões precipitadas a respeito disso? Você acha mesmo que tudo isso, que essas coisas que andam acontecendo é mesmo por sua causa? Acha que as pessoas que desaparecem ou as que são mortas são mesmo por você? – Desabou ela.
Ninguém disse nada naquele momento. Ronald encolheu no estofado, tentando não ser alvo de toda aquela fúria. Harry apenas a encarou com os olhos arregalados, abrindo e fechando a boca, tentando dizer algo, mas as palavras morriam em si.
A guerra nem havia começado, e Sky já estava farta. Estava cansada de todos os dias pedir em silencio que a próxima morte não seja de alguém que ela ame, que o próximo nome a ser divulgado não seja de seu pai. Paciência era algo que ela nunca fora presenteada, mas naqueles tempos quem a cultivava poderia se considerar sortudo. Sky nunca fora defensora dos comensais, mais do que Harry ela nutria um ódio especial por Voldemort.
Ela ainda se lembrava com dor, as várias vezes que encontrou seu pai caído no chão da sala, ferido devido às torturas que o próprio Voldemort fazia. Lembrar-se disso era difícil, mas lembrar-se dos motivos dele era ainda pior. Diferente de Harry ela conhecia Draco. As várias vezes que os comensais se encontraram em sua casa, ela e Draco sempre se escondiam, temendo que a qualquer momento um deles fosse o próximo. Draco era como o pai de Sky, bom o suficiente para fazer as piores escolhas para proteger os que amam.
Ela saiu da cabine nervosa, as lembranças e as palavras de Harry a afetaram lhe deixando enjoada. Ela encontrou uma cabine onde se sentou colocando os pés na outra poltrona. Lá fora as imagens se misturavam pela velocidade no trem, como os sentimentos dentro si. Ela era um turbilhão de sensações e um pouco dessas escorreram pela face, amargas e cortantes. Sky não soube por quanto tempo chorou, mas quando finalmente acordou o trem já havia parado, e uma nova vida estava prestes a começar.
***
Skyller estava maravilhada com tamanha beleza daquele local, mas estava mais nervosa ainda pela sua seleção. Seus amigos já haviam entrado e ela ainda esperava ansiosa pelo velho de roupas cintilantes.
— Skyller? – Uma conhecida voz tirou Sky de seus devaneios, ela se virou já com um sorriso no rosto para o garoto loiro de vestes elegantes.
— Draco! – Disse o abraçando.
— Não sabia que seria transferida pra cá! — Nem que não sabia fazer amizades – Disse zombeteiro.
— Você anda ocupado demais pra saber das novidades, Draquinho! – E eles são legais! Precisa conhecê-los melhor!
— Não ando com Grifinórios! – Disse em um charmoso sorriso, — E vê se, se comporta ok, Sky?
Ela colocou um pirulito na boca, e lhe ofereceu uma leve piscadela, que o fez pensar que ela não seguiria seu conselho.
Não demorou muito para que Dumbledore se achegasse a garota.
— Oh, me desculpe à demora minha filha! – Disse ele ainda limpando o resto de doces da barba, — Jujubas?
— Não, obrigado senhor! – Respondeu sorridente.
Ela o seguiu, descendo lentamente as escadas para depois ficarem de frente a uma enorme porta, que fora aberta com um simples toque do diretor. Seus olhos percorreram excitados por todo o salão, milimetricamente decorado, e depois parou em duas orbitas negras que a fitava curioso.
***
Snape estava visivelmente nervoso. Todo ano Dumbledore se atrasava para a cerimônia de boas vindas, mas esse ano ele estava de parabéns.
— Não entendo porque ele faz isso! – Disse Minerva, — Todo esse mistério, todo ano!
Snape bufou.
— Não duvido que ele tenha se afogado em doces em sua sala! – Disse ele.
A porta fora aberta maestrosamente, e todos olharam curiosos para a entrada. Um velho de roupas extravagantes adentrou sorridente o local, atrás dele, uma garota de cabelos prateados e um batom vermelho. Snape levava à taça de vinho a boca quando a viu. Ele não chegou a beber o vinho, nem tão pouco percebeu o quão apertado segurava a taça. Snape a encarou curioso, a garota que lhe desafiara com o olhar na Travessa estava ali, com suas roupas rasgadas e negras, e um irritante pirulito entre os lábios. Os olhos cinzas se encontraram com os de ônix, e ela percebeu o desconforto do mestre ao vê-la. Sky deu um leve sorriso e uma piscadela, direcionada a ele, o fazendo mostrar sua conhecida carranca.
Dumbledore sentou-se ao lado de Snape, enquanto Minerva colocava o chapéu na garota.
— Não me diga que ela é a filha de Pitter? – Questionou Severo.
— Sim, sim! Como ela cresceu, não é mesmo? Lembro-me de quando ela tinha cinco anos! Uma garota adorável! Você já a conheceu?
Snape rangeu os dentes.
— Eu a vi na Travessa, há algum tempo atrás!
— Na Travessa? Mas o que ela fazia lá?
— Também gostaria de saber! – Respondeu a tempo de ouvir:
— GRIFINORIA!!!
A mesa da Grifinória aplaudiu enquanto seus amigos assoviavam contentes. Sky fez um movimento sexy jogando os cabelos para o lado enquanto caminhava para a mesa dos leões, ela sabia quem estava a olhando. E da mesa dos professores, um Sonserino sorria com desdém, ele já tinha vários motivos para retirar pontos daquela casa.
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